Meio
Um copo meio cheio, é um copo meio vazio...Você pode ver como quiser, mas não deixará de ser um copo pela metade...
A vida é uma enorme roda-gigante, você pode estar em cima e eu estar embaixo, mas no meio a gente sempre se encontra.
Em meio a tantas pessoas que vivem de aparências, prefiro viver de acordo com as minhas próprias verdades.
"A liberdade pode causar vertigem, mas é por meio dela que a alma aprende a voar em direção às estrelas sem perder de vista a lei do amor."
Ando
Meio que lerdo
de pensamentos
Ando
Meio que surdo
Um vento muito brando
Me acalenta
de vez em quando
Uma tormenta
Me atormenta
Quando, por falta de sorte
Venta mais forte
Ando
Pensando
Com minha cabeça de vento
e meus ouvidos moucos
Que não são poucos
Os motivos
Pelos quais eu me esquivo
de dar-lhes
Um tanto assim de atenção
Enfim
Se fosse ouvir meu coração
Seguiria a direção do vento
Que orienta o pensamento
E quando chegasse o dia
Que alegria
Estaria muito longe
da voz da razão
Esta
Abrange
Tudo que demais me guia
Então
Sempre que acaba o dia
Recolho meu sorriso
Adio
Outra vez minha alegria
Preciso
Fazer coisas que tanto odeio
O início me fez fazer assim
O fim não chegou
Estou ainda no meio
No meio de um sonho
Um sonho meio tristonho
Tristemente
Sonho acordado
Uma história linda
Portanto
Enquanto o dia não finda
e nem tampouco inicia
Paro um pouco
Me recolho
No mesmo canto onde guardo
A tristeza e a alegria
Mescladas
Ambas tem cara de nada
Aguardo um tempo
Que tarda a chegar
No tempo onde estou
Meu coração não parou
E nem minha alma morreu
Olho no espelho pra ter certeza
de que eu
ainda sou eu
E não há como negar
Nasce novamente uma lembrança
de que existe, sim
Uma esperança latente
Antes que seja tarde
Eu sei
No meu coração que arde
Nada
Nunca mais
Haverá de afastar a gente
e durmo em paz
Edson Ricardo Paiva
odeio indivíduos que cortam o pensamento no meio. Eu me odeio, mas com certeza esse não é um dos motivos.
efervescência.
Uma estação meteorológica no meio do oceano passa os dias registrando o que acontece ao redor dela, embora ninguém esteja realmente ali para olhar. Ela fica sozinha, recebendo vento, chuva, mudança de pressão, correnteza, e mandando números para algum lugar muito distante, onde alguém provavelmente olha para aqueles dados tentando descobrir se o que está acontecendo no meio do mar vai chegar até a costa. Gosto de imaginar que, em algum momento, alguém começou a perceber pequenas alterações nos registros e passou a acompanhá-las com mais atenção do que deveria, não porque houvesse uma tempestade, mas porque havia alguma coisa diferente acontecendo e a diferença, quando a gente não entende de onde veio, costuma ser suficiente para ocupar mais espaço do que deveria.
Por isso que eu tenho tanta facilidade para me perder em pequenas coisas. Não é preciso que o céu fique preto ou que o mar se levante para eu começar a prestar atenção, as vezes basta uma mudança tão pequena que ninguém mais percebe, uma direção diferente do vento ou uma nuvem que parece estar se formando mais longe do que de costume, e de repente aquilo que era apenas parte da paisagem começa a parecer uma mensagem que eu ainda não consegui decifrar. Eu sei que existe uma diferença enorme entre observar e interpretar, mas quando alguma coisa importa de verdade parece que o cérebro esquece dessa diferença e começa a tratar qualquer detalhe como se tivesse sido colocado ali especialmente para ser encontrado.
O curioso é que, quando a gente está longe, tudo parece maior do que realmente é. Um barco se transforma num ponto no horizonte e, justamente por ser pequeno demais para enxergar direito, passa a carregar todas as possibilidades que a distância permite. Você não sabe quem está dentro, não sabe para onde vai, não sabe se está indo embora ou apenas seguindo uma corrente que você não consegue ver, e mesmo assim existe uma vontade de continuar acompanhando aquele ponto até que ele desapareça, como se olhar por tempo suficiente pudesse finalmente revelar alguma coisa.
Eu acho que é aí que começa a confusão, porque não existe nada de errado em querer entender o que está diante dos olhos, mas existe alguma coisa profundamente cansativa em sentir que só consegue ficar tranquilo depois de entender tudo. A pessoa passa a observar o próprio pensamento como se estivesse tentando encontrar uma rachadura numa parede, e quanto mais procura, mais pequenas imperfeições aparecem. Uma palavra que poderia ter sido dita de outro jeito, um intervalo que poderia ter sido menor, uma mudança que talvez nem tenha acontecido, e tudo isso vai sendo colocado lado a lado até formar uma imagem que parecia não existir antes.
Depois vem aquela sensação desagradável de ter ido longe demais, e
eu queria que fosse diferente. Queria conseguir deixar certas coisas simplesmente existirem sem precisar acompanhar o tempo inteiro, porque existe uma maturidade muito bonita em quem consegue confiar no que não está vendo e continuar vivendo sem transfomar a distância numa ameaça. admiro isso nas pessoas. Essa capacidade de deixar uma janela aberta sem precisar passar a noite inteira verificando se ainda está aberta, de saber que existe um mundo acontecendo fora do próprio campo de visão e não sentir que precisa conhecer inteiro para permanecer em paz.
Ainda estou aprendendo essa parte,
porque existe uma coisa muito estranha em perceber que, as vezes, a vontade de proteger alguma coisa começa a se parecer com a vontade de apertá-la. É parecido com uma sutura que você fica examinando porque está preocupado com a cicatrização e, sem perceber, passa a mão perto demais, encosta onde não devia, sente aquela queimadura fina que vem de dentro e imediatamente quer mexer outra vez para descobrir se está tudo bem. Só que a pele não entende preocupação como a gente entende. Ela só entende que foi tocada antes da hora, e aquilo que estava fechando começa a reclamar.
pode ser que, certas partes de nós funcionem assim também.
A gente sente uma coisa, tenta descobrir de onde veio, volta nela, procura outra explicação, encontra uma terceira, e quando percebe já está cansado de uma história que começou pequena demais para merecer tudo aquilo. O que torna tudo pior, porque ninguém gosta de admitir que passou tempo demais olhando para uma nuvem tentando descobrir se ela significava chuva quando talvez ela estivesse apenas passando.
Eu gostaria de conseguir fazer diferente sem precisar deixar de sentir. Não quero me tornar alguém indiferente, porque acho que a indiferença seria uma solução muito fácil para um problema que não deveria precisar de solução. O que eu quero é aprender a não transformar aquilo que sinto em uma obrigação de agir, aprender que uma inquietação pode existir dentro de mim sem precisar virar pergunta, investigação ou resposta, e que nem toda coisa que queima precisa ser aberta para descobrir por que está queimando.
E seja isso que o tempo faça quando finalmente consegue trabalhar sem a nossa interferência, ele pega aquilo que parecia impossível de deixar quieto e, pouco a pouco, ensina o corpo a não procurar mais a ferida.
Enquanto isso, a estação continua no meio do oceano registrando o vento, a pressão e a temperatura, mandando seus números para algum lugar que não consegue enxergar o mar inteiro de uma vez. Alguém recebe aqueles registros e passa horas tentando descobrir o que eles significam, talvez alguém simplesmente arquive tudo e espere a próxima medição. O oceano continua existindo nos dois casos, indiferente à quantidade de atenção que recebe, e talvez haja alguma paz escondida justamente nisso, em entender que nem tudo precisa ser acompanhado para continuar sendo verdadeiro.
Eu ainda olho para o horizonte mais vezes do que gostaria, ainda existe uma parte de mim que tenta encontrar formas nas nuvens e imaginar o que existe depois delas, mas estou começando a entender que crescer talvez não seja deixar de olhar. E sim olhar e conseguir permanecer onde estou, sem transformar aquilo que não alcanço em alguma coisa que preciso possuir, explicar ou impedir.
E, quem sabe, depois de algum tempo, o céu volte a ser apenas céu, o mar volte a ser apenas mar e aquilo que hoje parece tão urgente consiga finalmente passar por mim sem deixar a mesma queimadura.
MIGALHAS DA GRANDE MESA.
Em meio às inquietações da existência humana, às dores silenciosas da alma e aos desafios do aprimoramento moral, Migalhas da Grande Mesa apresenta uma coletânea de dissertações e reflexões destinadas ao estudo interior, ao despertar da consciência e à compreensão das leis espirituais que orientam a caminhada evolutiva do ser humano.
Inspirada nos ensinamentos de Jesus e nos princípios luminosos do Espiritismo, esta obra conduz o leitor por temas essenciais da experiência humana: a gratidão, a dor, a renúncia, o perdão, a caridade, as provas da vida, a responsabilidade moral e o indispensável trabalho de renovação íntima.
Cada capítulo simboliza uma pequena parcela do alimento espiritual oferecido pela Providência Divina. São “migalhas” que representam os aprendizados recebidos na grande mesa da vida, onde todos somos convidados ao banquete do conhecimento, da fraternidade e do amor.
Sob a perspectiva espírita, compreende-se que nenhuma lágrima é inútil, nenhuma experiência é vazia de significado e nenhum esforço sincero pelo bem permanece sem frutos. As dificuldades humanas deixam de ser vistas apenas como sofrimentos passageiros e passam a ser compreendidas como oportunidades educativas para o Espírito imortal.
A obra procura unir reflexão filosófica, ensinamentos evangélicos e fundamentos doutrinários, convidando o leitor a substituir a inquietação pela confiança, o egoísmo pela solidariedade e a fragilidade moral pela construção consciente das virtudes cristãs.
Migalhas da Grande Mesa é, portanto, um convite à introspecção e à transformação espiritual, recordando que a verdadeira grandeza da criatura humana encontra-se no desenvolvimento do amor, da humildade e da sabedoria diante das Leis Divinas.
FONTES DOUTRINÁRIAS E OBRAS CONSULTADAS
Para fundamentação dos temas apresentados, foram consultadas as obras da Codificação Espírita organizada por Allan Kardec, referência essencial para o estudo dos princípios espíritas:
- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos (1857).
Fundamento filosófico da Doutrina Espírita, abordando Deus, a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos, as leis morais e o destino espiritual da humanidade.
- KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns (1861).
Estudo dos fenômenos mediúnicos, da comunicação entre os Espíritos e dos princípios que orientam a prática mediúnica responsável.
- KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864).
Análise das máximas morais de Jesus à luz da Doutrina Espírita, destacando a caridade, o perdão, a fé raciocinada e a transformação moral.
- KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo (1865).
Estudo das consequências espirituais dos atos humanos e da justiça divina fundamentada na lei de causa e efeito.
- KARDEC, Allan. A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868).
Reflexões sobre a criação, os fenômenos espirituais, os milagres de Jesus e a compreensão das leis que regem a evolução.
Também serviram como referência complementar os estudos publicados por Allan Kardec na Revista Espírita (1858–1869) e demais obras relacionadas ao pensamento espírita, como a Bíblia tradução de J.F. de Almeida, sempre buscando preservar o critério da fé raciocinada, da análise consciente e da fidelidade aos princípios doutrinários.
https://a.co/d/0gVu3oFp
" O texto explica que o mundo espiritual não pode ser representado com exatidão por meio de desenhos ou mapas materiais, pois sua substância é formada por elementos fluídicos e mentais. "
Do livro: Cidade No Além.
O LIVRO DOS MÉDIUNS.
A PUREZA DO MEIO E A SINTONIA INVISÍVEL.
O excerto de O Livro dos Médiuns, capítulo 21, número 233, constitui uma das mais lúcidas formulações acerca da mecânica moral que rege as comunicações espirituais. Não se trata apenas de disciplina exterior, nem de compostura social, mas de um princípio mais profundo e determinante, que se radica na estrutura íntima do ser.
A advertência é clara. A gravidade aparente não equivale à elevação real. Há consciências que se mantêm austeras no semblante, mas que ainda não purificaram os seus impulsos mais íntimos. Nesse sentido, a doutrina desloca o eixo da análise do comportamento para a essência moral, afirmando que é o coração, entendido como centro das disposições afetivas e éticas, que estabelece a verdadeira sintonia com as inteligências espirituais.
Aqui se evidencia um princípio de afinidade, que não é meramente metafórico, mas funcional. Segundo a própria codificação de Allan Kardec, os Espíritos não são atraídos por fórmulas, palavras ou rituais, mas por equivalência vibratória. Assim, ambientes moralmente desajustados não impedem o fenômeno, porém condicionam a sua qualidade. Onde há vaidade, orgulho ou interesses velados, surgem inteligências que refletem tais inclinações, frequentemente através da lisonja e do engano sutil.
Essa análise corrige uma interpretação primitiva que supunha o médium como mero espelho passivo das ideias do grupo. O texto esclarece que não é a opinião dos presentes que se projeta diretamente, mas sim a presença de entidades simpáticas a essa opinião. Trata-se, portanto, de uma ecologia espiritual, onde pensamentos e sentimentos funcionam como polos de atração.
A experiência comparativa, mencionada no trecho, é particularmente significativa. Quando o mesmo médium, em outro contexto moral, expressa conteúdos inteiramente distintos, demonstra-se que a fonte da comunicação não reside nele próprio, mas na qualidade dos Espíritos que o assistem. Essa variabilidade confirma a tese da independência das inteligências comunicantes e reforça a responsabilidade coletiva do ambiente.
O conceito de “homogeneidade para o bem” emerge, então, como critério técnico e ético. Não basta a reunião. É necessário um consenso moral elevado, sustentado por sentimentos depurados e por um desejo autêntico de instrução, livre de preconceitos. A ausência de ideias prévias não implica ignorância, mas abertura disciplinada ao verdadeiro.
Tal ensinamento harmoniza-se com a orientação evangélica contida em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 10, item 18, onde se exalta o caráter consolador da doutrina e a felicidade daqueles que a compreendem e aplicam. A prática, portanto, não se limita ao estudo teórico, mas exige coerência interior e vigilância moral contínua.
A sentença espiritual que afirma que Deus abençoa aqueles que amam santamente sintetiza, em linguagem simples, o mesmo princípio de afinidade. O amor elevado não é apenas virtude, mas força ordenadora que ajusta o espírito às esferas superiores.
Assim, a influência do meio não deve ser compreendida como imposição externa, mas como convergência íntima. O ambiente é, em última análise, o reflexo coletivo das almas que o compõem.
E é nesse campo silencioso, onde sentimentos e intenções se entrelaçam invisivelmente, que se decide a qualidade das vozes que respondem ao chamado humano, elevando-o ou desviando-o, conforme a dignidade do próprio apelo.
" Com o " Tinha uma pedra no meio do caminho " é sinal feliz porque tinha, mas é grandioso de perceber que agora falta somente a outra metade do caminho. "
