Grito de Protesto
O CÁRCERE
O frio da minha alma
Espalhada como gotas d'água
Na escuridão da incerteza
Que até tem sua beleza
No amor libertado
Pelas próprias palavras
Que reinam nas páginas
De um livro em branco.
A razão da irracionalidade
Presente no erro acertado
Que justifica o injustificável
Encontra um motivo
no caminho incompreendido
Dos conflitos desse cárcere
Que envolvem o meu espírito.
Escrevo,
para não silenciar o meu grito.
(Por: Ket Antonio e Marjorie Rocco)
Minha vida tem sido isso...
Acordo tarde, tomo café da manhã e espero a hora de ir ao trabalho. Sem perspectiva, sem cor e sem vontade de estar aqui.
Tento esconder tudo embaixo do tapete, para tentar levar a vida, mas nem sempre consigo.
Onde foi que eu perdi a alegria de viver?
Onde foi que eu me abandonei? Onde foi?
Por trás daquele sorriso, tento esconder o meu medo, a minha insegurança, o meu desespero e a minha insatisfação por mim mesma.
No espelho vejo outro alguém, um rosto familiar, porém desconhecido, seus olhos já não tem brilho, seus lábios ficam parados...Nenhuma palavra, enquanto dos seus olhos descem água.
A minha consciência diz que é bobagem, mas porque me aflige tanto? Mas não posso contar a ninguém, o que pensariam de mim? Não quero demonstrar fraqueza, mas estou um caco por dentro, contudo ninguém vai perceber, porque pareço normal, pareço alegre, pareço viva, mas... Só pareço... Quem sabe um dia, enfim, desapareço!
Quando alguém grita, “já fiz tudo que podia!”, você está diante de um profissional abaixo da média. Se alguém pronuncia, “podemos tentar as seguintes possibilidades para resolver”, é um profissional desejável. Mas ao ouvir alguém expressar, “avaliei as possibilidades existentes e com base em meus estudos proponho a opção de maior ganho”, este é um profissional raro no mercado.
O monstro
Em algumas noites ele se transformava
acho que era um tipo de monstro
vinha para o meu quarto
quando eu me dava conta lá estava
deitado na minha cama
me tocando em partes estranhas
nem papai nem mamãe me tocava assim
nem vovó nem vovô me acariciava assim
me dava nojo, me dava medo.
E quando eu tentava afastar
era pior pegava com força
e em meu ouvido sussurrava:
“__Continue dormindo...
__É só um sonho .... Shisshs
__Ninguém vai acreditar em você”
__Sou adulto e da familia, shishsss”
Se eu chorasse continuava:
__“Não chore, senão eu te machuco, shisshss
Quando ele cansava ia embora,
eu me sentia suja, culpada
Mas não fazia nada,
o medo me calava.
Durante o dia parecia um anjo
Será mesmo um pesadelo?
Devo contar para mamãe?
Ninguém vai acreditar em mim.
minha alma grita mas paro e penso minha rima identifica Black grita em silêncio você não entende irmão você não conhece a dor o grito em silêncio é o mais ensurdecedor
Desisto de prestar atenção quando alguém está defendendo suas opiniões aos berros ou não me deixa terminar de apresentar os meus pontos de vista, pois isso faz parte de um jogo egoico, não existindo interesse em encontrar o bom senso conceitual sobre algo.
8 - Experimente
Grite no espelho
E escutarás o que quer ouvir
Rabisque um papel
E só tu verá poesia
Tua mente é vasta
A minha é mais
Leia em voz alta
E passe para o próximo
10 - Chamado
Vem,grita comigo
Esquece essa droga
Dê as costas
Grita pro nada
O nada te escuta
Melhor que os ouvidos
O nada não ecoa
Guarda segredo
Sem prometer nada
Não responde
Mas conforta
Não deve supor-se antinatural que a alma ressoe com os gritos da carne. A voz da carne diz: não se deve sofrer fome, a sede e o frio. E é difícil para a alma opor-se; antes, é perigoso para ela não escutar a prescrição da natureza, em virtude da sua exigência inata de bastar-se a si própria.
Fiquei sozinha no meio da rua, apagando todas as suas palavras de meus contatos.
Em estado de loucura, querendo me vingar, de quem? Quem seria o culpado, por você não me amar? Quem poderia defender uma causa clandestina, transgressora dos deveres morais? Quem? Quem ouviria o grito e a dor de uma pecadora, arrebatada ao chão por suas próprias e míseras traduções afetivas.
O autor precisa do silêncio porque a sua mente grita o tempo todo. Portanto, a solidão que tanto atormenta as pessoas, para nós é um alento.
O que é isso?
O que é isso que
estou sentindo?
Não tem nome nem cor
Não tem braço nem abraço
Não tem paixão nem amor...
É um vazio na pele
É um comprido no olhar
É um vagar um perdido
É não ter onde ficar
O que é isso que desce
Pelo garganta sufocando?
Um gosto amargo na boca
E eu acabo chorando
E vou deixando pra trás
Os versos pobre de mim
Vou sufocando meu grito
Por este mundo sem fim...
É uma saudade infinita
É um vagar um vazio
É uma dor que me grita
Parece um ronco bugiu
É uma parte distante
É um rosnar uma bandida
É uma fuga de mim
Como se eu fugisse da vida...
O que é isso?
Há momentos que gritar é imprescindível e vital, mas não conseguimos. Então, faz-se o silêncio... O silêncio mudo e ensurdecedor que nos corta a garganta e fere as fibras da alma, fatigadas pelo grito preso nas grades criadas pelo próprio eu
O silêncio
Dos gritos ao peito negado
e a boca que as mãos cega
dos beijos que nunca mais beijaram os lábios
em tão arbitrária censura padece.
Monossilábicas falas se apresentam
desaparecem das frases os verbos
subitamente silenciadas, somem também as palavras
logo desistem de compor tão pobre repertório.
E as palavras antes tão docemente pronunciadas
ao serem censurados por seu algoz censor
para todo o sempre cessam.
Murcham o peito sem os gritos
murcham os lábios sem os beijos
e as mãos murcham em cólera.
A arte só pode ser admirada em sua plenitude quando abrimos o coração e ouvimos os gritos que ecoam de cada verso, cada rabisco, dos atos...
Uma obra só é arte quando compreendemos o caos que está implícito em sua beleza.
