Escrevo
Escrevo na esperança que esse tempo e o vindouro leiam:
A terra canta em raízes, rios e folhas que sussurram segredos antigos, onde cada árvore é um pulmão, cada flor, um verso esquecido no livro do vento. O sol tece ouro sobre a pele da humanidade, lembrando-nos: somos feitos do mesmo pó que nutre as sementes, a natureza não é cenário, é abraço que cura a fome de ar puro, a sede de silêncio.
Escrevo para lembrar que cada árvore plantada é uma carta ao futuro, cada gesto de cuidado, um poema invisível, e que o amanhã encontre flores onde hoje semeamos raízes.
A terra não é herança, é empréstimo, que saibamos devolvê-la inteira, cheia de histórias para contar. Que o futuro leia estas linhas como um mapa: nas veias do mundo corre o mesmo sangue que nos une. Protegê-la é escrever, com raízes e mãos, um amanhã onde a vida ainda respira.
POR QUE ESCREVO?
Escrevo pensamentos, emoções e sentimentos que minha voz não consegue falar, e quando me lê, o seu coração consegue entender o que o meu quer dizer pra você…
Não pretendo causar espanto com o que escrevo, são apenas ideias, teses que não se podem comprovar com palavras.
Lírios de grego
Não escrevo mais melancolias
nem poemas de dores e de saudade
é um poeta novo que ressurge
das entranhas de uma cruel enfermidade.
Lírios de grego, mitos de flores
amor de musa morta,
gritos suspensos no âmago do absurdo,
poema mudo, ecos sem resposta.
Evan do Carmo
"Não escrevo para entreter vagabundos, minha mente vive em outra esfera, a do pensamento, sendo assim escolhi não entreter e sim instruir, quem por ventura tiver fôlego para ler e ouvido para escutar o que escrevo e falo."
Numa análise mais cuidadosa sobre aquilo que escrevo como simples exercício de cognição, portanto sem nenhuma presunção de ser dono da verdade, acredito que uma criatura de inteligência um pouco acima da média vai perceber aquilo que o silêncio das minhas interrogações não consegue falar...
Detesto polêmicas, ideologias de qualquer natureza... Não gosto de futebol nem de política, gosto de samba bem feito, e de poesia, desde que seja a verdade de toda alma e não esforço para parecer grande e inteligente, gosto de tudo que a simplicidade produz.
Evan do Carmo
Eu queria dizer apenas o que sinto...Contudo, sei que minto.
Quando escrevo, quando falo, quando finjo!!! A verdade é muito dura para ser dita, por isso a escrevo
Há uma liberdade absoluta e feliz quando escrevo, pois assim posso ser homem e deus ao mesmo tempo, posso escolher e determinar destinos.
Tael fita o céu
Escrevo coisas sérias.
Assuntos profundos.
Negando a metafísica —
enquanto Tael, meu gato,
fita o céu pela janela.
De cima da cama onde me sento,
ele me observa, vez ou outra,
com aquele olhar entre o espanto e o escárnio.
Tenho a impressão de que zomba de mim.
Seu silêncio parece conter uma sabedoria que me falta.
Olha as estrelas com um assombro calmo,
como quem já conhece os segredos que eu jamais saberei.
E quando me encara,
sinto uma tristeza piedosa naquele olhar felino,
uma espécie de compaixão muda,
como se dissesse:
"Tu ainda buscas o que não se encontra."
Tael está pleno.
Sem desejos.
Sem ansiedade.
Sem angústia pelo tempo ou pela eternidade.
E eu aqui —
racional, pensante, errante —
buscando uma resposta invisível que não existe.
O que tenho de superior a ele, talvez,
seja apenas essa razão
que pergunta se a razão é necessária.
Confissão de um artista incompreendido
Eu só sou artista quando escrevo.
Tocar, cantar — tudo isso, por mais que me habite, me degrada. Há um processo silencioso de deterioração da minha alma artística quando tento me expressar fora da palavra. Como se algo se perdesse no ar. Como se aquilo que eu sou, no fundo, não coubesse no gesto ou na voz.
Minhas melodias? Eu as crio em catarse. Elas nascem do abismo, do indizível, mas raramente alcançam quem ouve. Alguns me dizem, com um sorriso breve: “muito legal.” Outros me parabenizam — por educação, talvez. Mas eu percebo. Eu sei. A língua que falo, com minha arte, não chega audível aos seus ouvidos.
Eles não escutam o que eu ofereço. Escutam outra coisa. Um som qualquer. Um ruído bonito, talvez. Mas não escutam eu.
É por isso que, quando escrevo, me sinto inteiro. Porque sei que um — um só já basta — um leitor, em qualquer tempo, há de entender. Há de perceber. Há de aprender a língua secreta do meu ditirambo. Porque a palavra escrita não exige pressa, não pede aprovação imediata. Ela se deixa ler por quem for capaz de ouvir o silêncio entre as sílabas.
E é ali, nesse instante invisível, que eu sou artista por inteiro.
Meu querido pai, (em memória)
Hoje eu escrevo esta mensagem com lágrimas nos olhos e um imenso vazio no coração. Não há palavras que possam verdadeiramente expressar a saudade que sinto de você. A dor de perder você tem sido uma jornada difícil, mas aprendi a encontrar conforto nas lembranças preciosas que compartilhamos e no amor inabalável que sempre existirá entre nós.
Sinto falta dos seus abraços apertados e do seu sorriso caloroso que iluminava qualquer ambiente. Suas palavras sábias e seu apoio incondicional estão sempre presentes em minha mente, me guiando e me fortalecendo mesmo na sua ausência física. Você sempre foi um exemplo de amor, dedicação e força para mim, e eu me orgulho imensamente de ter tido a honra de ser seu filho.
São tantas as vezes em que desejei ter mais tempo ao seu lado, para aprender mais com você, para lhe dizer o quanto o amo e o quanto sua presença era essencial em minha vida. Mas agora entendo que você está em um lugar de paz e descanso, observando e cuidando de nós à sua maneira especial.
Agradeço por todos os momentos inesquecíveis que vivemos juntos e pelos valores que você me ensinou. Suas lições de amor, honestidade e compaixão moldaram o meu caráter e me tornaram a pessoa que sou hoje. Prometo honrar sua memória, seguindo seus ensinamentos e fazendo o meu melhor em todas as áreas da minha vida.
Embora eu sinta sua falta todos os dias, aprendi a encontrar conforto na crença de que você está em um lugar melhor, onde não há dor nem sofrimento. Que sua alma esteja em paz e que você saiba que seu amor vive em mim eternamente.
Com todo amor do mundo,
Seu filho(a)
- Edna Andrade
Prefiro ser admirado pelo que escrevo do que pelo que sou, pois nem tudo o que escrevo é o que sou, mas, tudo o que sou, é o que escrevo.
Que me importa a fama, quando escrevo em troca do pão de cada dia?
Tenho raiva das palavras. Parece que tudo que escrevo é invenção, porque as palavras não são as coisas, são um punhado de manchas e senhas.
E quando escrevo, não sou eu a escrever, mas uma parte do meu ser que até eu mesma desconheço.
Enquanto a tinta se derrama, é outra parte de mim que se inflama, buscando, talvez, o meu próprio endereço.
