Literatura Brasileira
UM SER CHAMADO MULHER
Gostaria de falar de mulheres, que sabem ser uma mulher, no sentido mais amplo da palavra “mulher”. E isso inclui ser bela e faceira, vivendo cada fase, adaptando-se ao tempo, que, fatalmente, a deixará com rugas, que serão como sinais de experiência...
O tempo, também, certamente, a deixará com a barriguinha saliente, mas é um ventre, que gerou vidas, se tornou mãe no sentido mais vasto da vida...
Mas, ser mulher é muito mais do que isso, é saber guardar segredo e enfrentar tudo sem medo...
Ser mulher é ter a alma nobre, que sempre acaricia, mesmo tendo os olhos marejados de lágrimas pelo sofrimento... Ser mulher é saber compreender sempre...
Mulher tem que ser guerreira, mas, no dia a dia, criar poesias, lutar por um mundo mais justo, aprender a levar susto, quando a vida lhe surpreende, com amarguras, com angústias e tristezas, sem surtar...
Assumir que não é bonita vinte e quatro horas por dia, pois, há dias em que temos a cara de noite mal dormida, cara de mal agradecida, além de muitas outras... Mas, há dia em que temos a cara de noite bem dormida e bem vivida...
Ser mulher é saber aguentar os dissabores, os tropeços, que a vida lhe dá, mesmo quando lhe puxam o tapete e ela vai ao chão...
Ser mulher é saber enfrentar os enigmas, que encontram pela frente, tendo, sempre, um sorriso nos lábios e a mão estendida para quem precisar...
Ser mulher é saber acarinhar cada cabeça, que chora, tendo os braços como os de um polvo, para abraçar a todos e saber, carinhosamente, sempre, consolá-los...
Ser mulher é ser forte e resistente, suportar qualquer dor, seja a do parto ou de ser trocada pela melhor amiga... A dor é tanta, que chega a pensar “tinha que ser comigo?”... Mesmo, assim, não se entristece, porque sabe que a dor é passageira e logo virá a felicidade de outros momentos, de outras paisagens...
Ser mulher é ser feia ou bonita, é ver-se pelo avesso, olhar no espelho da alma e não saber perder a calma... No espelho, encontrar-se e, em seguida, reconhecer que errar e se perdoar é saber que a mulher é um ser de valor, pois, gera, em seu ventre, um outro ser...
Ser mulher é difícil, mas não é impossível. Se assim o fosse, não existiriam tantas mulheres maravilhosas, transitando e mudando o mundo para melhor...
Marilina Baccarat, escritora brasileira
Marilina Baccarat de Almeida Leão, é escritora brasileira, nascida em São Paulo -capital, onde passou sua infância e juventude. Casada com José de Almeida Leão. Moravem Londrina Pr
TOCAR NA ALMA
Tocar na alma é ter a sensação, que nem o pensamento poderá descrever. É estar presente, mesmo que, por breves momentos, na essência do outro em que tocamos, ou por que fomos tocados...
É ter a experiência da sensibilidade aguçada, de perceber o coração disparar...
Ter a habilidade de tocar na alma das pessoas é um dom que poucos têm. Pois a nossa alma anda descalça e não tropeça nos obstáculos...
E, assim seguimos procurando ter o dom de tocar na alma das pessoas, que não seria fácil...
Certo dia, ao acordarmos, vamos perceber, que, nossa imagem no espelho, há não é mais a mesma, gradualmente, nossa imagem vai se alterando...
Querendo ou não, começamos a envelhecer...Percebemos que nossa estatura está diminuindo. Os cabelos começam a embranquecer, as rugas aparecerem, e não ficamos satisfeitos com a imagem no espelho...
Chegamos até a perguntar a ele, como se ele pudesse nos responder: - Quem é esse, que me olha, como se os olhos fossem os meus?
Mas, acontece que a nossa alma não envelhece, continua com o mesmo abril, que tínhamos na juventude, a mesma alegria de outrora...
Tocar na alma, é o segredo que poucos conhecem, pois não são todos que conseguem tocá-la...Mas, nós conseguiremos, pois, a nossa alma continua com o mesmo viço dos vinte anos...
Tocar na alma, o segredo não é se olhar no espelho e procurar em nosso rosto, as rugas que surgiram, pois não adianta nada querermos melhorar por fora. O arremate externo, não vai resolver nada. Porque com o passar dos anos, a idade, se encarregará de marcar nossas faces com as rugas que, constantemente nos mostrará...
O importante, é termos convicção de que a nossa alma não envelhece, jamais terá rugas...
Ao olharmos no espelho, o nosso exterior, temos que procurar enxergar a nossa alma, que não envelhece e nos dá forças, para que saibamos tocá-la...Porque tocar na alma, é um dom, que muitos poucos já experimentaram...
O compositor brasileiro Antônio Carlos Jobim, o Tom, como era conhecido, possuía o dom de tocar na alma das pessoas, através de suas composições musicais, ele tocava na alma das pessoas, através de suas composições musicais, ele sabia tocar na alma do ser humano... Pois foi um mestre da harmonia...
Tom tocava em nossas almas, dando uma verdadeira aula de harmonia, quando tocava e compunha uma música, em seu piano...
Ele fazia com que a nossa alma, se tornasse mais harmônica e, dessa maneira, ele usando a sua habilidade, sabia tocar em nossa alma...
É admirável, acho que não vai mais, nascer outro mestre como Tom, que sabia tocar na alma...
Todas as vezes em que Tom abriu o piano, o mundo melhorou, ainda, que por poucos minutos, tornou-se um mundo mais harmônico...
Um mundo melódico e poético, pois sabia tocar na alma das pessoas...Todas as desgraças individuais ou coletivas pareciam menores, porque naquele momento, havia um homem se dedicando a produzir a beleza da música...
Tocar na alma de alguém é sublime, transmite muita paz, é tocar sem esperar retorno...
Com a sutileza do amor, com o seu gesto de tocar em nossas almas, ao abrir o piano, Tom, com uma nota, um acorde, uma canção, vinha tão carregado de sua essência, sensibilidade e sabedoria que, expostos à sua criação, todos nós, seus ouvintes, seus admiradores, também melhorávamos como seres humanos...Pois, ele sabia como ninguém, tocar na alma humana, com suas canções, quando abria o piano, para que o sofrimento se abrandasse...
Há várias maneiras de demonstrarmos amor e tocarmos a alma. Não exige nada em troca. É apenas um transformar de emoções...
Tom sabia fazer isso, quando abria o piano...Ele conhecia as limitações e necessidades de todos. Basta prestar atenção em suas músicas...Pois, sabia fazer, da tristeza, alegria, e sabia, como ninguém, tocar em nossa alma...
Tom fazia com que a alma do piano, além de sustentar a pressão das cordas, servisse, também, para tocar em nossas almas...
Marilina Baccarat- no livro "É mais ou menos assim"
Vivenciando instantes passados, não podemos deixar de recordar aquele abraço, que ficou no passado, mas permaneceu em nosso eu...
Um abraço, que gostaríamos de relembrar,
mas ficou para trás e se perdeu no tempo, na memória...
Abraço, que chegou em forma de amor, mas,se arrastou no tempo, deixando um rastro de felicidade e emoção, que, mesmo o tempo passando,seu perfume ficou impregnado em nós...
Marilina Baccarat no livro "Sempre Amor"
Que, por onde eu passar, que transpareça em mim,
o fidedigno e puro amor, não o amor apócrifo...
Marilina Baccarat no livro "Sempre Amor"
Mas, vamos colorindo os nossos passos, com o verdadeiro sentido da autoestima... Transformando, todo passo dado, em tranças, que se cruzam nas andanças, enlaçando-se e criando história, pelos caminhos...
Nunca haverá tristeza, se conseguirmos entender os caminhos da vida, com elação. Poderão, claro, ser confusos, mas conhecendo o verdadeiro sentido da soberba, jamais nos perderemos de nós mesmos, nesses trajetos, que a vida nos mostra...
Não vou contar o tempo, nem os passos, quero apenas que chegue aquele abraço, que fica entre o nó e o laço. Entre o ficar e o depois. Não quero medir o espaço, entre o esperar e o cansaço. Quero corrigir todos os traços, vindo de um abraço. Marilina Leão no livro "Pelos Caminhos do Viver"
fenda da ausência, é isso que torna todos extraordinariamente frágeis...É como se estivéssemos em um labirinto, com ruas escuras sem possuirmos uma lanterna em nossas mãos... Lá estava eu procurando entender ...
Marilina Baccarat de Almeida Leão no livro "Corre Como um Rio"
Mergulhei no tempo, revendo minhas fragilidades,ainda que em pensamento... Em silêncio, mergulho nas minhas sutilezas, como durante toda a minha vida...Continuo, sigo... Permaneço sendo frágil...
Marilina Baccarat no livro "Corre Como Um Rio"
Para onde vai a absoluta intimidade que se teve com o outro, a atenção, a dedicação, evaporaram? Talvez, em alguma nuvem, onde armazenaram tudo o que viveram e o que sonharam... Tão reais e etéreas, como só as nuvens podem ser... Eternas, sempre... Mas o que viveram, as horas que passaram juntos, que foram sublimes, não podem se acabar... Algo que fica armazenado, e que, mais do que nos faz lembrar, nos acolhe, nos envolve e confirma... As nuvens, que são eternas, guardam o rescaldo de um tempo que sobrevive aos acordos rompidos, às bênçãos desfeitas, às juras esquecidas... Somente ficam o sumo, o substrato, a força do projeto que um dia foi compartilhado pelos dois... Não mais, ficam o afeto espontâneo, o registro das intenções sinceras, da vontade de acertar tudo...
Gosto de imaginar, que vivemos em um mundo
cheio de espelhos invisíveis, onde os sentimentos, ali batem e retornam a nós outros...
Quando sentimos amor e alegria, pela conquis-
ta de outra pessoa, quando ela está bem no amor, se
sente feliz e realizada, é quando estamos espalhando
sentimentos afáveis. Ficamos felizes...
Esses anseios, que emanam do nosso ser, en-
contram esses espelhos, que refletem sentimentos
bons, os quais retornam para nós.
Marilina Baccarat De Almeida Leão. No livro sempre amor
Gosto de imaginar, que vivemos em um mundo
cheio de espelhos invisíveis, onde os sentimentos, ali batem e retornam a nós outros...
Quando sentimos amor e alegria, pela conquis-
ta de outra pessoa, quando ela está bem no amor, se
sente feliz e realizada, é quando estamos espalhando
sentimentos afáveis. Ficamos felizes...
Esses anseios, que emanam do nosso ser, en-
contram esses espelhos, que refletem sentimentos
bons, os quais retornam para nós.
Marilina Baccarat De Almeida Leão. No livro sempre amor
E, se quiser ficar ainda pior, nada como olhar as fotos, que estão nos porta-retratos: vai ter um péssimo dia, pela frente, e não diga que eu não avisei... Essas fotos são a sua vida, se for corajosa, jogue-as fora, coloque no lixo, ou leve-as para o fundo do quintal e faça uma bela fogueira. Quem sabe, você vai achar que se livrou do passado. Ledo engano, tenho certeza de que você não vai conseguir. Quem somos nós, se não tivermos passado?
Marilina Leão no livro "Atravessamdo Pontes"
Várias pessoas já fomos...Cada idade, uma delas, a receber da vida, as dádivas. Tropeçamos, pelo curso da vida, reinventamo-nos após os percalços; a recriar esperas, que nos serviram de ponte para o futuro... É preciso perder e se reinventar...
(Marilina Baccarat no livro "O Eu de Nós"
Quando todos se calam Quando se calam todas as vozes, reflito sobre mim, sobre o que me rodeia; sobre o que me faz rir e, também, sobre o que me entristece. É possível ouvir as palavras, que o coração murmura, gosto de ouvir essas palavras. Olho no espelho e me vejo. Não consigo fugir de mim mesma. Descubro algumas de minhas qualidades, de meus talentos, de meus dons. Não há como me esconder das minhas dores e limitações. Não existem aparências, não há posições sociais. O valor das vozes, que me rodeiam, costumam vir carregadas de verdades e leveza. O que é realmente importante para mim? O que realmente me é edificante? Gosto do meu silêncio, que está sempre comigo. Amo as pessoas, que são colocadas na minha vida, mesmo que sejam por breve tempo, são pessoas especiais! Marco distâncias, planejo e organizo sonhos. Chego a pegar carona nas asas da imaginação. Vou longe e essas pessoas me acompanham nos sonhos, até onde minhas asas alcançarem. Escuto, ouço o meu silêncio, dizendo-me o que fazer, por onde seguir, o que ser e o que devo mesmo sonhar. Na voz do silêncio, encontro a direção certa. Quando todos se calam, é o meu silêncio que me dá forças para vencer os obstáculos e escalar montanhas.
Quando a noite chega, quando todos se calam, sobram o meu silêncio e eu. Livres de qualquer barulho insensato e desmedido, carregado de ilusões... Não há mais ninguém...
Marilina Baccarat no livro "Escalando Montanhas"
O sol me espera...
No céu, brancas nuvens desenharam alegres figuras. O meu dia se encheu de sol! Atravesso a ponte, parece perto, logo ali, mas não consigo chegar. O sol me espera do outro lado, estico os braços, abro as mãos, quase chego, sigo em frente. Ainda não consegui alcançar o outro lado. Tento dirigir meu olhar, não ouso olhar para trás, nem desanimar, com as nuvens escuras, pois, sei que, do outro lado da ponte, há claridade, minha bússola vai me orientar. Quisera sentir, na palma da minha mão, essas nuvens brancas, que formam figuras alegres no céu. Como é belo saber que esse sol e esse céu, dissipam toda e qualquer escuridão. Olho o reflexo de mim mesma, na poça que se formou no chão, procuro algo, mas ainda não atravessei a ponte. Ainda não foi desta vez... Mas, em breve será... Atravesso devagar, preciso achar meu norte, seguir a agulha imantada, que anda desorientada, apontando lugares aonde nunca fui... Achar minha rota, não me desviar do caminho, não posso enfrentar rodamoinhos, tenho que contornar obstáculos. A bússola, que carrego comigo, conduz os meus passos, não deixa que eu me afaste de mim mesma.
O céu está claro e a trilha está visível. Aponta-me o caminho, a seguir, a agulha da bússola e me deixo levar pela orientação dela. Não sou andarilha, sequer sei o caminho, não conheço suas trilhas, só minha pena é o que possuo. Ergo a bússola em direção ao horizonte, pois é lá que está a minha verdadeira bússola, só ela pode me ensinar o caminho... Tudo clareou e o caminho se fez novo sobre a ponte, atravessei e encontrei ali, do outro lado, o sol, que estava esperando por mim. Esse sol, cuja luz, entra todos os dias, em meu coração e faz com que, em mim, ele, esse sol radiante, nasça todos os dias.
Marilina Baccarat no livro "Atravessando Pontes"
Hoje caiu a ficha na corrida do tempo,o ontem se desprende do hoje, o que foi jamais voltará. E mesmo que retorne
o hoje terá entrelinhas e cabe somente a mim decidir qual o caminho devo seguir...
Por mais que seja dura a escolha o certo deverá prevalecer...
Marilina Baccarat no livro "Pelos Caminhos do Viver"...
Trilhando novos caminhos:
Os novos caminhos escolhidos podem nos levar à vitória... Continuar é preciso, sempre, mesmo enfrentando o vento, que está contra... A elação, em nossas caminhadas, é necessária... Tantas e tantas vezes, se for preciso, caminharemos... Assim, não cederemos à indignação de observar, pelos logradouros, falhas, que, muitas vezes, podem dar uma certa beleza nos andamentos da vida e observaremos que não mais erramos os caminhos... Mantemos a nossa personalidade, com a presunção, que habita em nossa essência... Os tropeços, pelas trilhas, são inevitáveis, em várias situações da vida, mas, por causa deles, não podemos nos acomodar, dissipar a chance de que, com sobrançaria, descobriremos o caminho certo, esquecendo os fatos ruins da vida e trilhando em frente...
Marilina Baccarat no livro "É Mais Ou Menos Assim"
As sombras
No pranto amargo, de seus olhares, as sombras não poderão permanecer, pois, as alegrias, que as faziam animar-se, trazem, com elas, o conforto, e o dia enxuga seus prantos, que, muitas vezes, tiveram nas sombras dessa noite escura... Quando a noite começa a esconder o entardecer, as pessoas descobrem que estão com saudade da luz,
e, então, os vales e as colinas se transformam na falta dessa luz, que são cada vez mais mirabolantes, mais ostentosas, que transformam, a moderada atmosfera, no alegre cenário de uma verdadeira festa... Mais que uma festa, parece uma forma de resistência... Resiste-se ao escuro, luta- se contra aquela sombra misteriosa, que está no fundo de cada um de nós, contra as trevas, que, cedo ou tarde, nos esperam...
Marilina Baccarat de Almeida Leão ( no livro "Corre Como Um Rio"
