Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
â Desculpa se sou demais,
Ă© que o seu jeito de me fazer subir pelas paredes
Durante uma simples conversa a sĂłs
Me fez viciar em vocĂȘ.
Sempre que te olho sinto o meu mundo parar como se ele medissese que ali Ă© o meu lugar, seus olhos me encantam com mĂĄgica no ar, sempre que penso em vocĂȘ pareço flutuar, vocĂȘ mora no meu coração e na minha mente e em meu peito vocĂȘ acendeu uma chama ardenteâ
â Deixa-a dizer tudo o que estava sentindo
Deixa-a lembrar o quanto Ă© maravilhoso toda a ousadia desse Amor
Deixa-a pintar as suas emoçÔes em cùmera lenta
Deixa-a ouvir a tua histĂłria como poesia
Deixa-a ensinar-lhe gratidão e de como prestar atenção
Deixa-a dizer dos planos bonitos que o coração carrega
Deixa-a sentir o quanto o seu abraço é a combinação perfeita com a pele dela
Deixa-a se sentir segura
Deixa-a te lembrar o quanto Ă© incrĂvel apreciar cada detalhe
Deixa-a te mostrar o quanto Ă© dĂĄdiva sentir demais, sentir intensamente
Tem um caminho inexplicĂĄvel,pela frente...
â Insano Ă© perder a chance de te ter em meus braços, pela manhĂŁ...
como nĂŁo espero isso digo apenas que nunca, nunca fugirei de nosso amor.
â INTENTO (soneto)
A poética pede conta de meu sentimento
Como se a sensação fosse estar por conta
Mas como dar, se sou solitĂĄrio, e desponta
Um prosar que presta conta de momento
Para ter na conta um poema com alento
No combinar me vi, pro coração, afronta
Deixei para lĂĄ, nĂŁo achei a outra ponta
Faltou curso, sei lĂĄ, fui levado ao vento
Oh vĂłs, soneto, com rima deveras tonta
O amor nĂŁo deixai que seja passatempo
Tenhais na métrica a emoção, jå pronta
NĂŁo traga ao versar somente contratempo
O que faz parte de um conto, tenha monta
E assim intento para cada um de seu tempo.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27 junho, 2025, 114â51â â Araguari, MG
â O que mais doe, uma carta escrita, uma mensagem de texto ou uma palavra verbalizada?Quando analisamos com o coração todas essas maneiras de expressĂŁo, de uma forma ou outra, dependendo do que for escrito ou dito, trarĂĄ um efeito de paz ou de dor.
Devemos analisar minuciosamente, com cautela e discernimento, tudo que iremos falar. Uma notĂcia boa alegra o coração, traz vida, traz paz interior, Ă© nos faz querer ouvir novamente, o que conforta a nossa alma e alegra o nosso espĂrito porque foi uma palavra branda.
JĂĄ uma palavra fora do lugar, de derrota, de humilhaçÔes de desĂąnimo influĂȘncia todo o nosso ser, por isso tomemos cuidado quando verbalização Ă© escrever nossas emoçÔes, a bĂblia afirma que uma palavra branda acalma o furor, a ira, mais uma palavra frĂvola incendeia a raiva, entristece coraçÔes, faz decair o rosto.
Jå dizia o provérbio que a boca fala o que estå cheio o coração.
E tĂŁo logo se esvazie de tudo que lhe traz dor, se encha da paz que o EspĂrito Santo lhe dĂĄ, e verbalize ou escreva com a doçura do seu coração.
Paråfrase por Bispo José Nildo Lima.
â Quando te chamei, ansiava por algo
que me era precioso: o nada.
NĂŁo pensava na sua voz, no seu corpo,
o brilho do seu olhar, queria o nada.
NĂŁo queria seu amor, sua alegria ou
sua tristeza, seu riso ou seu choro.
Somente o nada.
NĂŁo pensava na sua alma ou na minha.
Queria sua presença somente para nada.
Precisava de vocĂȘ apenas por vocĂȘ.
Poderia ser no nada, eu nĂŁo me importaria.
Naquele momento sĂł tinha um pensamento:
VocĂȘ. Por quĂȘ? NĂŁo sei, era para nada.
NĂŁo queria minhas desculpas nem ouvir suas desculpas.
Era o seu nome na minha cabeça e mais nada.
Como posso dizer por que te procurava?
Se eu queria vocĂȘ sem motivo
Se nĂŁo consigo dizer o que era sentido
e qual era o sentido, nĂŁo consigo dizer
EntĂŁo cheguei Ă conclusĂŁo que esse nada
em vocĂȘ Ă© mais que tudo e mais que todos.
â Para ser feliz nĂŁo espere nada de ninguĂ©m, corra atrĂĄs do que deseja ou viva feliz com o que tem!
â ' Meu querer por estar com vocĂȘ vislumbra
imaginar seu toque, seu cheiro o gosto do teu beijo.
Queria poder todos os dias olhar nos seus olhos e dizer o quanto vocĂȘ me trĂĄs felicidade.
Seus olhares, seus abraços, seus sorrisos me conquistaram de tal maneira que agora não posso deixar de
Adorar estar, adorar ter, adorar viver, adorar saber tudo em vocĂȘ.'
â 'TĂŁo fĂĄcil Ă© expressar o que estou sentindo como um Mustang correndo livre pelas pradarias.
Tão fåcil foi apaixonar-me por seu sorriso como o Rio que segue em direção ao mar.
TĂŁo grande Ă© desejar o prazer de sua companhia como Ă© enaltecer um pĂŽr do sol.
TĂŁo certo estou de meus sentimentos como Ă© saber que as folhas se renovam no outono. '
â TRAZER-TE Ă POESIA (soneto)
Quando te evoco, a poesia apaixonada
ProvĂȘ dum emotivo ardor que imagina
Cada versar: cheio de amor, ah! divina
Emoção. Sussurra a paixão, enamorada
Vejo ventura, ó sensação, tão doirada
Do olhar, afago, que a poética ilumina
Tirando a inspiração duma dura rotina
Alumiando o vale da alma arrebatada
Ouço a tua voz no meu pensamento
E o peito que, no sentimento ungido
Modula o soneto de ternuras cheia
E sinto, do teu beijo o encantamento
Na metrificação cada arrepio sentido:
Contenta... realiza... ocupa... devaneia.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 junho, 2025, 14â52â â Araguari, MG
â Relato: Meu Pai e o SilĂȘncio das Palavras Escritas
Meu pai Ă© pedreiro. Um homem de mĂŁos firmes, calejadas pelo tempo e pelo trabalho, mas de um coração imenso, onde sempre couberam todos nĂłs, seus filhos. Cresci vendo nele um exemplo de dignidade e esforço, mesmo sem saber, por muito tempo, que ele carregava consigo uma ausĂȘncia dolorosa: a de nĂŁo ter sido alfabetizado.
Ele sempre viveu bem, dentro do possĂvel. Cumpria seus deveres com dignidade, ria com facilidade e fazia da simplicidade sua maior riqueza. Mas havia algo que o limitava â o mundo das palavras escritas. Ler um bilhete, uma receita, um endereço... tudo isso exigia ajuda. E ele pedia, com naturalidade, mas tambĂ©m com aquele olhar que escondia algo mais: a falta de uma oportunidade que a vida lhe negou cedo demais.
Lembro de um dia em especial. Na correria da rotina, mandei uma mensagem de texto pelo WhatsApp. Algo simples, rĂĄpido, como fazemos com qualquer pessoa. Minutos depois, ele me respondeu com um ĂĄudio. A voz dele, firme, disse com doçura e um leve constrangimento: âFilho, fala por ĂĄudio, por favor... seu pai nĂŁo sei ler.â
Foi como um soco silencioso no peito. Eu sempre soube, mas naquele momento, ouvir da boca dele foi diferente. Doeu. Doeu por ele. Por tudo que ele poderia ter vivido se a educação tivesse chegado a tempo. Ele nĂŁo teve escolha. Precisou largar tudo muito cedo para assumir responsabilidades de gente grande â cuidar da famĂlia, trabalhar, garantir o pĂŁo.
Mesmo sem ter lido uma só linha de Machado de Assis ou escrito uma carta de próprio punho, meu pai me ensinou liçÔes que livro nenhum traz: sobre coragem, humildade, força e amor. Seu analfabetismo nunca foi sinÎnimo de ignorùncia, mas de uma sociedade que ainda falha em garantir a todos o direito de aprender.
Hoje, mais do que nunca, acredito que lutar pela alfabetização de jovens, adultos e idosos Ă© tambĂ©m honrar a histĂłria de milhares de âpaisâ como o meu, que mesmo sem saber ler, escreveram com suor a prĂłpria vida.
â Cronica âSeu pai nĂŁo sei lerâ
Era fim de tarde quando, na pressa dos dias que a gente jĂĄ nĂŁo vive, apenas atravessa, mandei uma mensagem de texto para meu pai pelo WhatsApp. Algo simples, corriqueiro, como quem diz âtĂŽ indoâ, âcompra pĂŁoâ, âte amoâ.
Passaram-se uns minutos. Chegou um ĂĄudio. Apertei o play, distraĂdo â e fui parando, devagar, como quem freia diante de algo que nunca deveria ter passado batido. Do outro lado, a voz dele. Firme, mas doce. E, entre pausas que diziam muito, ele soltou a frase que carrego atĂ© hoje como cicatriz:
âFilho, fala por ĂĄudio, por favor... seu pai nĂŁo sei ler.â
A frase veio seca, sem rodeios, sem drama. Mas bastou para me desmontar por dentro. Naquele momento, percebi que a ausĂȘncia das letras tinha um nome, um rosto, e mĂŁos calejadas: meu pai.
Ele, que desde novo trocou cadernos por tijolos. Que largou a infùncia para vestir o avental do trabalho e o peso de uma casa inteira nas costas. Nunca teve tempo de ser aluno. A escola da vida o esperava com liçÔes duras e sem recreio.
Mesmo sem saber ler, meu pai sempre foi sĂĄbio. Sabia interpretar silĂȘncios, somar esperanças, dividir pĂŁo e multiplicar amor. Ele escrevia com gestos. E ainda que seus dedos nunca tenham deslizado sobre uma pĂĄgina, eles desenhavam o mundo com dignidade â cada parede erguida, cada telha assentada, era uma frase inteira dizendo: âeu estou aquiâ.
Nunca vi meu pai se envergonhar por nĂŁo saber ler. Mas percebi, nas entrelinhas dos dias, a solidĂŁo de quem vive num paĂs onde tudo grita por letras. Placas, receitas, contratos, celulares... O mundo exige leitura. E quem nĂŁo a tem, acaba empurrado para a margem â como se fosse menos, quando, na verdade, Ă© mais: mais forte, mais lutador, mais humano.
Meu pai Ă© daqueles herĂłis que nĂŁo cabem nos livros, porque ele Ă© o livro. Sua vida, cada capĂtulo, Ă© aula de resistĂȘncia. Nunca frequentou uma sala de aula, mas me ensinou tudo que importa: respeito, esforço, afeto e verdade.
Hoje, quando falo sobre alfabetização de jovens, adultos e idosos, penso nele. E em tantos outros âseu JoĂŁoâ, âdona Mariaâ, âseu AntĂŽnioâ, que a sociedade esqueceu. Alfabetizar nĂŁo Ă© apenas ensinar letras; Ă© devolver a voz a quem sĂł foi ouvido por ĂĄudio.
Se um dia eu tiver filhos, e eles me perguntarem quem me ensinou a ler a vida, responderei com orgulho: foi meu pai â mesmo sem saber ler.
â Um Ponto de Luz
Na vasta penumbra da noite,
um ponto de luz sussurra a aurora.
à a esperança, não nomeada,
que tece a certeza de um novo dia.
Um instante â hora, minuto, segundo â
se transfigura em eternidade.
Banhado pela aura do que nĂŁo se explica,
mergulho na corrente oculta da natureza.
Que grandeza, sem palavras para contĂȘ-la!
Ă o ser que se encanta e se deixa encantar,
um pulsar que luta, um véu que se revela,
chama serena que ilumina a vida.
E as lĂĄgrimas?
FarĂłis em alto-mar,
guiam a alma Ă deriva,
sinalizam o caminho na imensidĂŁo.
Um ponto de luz,
tecido no silĂȘncio,
é a dança do eterno
que abraça o instante sem fim.
â Ver gente feliz, Ă© como tomar uma xĂcara de cafĂ© que acabou de ser coado, cheio de afeto!
Com um belo pĂŁo de queijo, sentado na varanda e de vista, um belo amanhecer chuvoso.
Sua Ășnica preocupação Ă© alimentar o seu gado, galinha e pato, e pra tudo ser perfeito, amar e cuidar daquele que vocĂȘ escolheu como companhia, pro resto da sua vida.
Porque, no fim das contas, sempre serĂĄ sobre quem Deus Ă!
â â Me joga na calculadora e me chama de matemĂĄtica porque hoje eu vim lhe trazer um problema.â
â âNĂŁo julgue para nĂŁo ser julgada.
NĂŁo jogue pedras para nĂŁo as receber de volta.
NĂŁo xingue para nĂŁo ser ofendida.
NĂŁo maltrate para nĂŁo ser destruĂda.
Seja apenas amor, deleite e paz.â
â O CEP inexistente entrega de onde eles vĂȘm
E o julgamento passa a ser fatal e desumano: âcuidado!â
Na janela do trem, ela cansada do dia, ainda sonha
Na janela do ĂŽnibus, ele cansado do dia, ainda tem amor...
â Entre as Montanhas de Minas
Entre os veios de pedra e sonhos,
Nos caminhos serenos de Minas,
Ergue-se Sucanga, joia escondida,
De entardecer cinzento e alma aquecida.
Vales que dançam ao som do vento,
Campos que abraçam o tempo bom,
Ali, onde a ternura Ă© sustento,
Habita o povo de coração bom.
Um café fumegante em tarde suave,
E um påssaro livre no céu a cantar,
Chilreio sem medo, voo sem trave,
Liberdade a se eternizar.
Gente humilde, educada, encantadora,
De palavras doces e gestos de flor,
Lhaneza que brota, pura e acolhedora,
Num abraço que semeia amor.
Um afago, um sorriso, um convite singelo,
Para que o regresso nĂŁo tarde a chegar,
No campo de futebol, o verde mais belo,
Zelo que Ă© prece sem precisar falar.
