Escorrendo pelos Dedos
Tempo...
Precioso tempo...
Que pra muitos escorrem pelos dedos e pra outros simplesmente deixam passar.
Se pudesse voltar no tempo mudaria um único fato:
Teria amado mais!
Pensar-te é um oceano.
Imaginar-te nenúfar entre os dedos escorrendo do néctar
o silêncio primordial
no êxtase de todas as tulipas
bebendo-te é púrpura loucura.
Dos gestos
a alma que perdura,
palavras e risos
percorrendo avidamente o esgar cruel do tempo
que deixaste em meu corpo inteiro
saudade,
este viver ousadamente sem nada ser ou possuir.
Pensar-te meu amor mais sublime
nas fragas do vento ou num desesperado grito de ave
é sentir teu fôlego entre
minhas pernas
tua língua brincando em meu ventre
meus dedos entrelaçados aos teus
revolvida, encharcada e concebida,
extasiada em teus cabelos,
como crianças besuntadas de mel e marmelada
roendo maçãs
no entardecer da infância
enquanto a fome doía
na alma grande
das gentes.
Pensar-te tudo e nada.
Beber-te chuva.
Célia Moura, in "Terra De Lavra"
“A vida não acontece nas fotografias… acontece no silêncio que escorre entre os dedos enquanto você tenta registrá-la.”
Cacos de Nós
A taça de cristal escorregou por entre os dedos e espatifou-se. Não havia gritos, somente o silêncio trincado no chão frio. Recolhi cada fragmento e os remendei. O líquido escorreu pelas fissuras. A gente se acostuma a acreditar que as rachaduras são portas de entrada apenas para a luz, mas lembre-se de que das fendas também vazam amor. O afeto precisa de materiais resistentes à queda. Na mesma tarde, comprei copos inquebráveis.
Era líquida moderna
brincando com sentimento
que escorre entre os dedos
molda-se conforme o vento.
Engana-se, equivoca-se você
não me moldo conforme as situações
não aceito laços de afetividade
que se desenlaçam com enorme velocidade
laços de afetividade frágeis
leves passageiros da contemporaneidade.
Não aceito laços que limitam a esperança,
que fragilizam os sonhos,
que duram apenas uma dança.
TEMPO
O tempo passa
Como areia a escorregar
por entre os dedos.
A vida?
Parece que vai entrando numa rotina,
doce às vezes,
Amarga, muitas vezes...
Inquietante e difícil.
E, subitamente em ritmo lento ou rápido
surge no mais profundo de nosso ser
a necessidade de uma transformação.
Uma vontade desenfreada
De amar e ser amada!
Despertando nossos sentidos,
extravasando nossa alma,
nos causando uma inquietação
que somente a realização
do desejo insatisfeito;
Sossega e acalma
Alivia e conforta.
É nesses dias
Que surge a necessidade
de sentir o AMOR.
Integralmente
Na sua totalidade
com todo esplendor e vontade...
Imediatamente com a mesma força virá
Os medos e as dúvidas.
Contudo,
se vencermos os obstáculos
em seguida,
virá a convicção
a força e a alegria
de um novo amanhecer...
E finalmente
teremos a certeza
de que o tempo.
O tempo não é apenas
o tempo que passa...
pena
não mudamos
o tempo
escorreu
água entre
os dedos
pena
pássaros coloridos alcançam as nuvens
todos os dias
ficamos
Raízes.
"Se nosso amor é tão sólido
por que me escorre pelos dedos?
A liquidez do teu sentimento
deságua em mim igual tormento..."
"Enigma"
CORTEZÃO, Marta, B. "Banzeiro Manso". Gramado (RS): Porto de Lenha Editora, 2017, p. 49)
Se bem nos quer... Bem mal nos queremos.
Deixamos escorregar-nos entre os dedos
Enterrando nossos dias, num estúpido medo.
A inspiração do poeta é a paixão que escorre por entre dedos, explode...corre nas veias e faz morada na alma.
As areias do tempo escorre dentre meus dedos, levando consigo os bons momentos que não voltam mais, deixando apenas alguns grãos de memoria que persistem em ficar...
Nos aconchegamos com o CAOS,
Deixamos de lado a levitação vital,
O amor que escorrega pelos dedos,
Nos tornamos vis instrumentos do mundo moderno,
Que vergonha,
Quanto tempo perdido,
É chegada a hora da reviravolta.
Adeus CAOS
Amor penitente enclausurou-me á esmo, tangíveis lembranças escorrem entre os dedos, alma forjada pela dor se enrijece, forma estranha essa minha, portanto coincide a muitas outras, onde o árduo por si se tornou agradável...
Aquele querer
como água entre os dedos,
escorreu... Deslizou...
Não houve como conter...
Os vestígios, que deixou,
viraram poesia!
Sem rima, sem métrica,
um tanto piegas, talvez.
Cika Parolin
