Grito de Protesto
Um grito preso
Sinto a dor de mil espinhos,
pois andei descalça o chão é de lama, feito da poeira das carroças de ferro que se desgastaram com o tempo.
Essa poeira, misturada a muitas águas salgadas, foi virando lama, uma lama que nem meus cavalos conseguiriam atravessar.
Não sei quantas lágrimas derramei, o que para muitos é apenas um sentimento sem importância, eu aprendi a aceitar como algo menor, porque entendo a visão de quem olha de fora.
Aceito que chorei, aceito que minhas lágrimas não são prioridade afinal, existem pessoas passando por coisas piores…
Estou certa?
Mas enquanto aceito isso,
eu estou desabando por dentro e cada vez que fico feliz pela felicidade de alguém,
eu me asoito pois acredito que não sou digna de receber a mesma benevolência e a minha alma grita, grita de desespero, grita porque não consigo encontrar repouso
Eu me pergunto se realmente nasci para sangrar, e olho para Ti, para Teu exemplo, para tudo o que passaste, vejo que o meu sofrer não chega nem à metade do Teu, e me ouso a dizer que não tenho força para continuar, a voz embarga quando quero falar
E tudo porque? Tu és perfeito
e eu sou impura e imperfeita.
A minha alma se rasga por não saber qual é a direção devo tomar, pois quando estava em outros caminhos maquiados de "perfeição" parecia tão fácil, ela se rasga porque o caminho que deveria ser de paz tem sido um caminho de dor
Me diz a verdade o que preciso fazer para não entrar em total sangramento, se o Teu caminho é paz?
Existe em mim uma fome que não se sacia, uma sede que me consome e eu não sei quando ou se estarei totalmente saciada, essa dúvida me consome, deve ser as vozes que aprisionam minha alma estão falando.
A minha alma está gritando de desespero porque o tempo todo, eu estou maquiando o que sinto, maquio as palavras, maquio as expressões, maquio minhas ações, maquio a dor, e tudo isso faço para que as pessoas ao meu redor não passem pela mesma dor ou até mesmo pior.
Não posso deixar que eles se destruam, não posso deixar que se entreguem
Então eu tento ser forte, demonstrando a fortaleza que não tenho para quem não consegue ser forte.
E enquanto isso? Eu me torno a pessoa mais frágil do mundo, a que mais sofre em silêncio, por favor não me entenda como coitadinha, apenas estou tentando nos meus 1% ser como você, mas são tentativas fracassadas.
Me diz? Por que com tantos problemas diante de mim, a minha dor nunca parece importante?
Ela sempre fica por último,ela nunca tem cura
Eu não consigo resolver o que me fere, e apenas disfarço
Sou egoísta por querer paz?
"A incerteza do amanhã é um grito urgente: viva o agora. O futuro é uma ilusão que nenhum homem controla."
Assusto porque o meu silêncio é mais violento do que qualquer grito preso em minha garganta, um som que nunca nasce, mas morre centenas de milhares de vezes dentro de mim
Há um abismo aberto no meio do meu peito e ninguém vê o porque ele não sangra por fora, não é apenas um mar de águas ensanguentadas, é uma fonte sem fim
Eu carrego um terremoto sob a pele e tudo treme, tudo racha, tudo desmorona e por fora eu continuo em pé, educada, inteira, aceitável, intensa.
Um mundo enorme e mesmo assim sinto em meus ombros e ele está pesando inteiro sobre mim, como se eu tivesse sido escolhida para sustentar o que não cabe em minhas mão, apertando com a palma de suas mãos
Vivem me dizendo “não é nada demais”, “tem gente pior”, “isso passa”, mas só sabem exatamente o que você passa, quando eles sofrem na pele o que você sentiu
Porque a dor não se mede comparando tragédias.
Eu não quero parar, pois parar é descansar, eu quero desistir, não consigo mais fingir que não dói, simplesmente por que alguém me disse que era fraqueza demonstrar tristeza
Quero desistir de sorrir com os lábios enquanto por dentro tudo implora por socorro.
Queria rasgar o peito e mostrar que aqui dentro há um campo devastado
Não flores, elas foram destruídas
Não esperança bonita, onde nunca existiu
Mas terra revolvida, raízes arrancadas, céu escuro ao meio-dia, um fogo gelado
O caminho de pedra virou lâmina e cada passo que eu dei é um corte invisível
Cada palavra maldita que engulo vira espinho na garganta, me fazendo perder a voz
E eu engulo, sempre engulo, o sofrimento se sente sobre mim como um rei tirano e cruel que exige silêncio
Ele aperta minha voz até ela virar eco, até um dia nem o eco possa se ouvir
Eu grito e o som morre antes de nascer
Eu falo e me transformam em exagero, calando minha voz
Sou julgada antes de ser ouvida, sou a fraqueza antes de ser compreendida
E dói, dói num lugar que não tem nome, dói como se algo estivesse sendo arrancado
devagar, dia após dia, sem que ninguém perceba
Eu sou uma guerra sem plateia, o incêndio sem fumaça, uma tempestade que só acontece por dentro, é invisível e ninguém pode ver, ( não sentir, não deixar saber)
E o pior não é a dor, é a solidão que insiste em me acompanhar, e a vida me obriga a continuar respirando.
Você não está fraca.
Você está esgotada.
Burnout não é drama.
É um grito da alma cansada.
Tem mulheres funcionando…
mas por dentro já pararam.
Mulheres produtivas por fora.
Exaustas por dentro.
Mulheres fortes que também colapsam.
E está tudo bem pedir ajuda.
E se você anda chorando sem saber por quê, talvez não seja fraqueza.
Você chama de cansaço. Seu corpo chama de limite.
É preciso reorganizar!
Eu já passei por isso e cada vez mais isso se repete nesse mundo desafiador e robótico!
REFLEXÃO
“O amor não termina no grito, mas na ausência, no tratamento raso, no descaso e na falta de cuidado. Não se desfaz na discussão, e sim na falta de compreensão, empatia e respeito, mas na indiferença. Quando dois corações já não se procuram no silêncio, não sentem mais saudades e não se declaram em palavras sentimentos de AMOR, é porque a desconexão chegou antes da despedida.
O triste é que, em alguns casos, não existiu tempo de dizer ADEUS.”
(Mestre Malaquias da Viola)
Capítulo — Entre a Culpa e o Espelho
Pedir demissão foi um grito silencioso que eu dei a mim mesma.
Eu estava cansada. Cansada da pressão constante, do ambiente pesado, das cobranças que atravessavam minha pele como agulhas finas e diárias. Havia dias em que eu voltava para casa sentindo que tinha deixado pedaços de mim espalhados pelos corredores daquele trabalho. Então, um dia, respirei fundo e saí. Achei que, ao fechar aquela porta, abriria outra — mais leve, mais minha.
Mas o que se abriu foi um vazio.
Meus dias passaram a ter a mesma cor, o mesmo ritmo, o mesmo roteiro: lava, limpa, arruma, cuida. Lava, limpa, arruma, cuida. Amo meus filhos com a força inteira do meu peito, mas não quero ser apenas a mãe.
Quero voltar a ser mulher. Quero me reconhecer no espelho sem que a primeira palavra que me venha à mente seja “cansaço”.
Nos três meses depois que saí do emprego, engordei 10 quilos e 800 gramas. Sim, eu estou contando. Cada grama parece um lembrete concreto de que estou perdendo o controle.
Eu não consigo parar de comer.
É pão. É feijão. É macarrão. É qualquer coisa que esteja ao alcance dos olhos. Como em grandes quantidades, como com urgência, como se estivesse apagando um incêndio invisível dentro de mim. Na hora, existe uma pressa quase desesperada — preciso mastigar, preciso engolir, preciso sentir o estômago cheio. Só quando ele dói, quando pesa, quando estica, é que algo se aquieta.
E então vem o arrependimento.
A culpa chega como uma onda fria depois da falsa calmaria. Eu sei que não deveria estar fazendo isso. Sei que não é fome — é outra coisa. Mas faço assim mesmo. A comida virou uma espécie de anestesia: me acalma por alguns minutos e depois me corrói por dentro, como se eu tivesse traído a mim mesma.
Estou matriculada na academia. Pago a mensalidade. Tenho roupas de treino. Já gostei de treinar — e muito. Lembro da sensação de força, do suor como prova de disciplina, da música alta no fone de ouvido enquanto eu me sentia viva. Mas agora não consigo sair de casa para ir até lá. Não é preguiça. É como se houvesse uma barreira invisível entre mim e a mulher que eu costumava ser.
Às vezes me pergunto:
Onde está a minha força de vontade?
Onde foi parar o desejo de me cuidar que sempre fez parte de mim?
Se eu gosto de treinar, por que não consigo ir?
Sinto que preciso urgentemente reencontrar meu antigo eu — mas, no fundo, talvez eu precise encontrar uma nova versão de mim.
Uma que caiba na mulher que estou me tornando, e não apenas na que eu fui.
Às vezes — ou melhor, na maioria das vezes — sinto falta de mim. Falta da leveza que eu tinha. Da segurança. Da autonomia. Me pergunto se, caso tivesse estabilidade financeira, tudo seria diferente. Será que eu conseguiria ser eu mesma? Ou estou usando essa ausência como justificativa para algo mais profundo?
Já passei por tantas coisas na vida. Sobrevivi a situações que pensei que me quebrariam para sempre. Aprendi muito com a dor, mas também vivi momentos maravilhosos — momentos que hoje parecem fotografias desbotadas guardadas numa gaveta da memória.
Sinto saudade daquela mulher que ria fácil, que sonhava alto, que se sentia capaz.
Agora, às vezes, acordo e me pergunto em silêncio:
Será que estou em depressão e não sei?
Talvez essa seja a pergunta mais honesta que fiz a mim mesma nos últimos meses.
Porque o que mais dói não é o peso no corpo.
É o peso de não me reconhecer.
É preciso ser muito pra fazer eu desistir de mim
muito mais do que grito,
muito mais do que fim.
É preciso ser corte que nem o tempo cicatriza, vento que arranca raiz,
muralha que não se humaniza.
Porque eu me faço inteira até no caco,
me refaço no avesso do dia,
faço da dor um palco pra dançar minha poesia.
A ansiedade me prende em um mundo silencioso.
Grito por dentro, mas ninguém escuta.
E é nessa solidão que me afundo,
mesmo rodeado de gente.
E quando eu penso em você
O sentimento é tão intenso
É um grito no silêncio
Um adeus que sempre penso
Grito
Demétrio Sena - Magé
Haverá sempre um grito
pro que não sabe ser dito;
pro que não passa de mito
do saber.
Haverá sempre um mito
pro que só sabe ser grito;
pro que não passa do dito
por dizer:
mato ou morro?
Haverá sempre um dito
pro que só sabe ser mito;
pro que não passa de grito
de socorro.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
No fundo do mar,
Um grito abafado,
Sem respiração.
O fim chega.
Cada parte de nós
Um dia será saudade,
Lembrança e fuga.
Somos retalhos
De uma felicidade inexistente.
Retorno à minha essência e volto a ser de mim,
ainda que enlutada,
percorra sozinha no grito das gaivotas
as vagas do nosso amado mar.
Saber-te em mim será sempre a minha maior alegria,
ter sido tua um dos melhores e maiores êxtases que alguma vez uma mulher possa ter experimentado.
Em ti me enrosco todas as noites lambendo-te as feridas dos dias onde te deixei liberto, à deriva de todos os meus caprichos,
e foram tantos!
Por vezes tenho a sensação de que ainda estás presente
e a saudade fervilha nesta ausência de nós.
É como se te visse e ouvisse boquiaberto e feliz
enquanto eu tentava arranjar os desalinhados cabelos
no temporal dos sentidos:
“ meu amor, como és linda! A mais bela das mulheres, é minha!”
É por aí que eu vou quando tudo o que ouço agora é uma cruel e inoportuna mente gritando-me exactamente o oposto
quase até à loucura!
Perdoo-te teres partido, mas nunca te teres tornares silêncio,
cobardia e bicarbonato de sódio
neste corpo onde explodem lavas,
corpo de primícias tuas
onde navegaram navios
e tuas mãos de menino.
Célia Moura, poesia
Eu grito,
não mais para o mundo,
mas para me resgatar de mim mesmo.
Grito tudo o que calei,
tudo o que doeu em silêncio,
tudo o que me fez pequeno dentro de mim.
Deixo a dor sair sem pedir desculpa,
deixo o peito tremer,
deixo a voz falhar…
mas não deixo mais ficar.
Porque esse grito não é só ruptura,
é nascimento.
No meio do caos da minha própria voz,
algo em mim respira de novo.
E pela primeira vez,
eu não me sufoco…
eu me escuto.
Tem silêncio que grita mais alto do que qualquer discussão. E é nesse grito mudo que a gente se encontra ou se perde.
Dói o grito que sufoca, a vontade que se desfaz como cinza entre meus dedos. Então eu me ajoelho diante do céu e chamo por Deus, imploro por uma saída, por um sinal, por qualquer respiro, mas em noites como esta, parece que Deus apagou meu nome do livro divino, parece que minha voz não atravessa o silêncio do firmamento.
E eu fico aqui sozinho tentando acreditar que Ele ainda me escuta e, totalmente perdido, tento manter a fé.
Mesmo que eliminasse
essa palavra "Tristeza", ainda existiria o grito silencioso da dor
estampado em rostos
de pobres NEGLIGENCIADOS...
***
No avesso do meu silêncio, grito o que o peito não diz; calar a voz é o preço de fingir que sou feliz."
Guardo as palavras no bolso para não deixar o choro escapar. Às vezes, o que a gente mais sente é o que menos consegue falar."
Me calo porque o nó na garganta é maior que qualquer explicação. Deixo que meus olhos contem o que escondo no coração."
Onde as palavras faltam, a saudade transborda no silêncio.
Educadoras
Não há grito de liberdade maior que de uma criança.
Dentro de sua inocência, confronta o mundo com a verdade.
Se irrita com o banal, e valoriza o que de mais puro existe no mundo.
A verdade do coração, transmitida no olhar, no sorriso que gargalha.
Na peça pregada pela simples alegria.
Não há nada de mais espontâneo e cativante no ser humano.
Não há expressão mais literal da verdade.
Dom sem igual, o qual a sociedade tanto luta para domar.
Com suas concepções fúteis de educação.
Afinal crianças não vem para aprender
Vem para ensinar.
