Grito de Protesto
Na ausência, teu nome é chama, que arde sem se apagar. Cada silêncio é um grito contido, cada noite, um mar sem fim.
Tentei vestir a razão, mas ela se desfaz em tuas lembranças. A maturidade é frágil diante do coração, que insiste em te chamar, mesmo no vazio.
A saudade é amante ciumenta, não aceita despedidas, não conhece limites. Ela invade como tempestade, me arrasta para o centro do teu olhar.
E eu, perdido em tua ausência, te encontro em cada sombra, em cada perfume esquecido, em cada palavra que não disse.
Se o tempo é cruel, o amor é eterno. E mesmo longe, teu abraço é o destino que nunca se desfaz.
Tatianne Ernesto S. Passaes
A dor é ferida, mas também é portal. É silêncio, mas também é grito. É sombra, mas pode ser aurora. E talvez seja justamente por isso que ela nos humaniza: porque nos lembra que viver é atravessar, e que cada cicatriz é também uma inscrição de resistência, uma marca de que seguimos, apesar de tudo.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Compêndio de Chuva
Cai a chuva, melancólica e lenta, como um grito que o tempo inventa.
Em cada gota, um som, um tom, que o vento leva — e traz o teu batom.
O teu rosto vem, em bruma e luz, como se o céu em ti se traduz.
Enquanto o mundo se desfaz em água, o meu peito arde, embora os meus olhosse alaguem em frágua. O teu toque é sinfonia de chuva,
que compõe a minha alma, e acende lua turva . E eu, perdido entre trovões eos relâmpagos do meu silêncio, encontro-te em cada canto da minha pele em compêndio.
Que chova, amor — que o mundo escorra, que o tempo pare, nesta dor de masmorra. Pois se é na chuva que te penso e vejo, então que chova, só para te ter no beijo.Chove, e o meu mundo sopra o teu véu, as ruas das minhas veias choram sob o cinza do céu. No vidro, escorre o teu nome, lento, feito melodia, feito tormento.
F.C.PORTO
No peito, um dragão desperto.
No relvado, a coragem nas veias.
No grito, a alma inteira a pulsar.
Ser Portista é nunca baixar a cabeça,
é vencer mesmo quando o vento é contra.
Dragão de asas abertas,
rasga o céu como quem reclama destino. Onde outros hesitam, ele avança: fogo azul a iluminar o caminho. No retângulo, cada passo é um decreto, cada ataque, uma lenda em construção.
O Porto não joga futebol ,
escreve epopeias em relva viva.
Porque o Futebol Clube do Porto
não é um clube, nem um símbolo:
é um reino de coragem pura,
guardado por um Dragão que nunca dorme.
AMAZÔNIA...
UM GRITO DE MISERICÓRDIA...
Oh! Quanto sinto, olhos em prantos
Meu penar chora por ti
Pois a muito tempo ti encontravas sossegada
Mesmo antes, depois nasci.
Correm rios, verdes matas
E teu seio é um enorme abrigo
De bichos, pássaros e insetos
Abençoada sois tú, eu digo.
Presente anônimo entregado ao mundo
Que o bom Senhor nos fez
E não disse somente a alguns
Tomem! Que é de vocês.
Mas o tempo eu sei que muda
E nós mudamos também
Por que para o lado errado?
Se isto não nos convém.
Desmatamento em ti fazem
Choram!... Mas é tudo em vão
Como suportar pode o extenso solo?
Assolado pela erosão!
Entristecido me despeço
Minhas palavras aqui ficam
Homens importantes falam em tua defesa
Apenas falam!...Mas não praticam.
Eu, simples criatura e sem voz nenhuma
Me sinto pregado na cruz
Mas peço mesmo em voz baixa
Que nos perdoe, JESUS!
A maldade é um grito abafado de derrota interior: Ninguém que esteja em paz consigo mesmo gasta tempo ou energia tentando ferir a integridade de alguém; o ataque constante é o atestado definitivo de um caráter moralmente falido.
Antes de falar eu penso, antes de agir eu reflito. Se ouviu meu grito porque foi necessário. Se ouviu meu silêncio porque foi respostas. Em cada palavras pronunciadas, em cada atos praticados teve uma medida exata e pensada.
Dói o grito que sufoca, a vontade que se desfaz como cinza entre meus dedos. Então eu me ajoelho diante do céu e chamo por Deus, imploro por uma saída, por um sinal, por qualquer respiro, mas em noites como esta, parece que Deus apagou meu nome do livro divino, parece que minha voz não atravessa o silêncio do firmamento.
E eu fico aqui sozinho tentando acreditar que Ele ainda me escuta e, totalmente perdido, tento manter a fé.
Lamentos
A noite canta
E ouço-lhe os lamentos.
Há um grito de sabedoria querendo
Entrar em minha solidão.
A sombra incrédula vaga sem destino.
O vento invisivelmente se cala.
Não há controle sobre os acontecimentos.
Meus sentimentos congelaram
Como o inverno que se findou.
O calor da chegada do verão
Derramou sobre o sombrio tempo
Um tapete colorido de eternas alegrias.
Quando compreendermos o grito do silêncio, compreenderemos todo o resto.
Rita Padoin
Do livro "Entrelinhas"
A minha verdade
Enquanto houver verdade,
haverá em mim
um grito que não se cala.
Pois aqui habita
uma sabedoria única,
um sentimento inigualável.
Onde a destreza
provoca incertezas
e busca, no íntimo, a soberba.
O que se quer
é o que se vê,
não se inventa.
Apenas se compreende,
de certa maneira,
e não se explica.
A vida insiste
e, por ora,
é o que chega.
Nem há busca,
nem desespero;
por vezes, apenas exagero.
Ou talvez, esperança,
o que causa anseio.
E, no momento, é o que vejo.
Busco prazer
na simplicidade do acaso,
no milagre do amanhecer.
Em cada história
eu me encontro,
mas no amor, eu me perco.
Novamente,
como matemática básica,
não tem erro.
Essa sou eu:
não guardo segredos,
sou sempre do mesmo jeito.
Kurt Cobain emerge das cinzas grunge, voz partida: "Eu sou o grito primordial contra o nada, alma selvagem engolida pelo ruído urbano, buscando salvação no caos da pele ferida". Noé responde da sua arca espectral: "Eu guardei as sementes vivas do apocalipse, navegando dilúvios de lagrimas, para que raízes antigas brotem novamente em terras esquecidas". Mahatma Gandhi, com mãos calejadas de marchas infindas, declara: "A resistência pacífica é o sal da terra; nela, povos originários florescem invictos, dissolvendo correntes com a força do espírito desperto". Renato Russo, legionário das noites brasilianas, confessa: "Nas veias urbanas pulsa um pulsar proibido, herança de guerreiros das matas, clamando por um país que ouça o coração silenciado". Maria Quitéria, visionária das profundezas temporais, irrompe: "Na quarta dimensão, o tempo se dobra como lâmina invisível; ali, lutadores ancestrais transcendem o plano, libertando-nos em espelhos da eternidade rebelde". Suas vozes se entrelaçam num manifesto etéreo: a humanidade resiste, primordial e multidimensional, contra o vazio que nos cerca.
O GRITO DE UMA ANGOLANA!
ELEGERAM UM LADRÃO,
ESTRANHARAM, COM O ARROZ E COM O FEIJÃO, ACHARAM QUE NÃO TINHAM DIREITO A UMA VIDA DIGNA, ENTÃO, CONTENTARAM-SE COM UMA MAIS OU MENOS.
FIZERAM DAS TRIPAS CORAÇÃO, NÃO LUTARAM POR MEDO, E OS POUCOS QUE TENTARAM GUERREAR MORRERAM.
PARA OS CALAR, BAIXARAM O PREÇO DA BIRRA, POIS BÊBADO NÃO TENDE A TER NADA DE JEITO A FALAR.
O PAÍS ESTÁ IMUNDO, MAS O POVO INSISTE EM VIVER DE APARÊNCIAS.
TÊM SEMPRE UM GRIFFE NOVO, MAS RECLAMAM DA DECADÊNCIA!
O LADRÃO MORREU E DERAM VOZ AO ALDRABÃO.
BURRO VELHO NÃO COSTUMA APRENDER A LIÇÃO.
HOJE VIVEM DE RAÇÃO E PEDEM O ANTIGO.
SENTEM FALTA DO SEU FEIJÃO E DE TER PELO MENOS UMA REFEIÇÃO...
A IGNORÂNCIA, ÀS VEZES, É UMA SOLUÇÃO.
MESMO COM INFORMAÇÃO, PRETENDEM SEMPRE VIVER NUMA ILUSÃO.
Paula Maureth Adriano Soares
Entretanto assinaram a Lei Áurea e o grito de liberdade foi ecoado, mas os(as) fazendeiros(as) perderam mão-de-obra, no eterno desemprego coletivo. Mas criatividade da engenhosidade, onde as matérias-primas da natureza viraram máquinas. Porém como esquecer do funcionamento das máquinas, se à natureza está sendo rebelada?
