Escrevo e parece que não Leio
Poesias madrugadeiras para Rodeio
Poesias madrugadeiras para Rodeio
eu escrevo o tempo inteiro,
Porque amor por este lugar
eu tenho no meu peito,
Aqui é o meu lar mais do que perfeito.
SaMarSi
Eu sei quem sou.
A sua opinião não é necessária.
Não escrevo para receber curtidas.
Basta que leiam.
Quero provocar.
Mexer onde ninguém toca,
onde o véu permanece
e a ilusão toma conta.
Quero apenas que saiam
da zona de conforto
e encontrem o “eu” oculto.
Se você leu
e se incomodou, de alguma forma,
com o que escrevi,
então eu consegui
o que eu queria.
Forma de sentir
Não sei dizer se o que escrevo é
poema ou poesia…
acho que só sigo o que o meu coração diz.
É expressão em estado bruto.
Talvez uma prosa poética —
quando narrativa e poesia se misturam
até não dar mais para separar
onde termina uma
e começa a outra.
Eu não me preparo para escrever —
eu sinto…
e as palavras vêm.
Às vezes em silêncio,
principalmente quando estou ansiosa,
triste ou nervosa,
elas vêm em rimas,
como se a vida,
por um instante,
virasse melodia
só para me confortar.
Como um drama,
um conto
ou romance antigo —
talvez de filmes
ou de uma época desconhecida.
Escrevo quando algo transborda,
quando aperta,
quando precisa existir
fora de mim.
As palavras apenas saem —
e eu as escrevo.
Não sigo regras,
não penso demais…
apenas deixo acontecer.
As frases vêm como ondas:
às vezes calmas,
às vezes quebradas,
às vezes interrompidas…
como quem respira fundo
ou engasga com o próprio sentir.
Dou saltos —
de assunto,
de emoção —
como batidas irregulares
de um coração apaixonado.
E, muitas vezes,
quando termino,
leio de novo
com um certo estranhamento —
como se não tivesse sido eu…
mas, ao mesmo tempo,
sabendo que nunca fui
tão autêntica assim.
Talvez não seja texto.
Nem poema.
Muito menos poesia.
Talvez seja só
o meu jeito de sentir
ganhando forma. 🌙
E se eu escrevo o que sinto, é que a palavra tem o condão de me retirar do abismo em que por vezes me encontro...
Não escrevo por fama, escrevo para ser lido. Se uma só pessoa ler um poema meu, já cumpri meu destino.
Benê Morais
Todos os dias me questiono pelo que escrevo ou deixo de escrever, pois sei que não sou dono da verdade.
Benê Morais
Quando escrevo, coloco dentro das frases restos de noites mal dormidas, ossos de conversas, ossos de decisões que não deram certo. As palavras são coletores de destroços: reúnem, organizam, explicam, são a única arca que consigo construir contra o dilúvio diário.
Quando escrevo, tento não trair o silêncio que me criou. Ele me dá forma e me roubou muitos sonhos. Ainda assim, reviro essas sombras buscando verdade. Algumas verdades doem tanto que quase se escondem. Mas insisto em trazê-las ao sol, como quem lava a alma.
A poesia que escrevo é tentativa de consolo atrasado. Chega fora de hora e, mesmo assim, serve. Alguns versos aquecem como chá morno em noite fria. Outros queimam e despertam limpezas necessárias.
Escrever é esse movimento de cura e descoberta.
Sou incapaz de navegar no raso. Se amo, desmorono, se sofro, submerjo, se escrevo, transbordo o que a carne não suporta.
Escrevo porque a fala me trai. No papel, as palavras não tropeçam, elas me organizam, me protegem e me mantêm lúcido.
O raso me causa vertigem. Tudo em mim é abissal: se amo, me perco, se sofro, me afogo, se escrevo, transbordo.
A tristeza é uma cor que combina com tudo o que eu escrevo, um pigmento que extraio das sombras que o sol projeta quando decide se pôr cedo demais. Não busco o arco-íris, busco a gradação de cinzas que existe entre a dor absoluta e o alívio de um sono sem sonhos.
Escrevo para que o sangue não estanque dentro do peito, transformando a dor em tinta para que ela pare de corroer os órgãos e passe a habitar o papel, onde o sofrimento se torna arte e o peso do mundo parece, por um breve segundo, um pouco mais fácil de suportar.
Escrevo porque, por vezes, transfigurar a dor em linguagem é a última tentativa de impedir que ela me consuma de dentro para fora. Ainda assim, existem melancolias que transcendem as palavras, perpetuando-se em regiões abissais da alma onde o tempo não possui poder curativo, apenas condiciona o espírito a sustentar, com silenciosa elegância trágica, o incêndio irreversível da própria existência.
- Tiago Scheimann
Escrevo poemas tristes não por gosto, mas porque aprendi a viver assim, mergulhado em dores silenciosas, em lembranças que não se dissipam, e em uma tristeza que se tornou meu idioma, apenas transmito o que realmente sinto.
Eu escrevo na esperança de que um dia alguém leia e compreenda esses cacos de mim, sem esse entendimento, as noites de insônia, as crises da minha depressão correm o risco de não ter deixado rastros que valham a pena.
Eu escrevo para não transbordar, o papel se torna meu confidente, onde meus pensamentos escorrem em rabiscos que carregam todas as minhas cicatrizes invisíveis, que além de mim, ninguém consegue as ver.
- Relacionados
- Escrevo
- Escrever porque Escrevo
