Coleção pessoal de TarinMichael

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O Brasil acabou se tornando uma espécie de termômetro político para outras nações, segundo algumas análises geopolíticas. O que acontece aqui não fica restrito às nossas fronteiras, porque somos a maior economia da América Latina, temos dimensões continentais e ocupamos uma posição estratégica no cenário internacional.

Nossa orientação política e diplomática influencia o equilíbrio de forças na América Latina e pode repercutir também nas relações com países da Ásia, especialmente pela nossa aproximação com a China e pela participação no BRICS.

A questão de Alcântara, no Maranhão, também é estratégica. O interesse dos Estados Unidos no setor aeroespacial brasileiro envolve tecnologia, segurança e influência geopolítica. Precisamos, porém, distinguir o acordo de salvaguardas tecnológicas para lançamentos espaciais da instalação de uma base militar estrangeira, pois são situações diferentes.

O Brasil precisa preservar sua soberania e decidir seus acordos internacionais de acordo com os próprios interesses, sem se subordinar automaticamente aos interesses de nenhuma potência.

Nos Estados Unidos, as eleições legislativas de 3 de novembro de 2026 também serão importantes para medir a força política do trumpismo. Pesquisas recentes apontam insatisfação com o governo Trump e indicam um cenário favorável aos democratas em diversas disputas, embora o resultado ainda dependa do voto e das particularidades de cada estado.

Na Argentina, a eleição presidencial de 2027 também será um teste importante. O governo de Javier Milei enfrenta índices elevados de desaprovação, e pesquisas recentes mostram uma disputa competitiva com a oposição peronista. O desgaste econômico e social pode abrir espaço para uma alternativa política, mas não garante, por si só, uma vitória da esquerda.

O que me parece fundamental é compreender que estamos diante de uma disputa mais ampla pelo rumo político e econômico da América Latina. O Brasil pode exercer influência nesse processo, mas cada povo tem sua própria história, suas contradições e seus interesses.

A soberania não significa romper com o mundo, mas relacionar-se com ele sem abrir mão da capacidade de decidir o próprio destino.

Sabendo que a História revela aquilo que aconteceu, mesmo quando a realidade é sanguinária, isso me causa medo. Podem dizer que é loucura da minha mente, mas, como historiador, vejo determinados padrões do presente repetindo experiências do passado.

Sou um analista crítico da minha própria consciência política e também das pessoas que pensam politicamente como eu. Não aceito simplesmente uma ideia porque ela vem de alguém que se diz de esquerda, intelectual ou progressista. Também questiono aquilo com que, teoricamente, deveria concordar.

Vejo pessoas que se apresentam como parte de uma “esquerda intelectual” e que defendem determinadas pautas e movimentos associados ao pós-modernismo e às novas identidades políticas. Na minha leitura, algumas dessas posições acabam fragmentando a esquerda e afastando pessoas que poderiam construir uma luta política comum.

E isso me preocupa porque, nacionalmente, essa fragmentação contribuiu, em diferentes momentos, para a eleição de candidatos da extrema-direita.

A esquerda que aprendi a admirar era formada por pessoas de luta, organização coletiva e compromisso com as questões sociais. Na minha concepção, uma esquerda realmente comprometida com a transformação social não deveria transformar todas as diferenças em novas divisões internas.

Posso estar errado em algumas das minhas análises. É justamente por isso que questiono a mim mesmo. Mas não vou abandonar minha capacidade crítica para simplesmente seguir um grupo ou uma corrente política.

Tenho verdadeiro asco dessa fragmentação que, na minha visão, enfraquece a própria esquerda.

Um dia desses, perguntaram: “Tarin”, você sumiu. Por quê?”

Estou sumindo desde 2018, quando percebi que havia uma incompatibilidade filosófica, social, de caráter e política em vários grupos dos quais participava.

E, em 2026, irei sumir ainda mais.

Não por eu ser metido ou arrogante, mas por ter medo de certas pessoas mesmo, principalmente por não termos a mesma visão política. E, sendo historiador, pelo pouco fragmento intelectual que tenho do que estudei de História e Historiografia, sei que certas pessoas são suscetíveis a me entregar em determinado momento da vida.

Para concluir, vou me afastar de muitas pessoas, inclusive da chamada esquerda pós-moderna, que, na minha visão, acaba deturpando a Esquerda da qual faço parte e na qual acredito.

Ficarei à margem nuclear, não por arrogância ou desprezo, mas para não levar meus ideais para determinados ambientes e acabar gerando contendas desnecessárias.

Lembro-me de “O Menestrel”, texto atribuído a William Shakespeare, quando fala sobre a idade e a sabedoria. No meu entendimento, a idade, por si só, não traz sabedoria. A sabedoria está ligada aos acontecimentos que vivemos e, principalmente, à maneira como conseguimos lidar com eles.

Talvez seja justamente isso que estou fazendo agora: aprendendo com aquilo que vivi, com aquilo que estudei e, principalmente, com aquilo que observei.

Então, um abraço a muitos conhecidos.

Os próximos quatro anos serão difíceis. Mesmo que Lula consiga virar no segundo turno, o cenário político que se desenha aponta para um Congresso que poderá impor grandes dificuldades à construção de uma base governista estável e à aprovação de sua agenda. Não digo que será impossível governar, mas certamente não será simples.

Por isso, vou me afastar de muitas pessoas. Não por ódio, arrogância ou superioridade intelectual, mas porque, às vezes, preservar seus princípios, sua consciência e sua paz exige saber a hora de permanecer em silêncio e simplesmente seguir o próprio caminho.

Immanuel Kant nos ensina que, para aprender a pensar, é preciso pensar por si mesmo.
Infelizmente, no mundo pós-moderno, onde eu, você e nós estamos presos dentro de pequenas caixinhas, muitas vezes deixamos de pensar por vontade própria.
Estamos sofrendo uma espécie de lobotomia moderna, na qual os algoritmos determinam o que assistir, o que comer, o que consumir, o que pensar e, até mesmo, como viver.
Se René Descartes observasse a modernidade, talvez, diante de seu famoso Cogito, ergo sum — “Penso, logo existo” —, perguntasse se ainda estamos realmente pensando. E Kant provavelmente nos lembraria de que pensar exige autonomia, não apenas receber informações prontas.
Se deixamos de pensar por nós mesmos, corremos o risco de apenas existir, como organismos que respondem aos estímulos que lhes são apresentados.
Talvez o maior perigo da modernidade não seja deixarmos de existir, mas continuarmos existindo sem, de fato, viver.
Porque existir é estar no mundo.
Pensar é questioná-lo.
Viver é escolher, conscientemente, como queremos habitá-lo.

As pessoas confundem conhecimento, inteligência e sabedoria.
É normal, mas cada um desses conceitos representa um estágio distinto do desenvolvimento social e cognitivo da espécie humana.
O conhecimento é a junção das informações adquiridas ao longo da vida. Isso não quer dizer que uma pessoa com 100 anos seja necessariamente inteligente, muito menos sábia. O tempo pode acumular informações, mas não garante compreensão.
A inteligência é a construção do processamento cognitivo adquirido a partir das experiências e dos conhecimentos, que serão utilizados nas situações do cotidiano. Sei que a água é constituída por moléculas de H₂O; sabendo disso, conheço sua composição e sua fórmula. Entretanto, não sei fazer água.
A sabedoria seria, então, a junção das duas anteriores. Contudo, nela surgem elementos que vão além do conhecimento e da inteligência: experiência de vida, reflexão, humildade, discernimento e outros conceitos que são continuamente refinados e explorados para que possam ser utilizados não apenas em benefício próprio, mas também em benefício dos outros.
Nessa lógica, percebo que ainda estou na Religião, entendida como uma das formas primitivas pelas quais a humanidade buscou explicar sua existência e o mundo ao seu redor. Segundo determinada leitura filosófica da história do pensamento, esse percurso pode ser dividido em três etapas: religião, metafísica e ciência.
Se esse caminho representa uma espécie de amadurecimento do pensamento humano, então ainda tenho muito a caminhar.
Dos Homo sapiens sapiens, talvez eu seja o mais néscio de todos.
E talvez reconhecer a própria ignorância seja o primeiro conhecimento necessário para começar a buscar a sabedoria.

Hoje senti pena de algumas pessoas. Não por estarem doentes, mas porque a enfermidade que carregavam parecia ser de outra natureza: uma enfermidade intelectual.

E quem sou eu para falar de sabedoria? Um zé-ninguém, sem grande conhecimento escolar ou mesmo daquele conhecimento comum que se adquire pela simples disposição de observar, ouvir e pensar.

Estava eu apenas observando e ouvindo as junções de vogais e letras dos coleguinhas, que nem palavras conseguiam formar, mas estufavam o peito como pombo, sem sequer saber por que permaneciam sempre tufados.

Entretanto, quando juntavam várias palavras para formar frases, revelavam não apenas a ausência de nexo, mas uma espécie de moléstia educacional diante dos ouvintes. As palavras estavam presentes, mas o pensamento parecia ter faltado ao encontro.

Foi então que percebi: talvez eu também seja um analfabeto. Porém, ainda não fui completamente bestializado, porque consigo ouvir uma palavra maltratada e sentir vergonha.

Vergonha da pá(lavra).

Um termo meu, talvez estranho, mas que carrega uma ideia que me agrada: a palavra precisa ser lavrada. Assim como a terra, ela precisa ser trabalhada para que alguma coisa nasça. Uma palavra não deveria apenas sair da boca; deveria carregar consigo algum sentido, alguma coerência, alguma possibilidade de pensamento.

Lavrar a palavra é cultivar o pensamento.

E talvez seja justamente aí que esteja a verdadeira pobreza intelectual: não na falta de palavras, mas na abundância delas sem pensamento.

Falam muito, juntam letras, empilham frases, estufam o peito… mas nada nasce.

Nem sequer uma ideia.

Não escrevo isso para dizer que sou melhor do que aqueles que passaram por aquele cachorro. Muito pelo contrário.

Conheço minhas falhas, meus pecados e minha própria história. Sou católico e confio na misericórdia de Deus, mesmo sabendo o quanto ainda preciso dela.

Talvez justamente por isso aquele encontro tenha me marcado tanto.

Logo eu, tão pequeno e tão cheio de imperfeições, enxerguei Deus na forma mais simples e, ao mesmo tempo, mais esquecida: um animal abandonado. Se o morador de rua já é frequentemente invisível aos olhos da sociedade, o animal abandonado parece ser ainda mais.

Sou grato pela forma como Deus, na minha compreensão, se revelou naquele momento. Muitos dirão que era apenas mais um cachorro. Talvez fosse. Mas aquele cachorro mudou alguma coisa dentro de mim.

Desde esse dia, quero aprender a ser mais solidário, não apenas com as pessoas, mas também com os animais. Afinal, às vezes Deus nos encontra justamente onde quase ninguém escolhe olhar.

A imagem foi registrada dentro de um ônibus da linha 600, que segue em direção à zona leste. Em meio ao deslocamento cotidiano, entre o ruído do trajeto e a pressa das pessoas, um pequeno inseto parado na parede chamou a atenção. À primeira vista, algo irrelevante. Mas, ao observar com mais cuidado, surgiu uma inquietação que ultrapassa o instante:
o que é a vida?

A vida é um conjunto de fatores que influenciam o dia a dia. Depende de cada um perceber se esse agrupamento de situações é positivo ou negativo. Mas, para além disso, há vários tipos de vida.

O animal em questão pode ser irrisório para nós; entretanto, existe toda uma cadeia que determina se ele está no topo ou não do seu “círculo social”. Há quem ache que o Homo sapiens sapiens é a única espécie que controla tudo e todos.

Na minha humilde opinião, nós somos como um vírus. E o papel de um vírus é se apropriar da vida onde reside, e é isso que fazemos com a fauna e a flora. Como dito em The Matrix, pelo Agent Smith, os seres humanos são uma doença, um câncer deste planeta, um vírus.

Para concluir, podemos ou não estar no topo da cadeia alimentar. Tudo depende do ponto de vista, ou da capacidade de destruir em massa o ambiente em que vivemos.

Às vezes, a analogia de um texto diz muita coisa, mas poucas pessoas conseguem compreender. É como a música “O Homem na Estrada”, dos Racionais MC’s, uma verdadeira aula de filosofia. Podemos chamar isso de Filosofia Pop.

Muitos acreditam que se trata apenas de uma música de criminoso, seja por cognição limitada ou por não conseguirem compreender o que está evidente na letra. Isso pode, sim, estar no mesmo patamar de grandes filósofos antigos e modernos. Basta observar as construções e reflexões presentes nas letras rimadas do autor.

Estava eu ouvindo Belchior, na música Apenas um Rapaz Latino-Americano, e percebi que se trata de uma reflexão do dia a dia de qualquer cidadão. Mas também lembrei de Raul Seixas, em Ouro de Tolo, onde vi um pouco da minha própria realidade. Fome não passei, apenas no Exército Brasileiro, quando fui soldado, nos 40 dias de adaptação.

O que isso tem a ver com essas músicas? É a reflexão da Filosofia Pop, em que os cantores fazem uma análise de suas próprias vidas para mostrar que suas dores são individuais e que, mesmo ao cantá-las, nem todos irão compreender.

E faço dos meus escritos formas de expressar as dores que sinto. História triste todo mundo tem, e cada um escolhe guardar ou revelar aquilo que dói.

Na poesia psicodélica, resolvi expor por meio da junção de vogais e consoantes, construindo palavras que, muitas vezes, nem chegam a formar uma oração completa.

Hoje é o Dia Internacional da Mulher, uma data que deveria ser lembrada todos os dias.

Entretanto, há homens — e até mesmo mulheres — que, por falta de conhecimento histórico, acreditam que o movimento feminista é apenas um movimento de mulheres que não sabem o que querem ou que buscam apenas libertinagem. Mas não é isso.

O movimento feminista começou a ganhar força no século XIX, especialmente nas décadas de 1860 e 1870, quando muitas mulheres perceberam que viver sob a tutela legal e social dos homens lhes retirava direitos e voz. Naquela época, em muitos países, mulheres não podiam votar, tinham pouca autonomia jurídica e, muitas vezes, não podiam administrar seus próprios bens.

Essas mulheres, visionárias para o seu tempo, começaram a se organizar e a lutar por direitos básicos, como educação, participação política e igualdade perante a lei. Um marco importante desse processo foi a Convenção de Seneca Falls, realizada em 1848, nos Estados Unidos, considerada um dos primeiros grandes encontros organizados pela igualdade de direitos entre homens e mulheres.

Ao longo do tempo, essas lutas foram conquistando avanços graduais. No início do século XX, o movimento também ganhou força entre mulheres trabalhadoras que enfrentavam jornadas exaustivas, baixos salários e condições precárias nas fábricas.

Um episódio marcante foi o incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist, em 1911, em Nova York, no qual mais de uma centena de trabalhadores — em sua maioria mulheres — morreram, em grande parte porque as portas estavam trancadas e não havia condições adequadas de segurança. Tragédias como essa chamaram a atenção do mundo para a situação das mulheres no trabalho e fortaleceram as mobilizações por direitos.

O Dia Internacional da Mulher foi posteriormente institucionalizado após propostas apresentadas por movimentos socialistas e trabalhistas, como as defendidas pela ativista alemã Clara Zetkin, que sugeriu a criação de um dia internacional dedicado à luta das mulheres por direitos e igualdade.

Graças a décadas de mobilização social e política, as mulheres conquistaram direitos fundamentais, como o voto, maior participação no mercado de trabalho e presença crescente nos espaços de decisão.

Ainda hoje, porém, existem pessoas que deturpam o significado do feminismo, confundindo-o com machismo. O feminismo não busca a superioridade das mulheres, mas sim a igualdade de direitos, oportunidades e dignidade.

Que as mulheres continuem conscientes de sua força coletiva e ocupem cada vez mais espaços na sociedade, inclusive na política, para ampliar conquistas e construir uma sociedade mais justa para todos.

Há espíritos cuja cognição se move em terreno rarefeito, quase estéril, incapazes de ultrapassar o gesto mecânico das letras ou de perceber nelas qualquer sentido que não seja imediato. Onde o texto exige mediação, profundidade e paciência, encontram apenas ruído; onde o pensamento pede abstração, respondem com vazio.

Nesse horizonte estreito, forma-se o ser néscio: aquele que confunde sua própria cosmovisão com verdade absoluta, recortando a realidade segundo os limites do que consegue enxergar. Incapaz de alcançar o concreto em sua complexidade, muito menos o abstrato que o atravessa, permanece aprisionado a um mundo empobrecido, quase bestial, onde pensar é repetir e compreender é reduzir.

O Brasil atravessa uma profunda crise existencial e moral. Nesse cenário, destaca-se a figura do padre Júlio Lancelotti, que vive, na prática, os princípios basilares do cristianismo. Aquele mesmo cristianismo anunciado por Jesus Cristo, que, ao “fazer-se carne e verbo”, ensinou que ser cristão é amar o próximo, respeitar o outro, inclusive — e sobretudo — em meio às diferenças e indiferenças.

Na sua filosofia, Jesus é claro ao afirmar: “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Padre Júlio Lancelotti encarna esse ensinamento. Contudo, paradoxalmente, é atacado por setores do neopentecostalismo brasileiro, cujos líderes buscam reconhecimento monetário e prestígio social, em flagrante contradição com o pensamento de Cristo.

Esses pseudo-religiosos mercantilizam a fé, transformando-a em produto: vendem promessas em troca de dinheiro, ouro e poder. Esquecem que Jesus, ainda em vida, confrontou diretamente essa lógica ao expulsar os mercadores do templo. Quando afirmou que destruiria o templo e o reconstruiria em três dias, utilizou uma metáfora de sua vida, morte e ressurreição — mas também uma crítica direta à religião transformada em comércio.

O que se vê hoje no Brasil é justamente essa “igreja mercantil” que Jesus combateu. O neopentecostalismo tornou-se um câncer social ao se infiltrar na política, levando consigo preceitos ideológicos racistas, homofóbicos e misóginos, travestidos de moral cristã. Criou-se a falsa ideia de que ser de direita é ser cristão.

No entanto, se Jesus estivesse vivo hoje, estaria ao lado das prostitutas, dos marginalizados, dos excluídos — exatamente como fez há dois mil anos. Sob uma leitura anacrônica, Jesus estaria muito mais próximo da esquerda social do que dos políticos religiosos contemporâneos.

Se Cristo retornasse ao Brasil atual, muito provavelmente seria condenado, perseguido e morto novamente — desta vez, não pelos romanos, mas pelos próprios líderes religiosos que dizem falar em seu nome.

E com toda essa conjuntura psicótica que o Brasil está vivendo, eu tenho medo. Não é medo por mim; é medo pelas minhas filhas, pela minha mãe, pelas pessoas que estão próximas de mim. Porque, Deus o livre, se um grupo extremista conseguir romper a linha tênue da democracia, todos nós estaremos vulneráveis. Tenho receio de ser alvo de perseguição política, como tantos já foram ao longo da nossa história. E, se isso não acontecer comigo de imediato, sempre paira o temor de que possam atingir minhas filhas, minha mãe ou as pessoas que amo. Para grupos que desejam o poder a qualquer custo, a violência nunca foi uma barreira — e, para mantê-lo, a história mostra que alguns são capazes de práticas desumanas.

Basta lembrar o que ocorreu em 1964: políticos, estudantes, trabalhadores e cidadãos comuns foram perseguidos simplesmente por defenderem suas convicções ou por protestarem nas ruas. Eu seria um desses: alguém que sairia às ruas para defender a democracia. Por isso, meu medo não é apenas da ruptura institucional em si, mas do sofrimento que ela pode provocar nas pessoas ao meu redor e naqueles que lutam por um país livre.

A democracia é um mal necessário. Mesmo que eu não concorde com tudo o que ela produz, ela ainda é o único sistema capaz de proteger vidas, garantir direitos e impedir que a barbárie se instale. Ela é o mal necessário que deve existir para toda a população do mundo — principalmente no Brasil.

O universo é seu próprio Deus, ou Deus criou o universo?
Não sei explicar, mas tenho a concepção de que o Tempo é o senhor de tudo — talvez até o Ser Mítico que criou tudo a partir do nada.

A partícula de Bóson de Higgs, para os astrofísicos, é o “Pai da Criação”. Assim, a dúvida permanece: o homem criou Deus à sua imagem e semelhança, ou Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança?

Não sei explicar, mas como bom cético que se tornou religioso, estou mais próximo da primeira concepção — embora eu me esforce para acreditar na segunda.

O universo é a essência da primazia evolutiva construída por homens que sempre foram doutrinados por grupos a acreditarem em algo superior.

O cosmo é a infinitude da perplexidade produzida pela própria ignorância humana — ignorância esta erguida pela soberba do Homo sapiens sapiens, que, mesmo no século XXI, insiste em acreditar que o eurocentrismo é o antropocentrismo universal.

Na minha psicodelia, tento expressar a inquietação de um colapso mental revolutivo — a metástase da condição humana.

Já diziam meus ancestrais: o homem é fruto do tempo, uma incógnita dispersa na demasia metafísica entrelaçada na incongruência ético-filosófica da racionalidade.

Se um dia me perguntarem o que eu quis transmitir, não conseguirei explicar.
A filosofia não deve ser totalmente compreensível nem para o autor — imagine para o leitor da atualidade.
Talvez os estudiosos do futuro, vivendo seu próprio presente, consigam compreender.

Há 1 ou 2 anos, li um livro que citava o grande Sêneca, dizendo algo mais ou menos assim: “Quer conhecer um povo? Veja o tipo de música que ele escuta.” Concordo, mas na época dele não se tinha o conhecimento de que a vibração acústica deve estar alinhada com a vibração do cérebro para que possamos nos sentir bem ou tristes. É o efeito das notas musicais.

Acredito que sou eclético no quesito musical; ouço de tudo um pouco, só não consigo ouvir sertanejo universitário.
Em nosso país, há uns 60 anos ou mais, já existia uma crítica a esse grupo por defender a elite agrária. Entretanto, o sertanejo raiz tinha composição e melodia; o universitário, para mim, é uma “mistura de lixo com estrume”. E, nesse ponto, Sêneca acertou.

Sou do RAP. Para muitos, é um gênero de criminosos. Sim, muitos artistas falavam de suas vidas, mas, se você sintetizar as letras, perceberá que eles não fazem apologia ao crime — eles nos mandam sair dele, porque é cilada.

A música fala de seu povo; os intelectuais dos primórdios já sabiam disso. Só que, naquela época, não se entendia a relação entre as vibrações sonoras e o cérebro, que podem nos deixar felizes, tristes ou eufóricos. Essas notas nos fazem sentir emoções que, sem elas, não teríamos.

As mazelas que o mundo nos traz

Ao andar de ônibus mais cedo e conversar com minha genitora, percebi que a loucura é o fim.
Neste momento, lembrei de Friedrich Nietzsche (tive que recorrer ao Google para saber escrever corretamente).
E recordei a história que contam — e dizem ser dele: “Nietzsche e o Cavalo”, o momento em que ele surta e sai do racional para a loucura.

Comparar-me a esse grande intelectual é egocentrismo meu — nunca chegarei aos pés dele.
Mas sou um analisador da sociedade, e muitas vezes não escrevo o que vejo ou sinto.

Observo nossa sociedade degradada — não pela moral ou pelos bons costumes, pois estes são hábitos de cada indivíduo.
Entretanto, os doentes, vítimas dos tóxicos lícitos e ilícitos, trazem sofrimento para os que apenas observam.

E, por ser analista, vejo um futuro trágico para nossa sociedade enquanto não combatermos as mazelas sociais pelo caminho da saúde pública.
Estamos à beira de dois cataclismos: um é o climático (que deixarei para outro conto), e o outro é o da miséria humana, criado pelas drogas…

Minha opinião sobre a invasão policial nas comunidades do Rio de Janeiro



O Poder Estatal revelou, mais uma vez, o quanto é ineficiente. Matar pessoas não demonstra sucesso algum; para os desinformados, talvez pareça, mas é apenas o retrato da falência de um Estado que confunde força com justiça.



A própria Constituição Federal já responde a esse tipo de ação:



Art. 1º, inciso III: consagra a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da República.
Art. 5º: garante direitos e garantias fundamentais, como:
I – igualdade em direitos e obrigações;
III – proibição de tortura ou tratamento desumano ou degradante.

Art. 6º: define os direitos sociais — educação, saúde, trabalho, lazer e segurança —, bases da dignidade e da justiça social.
Art. 226, §7º: vincula o planejamento familiar à dignidade da pessoa humana e à paternidade responsável.
Art. 227: impõe ao Estado, à sociedade e à família o dever de proteger crianças e adolescentes contra toda forma de negligência, violência ou opressão.




Somente citando esses artigos, já fica claro que a violência estatal viola os próprios princípios constitucionais.



O poder público, historicamente, é parte da origem do problema. As facções nasceram do abandono e da brutalidade estatal: no Rio, durante a ditadura militar; em São Paulo, após a chacina do Carandiru. O Estado criou o monstro que hoje tenta exterminar com armas.



O crime não se combate apenas com polícia. É preciso educação, saúde, trabalho e políticas sociais. Também é urgente punir os políticos corruptos que alimentam a miséria e a violência que fingem combater.

Dia do Professor



Hoje é o Dia do Professor. E começou com luta.

Uma mulher lutou para estar lá. Não era apenas mulher — era negra.

Estávamos há apenas 30 anos da abolição da escravidão em nosso país quando Antonieta de Barros se formava na Escola Normal Catarinense. Imaginem a luta…



Antonieta, além de professora, tornou-se política e foi a responsável por instituir nacionalmente o Dia do Professor, para que nunca deixássemos de ser lembrados.



Obrigado, Professora Antonieta de Barros, por nos reconhecer e abrir caminhos.



Nossa trajetória é de luta. Hoje, infelizmente, vemos políticos fazendo de tudo para sucatear a educação — basta observar a má vontade em realizar concursos públicos, substituídos por contratações precárias, como os PSS e RC.



Os salários baixos desmotivam, e muitos acabam desistindo de estudar mais, de buscar novos conhecimentos para repassar aos alunos.



Mas, como dizia Paulo Freire, “a educação é libertadora”.

E nós, professores, somos a pedra no sapato dos maus políticos deste Brasil varonil.

Sou um observador, e é óbvio que percebo as pessoas que vivem de aparências.

Procuro compreender o motivo pelo qual alguém cria uma realidade irreal — algo que chamo de pleonasmopsicótico (adjetivo criado por mim) —, pois o indivíduo passa a viver na ilusão de que seu modo de ser ou de viver trará benefícios reais para si.

E, nesse engano, acredita que todos ao redor são incapazes de perceber que aquela performance é falsa — uma simples ilusão que sustenta o próprio vazio.

Ao longo dos meus quase 35 anos de vida — sendo quase 20 deles dedicados à militância na Esquerda — já tive inúmeros embates com colegas da Direita. São pessoas inteligentes, que defendem seus ideais, posicionam-se contra a criminalidade e também lutam pelo bem social do povo, principalmente do mais pobre.



Entretanto, há cerca de 10 anos surgiu uma nova direita que parece pensar apenas em si mesma. Muitos de seus representantes passaram a apoiar pautas que beneficiam investigados e condenados, e recentemente articulam a aprovação de uma chamada “Anistia Ampla e Irrestrita”.



Além disso, defendem a chamada “PEC da Blindagem”, que, na prática, funcionaria como um escudo jurídico para proteger políticos de responsabilização por seus atos. Trata-se de uma proposta altamente questionável e que ameaça os princípios constitucionais de igualdade e responsabilidade perante a lei. Importante destacar que apenas uma parcela minoritária da esquerda votou a favor dessa medida, o que demonstra divisão mesmo dentro do campo progressista.



Se essa proposta avançar no Senado, o resultado poderá ser o fortalecimento de esquemas criminosos já infiltrados na política, enfraquecendo ainda mais a confiança da sociedade nas instituições democráticas.



É preciso também notar que, entre setores da Direita, existem diferentes perfis: alguns buscam aprofundar o debate político com base em estudo e conhecimento, enquanto outros preferem recorrer à desinformação e à manipulação de fatos. Esses últimos representam um risco ainda maior, pois conhecem a realidade, mas escolhem distorcê-la para proteger determinados interesses.



Nosso país sempre viveu em meio à polarização política. Contudo, a atual conjuntura é especialmente perigosa: há parlamentares que tentam aprovar medidas claramente inconstitucionais para privilegiar grupos e indivíduos que deveriam ser responsabilizados por seus atos. Esse tipo de movimento coloca em xeque não apenas a democracia, mas também a própria noção de justiça e cidadania no Brasil.