Fui

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Fui silêncio por fora, grito por dentro e sobrevivi, as vozes internas pediram tempo e escuta, no autocuidado encontrei voz que acolhe, sobrevivi e cresci com minha verdade.

Fui perda, fui cura, e me tornei humano.

Fui ferido por sonhos, mas não parei de sonhar, as feridas não mataram minha vontade de voar, sonhar é resistência que insiste em ressurgir, mesmo ferido, continuo a mirar o horizonte.

Fui refém da culpa até o perdão me soltar, perdão abriu a porta da liberdade interna, soltar a culpa foi voltar a caminhar leve, liberdade veio quando deixei de me prender.

Fui dor, fui cura e sigo aprendizado, a vida mantém a lição sempre à mão, aceitar ser processo é viver em evolução, aprendo a cada passo, sem pressa.

Fui apagado por muitos, reacendi por mim, a recuperação veio da minha própria mão, reacender é reconhecer o poder interior, sou chama que eu mesmo acendi.

Na solidão fui encontro comigo mesmo, conheci medos e passos que me guiam hoje, a solidão virou mapa para andar sozinho, assim encontrei força no meu próprio passo.

A consciência de que fui resgatado a um preço tão elevado confere um valor que o mundo não pode manipular nem tirar. Que eu viva cada dia honrando esse resgate, com a dignidade de quem sabe ser incondicionalmente amado. Não mais escravo do medo, mas livre para expressar o melhor de mim, impulsionado pela Tua graça.

Há dias em que me sinto pequeno, mas lembro que fui esculpido pela luta, pequeno não significa fraco, pequeno significa essencial, e essencial basta.

A criança que fui sussurra por debaixo do meu terno gasto, mendiga atenção entre o ruído das rotinas. Ela tem dedos que contam as horas em marcas na pele, e olhos que sabem o preço secreto de cada dia cinzento.

A criança que fui e o homem que sou trocam bilhetes na madrugada. Um pede coragem, como quem pede socorro. O outro devolve silêncio, rabiscos, mapas inúteis de resignação. Às vezes, contra a própria vontade, sobem no mesmo trem. Não sabem por quê. Descendem em estações sem nome, onde a surpresa não consola, apenas prova, cruelmente, que ainda se está vivo.⁠

Minha infância ainda soluça em algum sótão da memória. Peço perdão ao menino que fui por não ter sido o herói que ele esperava.

Habito o hiato entre quem eu fui e quem eu nunca serei. É um espaço desconfortável, mas é o único lugar onde sou real.

Eu não fui salvo, fui atravessado pela ruína até que algo em mim deixasse de ceder, não intacto, não ileso… mas irrepetível na queda e, por isso, cada vez mais difícil de ser destruído.

Carrego em mim versões que não resistiram ao tempo. São fragmentos de quem eu fui e precisei abandonar para seguir adiante. Às vezes sinto falta até das dores antigas. Elas, ao menos, eram conhecidas, este vazio novo ainda me nomeia.

Eu já fui mais leve. Antes de compreender o peso das coisas. Antes de sentir tão profundamente o mundo. Antes de perceber que crescer também é perder partes de si. E nem sempre o que se perde volta a nascer.

Fui me encontrando nas horas em que ninguém me aplaudia, porque a vida, sem espectadores, revela a textura do que sou.

Você fez sua escolha. Eu fui obrigada a ampliar minhas opções!

A criança que fui ontem, ainda tem em mim. Ela floresce diante da pureza que a vida me oferece.
NN

⁠Fui desafiado a ser eu mesmo. Me pediram autenticidade.
Mas quem sou eu?
Como negar as origens das minhas dores?
Como isolar meus sentimentos das pessoas das relações interpessoais?
Só sou eu por causa do outro.