Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
â A Ponte Inesperada
Ao fecharmos um livro, pensamos que a histĂłria acabou.
Que cada enredo novo jĂĄ nos cansou.
Mas o destino, em seu jeito sutil,
Coloca Ă frente um perfil gentil.
Um olhar que convida, um sorriso que instiga.
Uma porta entreaberta, uma nova intriga.
O medo sussurra: "NĂŁo vale a pena tentar",
Mas a curiosidade te chama a arriscar.
E se nesse encontro a alma se acalma?
E se for a peça que ao quebra-cabeça se encaixa?
Deixe a guarda cair, por um instante que seja, pois a vida surpreende, e alma deseja.
Construa essa ponte, sem saber aonde vai dar, mas com a fé de que algo bom pode começar.
Permita que o novo te invada, e te mostre um lugar, onde a alegria floresça, e o amor possa morar. Pois em cada pessoa hå um universo a explorar.
E em vocĂȘ, existe a coragem de se deixar amar.
â A saudade Ă© o Ășnico sentimento que consegue transformar ausĂȘncia em presença e distĂąncia em proximidade.
â ENCARCERAR (soneto)
Encarcere no verso, a prosar, tudo quanto
HĂĄ encanto, riso, tanto, toda Ămpar poĂ©tica
Que pulsa e soleniza em um eterno canto
Ritmo e sentimento. E a emotiva dialética
Que vibre sensação, imagine doce recanto
Em um movimento de ação e arte cinética
Traçando a poesia com versar sacrossanto
Em um heroico acalanto e fala energética
Guarda do amor, a suavidade. DedicatĂłria,
Tenha. NĂŁo tenha qualquer rima escassa
Junte no estilo toda aquela boa memĂłria
E poete, faça simbiose na paixão, seja terso
Na expressão. Com toda sua leveza e graça
Assim, entĂŁo, encarcere o notĂĄvel no verso.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17 junho, 2025, 19â33â â Araguari, MG
Eu te convido a se sentar. Sim, sente-se. Pegue uma caneta.
Revise sua letra, sua caligrafia.
Revise tambĂ©m a hora em que vocĂȘ acorda todos os dias â e, principalmente, por que acorda.
Releia as provas que jå enfrentou, não só aquelas da escola, mas também as provaçÔes da vida.
Analise cada detalhe da sua curta e preciosa existĂȘncia, porque um dia ela simplesmente deixarĂĄ de existir.
Se vocĂȘ nĂŁo revisar agora, quando partir serĂĄ tarde demais.
A revisĂŁo ficarĂĄ incompleta, e no papel restarĂĄ apenas uma mancha de tinta, algo escrito assim:
"Por que eu nĂŁo me escutei quando devia?"
"Por que nĂŁo me fiz o bem?"
"Por que nĂŁo fui amor a quem tanto necessitava?"
RestarĂĄ apenas o lamento.
EntĂŁo, hoje â nĂŁo importa onde vocĂȘ esteja, o que esteja passando ou do que esteja precisando â
não se esqueça de revisar.
Não se esqueça de refletir.
Porque, no fim de tudo, a conta chega â
e ela pesa.
E pesa muito⊠nas nossas lembranças.
â Noites turvas
Noites turvas, incĂȘndio de instantes,
chamas vivas que devoram minha razĂŁo.
Um turbilhĂŁo de sentimentos vibrantes,
ardendo em brasa no peito em combustĂŁo.
Cicatrizes se abrem, feridas em chamas,
marcas de um tempo que jĂĄ se perdeu.
Mas como calar o que em mim se derrama,
se a emoção outra vez me venceu?
NĂŁo hĂĄ mais volta, me deixo envolver,
sou presa fĂĄcil do doce querer,
refém da febre que a paixão me traz.
Do outono sombrio que secou meu viver,
hoje sou chama, renasço a arder,
e esse fogo me consome de forma tĂŁo voraz.
â Chuva e Querer
LĂĄ fora, o cinza da tarde se derrama,
Em gotas que batem na vidraça e chamam.
Caxias se esconde num véu de saudade,
E eu aqui, com a alma em tempestade.
Cada pingo que escorre pela telha,
Ă um eco distante de uma velha centelha.
Um coração que pulsa, meio calado,
Apenas querendo ser amado.
O cheiro da terra molhada no ar,
Me faz a cada sopro mais te buscar.
Em cada lågrima que o céu despeja,
A minha esperança mais lateja.
Que essa chuva lave o que me inquieta,
E traga em seu murmĂșrio a resposta mais direta:
Que em meio a essa dança de ågua e chão,
Floresça um amor para o meu coração.
â Mileuma e Nenhuma.
Eu, jĂĄ fui eu mesma,
Em centenas de pedaços de vezes,
Como porcelana quebrada,
Refeita em mosaicos,
Pronta a me reconstruir,
Mais de cem,
Menos de mil,
Mais de mim,
Talvez um pouco menos viril,
Mas, num tempo,
Nem um pouco vil.
Sigo calada em esperança,
Da boca cerrada,
Um concerto para a alma,
Um afago para a mente.
Mais um ciclo fechado.
18/06/2025.
â Almas GĂȘmeas
A minha irmĂŁ querida,
Que amo além da vida,
NĂŁo de sangue,
Mas, se precisar te dou o meu,
Te amo mais que a vida,
Minha irmĂŁ querida,
Meus dias todos contigo,
SĂŁo sempre mais floridos,
E até nos dias nublados ou frios,
Ou quando olhando para o lado,
SĂł o vento e calafrios,
VocĂȘ sempre esteve lĂĄ,
Seja,
Para rir,
Seja,
Para me salvar..
Te amo amiga que hoje chamo de irmĂŁ,
Porque foi-se o tempo que esse tempo passou,
Ă eterno,
TĂŁo eterno como sou, Ă© e somos.
â Hoje sonhei com vocĂȘ,
Ă consciente e subconsciente,
A saudade,
JĂĄ companheira,
AssĂdua,
Voraz,
Mas, o Amor,
Sim, sĂł ele Ă© capaz,
Supera tudo,
Desde que se haja paz,
Respeito mĂștuo,
E vontade de fazer dar certo.
â CORAĂĂO FERIDO (soneto)
A poesia geme e a saudade murmura
No verso. TĂŁo impaciente que parece
Um cĂąntico, ĂĄrdua toada, uma prece
Atulhando o versejar com desventura
Largando a imprecisĂŁo como messe
Aonde nas rimas a cĂłlera configura
Então, a inspiração ruge, ó amargura!
à um aperto que da tentação floresce
Soa tom tĂșrbido, convulsivamente
TrĂȘmulos versos saem ferozmente
Por entre as mĂŁos, sombria aurora
Roga o sentido nestes versos feridos
Com lastimas, sentimentos partidos
De um coração que pulsa e chora!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
18 junho, 2025, 18â23â â Araguari, MG
[Retrato II]
Em meio ao verde da mata
Teu cheiro doce se mistura ao amadeirado
O teu sorriso sequer se disfarça
Irradiante como o refletir do lago
E o pĂșblico de gansos e patos
Que ao nos ver no anfiteatro
Gracitaram tĂŁo enlouquecidamente
Tamanha era a beleza da genteâ
"â Quando nĂŁo olhamos a quem se deve honrar, cuidar, amar e se doar! CaĂmos simplesmente de cabeça para dar o que de melhor temos a oferecer ao outro independeste de quem seja.
HĂĄ um mover no mundo espiritual ao nosso favor.
Quem move a sua mĂŁo poderosa Ă© o construtor de todo universo, ele viu cada vez que vocĂȘ estendeu a mĂŁo sem olhar a quem, mesmo aqueles seus opositores, vocĂȘ foi lĂĄ e o levantou. Tenha plena convicção que quando vocĂȘ cair por algum motivo o prĂłprio Deus te levantarĂĄ, aquele que ti viu honrando sem nada querer, Ă© o mesmo que te honrarĂĄ em meio os que te desonraram.. " Parafraseado por Bispo JosĂ© Nildo Lima.
â HĂĄ que se dar meia volta e voltar Ă razĂŁo
O Brasil e o mundo vivem um momento Ămpar, e perigoso, muito perigoso, da histĂłria da humanidade.
O princĂpio da autoridade democrĂĄtica se esvai e valores como dignidade, trabalho, honra, estudo, disciplina, respeito ao semelhante, ao bem pĂșblico, Ă propriedade material e intelectual, respeito Ă criança e ao jovem, direito de ir e vir, gratidĂŁo (ah! A gratidĂŁo), foram substituĂdos pelos valores materiais.
Simples assim!
Os interesses menores, que nos voltaram para nossos próprios umbigos, nos tornaram céticos, como diz o Chaplin em seu discurso.
Vou alĂ©m, nos tornaram amargos! Graças a tanta propaganda, passamos a valorizar a casca, nĂŁo o interior; passamos a nos deter no contentor, nĂŁo no conteĂșdo; passamos a comprar pacotes, nĂŁo presentes; passamos a dar valor Ă s grandes festas, nĂŁo Ă s singelas reuniĂ”es de amigos; passamos a levar para casa o discurso, nĂŁo o foco da questĂŁo; passamos a comprar o livro pela capa, nĂŁo pelo escritor ou pelo que escreve; passamos, enfim, a ficar no supĂ©rfluo, nĂŁo nos aprofundando na alma da pessoa que nos fala.
Perdidos nesse emaranhado de ilusĂ”es que construĂmos para nĂłs mesmos, passamos a ver valor nas pessoas âsaradasâ, homens e mulheres; a ver como companheiro ou companheira ideal, a pessoa que se enquadre no âpadrĂŁoâ que nos foi vendido durante toda uma vida.
Usamos de todas as artimanhas, malhação, emagrecimento, operaçÔes das mais diversas, tingimentos e fingimentos, mas nĂŁo saĂmos do quadrado!
Assim, ânos enquadramosâ em uma Sociedade que se esqueceu como Humana, que se esqueceu como reflexo de um ser maior, bondoso, incrivelmente gentil, incrivelmente amoroso, eterno em sua sabedoria.
O que era para ser complemento passou a ser o principal, e o principal ficou esquecido em um canto de armårio, cheio de poeira e teias de aranha, pedindo, clamando, por limpeza e arrumação, voltando, assim, as coisas aos devidos lugares.
Uma vida segura Ă© construĂda de realidade, de leitura sĂ©ria, de estudo, de trabalho, de âjogo duroâ, de responsabilidade, de honra, de gratidĂŁo, nĂŁo de fantasia!
Perdidos em nĂłs mesmos esquecemos nossas origens, esquecemos que fomos feitos com o que hĂĄ de melhor no Universo â EspĂrito, Filosofia, Sentimento e MatĂ©ria, um apoiando ao outro na medida certa, e no momento certo.
Esquecemo-nos que Educação não é a imposição de nossos conceitos, não raramente ultrapassados, mas, sim, a arte de se colocar no lugar do outro, de caminhar ao lado, para compreender a fala e as necessi-dades do educando.
NĂŁo estamos mais acostumados Ă bondade, Ă gentileza, e deverĂamos
NĂŁo estamos mais acostumados ao âdeixa prĂĄ lĂĄâ, ao perdĂŁo, que nos redime e eleva.
Isso Ă© fundamental!
E não estamos mais acostumados à felicidade que, quando alcançada, nos mostra o que é a vida, de fato, nos mostra o que é SER HUMANO.
Esquecemo-nos do que Ă© ser amigo, mas amigo de fato!
E, infelizmente, nos esquecemos dos verdadeiros amigos, nos esquivamos do afeto, nos esquivamos da alegria de uma conversa interminĂĄvel, de um afago, de um sorriso, de uma dança com a pessoa querida, de uma visita, um almoço com os âvelhosâ, um convite para um passeio...
Nossos idosos, nossas crianças, nossas mulheres e nossos homens, precisam deste humano.
Nosso paĂs, e nosso mundo, precisam de nosso trabalho, e de nosso grito de alerta, para que as coisas voltem aos devidos lugares.
Ă preciso, e urgente, que voltem!
HĂĄ que se dar meia volta.
â
Enquanto existem igrejas alienando, existem terreiras acolhendo.
Ame, ajude, cuide e proteja o prĂłximo.
OrixĂĄ Ă© natureza, Ă© equilĂbrio e Ă© amor.
â NĂŁo hĂĄ corrida, nem meta a alcançar,
Apenas o ritmo que faz tudo se encaixar.
A semente descansa, paciente no chĂŁo,
Esperando a chuva, a luz, a estação.
Não força o broto, nem a flor a surgir,
Respeita o seu ciclo, para entĂŁo florescer e sorrir.
O rio que corre, nĂŁo apressa o seu leito,
Sereno, contorna cada imperfeito.
Sabe que um dia, no mar vai desaguar,
E nesse percurso, aprende a esperar.
Em cada respiro, em cada canção,
Tudo no seu tempo, com calma, em oração.
As dores se acalmam, as feridas vĂŁo sarar,
E novas manhĂŁs, hĂŁo de brilhar.
NĂŁo apresse a vida, nĂŁo apresse o amor,
Cada passo tem sua cor e seu valor.
Confie no fluxo, no eterno girar,
Tudo tem seu tempo, aprenda a esperar.
Porque a beleza reside no devagar,
Na melodia que o tempo faz tocar.
E quando a jornada enfim se completar,
VerĂĄs que a espera, valeu a pena amar.
