Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Tem adulto que anda apressado, mas é uma criança exausta por dentro.
Tem adulto que briga por tudo, mas é só uma criança que aprendeu a gritar pra não ser ignorada.
Tem adulto que nĂŁo sabe amar, porque nunca foi amado do jeito certo.
Educar com firmeza e afeto Ă© mais desafiador do que apenas impor regras, sim.
Mas o resultado Ă© infinitamente mais transformador.
Porque o mundo nĂŁo precisa de mais gente obediente.
Precisa de gente consciente.
Gente inteira.
âđŒSibĂ©le Cristina Garcia
â Uma breve reflexĂŁo da mĂșsica ChĂŁo de Giz, de ZĂ© Ramalho.
Essa mĂșsica Ă© um prelĂșdio de uma paixĂŁo sem reciprocidade â sente-se a dor dele ao declamar a mĂșsica (poesia) para seu amor, que Ă© casada.
Ele, por ser jovem, amante, e ela, casada â mais velha e em uma sociedade onde as mulheres nĂŁo possuĂam direitos de separação â, deveria aceitar o casamento ruim.
Zé Ramalho escreveu essa dor em poesia, para deixar claro que ia embora, para nunca mais voltar para os braços da mulher.
â SENTIMENTO DE CRISTAL (soneto)
Num soneto amoroso, a poesia pura
esquecida de sua encabulação
sente nos versos o afago e ternura
suspirado da angelical emoção
Enquanto espalha a formosura
nas entrelinhas, aquela sensação
tĂmido, se modela da ventura
e romĂąntico, o amor, doce razĂŁo
Quando surge, por fim, encantada
a prosa, cheia de rima apaixonada
sussurrada em uma trama especial
E o poema, apaixonado, feliz, seduz
os versos consoantes e divina luz
murmurando sentimento de cristal.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
07 junho, 2025, 16â46â â Araguari, MG
â Na psicanĂĄlise, compreendemos que a relação com a mĂŁe Ă© fundamental para a formação da nossa psiquĂȘ, moldando nossa autoestima, padrĂ”es de relacionamento e atĂ© nossa visĂŁo de mundo. A figura materna Ă© muitas vezes a primeira a nos ensinar sobre o amor, segurança e identidade.
â Eu caminhei em um campo de rosas.
Linda, eu pensei que seria para sempre feliz,
Com muita belezaâŠ
Até que eu caà e me machuquei nos espinhos da flor.
DĂłi, mas continuo correndo.
EstĂĄ doendo.
Eu sinto meu coração chorar
Vendo aquela rosa que me machucou.
Mas eu a amo tantoâŠ
Por que ela me machucou?
â i tuoi mali spaventano (soneto)
Outono... as sonatinas ao vento
suspiros, as inspiraçÔes matinais
em cada tom, o vivo sentimento
exalando as emoçÔes essenciais
No cerrado, outono, movimento
lento, faz-se ao coração ter mais
cadĂȘncia, que em cada tormento
aquela saudade, sempre iguais!
E, assim, mais um outono, pardo
trazendo no seu fardo sensaçÔes
em um canto que encanta e canta
à a voz outonal do poético bardo
Que pulsa cada uma das paixÔes
Onde, entĂŁo, seus males espanta!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
08 junho, 2025, 16â38â â Araguari, MG
â Meu olhar diz:
JĂĄ quebrei,
jĂĄ chorei,
jĂĄ renasci.
Modo 'forte mas humana' ativado
(e sim, tĂĄ dando trabalho)...
Mas olha sĂł:
ainda tĂŽ aqui.
â âA sua limitação nĂŁo estĂĄ no que os outros pensam sobre vocĂȘ, mas no que vocĂȘ aprendeu a acreditar sobre si â e isso, pode ser transformado por vocĂȘ, a qualquer momento.â
â âQuando compreendi que sou eu quem determina a força e o poder que o outro tem sobre mim, descobri um lugar onde ninguĂ©m mais pode me ferir: dentro de mim mesma.â
â Se uma barata pode sobreviver atĂ© uma semana sem a cabeça, por que eu nĂŁo poderia suportar anos de crĂticas vindas de uma sociedade falsa, hipĂłcrita e doente?
â Valsa sem fim.
Imagino nós dois, dançando acordados,
Ao som de Djavan, com taças de vinho em nossas mãos.
VocĂȘ vem atĂ© mim e me beija â
Seus lĂĄbios cor-de-rosa tocam os meus,
Nossas lĂnguas bailam em uma valsa sem fim.
Eu nĂŁo me canso de olhar-te.
Olhar no fundo dos teus olhos castanhos como cobre
Ă como olhar o paraĂso â se Ă© que isso existe.
Nos seus cabelos, a noite se manifesta:
Uma cortina de escuridĂŁo
Que abraça minha alma e me conduz
Por um universo de emoçÔes.
E enquanto dançamos,
Me pergunto:
SerĂĄ amor, ou sĂł o desejo de nĂŁo estar sĂł?
Talvez seja ambos.
Talvez nem um, nem outro.
Mas ali, nos seus braços,
Eu existo.
â Acho que a vida Ă© sobre ser ousado em certas coisas â e comedido em outras. Ă sobre amar, fazer bons amigos, e aproveitar cada momento.
â Setembro dormiu cedo
Areia nos bolsos e o cheiro do mar no cabelo.
Era sĂł isso. E, por um tempo, foi tudo.
As janelas do carro abertas,
e vocĂȘ dizendo que nĂŁo queria prometer nada.
Eu disse que também não queria.
Era mentira.
Te esperei como quem espera verĂŁo em cidade fria.
Escrevi seu nome na parte de dentro dos meus pensamentos
e apaguei com o canto da mĂŁo â
como se isso bastasse pra esquecer.
Mas ainda vejo a gente,
preso num instante que nunca virou agora,
num fim de tarde que nĂŁo sabia que era fim.
Setembro dormiu cedo,
e eu fiquei acordado esperando vocĂȘ voltar da escola.
Eu me lembro:
das suas costas contra o céu dourado,
de quando vocĂȘ dizia "sĂł hoje",
como se amanhĂŁ nĂŁo fosse pesar.
A gente se encontrou no intervalo do mundo,
nos bastidores da vida real.
Promessas murmuradas atrĂĄs do mercado,
planos que só eu levava a sério.
VocĂȘ era um talvez disfarçado de agora.
E eu achava que tinha sorte.
Eu cancelei noites, amigos,
e até a mim,
sĂł pra ter mais alguns minutos de vocĂȘ.
VocĂȘ, que nunca foi meu.
Mas me chamava de "sorte"
quando esquecia o nome das outras.
A gente era o que nĂŁo era.
O que quase foi.
O que nĂŁo coube no tempo certo.
E eu ainda te procuro nos dias nublados
e nas mĂșsicas tristes demais pra tocar de manhĂŁ.
VocĂȘ se lembra?
Do portĂŁo velho,
do meu "entra no carro",
da minha espera que vocĂȘ nunca pediu?
Do sol batendo no seu ombro,
e de mim achando que aquilo era amor?
Setembro dormiu cedo.
E eu fiquei, sozinho,
esperando que vocĂȘ acordasse de novo pra mim.
Mas nĂŁo acordou.
VocĂȘ nunca foi meu.
Mas fui inteiro por vocĂȘ.
