Grito de Protesto
Terra-Mulher
A Terra sangra em silêncio, como a mulher que cala o grito. Desmatam-lhe os seios verdes, como quem arranca o abrigo.
Árvores irmãs separadas, como filhas em cárcere doméstico. O machado é verbo cruel, que fere sem dialético.
O ar, antes canto de vida, agora é voz maldita, soprando tortura invisível na mente que se agita.
A seca é prisão da essência, privatizam o ser, o sentir. A água, que era ventre livre, já não sabe mais parir.
Ordenham sem consentimento, deixam-na na mão errada. O leite vira lucro sujo, a alma, moeda trocada.
Rios contaminados choram, como corpos invadidos à força. O falo doentio penetra, sem amor, sem remorso, sem corsa.
E a carne — ah, a carne vendida — tem preço, tem código, tem dor. Como o corpo da mulher na vitrine, sem nome, sem alma, sem cor.
Mas há fogo sob a pele da Terra, há raiz que resiste ao corte. Há mulher que se levanta inteira, mesmo depois da morte.
Um tapa,
Um soco,
Um macho escroto,
Um grito de socorro...
Um beliscão no escuro
A mulher deitada
Sem saber o que ela fez
O machismo da sociedade
A maquiagem para disfarçar
As lágrimas que caem do rosto
Ela respira e pensa...
O que fazer?
Se reinventa e levanta
A vida continua
Vai pra luta
Larga, desce vagabundo
Pensamentos que fluírem
E a fizeram se levantar
Vamos lutar e dizer
Que mulher não é saco de pancada
Sociedade machista e bizarra
Acabam com o ego
Da mulher empoderada!
Johnny Ribeiro
GRITO CALADO
(retalhos de recordações)
Lanço voo nos lençóis alvos que
se descortinam no campo estelar;
em meus olhos, pontos cintilantes
que ofuscam o meu olhar…
na obscuridade, a ardência e o
peso das pálpebras que insistem
em ocultar…
na deriva de meus pensamentos,
sensações vibrantes…
no céu…
um pássaro a desenhar
o esboço inglório que resplandece
em "flash", como raios de luz.
Oscilam as recordações que
costurei em retalhos e cerzi
com as marcas e as nuances,
nessa incógnita que adormece
minha sobrevivência em ti;
e na mudez de minha voz,
inerte em estado de dormência,
em transe… na garganta
estão as minhas
lágrimas presas
que ainda insistem
em cair…
magia, divagação...
nesse contentamento,
lá fora vejo o balançar
da árvore que faz
ruído com as folhas
que se dispersam
na brisa do vento…
em meu silêncio
trancado,
teu nome ecoa dentro
de minh’alma
num grito calado…
Lu Lena / 2026
Paz de espirito é quando voce consegue ouvir os ecos das batidas de seu coração num grito que se dispersa num silencio que é só seu...
GRITO NA ESCURIDÃO
(Entre o pesadelo e a redenção)
Meu grito ensurdecedor,
abafado e ganido...
Minhas lágrimas doridas,
trancafiadas na garganta,
secas, espremidas num
coração corroído...
Sem forças e aflita,
rastejo-me...
Na lama fétida e fria,
meu corpo enfraquecido
lentamente sinto...
As pálpebras que fecham.
Pergunto a mim mesma:
Morri, será?
Ou apenas mais um pesadelo
interminável, na tentativa
estúpida e inócua de
encontrar-te nessa vida?
Estou cansada, novamente
entrego-me à mercê dos seres
que zombam de minha dor...
Impossível nesse lamaçal
encontrar você, meu amor...
Olho para meu corpo e não
o reconheço...
Dou voltas num poço fétido,
imenso...
Sim, a luz eu vejo, o clarão!
Teu rosto disforme vejo
na imensidão...
Nesse devaneio, por alguns
instantes, seguro tua mão...
Imploro-te!
Tire-me desse vão
onde você me colocou sem
dó e perdão...
Mate-me de vez,
então...
Para que meu grito
ecoe na escuridão...
Lu Lena / 2026
O grito da mídia domina você, quer dormir acordar sempre ao teu lado te fazer de irmão te fazer de escravo.
Um grito contido... Uma voz calada...Um gesto discreto que esconde verdades! Verdades de um mundo que está doente, surdo e esquecido, dos valores que promovem a vida. E nesse mundo doente, não cabe afeto, empatia, amizade, solidariedade, amor... Mas sobram: descaso,indiferença, egoísmo, dor... Sobra o preço caro a pagar, quando os danos atingem a as bases essenciais da vida: as famílias.
A vida é um rap, e podemos enxergar o mundo em cada letra... A vida é um grafite, é um grito de alerta na parede... A vida é uma arte, que querem limitar, bater, censurar, controlar, governar... A vida não limita a vida, mas o ser humano quer limitar.
“A raiva, no Borderline, muitas vezes é o grito de uma alma que se sentiu abandonada antes de conseguir pedir cuidado.”
Do livro Borderline: A Montanha Russa das Emoções — Compreendendo o Transtorno de Personalidade Limítrofe, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
“O vício não deve ser ouvido apenas como desvio, mas como grito psíquico de um sujeito que perdeu o caminho do laço.”
Do livro Psicanálise das Toxicomanias — O Sujeito entre o Gozo, o Sintoma e a Droga, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
Um tão breve talvez
Um encontro ou desencontro
Um chegar ou partir...
Um grito no silêncio silenciando emoções, desejos ou quem sabe sonhos...
Um recitar em versos...Uma canção de ninar.
Hannah Lessa
Nascemos em um grito e morremos em um suspiro. O que você faz no intervalo é o que define sua eternidade.
SerLucia Reflexoes
"Reflexão de vida"
"O silêncio muitas vezes é o grito do pedido de ajuda que poucos conseguem escutar."
@Suédnaa-Santos.
Ó ABSOLUTO! Ó ALTÍSSIMO! Ó FORÇA SEM NOME QUE SUSTENTA OS ASTROS!
ESCUTA-ME!
ESCUTA O GRITO DAQUELE QUE SE AFOGA EM SI MESMO!
Pois minha voz já não é voz — é ruína, é trovão quebrado,
é o último clamor de um espírito acorrentado!
Eu clamo contra o abismo que repousa ao meu lado!
Eu clamo contra a sombra que me chama pelo nome!
Eu clamo contra a maldita criatura que sorri em silêncio,
contra o demônio sem rosto que se alimenta da minha fome!
Ó CAMA PROFANA, ó trono do torpor eterno,
ó palácio macio onde reis da vontade são mortos,
tu que vestes a face da paz mas escondes o inferno,
tu que fechas os olhos dos vivos e enterras seus sonhos tortos!
Tu não és repouso!
TU ÉS A COROA DO PECADO ADORMECIDO!
Tu és o altar onde a coragem é sacrificada,
o templo onde o amanhã é destruído!
Quantas manhãs assassinaste?
Quantos sóis viste nascer enquanto eu permanecia cativo?
Quantos chamados do mundo foram por ti esmagados,
quantos futuros deixaste perdidos e esquivos?
Ó LENÇÓIS DE ENGANO!
Ó ABRAÇO DE SERPENTE INVISÍVEL!
Por que teu conforto é tão doce
se teu fruto é tão terrível?
Eu te odeio, maldita Cama!
Eu odeio o teu silêncio profundo!
Eu odeio a forma como prometes descanso
enquanto roubas meu lugar no mundo!
Minha alma bate contra teus portões fechados!
Meu espírito ruge dentro desta prisão!
Eu sou um guerreiro sem espada,
travando uma guerra contra a própria imobilização!
Ó Absoluto, não me deixes cair outra vez!
Não permitas que eu entregue a coroa ao vazio!
Arranca de mim este veneno invisível,
rasga este véu que cobre meu brio!
Eu não peço riquezas!
Eu não peço impérios!
Eu não peço glórias gravadas em pedra!
Eu peço uma única força:
LEVANTAR-ME CONTRA ESTA TREVAS QUE ME CERCA!
Dá-me fogo quando eu for cinza!
Dá-me movimento quando eu for pedra!
Dá-me vontade quando meu corpo suplicar rendição!
Dá-me um trovão dentro do coração!
Pois a maior batalha não está no campo distante,
nem no mar onde os heróis enfrentam monstros;
está aqui — neste instante —
onde o homem enfrenta seus próprios escombros!
Ó Pecado Vivo!
Ó Demônio do Descanso Falso!
Hoje eu te encaro sem ouro, sem armadura, sem glória;
apenas com um resto de alma ferida
e um desejo feroz de vitória!
Se eu cair, que seja tentando!
Se eu tremer, que seja avançando!
Se minha voz falhar, que reste o eco dizendo:
EU NÃO NASCI PARA SERVIR AO LEITO!
EU NÃO NASCI PARA SER ESCRAVO DO SONO!
EU NÃO NASCI PARA ENTREGAR MINHA VIDA
A UM REINO DE SOMBRA E ABANDONO!
Eita Sábado véio MACANUDO,
Tô aqui mais TUPETUDO,
Do que frango NOVITO,
Que quer levar no GRITO,
O dono do TERREIRO,
E também do GALINHEIRO,
E das frangas tomar CONTA,
E eu hoje vou fazer uma PONTA,
Lá na casa das TIA,
Retouçar com as GURIA,
Tô com uns pila na GUAIACA,
Pra mim não tem china FRACA,
Quando me esquento e fico LOUCO,
Uma só pra mim é POUCO,
Pra nos meus pelegos CESTIÁ,
Quero ver quem vai GUENTÁ,
Até o final do RETOUÇO,
Sou pequeno curto e GROSSO,
Nada deixo a DESEJAR,
E tu crinuda linda vai pedir pra eu VOLTAR....
Alguns sinais evidenciam o agouro do meu grito.
Som provido de ais neste engodo de hora que me abandona com os olhos perdidos no horizonte sem sentido.
Pingos de chuva...
Chuva de mim!
Perder é recomeçar...
Antes que desperte em mim algum grito...
Antes que se perca o sentido...
Diante o desconhecido...
Não me disseram para o que vim ainda...
Em um excesso de desejar sonhar, sonho...
Mas não sei trocar a minha sorte...
Antes da morte me beijar...
Hei de gritar...
Hei de cair e de chorar...
Também levantar...
Hei de amar, querer , desejar...
Não quero ter outra lei...
Além de sonhar...
Terrível solidão do mundo...
Onde pensam serem felizes por estarem acompanhados...
Onde colocam suas esperanças...
Em outro tão mais ou menos coitado...
Transcende a vida...
Entre as feridas...
Entre sopros...
Enganando-nos ...
Entre sorrisos e arrotos...
Enquanto nos abandonamos...
Enquanto no peito pulsa e canta a chama...
No silêncio mais fundo de nossa alma...
Sobre tudo por nós criado...
De si mesmo...
Contemplador e contemplado...
Enquanto escoa o tempo e o vento...
Até se completar o fado...
Perder e recomeçar...
Sempre...
Voltando, novamente...
A sonhar...
Sandro Paschoal Nogueira
