Literatura

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Olhar poeta

Vejo cheiro de terra
Molhada.
Neste estado apaixonado,
Sinto-me presa
Dos seus braços
Suados, quentes…
Miro tudo de formas
Diferentes; vezo botões
Se transformarem
Em flores.
Veto seus beijos
Em outro

Beijo vagabundo.
Olhar poeta.

Valter Bitencourt Júnior
Toque de Acalanto: Poesias, 2017.

A INFÂNCIA QUE LOBATO SONHOU

Subindo na goiabeira
Tomando banho no igarapé
Disputando corrida na trilha
Empinando pipa no céu
Brincando de pira-se- esconde
Tomando banho de chuva
Ouvindo as histórias de Visconde
Ao brilho da linda lua
Eita que sonhou bonito
A infância
Seu Lobato, sim senhor!
Menino rodava pião
Menina brincava no chão
Eram tão felizes não conheciam tristeza não!
Se hoje Lobato chegasse numa casa na capital
Não iria entender,
- Cadê as crianças do quintal?
Tão dentro de casa seu Lobato
No tablet e, no computador
Assistindo TV a cabo
Brincando no celular
- Como assim? Cabo ou taco?
- Não, TV a cabo!
Desnorteado começa a falar:
O meu sonho de infância acabou...
Num pesadelo moderno se tornou.

Toda a obra literária leva uma pessoa dentro, que é o autor. O autor é um pequeno mundo entre outros pequenos mundos

Queres esperar algo de alguém, espere de Deus! Queres acreditar em alguém, acredite em você!

Uma pessoa de honra pode ser violada uma vez, mas sua virtude fica fortalecida com isso.

Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da natureza. Depois procure, como se fosse o primeiro homem, dizer o que vê, vive, ama e perde. Não escreva poesias de amor. Evite de início as formas usais e demasiado comuns: são essas as mais difíceis, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para se produzir algo de pessoal num domínio em que sobram tradições boas, algumas brilhantes. Eis por que deve fugir dos motivos gerais para aqueles que a sua própria existência cotidiana lhe oferece; relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza — relate tudo isto com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações?

Querer ser perfeito para os outros é uma sentença condenatória à rejeição, seja perfeito para o bem e para sua consciência.

Seja firme e bem ordenado em sua vida para que possa ser feroz e original em seu trabalho.

"⁠Ame-me ou odei-me,ambas estão ao meu favor: Se você me ama,eu vou estar sempre no seu coração,se você me odeia,eu vou estar sempre na sua mente".

Afirmei que o escape é uma das principais funções dos contos de fadas, e como não os reprovo é óbvio que não aceito o tom de desdém ou piedade com que tão frequentemente se usa "escape" hoje em dia.

A Filosofia deve dizer tudo.

Amar é se recostar.
Se recontar em inúmeras equações matemáticas e entender que o destino nos quer ali. Juntos. Amar é essa força que aproxima a gente. Que enche nosso coração de paz ao estar perto um do outro. E ainda que a conta seja de subtrair, a gente subtrai. A tristeza. O tédio. O sossego. E bagunça de novo pra arrumar a conta. Ao se dar conta, inclusive, que no jogo do desapego, a gente perde. Porque o que a gente quer mesmo é se pegar.
Na sala, no quarto. Na cozinha, enquanto eu tento me concentrar na tua imagem ao mastigar qualquer alimento. Percebendo que até ali a tua boca me chama.
Amar é essa vida louca feliz que encontramos pra viver. Fazendo malabarismo pra matar nossa vontade de estar juntos. De perder horas ao telefone. Esticando a noite até o dia seguinte. Enquanto você estica as tuas pernas por cima das minhas. E eu coloco a minha cabeça no teu peito sem a interferência de nenhuma roupa.
As batidas do teu coração dizem “eu amo você”.
É, eu escuto.
Amar é isso.
É saber, ter certeza.
Sem que o outro diga nada.
A gente sente.

Qual de nós nunca sentiu que a personagem que está lendo na página impressa é mais real do que a pessoa que está do nosso lado?

A ficção popular escapista encanta os leitores adultos sem desafiá-los a se educarem para uma consciência crítica.

"Falando em versos"

Muitos falam de amor,
Muitos dizem que amam,
mas poucos sabem amar.
Amor é mais do que momentos,
amor é mais do que agrados,
O amor é um dom,
é muito mais do que dizer eu te amo.
Amor é deixar de ser
com quem amas duas pessoas e ser um,
Amor é viver a história um do outro,
a vida da pessoa que se ama passa ser a sua,
e a sua a dela,
Amor é reciprocidade,
é respeito,carinho profundo,
Amor é mais do que admiração,
Muito mais do que a paixão,
Amor é uma aliança.
No amor um ao outro se completam
Porque o amor é mais do que filosofias,
o amor é vida,o amor é a essência da vida.

Isso é parte do que eu gosto no livro, em alguns aspectos. Ele retrata a morte com sinceridade. Você morre no meio de sua vida, no meio de uma frase.

O deboche é a virtude do asno que se imagina um puro-sangue.

⁠ A emoção mortal
“-A maior dor do ser humano
É perceber que não é valorizado pelas pessoas que ele mais ama..
-Sim, só perceber ..”..

Cansei de gente que aponta. Que fica dedilhando os erros dos outros. Que julga, sem entender a história, sabe? Essa gente que procura o momento certo pra ganhar a intimidade intimidando. Que fala, pejorativamente, dos defeitos alheios. Cansei dessa galera que fica apontando quem passa na rua. Que tira prints de quem engordou ou emagreceu, quem casou ou separou. Cansei dessa reportagem toda da vida alheia. Sei lá, viver pra mim tem sido mais interessante. Quero descansar com gente que aponta pra fé, apenas. E, quando eu precise, me ajude a remar. Do resto, quero distância segura.

A vida é tão bela que a mesma ideia da morte precisa de vir primeiro a ela, antes de se ver cumprida.

Machado de Assis
Dom Casmurro (1899).