Grito de Protesto
O mal não precisa de força para vencer, basta a omissão dos que poderiam detê-lo. No fim, não é um monstro que destrói o mundo, mas a multidão que o assiste em silêncio.
Calar quando se quer gritar ...
é sufocar-se ao extremo
esmagar o próprio coração
abandonar em um
tenebroso cômodo,
a própria alma.
Por isso, grite!
Murmuro canções em dueto
junto à brisa que passa rasante
imaginando ouvir a tua voz
chamando por mim todo instante.
É no silêncio da noite que ouvimos os gritos do coração e sentimos as lágrimas internas molhando aos poucos a alma ferida.
É no silêncio da noite que conseguimos ouvir os gritos da alma e só encontramos um pouco de paz quando descansamos em Deus.
A alma angustiada grita sem ser ouvida por ninguém e leva parte de nós. Como uma avalanche destruidora, leva os sonhos e a vontade de viver.
Doces memórias da infância
Do tobogã no ribeirão
Das pescarias de enguia
Do barreiro transbordando
Do meu irmão com medo dos trovões
Do segundo sol na chuva forte
Dos baldes de água na cabeça
Da minha mãe nadando
Dos ombros tortos
Do escorrego com o carro-de-mão
Da cicatriz
Das feridas não cicatrizadas
Da saudade
Das lágrimas
Da luz em meus óculos.
Muitas vezes o silêncio grita absurdamente dentro de nós e faz ecos profundos e intangíveis num labirinto dentro da alma que se perde pelo caminho...
Já me quebrei em silêncio,
onde ninguém pôde ver.
Carreguei sorrisos no rosto
enquanto a alma só queria chover.
Fui leve — quando o mundo pesava.
Fui calma — quando dentro tudo gritava.
Fui pluma no vento da vida,
mas cada sopro me ensinou a não me perder.
Me disseram pra ser forte,
mas descobri que força é sentir.
É cair e, mesmo em pedaços,
ainda assim, decidir prosseguir.
Não sou feito de aço,
mas de carne que já cicatrizou.
De lágrimas que ninguém viu,
e orações que só Deus escutou.
Carrego dores caladas,
mas também milagres que ninguém notou.
Porque onde o mundo via fraqueza,
Deus via o ouro que o fogo forjou.
Sou feito de fé que não grita,
mas resiste.
De esperança que não se explica,
mas insiste.
Sou suave como a pluma que dança no céu,
mas quando a vida exige…
eu sou trovão.
E faço tremer tudo aquilo que quis me calar
— sem perder o coração.
Os desprovidos de autoridade
acreditam que, por meio de gritos,
imporão respeito.
desconhecem que o respeito
é conquistado
pelo exemplo de suas vidas.
Quem vós engana para conseguir o que desejas?
Pois te falta espelhos pra ver tuas faltas...
És terra, és lodo, és pó...
És vazio na alheia cama...
Mas não te digo, nem te lembro nada...
Enquanto entre risadas vaga...
O tempo vil, que tudo troca, e muda...
Sem perdão, de outrora sem culpa...
Desgasta o que cultua...
E te levará à cova...
São dias de febre na cabeça...
E não sentes o que te corrói...
Num jardim onde há flores sem hastes...
Dá-se sua alma em troca...
Finges uma lágrima enquanto chora...
A ti e aos teus no correr do tempo...
Somente enganas a tu mesmo...
Enquanto apodrece a alma...
Triste e dúbia luz em que vives...
Cuja vaidade lhe assombra...
Entre falsas lisonjas caminhas...
Em suas tristes e perdidas horas...
Eu dar-vos-ia as estrelas...
Se realmente soubesses amar...
Mas que triste ironia...
Nem isso anseias por sonhar...
Nem batalhas, nem paz tens...
Apenas um grito na memória...
Apenas dia após dia...
Apenas noite que vai e vem...
Se alguma qualidade pode ser preferida...
Não a restrinja...
És só...
Não tem ninguém...
Redemoinho de ventos...
A desenhar seus próprios pés...
Incerto destino te procura...
Enquanto vagas na realidade crua...
Enquanto singra pelas noites e ruas...
Seria hipócrita se dissesse...
Que sendo assim não te quero...
Contundo cresce em mim a paixão...
Desde que apenas com um único olhar seu...
Roubaste meu coração...
Sandro Paschoal Nogueira
Eu sou pura expressão da alma
Deixo ela me guiar
Canto mesmo sem saber cantar
Danço, giro, rodopio
Para a alegria alcançar
Grito, choro e sorrio
Mesmo querendo me calar
Se pensa que a verdade te dá o direito de gritar, estás redondamente enganado. Às vezes, é pelo grito que o povo te manda calar.
Minha alma não ri
Tenho o dom de acender salas
enquanto apago a mim mesma em silêncio Meu riso vem fácil, mas ninguém escuta o grito que mora atrás dos olhos.
Sou sol em dias nublados alheios, e noite cerrada quando volto pra mim.
Por dentro, uma alma que chora sem barulho, mas que nunca deixou de lutar pra existir.
É que ser luz pros outros às vezes custa a própria paz, mesmo assim,eu fico, eusinto, eu sigo.
