Fui
Bebe do teu próprio veneno..nunca fui vingativa mas pensa ..você anda me tirando dos nervos ... provoca , faz cena , arma o circo e eu sempre aguento tudo quieta. Só que dessa vez já deu ! A casa caiu! Não queria mais, não suporto mais , não vou mais compactuar com tuas mentiras, tuas máscaras, teu fingimento . Difícil amor virar ódio, mas vira. O meu virou faz um tempo e eu não sei fazer caras e bocas , agradar e fingir amor sincero. Já deu , preciso respirar . É sério. Vai ser feliz do teu jeito porque de mim você não tem mais nada !
No começo eu não queria ...
Mas fui aprendendo querer ..e de tanto querer querendo ...hoje quero tanto, que não sei mais viver sem você...
Espantalho
Já derramei muitas lágrimas,
Já expeli muito suor,
Nunca fui o suficiente,
Mas sempre dei o meu melhor,
Por pouco não me entreguei,
Já quis desistir eu não nego,
Vi muitas coisas que me deixaram triste,
Por isso finjo ser cega,
O medo e a insegurança,
Tem sulgado minhas energias,
O medo leva minha esperança,
A insegurança leva minha alegria,
Sou formada de retalhos,
Vários pedaços machucados,
Algumas são cicatrizes recentes,
Outros são feridas do passado,
E é por isso que eu,
A menina feito de retalho,
Para espantar aquilo que me faz mal,
Me tornei um espantalho
Fui ali me encontrar
Olhei em volta
Encontrei um olhar
Andei dois passos
Tropecei na gentileza
Amparada pela solidariedade
Decidi avançar
Arrecadei sorrisos
E nesse mundo tão plural
Fui recebida com abraços
E sem perceber, de forma natural
Me vi envolvida docemente em laços
E foi então, sem qualquer embaraço
Que achei o que na verdade nunca perdi
Quando, eu, de novo, te vi...
Eu fui te entregar rosas e chocolate.
Parei em frente à sua casa.
Pensei por alguns segundos...
Depois pensei mais um pouco...
E mais um pouco ainda.
A garganta travou.
Sua janela estava aberta.
De repente, começou a chover.
Fiquei ali, parado na chuva.
Seu vizinho me observava e ria.
Ouvi um comentário ao longe:
"Que brega..."
Não respondi.
Apenas dei meia-volta e fui embora.
Você nunca saberá que, um dia, alguém te esperou diante da sua porta com rosas nas mãos.
E que, naquele dia, o céu chorou comigo.
L**
*O Campo Que Ficou em Branco*
Fui preencher um formulário porque aparentemente ainda existem coisas que precisam ser comprovadas por escrito.
Nome.
Preenchi.
Idade.
Preenchi também.
Profissão.
Essa demorou um pouco mais.
Não porque eu não tivesse profissão. Tinha. O problema era explicar o que ela significava depois de tantos anos fazendo a mesma coisa. Algumas palavras ficam velhas antes da gente.
Endereço.
Coloquei.
Estado civil.
Também.
Até ali, eu ainda era uma pessoa perfeitamente administrável.
Então apareceu a pergunta.
Quem é você?
Fiquei olhando para aquilo.
Era só uma linha.
Uma linha comprida, esperando uma resposta curta.
O mundo gosta dessas coisas. Coloca uma caixa embaixo de uma pergunta enorme e espera que a gente caiba ali dentro.
Peguei a caneta.
Não escrevi.
Olhei novamente para a pergunta.
Quem é você?
Pensei no meu nome. Não era.
Pensei na minha profissão. Também não.
Pensei na idade. Aquilo era apenas a quantidade de vezes que a Terra tinha girado enquanto eu tentava entender alguma coisa.
Pensei nos documentos.
Os documentos sabiam mais sobre mim do que algumas pessoas que conviveram comigo por anos.
Sabiam onde eu morava.
Sabiam quando nasci.
Sabiam números, datas, assinaturas.
Mas nenhum deles sabia o que eu fazia quando ficava sozinho.
Nenhum sabia das coisas que eu não dizia.
Nenhum sabia quantas versões de mim já tinham morrido sem cerimônia.
Foi então que percebi o problema.
Eu conseguia preencher todos os campos que me pediam uma informação.
Só não conseguia preencher aquele que pedia uma definição.
Talvez porque definir seja uma forma educada de reduzir.
Passei a vida fazendo isso.
Escolhendo palavras para caber em lugares pequenos.
Homem.
Profissional.
Pai.
Amigo.
Filho.
Responsável.
Culpado.
Inocente.
Cada palavra servia por algum tempo.
Depois ficava apertada.
A gente cresce por dentro e continua usando o mesmo contorno.
É uma espécie de prisão sem grades. Ninguém precisa nos trancar. Basta nos dar um nome e esperar que permaneçamos fiéis a ele.
Olhei novamente para a folha.
O campo continuava vazio.
Pensei que talvez fosse isso que mais incomodasse.
Não o fato de eu não saber quem era.
Mas a possibilidade de já ter acreditado, durante anos, que sabia.
Existe uma diferença.
A primeira é ignorância.
A segunda é arrogância.
O telefone vibrou sobre a mesa.
Uma mensagem qualquer.
Alguém perguntava se eu já tinha terminado.
Respondi que sim.
Era mentira.
Eu ainda estava diante daquela pergunta.
O curioso é que a mentira saiu com facilidade.
Talvez eu tivesse passado tanto tempo respondendo ao que esperavam de mim que já nem precisava pensar.
O mundo oferece formulários para quase tudo.
Para nascer.
Para morrer.
Para trabalhar.
Para comprar.
Para vender.
Para existir.
Só não oferece um para aquilo que acontece no intervalo.
E é justamente ali que a coisa complica.
Porque a mente não respeita formulário.
Ela continua.
Lembra de uma coisa enquanto esquece outra.
Deseja o que condena.
Condena aquilo que deseja.
Muda de opinião depois de jurar que nunca mudaria.
A gente chama isso de contradição.
Talvez seja apenas vida sem edição.
Pensei em uma caixa de fósforos que estava sobre a mesa.
Vazia.
Uma caixa pequena.
Quase ridícula.
Ainda assim, cabiam ali dentro uma noite inteira, um cigarro, uma conversa antiga, uma mulher que eu não via há anos, um homem que eu tinha sido e não queria mais encontrar.
Era estranho.
O infinito não precisava de espaço.
Precisava apenas de memória.
Foi quando entendi outra coisa.
Talvez eu não fosse uma resposta.
Talvez fosse o rascunho.
Um rascunho que insistia em sobreviver às próprias correções.
Já tentei apagar partes de mim.
Algumas funcionaram.
Outras ficaram como aquelas marcas de borracha que continuam aparecendo quando a luz bate de lado.
Há coisas que a gente não supera.
Apenas aprende a colocar em lugares onde não tropeça nelas todos os dias.
Terminei de preencher o formulário.
Deixei a caneta sobre a mesa.
O funcionário pegou a folha e conferiu os campos.
Nome.
Certo.
Idade.
Certo.
Profissão.
Certo.
Endereço.
Certo.
Chegou ao último.
Parou.
Olhou para mim.
— E aqui?
Olhei para a linha vazia.
Por alguns segundos, pensei em escrever qualquer coisa.
Seria mais fácil.
Homem cansado.
Sobrevivente.
Idiota.
Contraditório.
Em construção.
Nada disso parecia suficiente.
Então devolvi a folha.
— Pode deixar em branco.
Ele me olhou como quem não entende por que alguém recusaria uma oportunidade tão simples de mentir.
Pegou a caneta.
Passou um risco sobre o campo.
E pronto.
Mais um problema resolvido.
Saí dali pensando que talvez essa fosse a única resposta honesta que eu tinha encontrado em anos.
Não saber.
Não terminar.
Não caber.
Ser aquele ponto onde a pergunta continua existindo depois que todas as respostas já perderam a validade.
Talvez decifrar-se não seja descobrir uma fórmula.
Talvez seja aceitar que algumas partes de nós foram feitas para permanecer ilegíveis.
Cheguei em casa.
O gato estava no corredor.
Olhou para mim.
Não perguntou meu nome.
Não quis saber minha profissão.
Não precisava de documento.
Apenas me olhou por alguns segundos e foi embora.
Achei uma atitude bastante sensata.
Fiquei sozinho.
A casa estava silenciosa.
Na mesa, havia outra caixa de fósforos.
Dessa vez, ainda cheia.
Peguei uma.
Acendi.
Por alguns segundos, a chama iluminou meu rosto.
Olhei para ela.
Depois apaguei.
O rosto voltou a ser apenas um rosto.
E, pela primeira vez naquele dia, não senti necessidade de descobrir quem estava ali.
Somos todos ingratos. Já esqueci mãos que me levantaram e já fui esquecido por quem um dia levantei. O ser humano é rápido para pedir e lento para reconhecer; aceita o abrigo, mas fecha a porta quando vê alguém na tempestade. Por isso, faço o bem sem esperar retorno. A gratidão é rara como ouro puro, e quando aparece, é um milagre. O resto… é só a natureza imperfeita que carregamos no peito.
Fui feliz em muitos momentos , noutros derramei lágrimas , outros estive carente , doente, com medo , corajoso , ausente , presente ... Mas todos vivi e ainda vivo e são experiências que me fortalecem e que por vezes até pensei não ter solução , porém sempre encontramos um caminho ,onde o sol e chuva levam e deixam marcas em nossas memórias . A vida é feita de pedacinhos que vamos somando , traçamos uma moradia que vai além desse mundo , pois quando reconhecemos que vale a pena esses instantes , mesmo quando nos desviamos , mas que retornemos ao certo caminho e façamos uma porção de momentos que pulsam nosso coração na eternidade dos nossos momentos !
João Batista Barbosa
Pensamentos
NÃO TEMAS
Fui ter comigo no meio das tempestades
entre relampagos e trovões.
Fui ter comigo
tentando dissipar minhas agonias.
Em meio a vendavais
rumores e muito mais.
Imaginei não ter solução
e quase me afogando
no meu pranto
daí que me lembrei
do poder infinito de Deus
que só lembramos
em grandes temporais.
Tive receios e vergonha
mas ajoelhei-me em oração
e aos poucos a calmaria
suavente com os ventos
e lágrimas agora de alívio...
Num só momento fortes emoções
enquanto uma voz dizia:
---Estou contigo , meu filho!
---Não temas!
AUTOR - JOÃO BATISTA BARBOSA
"Me desfaço do que fui e busco a superfície, nadando nas dores que me afogaram."
- Insistência, Vida e Poesia
Linhas cruzadas
Num dia imaginei, no outro fui correspondido,
A noite silenciosa é um convite para se viver o que ainda não aconteceu,
Me inspirei no sorriso que atrai a bagunça,
Me misturei no banho que exala vapor de perfumes,
Me perdi nos toques aonde a intensidade dos desejos ecoam,
Independente do lugar ou da hora, as linhas podem se cruzar e forma um caminho.
Além de parceiro, amigo íntimo, consultor e marchand de Caio Mourão, fui discípulo no conceito da arte jóia de autor. Não um mero lapidário e ourives copista de modelos e padrões estrangeiros mas um artista plástico joalheiro brasileiro, seguindo a corrente do pensamento e do oficio da arte dos metais da escola da moderna joalheria brasileira pós Caio Mourão. Em si Caio, foi um divisor entre o ensino técnico da ourivesaria e o desdobramento para ser um artista plástico joalheiro, e com isto passar a criar, a Arte Jóia assinada. Destruindo a atribuição genérica usual de valores pela gramatura por peso da obra e passando para a valorização pela idéia, criatividade e a execução.
Hoje humildemente sei que fui bem menos do que fui ontem e verdadeiramente sei que sou infinitamente menos hoje do que serei amanha.
Em 2011, fui oficialmente agraciado com a Comenda da Ordem do Mérito Cívico, no grau de Oficial, hoje Comendador concedida pela prestigiada Liga da Defesa Nacional (LDN), por Brasília. A cerimônia solene da outorga ocorreu em um local de forte simbolismo patriótico: o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial (popularmente conhecido como Monumento aos Pracinhas), localizado no Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro. O Alinhamento de Valores: Maçonaria e o Civismo da LDN e a concessão dessa comenda faz todo o sentido quando analisamos os papéis ocupados por mim e meu grau 33 da filosofia do Rito Brasileiro.
Fui forjada no fogo como um pedaço de ferro que transforma na mão do ferreiro;
As duras pancadas, o fogo foram me moldando conforme o trabalho do ferreiro;
Hoje sou o que sou só porque resisti ao processo;
Já nada mais me surpreende, quando vivemos o processo de forma intensa, dura, mas confiante na minha força interior.
