Enquanto
Fatalmente mais um dia
Onde voavam borboletas
enquanto o Sol sorria
Inexoravelmente
outro dia parte
Eu descarto desta vida
mais um dia
Enquanto esta vida assim
não me descarte
Outro dia fatalmente parte
E leva com ele
uma parte de mim
Igual a todo dia
Onde o Sol sorria
iluminando novamente
este chão
onde eu piso
desliza velozmente
me derruba
ri de mim
Termina outro dia
outro amanhã
a vida afia
Que em breve virá cortante
Constante
instante após instante
e partirá novamente
me deixando aqui
no meio dessa gente
Que caminha normalmente
e gentilmente desvia
de mim
Mais um dia, que pra mim
Sem Sol, nem borboletas
Partiu
Como cada dia sempre parte
Um dia, dia
Haverei também de pisar-te
Cortar-te, esquecer-te
e abandonar-te
Igual a cada dia desta vida
Que partiste
e te foste
sem mim.
Vou vivendo de sentir vontade
Vontade de viver e de cantar
Vontade de respirar
Enquanto o ar não me vem
Vontade de enfrentar meus medos
Pra nunca mais sentir medo de nada
Que não mereça ser temido
Vontade de amar alguém
Alguém que me ame também
Ao longo desta vida
Vou vivendo de sentir a vontade
e desejo de aplacar a minha ira
Nunca mais
Ouvir e nem contar mentira
Vontade de conhecer a verdade
Vontade de que o tempo
parasse pra mim
Enquanto eu ainda tenho esta idade
Vontade de saber voar
Voar pra algum lugar
Distante no espaço e no tempo
Nunca mais assinar nenhum contrato
E mesmo assim
Confiar em todos os laços
Sorrisos, apertos de mãos e abraços
Pois todos eles
Serão por demais sinceros
Eu sinto vontade
Uma vontade verdadeira
de acordar um dia nesse mundo
Onde todos realizem seus desejos
E todos saibam desejar
Que o império da vontade
Se traduza e espalhe e divida
Somente felicidade
E que ela mandasse
Que todos nós estrassemos
E nos sentíssemos à vontade
Hoje o Sol não brilha
Agora o pensamento falha
e enquanto caem as folhas
o vento sopra
e não trás nada
além de lembranças
de tanta
alegria perdida
tento calcular
o desespero que eu sinto
mas, há coisas que
não se mensura
acima das nuvens
as estrelas não se movem
eu tento enxergá-las
mesmo assim
e a vida
vai passando em vão
assim como são vãs
as falsas alegrias
que passadas
não deixaram nada
lembranças sem garantia
já sepultadas
hoje em dia
Hoje o Sol não brilhou
hoje eu não olhei pro Céu
Há dias em que as coisas páram
Há tempos em que as coisas
mudam depressa
Não percebemos
Quando foi que amiudaram
As esperanças
vão sumindo
Conforme os dias correm
Fantasias coloridas
cores fantasiadas
Dourados raios de Sol
Que sempre me iluminaram
Há dias em que as coisas páram
tudo volta a ser semente.
Enquanto esperamos
a oportunidade de viver
vamos morrendo
No próximo ano
Haverei de me lembrar ainda
daquilo que ontem
eu estava lendo
E enquanto mergulhava
minha cara e meu tempo
Nos livros e em velhos arquivos
não percebia
Um pássaro preto me olhando
Sentado num galho
aqui perto
Enquanto eu enchia
Meus olhos de nuvens
Meu peito tornou-se um deserto
Enquanto eu coava uma mosca
Uma Cáfila passou blaterando
Erguia meus olhos,
de vez em quando
Mas não via, não sentia
Nada mais me comovia
A noite acabou
Enquanto eu aguardava o dia
E a Cotovia não cantou
Querendo apurar meu senso estético
tornei-me errático
pragmático e simplesmente
Estático
Procurei muito longe
Aquilo que estava perto
viver é viver
Algo simples e complicado
É mais que nascer e morrer
É saber corrigir no tempo certo
Reconhecer que está errado
E enquanto isso o tempo corre
E o que está escrito
Não se apaga
Feio ou bonito
indiferente ou sentida
cada palavra, cada gesto
e cada pensamento
gravados no livro da vida
Assim como todos
Os sonhos e esperanças
Intensamente vividas
Ou então
Na noite dos tempos perdidas
Você estará pra sempre vivo
enquanto alimentar seus sonhos
e enquanto sonhares
sua alma poderá seguir
pra conhecer, ser e estar
em todos os lugares
Se souber sonhar
Sonhar de verdade
Seu corpo poderá, então
estar junto
Sonhe grande
e deixe de pensar pequeno
o desânimo
é um veneno pra alma
pois mesmo quando
não se concretizam
foram eles que alimentaram
seus dias, seus passos, sua vida
foram os sonhos que sonhou
tua alma viva
A alma que se priva de sonhar
sufoca
esmaga, estraga
tanta coisa ali, contida
Continue, então...querendo
saber e conhecer e tocar
e provar e abraçar e ir
aonde teus pensamentos
ainda não sonharam
Corações, cujas almas
não sonham
Páram.
As canções que cantava sozinho
Enquanto aprendia a entoar
Hoje cantas de Terno em linho
Nos palcos qua a vida dá
A voz de Fellipe Arcanjo
Há de encantar a Cidade
Menino de Pouca idade
Que nasceu para cantar
Menino chamado Fellipe
Violão e barba de Hippie
Faz teu som quando anoitece
Dizendo tudo que a gente
Queria ouvir e saber
Teus poemas nos dizem tudo
Amor, esperanças e medos
Que temos no coração
Escondes de nós um segredo
A magia que tens nos dedos
Em contato ao violão
Noite triste, se torna alegria
Antes do raiar do dia
Sublimes arranjos
Escritos por anjos
Que beijaram-lhe as mãos
Quando nasceste
Meu Deus, que canção é esta
Meu Deus, que menino é este?
Equilíbrio, acima de tudo
O Universo se move
Enquanto seu movimento
Não é visto e nem percebido
Pois o tempo corre diferente
Dependendo do lugar e circunstância
Mas a gente inventou o relógio
Ironicamente
Um dos instrumentos mais precisos
Que o engenho da Humanidade
Foi capaz de fazer
Talvez a gente leve outros milhares de anos
Medindo o tempo com precisão
Antes de perceber
E depois ficar indecisos
Acerca do desequilíbrio ilógico
Que existe aqui dentro
Não sei dizer se da mente
Ou da alma da gente
Seja como for
As coisas seguem seu rumo
Enquanto o nosso conhecimento
Transforma o redondo em quadrado
Por já saber de tudo, a gente ignora o todo
A distância
Entre sabedoria e ignorância
É tão pequena
Que não vale a pena
Melhor deixar isso de lado.
Edson Ricardo Paiva.
Viva a vida
Enquanto a vida acontecer
Agradecendo aos invernos
E também a cada deserto
Que teu coração suportar
Pois sua vida está sendo escrita
Não busque amparo em promessas
Palavras bonitas são só palavras
O dia de hoje, ontem, amanhã será
É assim que se vive a vida
Então, simplesmente viva
A tudo aquilo que germina
Oculto pela transparência
Da beleza fina do cristal
Pois tanto mal quanto bem
Vem bater à tua porta
A cara verdadeira de tudo
Está sempre escondida
Viva a vida
E a magia da ilusão desmedida
Cada coração se fecha
Na medida que os olhos se abrirem
Deixa a vida correr
Pois toda a vida é uma ilusão
Exceto os olhares vivos
Olhares da vida
Tão perdida quanto todos nós
Cada passo dado
Escondido pela pedraria
A revestir o pó dessa estrada
Na alternância entre luz e treva
Viva cada dia dessa vida
Um dia, dessa vida, não se leva nada
Todo dia, nada resta.
Edson Ricardo Paiva
Demora
O coração bate meia-noite
O vento abre a janela das horas
E por enquanto o relógio ainda chora
Lá fora, a Lua a pino brilha linda
Demora
O destino não concretizou-se ainda
O rumo da vida é ser feita de horas
Perfeitamente lentas
Aumentando o fluxo
do vento pela janela
Momento a momento
Cada vez mais lentamente
Se a noite quis ser imperfeita
O fez com tanta perfeição
Que até agora eu aqui
No colo da rede
Sinto sede de sonhos
É tanto Céu
É tanta noite
É tanto solo
É tanto nada
Alta madrugada
Alvorada
Dia claro
Noite escura
Aquilo que se espera
Sem saber bem ao certo
Se vem ou não vem
Demora
O coração marca as horas
Enquanto o relógio
chora.
Edson Ricardo Paiva
Em seu trajeto pelo espaço
O Universo revolve
Abstrato e concreto
Enquanto tudo se move
O tempo muda as coisas de lugar
Ou modifica as que permanecem
Outono, as folhas caem
Primavera, outras crescem
Os raios de Sol e a água e outro ar
Renovando promessas
Os pássaros retornam de verões distantes
Percebem no primeiro instante
O viço da folhagem nova
Tudo até parece igual
Mas as flores recém-chegadas
Se postas à prova
e lhes fosse permitido algo dizer
descreveriam essa euforia de reencontro
Como sendo-lhes algo estranho e sem sentido
Pois, a olhar para os mesmos pássaros
À elas, não significa nada
Simplesmente não os reconhecem.
Pois é na sutileza inconteste
do jeito que as coisas são
Que se esconde
a pureza do conhecimento
Ter vivido a vida
momento a momento
No mais, tudo é sofisma
É luz enganosa
Que se decompõe
Sob o prisma do menor confronto
Universo em documento
Eternamente pronto e aberto
Peneirando eternamente
Não se dobra a nenhuma vaidade
Consolidando a verdade
O resto é coisa que voa ao vento
Bastaria pra nós
O gesto de simples pensamento
Mas a mera simplicidade
É coisa que há muito tempo
Foi relegada à espera,
Perdida
em meio a tantos outros compromissos
Na esfera do esquecimento ela aguarda
Enquanto bem poucos aprendem
Que precisamos de menos disso
Mas ao mesmo tempo
Um pouco mais que isso.
Edson Ricardo Paiva.
Existe tanta coisa nesta vida
Enquanto eu a tenho uma só
Escolhas são sempre as nossas
Portanto eu não posso perder meu tempo
Reclamando da imperfeição na paisagem
Quando eu sei que é uma viagem só de ida
E nada se deixa e nada se leva
A não ser saudade
Tudo mais não me pertence
Aquilo que tens hoje ao teu redor
Não o olhe como a uma conquista
Pense que são como estrelas
Assim como eu, todos podem vê-las
Sem jamais tocá-las
Pense no presente como uma lembrança
Uma fotografia de um tempo
Em que havia ou não havia esperança
A vida é algo tão breve
E não há ninguém que leve nada
Não vou desperdiçá-la sentindo medo
Não tenho direito de me queixar
Se o limão era azedo
Quando ele esteve em minhas mãos
e sei que deixei ficar passado e amargo
Hoje eu não trago mais nada comigo
Além daquilo que possa sempre carregar
Pois eu tenho o mundo todo
Sabendo que nenhum lugar me pertence
Vivo o presente agora
Sem chorar passado e nem futuro
O tempo jamais esteve ao alcance da vista
Diferente das estrelas, que eu posso ver.
Edson Ricardo Paiva.
Se a gente pudesse
Enquanto vivos
Esquecer realmente
Àquilo que a gente esquece
Apenas o tempo
Que seja suficiente
Quando a alma obedece
Os desmandos da alma
Que condena a gente à vida
E assim vai passando
Outra tarde perdida
E a conta a ser paga cresce
Mesmo que nos lembremos
Não raro
Só vagamente
Pois assim
Tem sempre a reclamação
Que o preço tá caro.
Edson Ricardo Paiva
Enquanto vivos
Não se pode evitar a vida
Enquanto vida
Abarrotada de surpresas
A única certeza
Que se pode esperar do outro dia
É que esse dia amanheça
Dito isto
Ainda não se escreveu
O imprevisto
Alegria presente
Embrulhada em papel de tristeza
Se não existe gratidão
Pelo presente
Não deve esperar mais nada
Além de uma ingrata vida
Porque tudo é incerto
E existem dois tipos de tempo
Que passam pela gente
Tem aquele que passa perto
Que não pára, que é efêmero
e que sempre termina.
Termina por mudar
Somente a nossa cara.
E tem aquele que a poucos
A bem poucos...ensina
No tempo certo, a experiência
Esse, muda nossa essência
E termina por ficar guardado
Embalado com o papel da saudade boa
E que esconde o sentido da vida
Pois a vida é aquela bela amiga
Que sempre haverá
de trazer-te surpresas
A beleza da amizade entre você e ela
Se revela na maneira
Como você, mal ou bem, reage diante delas
E até que apareça quem possa impedir
A vida de agir assim
A única certeza, que se espera do outro dia
É que esse dia amanheça
Mas sem garantia de um fim.
Edson Ricardo Paiva.
Quantas vezes a gente sorriu sem vontade
Enquanto os sorrisos de verdade
Se esvaiam pelas portas que a vida fechou
Nas manhãs mais frias que vivemos
Quantas vezes atentamos para o fato
De que a gente conversava com o infinito
Enquanto à caminho de casa
E que simplesmente nunca ouvia uma resposta
Mas a gente dizia baixinho, mesmo assim
Na esperança de que um dia, lá no fim
Alguém, talvez escrevesse
Num muro que futuramente ainda fosse contruído
Mas que esse muro não nos parecesse muito alto
Nesse dia não há mais de importar o escrito
Mas que pelo menos ainda desse tempo
De lançar-se um olhar por cima dele
Saber o que existia do outro lado
Perguntar à manhã seguinte
Por que foi que esteve brava e fria, se ela era tão linda
Talvez ela apenas respondesse
Que foi só uma impressão de momento
Porque nosso coração pareceu tão triste àquela hora
E foi por isso que aquele vento
Nos trouxe um doce beijo e um forte abraço
Daqueles que as manhãs mais frias oferecem
A todo coração que chora, em segredo e sinceramente
Mas, de olhar nos nossos olhos
A manhã sempre sabe onde dói
E sabe também onde cabe o momento
Do sorriso que se esconde
Pode ser que a manhã, por ter te enxergado tão linda
Apesar de brava e triste
Deixou teu sorriso onde estava
Pra você sorrir, quando tiver vontade
Noutra manhã de frio cortante
No mágico instante em que a vida te abrir uma porta.
Edson Ricardo Paiva.
edsonricardopaiva.
Aproveita o tempo agora
Enquanto o coração chora à toa
Enquanto o fruto cai perto
Olha em volta o teu deserto
Pois nem sempre o vento sopra para o lado certo
Ajeita a vela da vida
O caminho todo é pensamento, é hora boa e passa lenta
O tolo pensa em ser feliz, desorienta
Aproveita a hora triste, enquanto a tristeza é passageira
Molhe as plantas na janela
Escolhe a cor da escuridão futura
Pois nem sempre o vento sopra pro deserto
Corre, enquanto as pernas obedecem
Pise forte as pedras, elas esquecem
Olhe isento as coisas lá do alto
A descida toda é só momento, grite alto
Lá do alto, onde subiste
Deixa o vento carregar a voz
As vozes de todos nós
Tão velozes quanto a vida em direção
A um lugar onde o tempo inexiste.
Edson Ricardo Paiva.
Humildemente um novo dia.
Enquanto as águas fluem
E cada dia que amanhece
Se apresenta humildemente
Como um novo dia
Jamais como uma chance
Perceba; estás ainda no caminho
E as canções estão no ar
O controle sobre as nossas vidas
Nossas vidas sobre nós
Dance de alegria
Há dia, há vida, há luz ainda
Existe um outro lado
Insensível e atroz
Atento e calado
E te acompanha em todos os momentos
Influencia a tudo que está longe ainda
Como um encontro marcado
Castelos de areia
Pilares que ruem
Pedras no caminho
Um caleidoscópio de tropeços
E lugares certos pra firmar seus pés
Brincar de vida, igual jogar amarelinha
As canções estão no ar
As águas fluem e lágrimas desfolham
As buscas infelizes
Interpretações avessas
Enquanto isso, o tempo passa
E outros dias amanhecem
Humildemente, de verdade
Apenas nasce um novo dia
Jamais outra oportunidade.
Edson Ricardo Paiva.
Estradas de Pedra.
Enquanto a chuva cai
A noite passa e vai pela janela
Pra perto da estrela distante
Na mesma velocidade
Pensamento, instante, vagam
Pedra lisa, estradas sem destino
Que se aprumam
Indiferentes, se acostumam
Vai durar uns meros séculos somente
Durante as tempestades
Quais relâmpagos colidem
Que se agridem pelos ares
Olhares idem pela escuridão que espero
Pra depois, durante as calmarias
Vir buscar-me em sonhos
Pois, durante a madrugada
Não serão jamais pisadas
Vão nascer de novo, sempre vão
No primeiro desvão, por onde invade o sol
Da primeira manhã de alguma infância
Há de ser nova
A primeira manhã de todas as manhãs
Traz consigo o gosto verdadeiro
Do primeiro sol que arde n'alma nascitura
Pensamento, instante, invade
Vai durar uns poucos séculos somente
Indiferente às estradas de pedra
Que foram feitas só pra ser pisadas.
Edson Ricardo Paiva.
Riem os deuses do ouro e do poder,
Enquanto a esperança se deixa morrer.
Lacram os olhos dos pobres que ficam no escuro.
Mas na rima da vida, há um verso de revolta,
Que desafia os dogmas, e a todos os cultos.
Assim, com humor, eu brinco e satirizo,
As correntes da fé que o mundo precisa.
Que a liberdade venha, que a mente se abra,
E que o amor verdadeiro seja a nossa caminhada.
Lá em São Paulo ele nasceu,
Com olhos claros de céu e de mar,
Enquanto o pai em Belo Horizonte
Sonhava em chegar pra poder abraçar.
Os avós atentos, o tempo parou,
Fotos e risos pra acompanhar,
Os irmãozinhos em festa esperavam
O doce menino pra vida adoçar.
Daniel, doce como o açúcar,
Veio ao mundo pra iluminar,
Nosso amor feito mel e ternura,
Nosso tempo de paz pra cantar.
Dos bisavós herdou esse olhar,
Brilho de estrela, cor de luar,
Veio com o vento trazendo esperança,
Pequeno encanto, promessa de dança.
E a sua luz nunca vai se apagar,
Que seus caminhos sejam de sol,
Que a vida cante pra você dançar
Nosso doce menino, um farol
Daniel, doce como o açúcar,
Veio ao mundo pra iluminar,
Nosso amor feito mel e ternura,
Nosso tempo de paz pra cantar
