Literatura Brasileira
TEMPO DO AMOR
Constantemente, me perguntam: -Há quanto tempo existe o amor? -Ele vive naquele lugar interdito, onde não podemos alcançá-lo, só senti-lo. Por quê? Não sabemos, pois o amor tem o seu tempo certo de chegar...
O amor tem o tempo em que o mundo foi criado, não importa quanto tempo ele tenha. O que importa é poder senti-lo bem junto a nós...
O amor tem o tempo em que os sonhos começam a nos acariciar, com seu vento doce, que bate em nossa face e nos leva até às alturas alcandoradas...
O tempo do amor é quando começamos a olhar as coisas com mais beleza, na calma da natureza, com interesse de caminharmos crescendo, sempre, no aprendizado de sabermos amar, com o tempo que, a nós, é dado... Tempo de aprendermos acarinhar e sermos acariciada, com todo o tempo do mundo...
Quanto tempo tem o amor? Não é preciso marcar o tempo com os ponteiros do relógio, que giram sem parar, pois, o amor tem o seu tempo de surgir...Ele não respeita o relógio...
As concretizações, que o tempo do amor nos oferta, muitas vezes são nossos lauréis, em outras vezes, são lágrimas, que derramamos pelo caminho, ao ver nosso amor extinguido...Mas, o tempo do amor supera tudo isso, seja tempo de vitória ou de derrota...
Que importa há quanto tempo existe o amor, se tudo é amor em nossa vida. Podemos viver livres, sem medos, porque carregamos a força de nossos desejos e a experiência de que aprendemos a amar, no tempo do amor...
Um dia, quem sabe, poderemos nos dar conta de que andamos inventando muitas histórias para nós mesmas. Isso, para justificar nossas escolhas, nossas frustrações, no tempo do amor, que não tem tempo...
No tempo do amor, construímos teorias, manipulamos lembranças do passado e até inventamos casos. Mas, com o tempo, vamos perceber que, no tempo do amor, não cabe mais desculpas, pois, na torre, na qual se encastela o amor, ela nos protege de tudo e vivemos novas experiências, pois, a porta do castelo, que é o tempo do amor, esteve sempre aberta para nós...
Então, o porquê de nos preocuparmos com quanto tempo existe o amor, se ele vive em nós e nós nele...
Marilina Baccarat no livro "Sempre Amor"
DO NADA
Acabou o amor naquele momento, veio o assombro e a alegria acabou... Naquele instante, tudo acabou do nada e de tudo, só restou o nada...O dia ficou como um breu, uma noite sem estrelas e sem luar, a quebrar o coração dorido...
Então veio o choro, a discórdia e nossas mãos, que estavam sempre unidas, vieram a tremer. E da ambição do amor, surgiu o medo de não mais ter o amor, que sempre tivemos...
Naquela hora, então, veio o silêncio a calar nossos corações... Vontade de poder viver, não do nada, mas de todo o amor... Veio o temor...
Naquele instante, senti o silêncio, que vinha de dentro de você. E o pranto brotou nos seus olhos azuis, como o céu, fazendo com que os meus lacrimejassem, sem cesar, também...
Os meus olhos se afastaram dos seus. Meu corpo, do nada, também se apartou do seu...
Dos braços, que de tudo me abraçaram, por longo tempo, agora, do nada surgiu o adeus...
Do nada, para mim, o mundo acabou e somente senti o barulho do mar, com suas ondas gigantescas, a parecer querer me sufocar...
E do nada, senti o grande sofrimento do vazio do amor, que, para mim, parecia ser eterno e, agora, do nada, apenas sinto o adeus, que deveria ser do nada, mas é do tudo...
Das intermináveis horas pressentidas, do nada, lembrei-me das promessas calorosas, ditas ao meu ouvido, com ternura...
Do nada senti-me órfã, pois, sem amor, do nada, não somos nada e nem tudo podemos alcançar, sem o amor. Pois, ele poderá vir do nada, mas, nos transportará com tudo, para o amanhã...
Nada restou dos infindos momentos em que vivemos esse grande amor, que surgiu do nada e tudo se transformou... Agora, trago a chama em meu peito, das promessas, que vieram do tudo e agora são nada...
Como viver sem esse amor, se nada, dele, restou em minha essência...O porquê não sei. Pois, somente sei que seu perfume ficou impregnado na minha pele... Um amor, que surgiu do nada e tudo transformou, dando-me alento, mudando o rumo...
Do tudo, esse amor chegou pelos caminhos, que percorri...Mas, depressa, do nada se foi...
Marilina Baccarat de Almeida Leão no livro "Sempre Amor"
O inverno da vida é quando a velhice se aproxima, ele é nada mais do que o sequestro da primavera da existência, que é quando a juventude chega e a beleza da vida se vê em nós, com toda a sua pureza, dando-nos toda a liberdade, sem pensarmos no inverno, que, um dia, chegará, querendo ou não...
Marilina Baccarat no livro "É Mais Ou Menos Assim"
NO CAMINHO DA CRUZ
Agar
No planeta, quase toda a alegria é perigosa. Talvez por isso mesmo, o Pastor Divino preferiu conduzir as ovelhas pela porta da cruz.
O drama da redenção terrena é muitíssimo doloroso, mas o sacrifício é o nosso caminho para a ressurreição eterna. Sem Calvário vencido não há glória da Vida Imortal. À força de suportar o madeiro das aflições, veremos chegar o momento em que ele se transformará no luminoso cisne, cujas asas vigorosas nos transportarão para os Céus.
Para os grandes testemunhos, reservou o Senhor os grandes galardões.
A existência humana modifica seus quadros todos os dias.
E é necessário intensificar a nossa fé e a nossa confiança no Poder e na Bondade de Deus, para interpretar o sofrimento como estrada bendita de nossa redenção, para a vida imortal.
Nossas dores são nossas luzes.--NOSSAS DORES SAO NOSSAS LUZES
Quando soa o grande momento, ao cair das muralhas que nos prendem ao campo das sensações fisiológicas, então começa para nós, o bendito retorno à vida eterna.
Na Terra tudo passa excessivamente depressa e é um erro perder tempo no cipoal da incompreensão.
Enquanto no mundo, nem sempre sabemos valorizar a riqueza que os obstáculos nos oferecem, que as provas nos facultam, mas devemos arrimar-nos à certeza de que a Providência nos acompanha, de perto, jamais trazendo ao nosso espírito problemas e lutas de que não carecemos.
O tempo desfaz todas as tempestades, e as nuvens não se eternizam no céu.
A existência terrestre é apenas um dia, dentro da eternidade.
Não podemos violentar os princípios que regem a vida, e a sementeira deve anteceder a colheita.
Dilata-se a dor na Terra com o Discernimento. Compreender entre os homens é sofrer sempre mais...
Se os acúleos provocam feridas na alma apressa, não nos esqueçamos da fonte cristalina do perdão, da renúncia, do amor com o Cristo. Somente ao contato de suas águas balsamizantes é possível restaurar o coração dilacerado e abatido.
O tempo tudo transforma e o devotamento jamais esperou em vão. Mais vale seguir no trilho espinhoso, de cruz nos ombros extenuados, que marchar sob enganosa coroa de flores, com desconhecimento da realidade que nos aguarda.
Não é a primavera que descobre o diamante oculto na serra empedrada, mas sim o instrumento duro e cortante do lapidário. E nosso lapidário é o sofrimento, aceito com humildade e usado com paciência.
A existência vale somente pela alegria que pudermos estender e pelas bênçãos que conseguirmos semear. Não nos importem os obstáculos e contingências do caminho humano. Se o salário de Jesus foi o crucifixo aviltante, não temos o direito de esperar a compreensão imediata de nossa boa vontade, que o próprio Mestre não recebeu.
Sigamo-Lo, pois, hoje e sempre, em favor de nossa libertação.
Lento é o tempo
Vivemos banhados por nuances e pinturas, que se desenham ao longo de nossas vida... Sentimos, em alguns momentos, tristezas, em outros, alegrias... Amores, desamores e, assim, será até que a última página de nossa vida termine de ser pintada, escrita e lacrada... Sabe quando as horas não passam, os dias não correm... Bem, correm sim, passam sim, nós é que não vemos o tempo passar... Ficamos tão absortos, nessa busca do tempo, esperando que ele nos traga algo novo, durante as nossas caminhadas pela vida, que até achamos que o tempo não passa... O tempo se desenha, à nossa frente e, às vezes, gostamos tanto do desenho, que o tempo faz, que corremos para guardar aquele desenho, antes que o tempo resolva apagar e não nos deixe ver a linda tela, que ele desenhou da nossa vida... O tempo é sábio, ele não deixará ficar telas ou papéis em branco, pintará a vida, seja ela vivida em um mar revolto ou numa calmaria de um céu azul e, com um arco-íris, a enfeitá-lo... O tempo desenhará, com suas cores variadas, a vida, com as cores da primavera, do verão, do outono, ou seja, também, do inverno... Mas, nesse vai e vem de cores, o tempo vai, lentamente, pintando as nossas caminhadas, colocando flores em nossos caminhos... Muitas vezes, o céu poderá escurecer, mas o tempo, esse senhor, que nos acompanha, lentamente, saberá colorir o céu... A natureza manda chuva, manda sol e nós, aqui, esperando, impotentes, tendo que segurar nosso choro, nossa vontade, nosso afã... A vida passa e aqui ficamos a postergar, aguardando respostas, que não dependem de nós e que só o tempo trará... Bela é a vida, temos é que saber vivê-la, banhada por nuances e pinturas, que o tempo desenha, não deixando, jamais, que a pintura se transforme em um borrão... O sol forte, muitas vezes, poderá castigar a pintura... Então, o céu, que estava pintado de azul, ficará borrado de nuvens cinzas, que parecem pesadas de toneladas de chuvas, que poderá desabar e estragar o colorido, que o tempo pintou... O tempo é sábio, quando não há cor, os ponteiros do relógio parecem ir e vir em milésimos de segundos, que duram uma eternidade...
Os pensamentos pesam toneladas e nos deixam cansados por não vermos as cores... Mas, chega o tempo trazendo, com ele, uma brisa, que não balança uma folha sequer e o céu, com suas nuvens pesadas, parecem querer desabar... O tempo, com seus passos lentos, com suas telas e os pinceis em punho, coloca o cavalete, abre as tintas, coloca a tela no cavalete e começa a colorir a nossa vida... Manda, para bem longe, o cinza, em que o céu se transformou e embala a nossa vida com nuances, que só ele, o tempo, sabe nos proporcionar... O mundo, lá fora, gira, roda, acontecem coisas, pequenas e grandiosas... Mas, quando a gente sente, pressente, que algo muito grande, muito forte está chegando, não sabemos se é porque queremos, muito, que ficamos achando que estamos tendo pressentimentos... Só queremos, muito, que o tempo passe, que as folhas do calendário virem e o tempo deixe de ser lento... Temos pressa, temos urgência, mas, sentimos que, realmente, o tempo está lento, nós é que não percebemos... Precisamos mergulhar os nossos olhos em sua beleza, que o tempo pintou, para esquecer, por alguns segundos, que só o tempo nos dirá o que não sabemos... Andamos, assim, querendo tudo para ontem, queremos mais, queremos muito...
Andamos, nesse mau humor, por quê? Nessa vontade de que o tempo ande rápido, mas também devagar... Vontade que respostas sejam dadas, medo de quais serão elas... Uma preguiça indizível, uma falta de vontade, pois, o tempo não passa para nós... E, ao mesmo tempo, uma sofreguidão, uma ânsia, uma vontade enorme de sentirmos o tempo passar... Gostaríamos, insuportavelmente queríamos, que, por uns dias, apenas, não sermos... Quem sabe, o tempo, que é lento, nos reservará, uma pintura em sua tela, guardada pelo acaso... Assim, teremos lindas pinturas, com pedaços de nós, que voltaram diferentes no tempo... Seremos banhados por nuances e pinturas, que, somente, o tempo saberá desenhar, enquanto estivermos caminhando, nas trilhas da vida... E, assim, será, até que a última página da nossa vida termine de ser desenhada, pintada e fechada pelo tempo...
Podemos até estar tristes, mas o tempo, ainda que seja lento, colorirá de alegrias, as nossas vidas
Marilina Baccarat de Almeida Leão no livro "É mais ou menos assim"
Tudo o que a vida nos dá e dela adquirimos, permanecerá em nós...Sejamos pacientes, porque a vivência, não é algo que se possa presentear ou obrigar a aceitarmos...Ou sequer a entender...
Fazer diferente?
Se você anda cansada dos velhos sabores que sua cabeça tem produzido, cansada do mesmo ponto de vista, vive reclamando do jeito tímido de ser, de suas escolhas, do resultado que colhe de tudo isso, tente fazer diferente! O literalmente genial Albert Einstein disse: ”Não há maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes”. Essa frase dele é a mais inspirada resposta para quem se queixa da vida. Pois a regra vale para todas! Noventa e nove por cento do que nos acontece é, direta ou indiretamente, resultado de nossas escolhas. Adoro pão, sempre uso o mesmo, que é o pão Frances, bem torradinho, feito na hora, na padaria. Nunca me ocorreu que eu poderia mudar para pão integral, que é uma delicia, tanto quanto o francês. Era como se não existisse outro jeito de mudar, para mim, pão é pão! Mudei de receita e acho uma delicia! Será que você não tem seguido as mesmas receitas de sempre, para cada pensamento, reação, julgamento, atitude ou no jeito de interagir com as pessoas? Quem não suporta alguma realidade, que lhe cerca, deve parar de esperar que a mudança chegue. Pois ela não vem até nós... Ela vem de nós. Não é fácil, o hábito é traiçoeiro, nos faz agir, ou não, antes mesmo de pensar. Por isso, mudar começa na intenção, no tentar, pensar diferente para enxergar diferente e, por fim, fazer diferente.
Sua vida não é um roteiro de filme, que você pode conhecer o final, que pode regravar cenas e fazer diferente. Muitas vezes, você erra, mas é errando que se aprende o quanto é bom acertar, e é acertando que se aprende a não errar. Quem não tem objetivo não sabe o que quer, nunca chega aonde quer, e sempre fica insatisfeita, quando chega, seja qual for o lugar. Quem não cobra ações corre o risco de ver o barco parar no meio do oceano, por incompetência dos remadores. O que é esquecido, jamais será feito, a não ser que seja cobrado. A frase de Einstein é contundente, mas retrata, precisamente, o que acontecerá aos que teimarem em continuar fazendo o que sempre fizeram. Então? Vamos fazer diferente?
Não existe obstáculo, nesta vida, que o ser humano não seja capaz de superar. Muitas vezes, as pessoas costumam se esconder atrás de suas limitações e sentimentos, impedindo que os outros possam, realmente, entender o que se passa com elas. Por isso, as aparências nos enganam. Que bom seria se cada um tivesse a coragem de ser o que, realmente, é e de dizer o que, realmente, pensa, colocar para fora o que, realmente, sente. O mundo, com certeza, deixaria de ser, apenas, aparência e mostraria a essência. Para sermos essência, precisamos mostrar quem somos, mas, na maioria das vezes, não agradamos. Então temos que viver da aparência, mesmo contra nossa vontade, infelizmente. Somos o verdadeiro sentido de tudo aquilo que queremos ser. Ao acordarmos, pela manhã, escovamos os dentes, já pensando na roupa que iremos vestir. No banho, não sentimos o toque da água em contato com nosso corpo, porque estamos pensando no trabalho, que nos está esperando. Tomamos nosso café da manhã, sem perceber seu gosto, pensando nas contas, que iremos pagar. Mal sentimos o calor do abraço, que nos é dado pela manhã, porque estamos imaginando todos os telefonemas, que precisamos fazer.
Assim o dia segue, até que chega a noite. Deitamos em nossa cama e sentimos um enorme vazio, uma estranha sensação de não estarmos vivendo a vida e, sim, a vendo passar! É justamente isso que está acontecendo, a vida está passando e estamos nos esquecendo da essência, pensando, apenas, na aparência.
É chegada a hora de tomarmos alguma atitude e revertermos tudo isso. Precisamos começar a prestar atenção em tudo aquilo que fazemos, mecanicamente, todos os dias. Ao entrarmos no banho, pela manhã, temos que sentir o toque da água no nosso corpo. Tomar o café percebendo seu sabor. Do abraço, que recebemos pela manha, temos que sentir o calor que dele nos envolve. Trazer toda a nossa atenção para o momento presente. Quando estivermos no transito e depararmos com um congestionamento, não devemos nos estressar. Quando estivermos caminhando, temos que sentir o sol na nossa pele, observar os nossos passos, o caminho, as outras pessoas. Com o tempo, vamo-nos acostumando e percebendo mais a essência da vida que é o viver.
Vamo-nos sentindo mais presentes e o nosso eu interior terá uma sensação de que estamos vivos de verdade! Assim, aprenderemos a sentir a essência da vida e não nos preocuparemos tanto com a aparência...
Marilina Baccarat de Almeida Leão no livro "Pelos Caminhos do Viver"
Você se lembra quando havia só um telefone na casa? Quando estávamos aguardando o telefonema do namorado ficávamos plantadas ao lado do aparelho,impedindo quem fosse de se aproximar, pois a qualquer momento poderia chegar a ligação.
Por causa de somente um telefone na casa, aprendíamos a esperar e a respeitar o direito do outro.
Éramos mais maduras e não crianças mimadas, que querem tudo para si.Sabíamos estar juntas e aproveitar o momento familiar. Era gostoso escutar o disco na vitrola trocando de faixas e sempre alguém pedia: "Poe aquela agora, a terceira".Todos escutavam juntos!
Não sou saudosista nem louvo o passado. Pelo contrário. Acho a tecnologia ótima e agradeço a DEUS por todos os avanços que temos. Estou apontando para um exagero comum entre nós. A falta de partilha e a recusa de viver em sociedade.Essa mania de tornar tudo pessoal e não comunitário, nos precipita a um abismo solitário. Que tudo seja "meu" e nada seja "nosso",com isso ficamos sós e, nos tornamos solitárias e vazias.
Estamos solitárias porque escolhemos não dividir nada, nem coisas, nem espaço e nem nosso coração!
Mude seus hábitos e tente fazer muito mais em companhia dos outros. O resultado vai ser alegria e o prazer que o mundo nos roubou.
Venha, puxe uma cadeira e sente-se aqui ao meu lado!
Marilina Baccarat no livro "Com o Coração Aberto"
É preciso um esforço consciente, para não permitir que o sofrimento nos torne cegos � beleza da vida, não permitindo que possamos aproveitar o momento de sermos felizes... Sempre é possível recuperar a alegria de termos momentos de felicidade, basta que desejemos isso com toda nossa vontade.
Marilina Baccarat no livro "VIvas Emoções"
É fácil, nos dias de primavera ou verão, deportar esse espectro das marés violentas, para as extremas fronteiras das nossas compaixões, pois somos como o rio, ele, também, tem suas lástimas... Suas águas são luminosas. Mas, quando o sol se afasta, ao findar do dia e o crepúsculo chega, com suas noites geladas, suas mágoas são profundas... Ele sente sua fragilidade, ao ver os barcos ancorados e tudo se torna nostálgico para aquele rio... Assim, somos nós, sentimos a nossa debilidade, quando a gélida noite chega e nossos dós começam a mostrar-nos a triste cena da escuridão, em nossas vidas... Tudo, então, se torna mais difícil, somos tão frágeis quanto ao rio. Qualquer barulho, nessa obscuridade, transforma-nos em pedaços. Nossos corações se modificam em fragmentos de tristeza, pois a noite é melancólica... Somos como o rio, ele com suas águas estacadas e, nós, com nossos sangues parados em nossas veias, esperando a luz do raiar do sol...
Marilina Baccarat de Almeida Leão no livro "Corre como um Rio"
Quando a noite chega, quando todos se calam, sobram o meu silêncio e eu. Livres de qualquer barulho insensato e desmedido, carregado de ilusões... Não há mais ninguém...
Marilina Baccarat de Almeida Leão (escritora brasileira)
A culpa não foi do leão. Por longos anos, não conseguia entender um ditado popular que diz: “Temos que matar um Leão por dia”. Fiquei anos à procura de uma resposta para esse ditado. Com o passar dos anos é que fui entender bem o que é matar um leão por dia! Quando somos jovens, e com filhos pequenos, damos tudo para eles, como uma educação excelente, oportunidade de morar no exterior, estágio em grandes empresas. Mas ao darmos tudo a eles, esquecemo-nos de dar o mais importante, que seria a estratégia para lutar. Pois são raras as chances que temos de absorver grandes experiências nesta vida. Somos o resultado de nossos desafios. Com grandes desafios, nos tornamos grandes. Mas com pequenos desafios, nos tornamos pequenos. Foi daí que pude entender esse ditado popular. Matar um leão por dia é enfrentar a adversidade a cada dia e cuidar do nosso sucesso, para que possamos crescer e enfrentar os desafios, ser mais fortes e saber nos virar na vida. Quando chegamos a certa etapa da vida, é hora de descansar e deixar, para os filhos, nossos negócios. Mas qual não vai ser nossa surpresa, ao percebermos que nem sempre saberão tocar para frente o que deixamos. Daí que vamos perceber que, demos tudo para eles, mas o principal, que seria ensinar a lutar, não fizemos. E com esse fracasso, vamos pensar: o que foi que fiz de errado? Em que ponto eu falhei? Será que não ensinamos como matar o leão? Se assim aconteceu, a culpa não foi do leão!
Quem tem medo de gastar sentimentos, pode ter certeza, eles vão faltar mais adiante... Não é nada agradável ficar colhendo migalhas de afeto. Amar a vida é não ter vergonha de gritar para o mundo todo que ama viver!... Basta sentir, nas interações do dia a dia, esse gosto gostoso de saber amar e respeitar a vida. Podemos sentir a vida, ouvindo o cantar dos pássaros, uma música tão melodiosa, que muitas vezes, mesmo sem demonstrarmos sentimentos, temos uma vontade imensa de pedir para que eles continuem cantando... A admiração, pela vida, pode caber em um pequeno intervalo, entre uma inspiração e outra. Ouvimos uma música, que nos toca e sentimos vontade de cantar juntos! Temos milhares de erros, mas, os melhores acertos, são acreditar na vida. Sim, acreditar na vida, nos sonhos, em dias bonitos, em finais felizes, em anjos, em tudo que faz o nosso coração acalmar... Se alguém disser que acreditar na vida é bobagem, para mim, é um ser que não existe e que não sabe amar. Amar a vida, com coragem, é situação de defesa, que a gente cria ao longo do caminho e não podemos deixar que essa sensibilidade se desfaça, pois só servirá para nos afastar da vida e de nós mesmos. Borde delicadezas nos caminhos da vida que, muitas vezes, se tornam ásperas, mas temos que procurar reverter isso. Fazer com que a vida se torne maravilhosa depende de nós... Não deixe para depois. Depois é um tempo duvidoso, é distante de nós! Não perca tempo. Sorria assim que acordar, porque o dia não vai parar para dar motivos para sorrir. Brinque, cante. Ria sozinho, você vai achar engraçado lembrar algo que passou e foi agradável. Escute uma música bem antiga, que faça você cantar junto no refrão. Veja as fotos bem antigas. Lembre-se de um dia que você gostaria que se repetisse. Saia de casa, saia da rotina, saia de você mesmo. Não há motivos para ficar sentado, esperando a vida passar. Sinta-se vivo... Viva a vida!
Marilina Baccarat no livro "Pelos Caminhos do Viver"
MARES E MARÉS
Navegando, pelos mares, quando ele está calmo e o sol batendo em suas águas serenas, sentimos uma tranquilidade, que ignoramos e julgamos não haver elucidação... Uma calmaria, que nos dá conforto...
Mas, quando estamos no meio do oceano e a maré se torna revolta, é como se sentíssemos o mar agitado, com ondas de mais de setenta metros de altura, a acabar com a nossa quietude, diante da revoltada maré, que bate no barco, querendo alterar o nosso rumo... Transportando-nos para outra direção... Quando o mar se arruaça, é hábil, para acabar com toda a nossa perspectiva, de podermos navegar por suas águas abrandas, sem que sintamos o pavor da rebeldia do mar, a querer fenecer com a nossa miragem, de que tenhamos uma maré de paz e pacífica...
Há marés na vida de todos nós... As marés são refluxos, que nos trazem aquela calmaria, exatamente, quando, a tendência do mar agitado, fica plácida...
Muitas vezes, após o mar se insurrecionar, com suas ondas gigantescas, a bater nas pedras, parecendo requisitar o seu lugar; a nossa maré pessoal poderá ser abalada. Pois, a violência de suas maretas levam nossas alegrias, deixando-nos em um mar de tristeza e agonia...
Como se fosse uma conflagração em nosso ser, ele irritar-se por muito tempo, até que as ondas se acalmem e o mar se tranquilize... Mas, temos que enfrentá-lo e deixar que as marés da expectativa, com suas marolas, de calmarias, voltem a ocupar toda a nossa essência...
O mar, quando está crespo, as ondas nos horripilam, o céu se cobre de véus cinzentos. Não temos escapatória...
Roubando-nos a alegria, as ondas continuam a bater nas pedras e, com isso, sentimo-nos impotentes...
Mas, ele pode abrir caminho para uma maneira nova de sentir a beleza da maré, quando ela quer mostrar-nos a sua rebeldia... Nessa hora, o mar nos acalma e podemos observar a beleza que há, em seu balé, que, como se fossem passos de dança, vai e volta, batendo nas rochas ... Então... elucubramos: “Há mares e marés”...
Mares, que parecem querer-nos engolir com toda a sua força... E marés, que resolvem bailar e encantar-nos...
O mar, com sua imensidade, nos arrepia, principalmente, quando estamos no meio do oceano e não enxergamos nada, a não ser a vastidão dele e, muitas vezes, enxergamos o céu cinza... Mesmo assim, com um mar encapelado, podemos bispar, em seus marouços imensos, a perfeição que há dentro deles... Se ouvirmos a sua música, quando açoita, ficaremos mais calmos... Pois elas parecem até querer se exibirem, almejando aplausos...
Carregamos toneladas de veneno em nossas veias, pois sentimos medo das colossais ondas...
Quando a maré se acalma e o mar fica sereno, instala-se a bonança, para nos acalentar... E, assim, ficamos adocicados pelo alívio, que, em nós, se instala, devolvendo-nos a paz tão almejada...
Não nos importaremos de carregarmos toneladas de açúcar, para adoçar a nossa vida, logo depois que o mar se abranda... As ondas se transformam em marolas adocicadas, onde poderemos nadar com segurança...
Os tumultos podem até ser bastante agitados, um tipo tenebroso mesmo, que poderá nos apavorar... Mas não abalará o nosso eu...Não fomos culpados... Quem sabe foi o vento, ou a tempestade...
Então, instala-se a calmaria em nosso ser... E, assim, ficamos adocicados pela fleuma, dulcificados de nós mesmos, pela tranquilidade, que se fez...
Seja o encapelado mar bastante violento, tenebroso mesmo, com suas ondas violentas a nos apavorar... Mas não abalará a nossa quietude...Jamais...
Os nossos sentimentos, talvez, tenham sido cúmplices dessa revolta toda do mar... Mas, se mantivermos a quietude, conseguiremos passar pelo mar e vislumbrar, dentro dele, a maravilha que há, quando a maré está agitada e suas ondas bem altas... Cúmplices, talvez, fomos nós, de toda essa rebeldia do pélago...Mas, nossas alegrias resistem, guardando, em paz, a beleza, que há em suas marés...
E, se olharmos, ao redor, vamos ver que estávamos protegidos, dentro daquelas cenas, que nos amedrontaram... As ondas são altas, o mar se revolta e não temos como acalmá-lo...Seja o encapelado mar, o calmante para o nosso ser... Talvez, muitas vezes, esqueçamos cedo demais, que, dentro de nós, sobrevive o mar e as marés... Todo o mecanismo do nosso corpo nos diz isso: Há mares e marés, que podem nos apavorar...
Nossas desordens de sentimentos são riquezas poderosas, que guardamos, dentro de um tesouro, que, no fundo do mar, está... Assim, é a maré alta, ora fazendo com que o mar fique revolto, em outras, sossegado, como os ensejos de nossos anseios...
Seria caricato ficar culpando os nossos sentires, pelo que aconteceu... O mar encapelado, levando nossa alegria e dando lugar à angústia, em nossas comiserações...
O resgate de nossa prosperidade, após o passar das furiosas correntes, em nossos cálices, como se elas fossem culpadas pelo mar convulso, que houvera em nossas piedades, devem ser abdicados...
Vivemos culpando as marés, que, por nós, passaram, no resgate do sofrido, arrasando com o nosso ego e atravessando o nosso peito, como uma flecha...
É chegada a hora de repensarmos nossos feitos, que, no ocorrido, ficaram... As ondas estupras, altas, que fizeram com que as preamares enfurecessem o mar, a nós não mais raiarão...Cá dentro de nós, há mares de prazeres e marés de vencedores e não perdedores...
Derrubar, por terra, o conceito ultrapassado dos ensejos intranquilos, que, por nós, aqui, passaram e que, às vezes, ainda, teimam em querer aparecer, por aqui...
Depois que o mar se acalma, reconstruir-nos-emos, buscando, sempre, as correntes, em que o mar leva o nosso barco... Agora, não há mais angústia...
Esse mar de agitação, que, muitas vezes, passa, em nossa vida, não vai conseguir, jamais, levar a beleza da nossa alegria pela vida... Nossos sentires são nobres...Sabemos enfrentar o medo de um mar revolto, ainda que as marés estejam apavorando-nos e inundando nosso eu de pavor... As compaixões nascem, dentro da beleza da maré, quando ela está calma...serena... Avistamos, em suas maretas, a tão desejada quietude... E não há mar insurreciono, que possa acabar com a felicidade da nossa existência...
Rebelo, mares passam e as alacridades ficam, para nos mostrar a força, que temos, de poder vencê-los...
E essa mistura de angústia e belezas, que as ondas dançam, quando o mar está sublevo, é um mistifório, com a força, que há, em nós... Pois há mares e marés... Os mares, com sua calmaria, nos dão o alento e as marés a desesperação, quando, revoltas, estão... Se hoje, por um acaso, mares barulhosos surgirem, em nossas vidas, sejam as ondas fortes ou fracas, podemos demonstrar, em nossas faces, mais uma vez, que os ensejos, que vivem dentro de nossas vidas, havemos de vencê-los, em um mar tranquilo...
Que as marés, que vivem em nós, transportem-nos, para o lugar seguro... É o que desejamos...
O que somos e demonstramos, mais uma vez, é que saberemos enfrentar os mares agitados, com as marés, que caminham junto à nós... Pois, dentro delas, existe a força, que temos, em saber enfrentar o mar, mais violento que houver... Marilina Baccarat 24/05/2017
Somos humanos e é por isso que temos o direito e o dever de crescer todos os dias. Posso deixar para trás caminhos, que sempre percorri, mas posso aprender a trilhar um novo caminho. Entretanto, só eu posso decidir por este renascer diário.
Marilina Baccarat no livro "Pelos Caminhos do Viver"
Aqui, nestas margens, só estávamos nós três, as tiorgas, os peixes e nós... Era como se os nossos três olhares estivessem abarcando todo o universo, como se por um instante, os fragmentos de nossas vidas tivessem se recomposto... Havia estupor, maravilha e força. Troca, participação e calor...Havia perguntas e respostas, todas reunidas num único sopro de vida...
Quantos acontecimentos de nós não lembramos, havia o presente e o futuro, que seria o que nos anos vindouros construiríamos..Tudo o que acontecera antes não tinha a menor importância, tínhamos certeza de que tudo superaríamos.Qualquer obstáculo seria fácil para nós...
Isso para nós nunca seria azucrinante. Tudo seria apenas natural, pois seríamos como o fluir da água...
O passado, nas curvas, que fizemos, foram, algumas vezes, comoventes, em outras, destrutivo, mas, dele renascemos para viver nas recurvas do presente, sem dor e destruição, pois, conhecemos o verdadeiro significado da vida...Marilina Baccarat de Almeida Leão escritora brasileira... no livro "Vértices do Tempo"
Que não faltem flores
Hoje, nesta noite fria,
Enquanto o frio outonal
Está lá fora,
Prometo a mim mesma,
Não deixar que faltem flores,
Nem que seja eu mesma,
A dá-las a mim
Dar-me-ei esse prazer,
Já que me faz tão bem vê-las,
Senti-las, sentir o perfume,
Que exala delas.
Quero flores em cada canto da casa,
Pequenos gestos, fazem toda a diferença,
Algumas rosas em uma jarra,
Uma bacia repleta de amor-perfeito
Uma caneca com margaridas.
Em um dia de frio, como este,
Prometo jamais me esquecer de mim,
Nao deixar que os tropeços do caminho,
Me solapem, me sufoquem,
Ou me façam afastar de quem eu sou,
Nunca abrir mão do que gosto,
Que são as flores...Flores, muitas flores,
Para enfeitar o meu mural.
Das ínfimas coisas, sem importância,
Mas, que, para mim, são fundamentais,
Para que eu viva sempre com flores à minha volta.
Ainda que com meus tantos defeitos,
Falhas e idiossincrasias, que às vezes tenho,
Que não me faltem flores!
Marilina Baccarat de Almeida Leão setembro de 2020
Escritora brasileira.
Tudo o que a vida nos dá e dela adquirimos, permanecerá em nós...Sejamos pacientes, porque a vivencia, não é algo que se possa presentear ou obrigar a aceitarmos...Ou sequer a entender...
Ela é única e pertence exclusivamente a nós; do contrário, não seriamos o Eu de nós...
Marilina Baccarat no livro O Eu de Nós
