Fui
Pouco a pouco, paulatinamente,
fui crescendo profundamente.
Encontrei-me por dentro contigo
de maneira surpreendente no destino.
Exatamente onde Ocidente e o Oriente,
se entrelaçam interminavelmente,
porque coincidem todos os motivos
que ainda sequer por nós foram ditos,
e mesmo sem dizer nenhuma palavra,
há mais de uma emoção celebrada.
Em mim encontraste intensidade,
feminilidade, mistério e imensidade;
Sobre nós dois o céu da Humanidade
e tudo o que não pode ser mudado.
Com cada uma das minhas nuances
capturei e finquei profundas raízes
como as de um conhecido cipreste milenar
que enfeita, sombreia e perfuma o seu ar;
Ainda cedo celebro o fascínio, o encontro,
a glória do amor, a vitória e a verdade.
Fui encontrada pelo teu olhar
nas estepes do acaso.
Nutrindo com naturalidade
a liberdade
de ave peregrina que me cerca
com potente pensamento.
Com teu jeito de caçador,
ao meu lado pousaste com amor.
Como tulipa selvagem,
espalhei-me imparável,
sem pedir permissão.
Criei raízes no teu coração.
Não vou, nem preciso ir,
porque tenho direção,
o tempo como aliado
e a irresistível devoção
que me tens tocado.
Por isso, sem nenhuma pressa,
porque já estou dentro
como a ilustre habitante
da glória do teu sentimento.
Sempre que for necessário,
para que em mim encontres
o genuíno abrigo paradisíaco.
De corpo e alma em fruição diária,
apaixonado, te orgulhes
de ter me encontrado
e digas, orgulhoso, para ti mesmo:
— Pertenço à que soube, como ninguém,
o valor de ter capturado meu coração.
Conquistei a merecedora de veneração.
Não fui a única testemunha,
sob o sol e sob a chuva,
que vi os 50 gols do Vini JR.
Enquanto a vitória estava ali,
a um palmo, para se agarrar,
no primeiro tempo,
o pênalti foi espatifado no ar —
mas no final a honra foi salva
ao menos com um gol do Neymar.
As lições desejáveis que ficam
são que, além de aprender a remar,
é preciso aprender a domar
a atenção, para não se dispersar.
Quem persiste em se achar,
perderá, inevitavelmente na vida,
a oportunidade de golear.
Se um dia o tempo me faltar,
que reste ao menos a certeza:
fui inteiro por alguém
que foi, sem saber, a dona dos meus dias.
Obrigado por tudo
( Mãe )
Mãe…
Obrigado por tudo.
Eu sei que nunca fui o melhor filho,
Já te trouxe preocupações,
Já errei mais do que deveria,
E mesmo assim a senhora
nunca soltou minha mão.
Mesmo nas minhas fases difíceis,
Seu amor continuou aqui, firme,
Me protegendo em silêncio,
Orando por mim quando ninguém mais acreditava.
Se hoje eu ainda consigo continuar,
É porque existiu uma mãe forte me sustentando.
Uma mulher que chorou escondido
Só pra me ver sorrir depois.
Obrigado pelos conselhos,
Pelos abraços, pelas broncas,
E principalmente por nunca
desistir de mim.
Eu talvez nunca consiga
retribuir tudo…
Mas vou passar a vida
Tentando te dar orgulho.
Hoje olho minhas cicatrizes sem vergonha. Porque casa uma delas guarda um pedaço do que fui e do que aprendi. E se ainda doem às vezes, tudo bem.
Até as flores, antes de abrirem, também precisam rasgar a própria escuridão para nascer.
E se sentirem minha falta
Se um dia falarem de mim,
diga que fui abrigo em silêncio,
que amei com medo, mas amei inteiro,
mesmo quando meu coração pedia cuidado.
Diga que caminhei devagar pelos afetos,
guardando palavras que só cabiam no olhar,
que sorri para não preocupar quem eu amava,
enquanto por dentro aprendia a não desmoronar.
Morei em sentimentos profundos demais,
entreguei o que eu tinha, mesmo incompleto,
fui casa para quem não sabia ficar,
e partida para quem não soube me escolher.
E se sentirem minha falta algum dia,
não me procurem no que fui de dor,
estarei viva em cada
palavras e amor sincero,
porque amar…
foi sempre o que me salvou.
Caminhada
O chão não prometia facilidade,
ainda assim, eu fui.
Os pés cansaram cedo,
pediram pausa,
não rendição.
Parei à beira da estrada,
bebi água morna,
olhei pro nada
até o nada responder
com um canto manso.
A noite veio longa,
o sabiá insistia,
e o sertão, em silêncio,
seguia bonito
sem pedir prova.
Peguei o violão
e cantei com o passarinho.
Era amor queimando baixo,
chama viva
no meio do caminho.
Quando cheguei,
não havia aplauso —
havia braços.
Abracei minha família
e agradeci pela caminhada.
Luz Mansa
Fui encontrar ouro
E acabei encontrando
Diamantes
No teu olhar
Brilhante da cor do sol
Deitado na beira do mar
Ouvindo o barulho manso
das ondas
Só pra ficar te admirando…
Já era tarde dourada
A mesa de madeira exposta
Café passado na hora
Bolo e torta
E o dia vai ficando quieto
Teu olhar ainda aceso
Luz mansa
Sempre fui otimista e sonhadora. O que não aconteceu foi porque não era para acontecer e o que aconteceu foi o que a vida me deu de presente, e eu aceitei.
O Peso da Liberdade
Nunca fui totalmente livre. Sempre havia algo – ou alguém – que me amarrava. A sensação de liberdade e paz sempre existiu dentro de mim, mas com o tempo, tudo parecia ir por água abaixo. Lá estava eu, presa a compromissos que mascaravam a realidade, tentando me convencer de que eu era feliz.
Hoje, percebo que tudo aquilo era apenas uma forma de manter a união. Se fosse agora, jamais entregaria meu cem por cento. Nunca mais me deixaria para traz por completo. Daria apenas cinquenta por cento – o necessário, o justo.
Afinal, tenho a minha vida, meus compromissos, minhas vontades e meus ideais. E nada disso merece ser silenciado.
Sempre vou me reerguer depois de uma derrota. Sempre vou superar qualquer dor. Fui feita para ser feliz. Por isso nada me deterá. Nada me derrotará.
"Larguei meu jardim de margaridas e fui lá longe buscar meus sonhos...
Conheci a poeira das estradas, os espinhos das bougainvilles, a tristeza das anêmonas, a canseira do corpo, as caretas do rosto e o inchaço dos pés...
Penei, nada encontrei, e voltei..
Trazendo uma saudade imensa do meu jardim de margaridas."
Haredita Angel
29.09.20
Fui desafiado a ser eu mesmo. Me pediram autenticidade.
Mas quem sou eu?
Como negar as origens das minhas dores?
Como isolar meus sentimentos das pessoas das relações interpessoais?
Só sou eu por causa do outro.
NEM TODA PLANTA FLORESCE NA MESMA ESTAÇÃO
Eu sou uma planta crescida.
Um dia fui apenas uma pequena muda, frágil e cheia de esperança. Dependia de mãos que me regassem, me protegessem e acreditassem no meu crescimento. Mas aqueles que deveriam cuidar de mim partiram.
Veio a sequidão. Quase morri.
Nos dias de sol intenso, o calor parecia querer consumir tudo o que ainda havia de vida em mim. Fui queimado pelo excesso, testado pelo abandono. Ainda assim, resisti.
Então a chuva chegou. Não foi cedo, mas chegou. Era exatamente do que eu precisava. Minhas raízes, que insistiam em viver, encontraram forças para continuar.
Nunca floresci. Talvez porque nem toda planta floresça no mesmo tempo. Talvez porque algumas precisem primeiro aprender a sobreviver antes de aprender a florescer.
Cresci.
Em alguns galhos faltam folhas. Há marcas do que vivi, cicatrizes que o tempo não apagou. Mas continuo de pé.
Ainda não dei mudas. Talvez porque o meu tempo ainda não tenha chegado. Nem tudo acontece quando queremos; algumas sementes esperam a estação certa.
E quando esse tempo chegar, ou quando eu for enxertado à planta certa, espero que a outra parte de mim e eu possamos, enfim, florescer juntos. Que nossas raízes encontrem força uma na outra e que, desse encontro, nasçam belas mudas, frutos de uma história que conheceu a seca, resistiu às tempestades e nunca desistiu da vida.
03/10/2016
