Literatura de Cordel

Cerca de 3421 frases e pensamentos: Literatura de Cordel

Enrosco

Minha alma necessita paz
É tanta guerra
Tanto erro
Tanto desfaz

Minha alma precisa de abraços
Lâmpadas acessas
Atenção
Redenção

Minha mente precisa
Quem sabe de que
De tantas coisas
Que enchem uma vida

E se ela é desmedida
Oh dor
Que se calem os mancos de caráter
Pois que a vida íntegra já tem enrosco
Imaginem uma vida com caroços?

Lupaganini

Inserida por Lupaganini

Quero viver sozinha
Quero que vais embora
Não quero forjar meu viver
Semente de flor que devora

Quero seguir em frente
Quero a solidao namorar
Quero me casar com o acaso
Quero amante virar

Quero o perdão lhe doar
Pois impossível se tornou
Deu-me razão para partir
E outros corpos querer

Quero a vontade explorar
E meu desejo impolgar
Quero em vento livre voar
E nunca mais me casar

Quero a felicidade
Quero a irresponsabilidade
Quero um vestido de festa
Quero dançar sem idade

Quero voltar o que era
Quero viver minha vida
Quero igual homem pensar
Voltar a namorar
E nunca mais me machucar.

Lupaganini

Inserida por Lupaganini

Serás meu pleno amor
Mesmo que não me queiras mais
Mesmo que amor não me tenhas jamais
Que eu lhe seja forte mesmo em fogo ameno

E lhe serei fiel mesmo em dúvida
Porque as flechas serão arrancadas
A cada grão de esperança
E como vulcão estarei a te esperar.

Inserida por Lupaganini

Felicidade me ponha perder de amor, talvez não seja pouco que eu queira, talvez não seja muito ,mas o importante é que não sei viver sem amor.

Inserida por Lupaganini

424

Havia tecido um dia longo
Um mistério para o físico feminino
Que com o maior refino
Se estrangula em labor

Era um dia triste
Sem cor aparente
Com o desalinho do cansaço
Parti

A noite era chuvosa
E uma chuva tão fininha
Que só reflexo do chão
Não sabia se ia ou vinha

Meus pés doíam
Meu vestido rodado
Em rodado moderado
Mostrava minha vontade

A minha frente duas sombrinhas andavam
Não queria saber quem as conduzia
Minha preguiça em janela
Já debruçava em pensamento

A chuva tão amena e amiga
Trazia bordados em mim
Eu estava feliz com um verde quente
Aquela chuva lavava

Meu cansaço
Minha alma
Meu traço mais perdido
E em desenho invadido
Estampou em mim a paz

E era tanta paz
Que a chuva traz
Que meus olhos irradiavam alegria
Já não via sombrinhas somente
A frente possíveis amores caminhavam
E daí
Como se felicidade caísse do céu
Peguei minha bolsa
E perdidamente zelei pelo próximo

Inserida por Lupaganini

Atrás desse mar há o sol
Por trás do sol há tantos fótons
Por trás dos fótons há energia
E por trás da energia há desejos
Tão magnéticos capazes
De unir todo esse meu universo
Às investidas do seu gracejo
(Victor Bhering Drummond)

Inserida por victordrummond

Um bom escritor possui não só o seu próprio espírito, mas também o espírito de seus amigos.

Inserida por pensador

Em geral, eu acho que você deve escrever biografias sobre aqueles que admira e respeita, e romances sobre seres humanos que você acha que estão redondamente enganados.

Inserida por pensador

Um livro é um filho que teve como ventre a mente de um escritor!

Inserida por EdeniceFraga

Daqui, dessa trincheira – é assim que gosto de chamar o meu local de trabalho, com suas camadas e camadas de livros e papéis, formando um recife à minha volta – daqui, como Hades, planejo tudo sozinha. Não há outros sócios ou parcerias possíveis. Sou o vórtice que leva os personagens ao seu destino. Sou responsável por cada gesto e cada fala.

Inserida por pensador

O bom em ser escritor é fazer coisas simples parecerem incríveis.

Inserida por MarieVild

Eu sempre vou escrever para pessoas normais. Nunca vou escrever para escritor ou intelectual. Literatura não é receita médica.

Inserida por GGoldman

REINADO
Noturnos são os passeios de minh’alma
Meu espírito vagueia por liberdade
Encarar a chama da vida
Talvez pela morte.

Quem sabe o homem
Aquele que neste instante
Atravessa a rua
E olha para o chão,
Talvez tenha perdido a alegria.

A moça que usa o fio no ouvido
A escutar músicas.
Pela tatuagem
Ela conhece o amor...
Um floral, lindo,
Que trança sua perna esquerda
Como se a possuísse.

Outro homem atravessa a rua
Segue vestido como quem procura um trabalho Não um trabalho qualquer
Vai decidido, confiante.

Aquele rapaz
Jovem
Está sorrindo sozinho
Talvez tenha conhecido
Os prazeres do amor.
Ah, o amor...

Esta noite as ruas estão agitadas
Os cães estão calados
Posso dormir tranquilo
Porque essa noite
Quem reina é o amor.

Inserida por marcio_vidal_marinho

AS HORAS

Sossegado e lento o dia nasce
O sol latente sem nuvens
As mulheres já estão apostas
Para o dia a dia
Os homens relutam,
Mas se aprontam.

As horas passam
E inevitavelmente a vida.


Inserida por marcio_vidal_marinho

QUEM?

Quem de nós?
Quem de nós?

Quem falará a verdade?
Os poetas?
Os advogados?
Quem?

Não há verdade!
Não há verdade absoluta!
E isso é absolutamente verdade!


Inserida por marcio_vidal_marinho

MARIA MÃE DE DEUS

Maria mãe de Deus
Maria minha mãe
Talvez eu seja Irmão de Deus,
Mas da parte pobre
E sem poderes.


Inserida por marcio_vidal_marinho

ÁLVARO DE CAMPOS FOI À COOPERIFA

Chegou cedo e viu o bar vazio
Pediu uma bebida, um conhaque.
Lembrou que estava numa terra
Dantes lusitanas; conquista das grandes.

Atravessou o mar, sentia medo de avião.
Não acreditava ser seguro o homem voar. Lembrou-se das riquezas que sua terra
Fez com aquele lugar, agora não
Pertence mais a ninguém.

Nem a Portugal, nem aos brasileiros,
Terra sem dono.
Relutara em vir
Quando soube que era na periferia.
Tinha lido como o Brasil trata
A população periférica e ficou com medo
De ser confundido com algum morador.

Veio porque sua essência
Suas raízes se misturam, Inclusive, aos moldes ingleses, Isso o livraria de todo o mal.

19h30
Algumas pessoas começam a chegar
Duas mulheres, doces senhoras,
Que chegam e o cumprimentam,
Isso lhe causa espanto.
Quem cumprimenta um desconhecido?

O local é um bar típico de favela
Pela fama achou que seria mais bonito,
Pinturas desgastadas, mesas grudadas.
As paredes que vão de encontro à rua
Não existem, são grades, como se fosse uma jaula.

Próximo ao balcão, uma estante de livros
Que se amontoam sem nenhuma ordem.
Na parede dois destaques, duas camisetas
[emolduradas;
Uma com uma árvore escrita, 1a Semana de Arte [Moderna da Periferia,
Algo semelhante ao que ouviu falar na década de [1920 sobre o Brasil, em Portugal;
A segunda é uma camisa da seleção brasileira de [futebol,
Assinada pelo Rei, que não era Sebastião, mas sim, [Pelé.

Quando dá por si, não há mais lugares vazios,
O bar está inteiramente ocupado.
Pessoas de todos os tipos,
Brancos, pretos, pardos, ruivos, amarelos,
Isso o espanta, pois nunca tivera em um lugar assim,
Onde essas raças se misturam.

20h20
Muitas pessoas o cumprimentaram
Sem ao menos saber quem ele era
É como se fosse dali, há tempos,
Como se pertencesse ao lugar.

Uma pessoa vai ao microfone
Agradece a presença de todos
E relata que todos são bem vindos.
Como todos podem ser bem vindos?

O líder, o poeta, Sérgio Vaz,
Chama um grito de ordem
Todos os acompanham:
Povo lindo, povo inteligente é tudo nosso,
Uh, Cooperifa! Uh, Cooperifa! Uh, Cooperifa!

Uma sensação estranha
O sangue que corre em minhas veias
Ferve, uma adrenalina toma conta,
É como se algo mágico fosse acontecer.

Chamam o primeiro poeta,
Jorge Esteves, ele é aplaudido, Calorosamente, como se fosse uma estrela. Seu poema fala do homem comum
Que migrou para tentar a sorte
Na cidade grande.

Assim, vai seguindo,
Outros poetas são chamados,
Lourival, Cocão, Lu Souza,
Rose Dória, Márcio Batista,
Marcio Vidal, Fuzzil, Elizandra, Viviane, Jairo, todos são tratados iguais.

Até que uma senhora é chamada,
Dona Edite, todos fazem um barulho Estrondoso.
A senhora que é cega
Recebe auxílio até o microfone,
Lá recita o poema “Navio Negreiro”,
Neste momento confesso que vi
A magia da poesia.

Senti algo novo, eu,
Álvaro de campos,
Engenheiro, viajado,
Nunca vi, nem senti
Qualquer coisa parecida.
Confesso que uma lágrima escorreu,
Chorei.
Chorei a dificuldade de ver
Tão distante das glórias lusitanas de outrora
A poesia viva.
Descobri porque escrevo.

O poeta “more”, Sérgio Vaz,
Chama-me, os aplausos
São os mesmos efusivos e festivos.
Vou à frente, me posto ao microfone,
Sinto-me trêmulo, nunca fiquei assim
Diante de qualquer público,
Nem do próprio Fernando.

Inicio o poema Tabacaria
E percebo meu coração
Disparado, uma felicidade,
Um nervosismo.

Na metade do poema
Estou mais nervoso
E não consigo mais falar.
Todos os presentes se levantam
E batem palmas, assoviam, gritam...
As lágrimas dessa vez são maiores,
Sinto-me abraçado,
Olho e vejo Sérgio Vaz ao meu lado,
Ele pede aplausos, aplausos,
No final, um coro:
Uh, Cooperifa! Uh, Cooperifa! Uh, Cooperifa! Uh, Cooperifa!...


Inserida por marcio_vidal_marinho

AMO-TE E ISTO BASTA

Amo-te e isto basta
Não quero riquezas
Nem palácios.

Amo-te e isto basta
Teu corpo luzente
Amplia meu desejo de viver
Sou teu como o ar à vida.

Não quero riquezas
A felicidade me basta.

Inserida por marcio_vidal_marinho

Não julgueis, para não ser um camuflado

Passo na rua e me param, para me dizer, que se eu não for para igreja não serei salvo.
Não tenho culpa irmão, se não preciso de acordo para ter Deus do meu lado.
Põe em pauta meus pecados,
Como se os seus fossem menor por serem apenas industrializados.
Diz ate que minha música é do diabo.
Não se iluda, sua música gospel não faz de ti um iluminado.
Repeito mutuo é lei da reciprocidade, aprenda, ninguém conseguirá comercializar e nem trazer por encomenda.
Sou um simples pecador, assumo todas as minhas falhas e todos os meus erros, faça você o mesmo, ao invés de me apontar o dedo.
Deus é o juiz, não faça da sua crença um negócio, você não conseguirá melhorar o mundo para alguém, enquanto piora-lo para si próprio.

Inserida por Wellgomes

Eu vivo a minha vida como um pássaro livre, que tem suas asas para levá-lo aonde quer. Mas como a única asa que tenho é minha imaginação, deixo-me ser conduzido pelo coração.

Inserida por zior