Enquanto

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Viver a vida
E enquanto vivê-la
Não permitir
Que nada ou ninguém
Transforme o peito da gente
Num solo infértil
Igual a esse enorme deserto infecundo
Existente num local incerto
Que por não saber
Chamamos Mundo
Insistente qualidade obsoleta
Em querer a qualquer preço
dar à essa existência qualquer meta
E depois, mesmo assim
Vivê-la
Pelo mero fato de viver
Botando prazo de validade pra tudo
E estudando a melhor maneira
de piorá-la
A vida pode ser uma pálida passagem
Bólide e sem rastro
Nave que flutua suave, ao sabor do mastro
Não permita que essa vida se transforme
Num problema grave e sem saída
A vida é só isso
Um compromisso com Deus
e ninguém mais
Se houver razão pra estar em paz
Pense no poeta que escreveu a vida
Sem meta
Direção ou seta
Nem justa ou injusta medida

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Viver a vida
E enquanto vivê-la
Tentar não permitir
Que nada ou ninguém
Transforme a vida da gente
Num solo infértil e infecundo
Parecido com o lugar
Que por não saber seu nome ao certo
Chamamos o lugar de Mundo
Insistente invalidade
Inverdade obsoleta
Tenta a qualquer preço
Exigir-lhe alguma meta
Sem que seja necessário dar a ela
Norma ou forma
Pra depois, infeliz, vivê-la
Pelo mero fato de viver
Pensamento
Abstratamente concreto
Piorando a essa pálida passagem
Bólide e sem rastro
Nave que flutua suave, ao sabor do vento
a soprar-lhe o mastro
Maestro da sinfonia
Não permita
Que a vida se transforme
Num problema grave e sem saída
A vida é só isso
Um compromisso com Deus
e ninguém mais
Se houver razão pra estar em paz
Pense no poeta que escreveu a vida
Sem meta
Direção ou seta
Nem justa ou injusta medida
Portanto, enquanto houver
Estrelas pra ver no Céu
Aproveita a chance de olhar pra elas
Um dia há de restar
Somente a lembrança
do quanto um dia foram belas.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Viver a vida
E enquanto vivê-la
Tentar não permitir
Que nada ou ninguém
Transforme a vida da gente
Num solo infértil e infecundo
Parecido com o lugar
Que por não ter
um nome a lhe dar
Chamamos de Mundo
Nosso inválido lar
Sem saber de verdade
O que fazer dele ou da vida.
Viver é a parte complicada
Sofrida e difícil da existência
Tudo mais vai se tornando fácil
Conforme a experiência adquirida
Desde que a gente não queira
a qualquer preço
Exigir-lhe alguma meta
Nem que seja necessário dar a ela
Norma ou forma
Pra depois, infeliz, vivê-la
Pelo mero fato de viver
Pensamento
Abstratamente concreto
Piorando a essa pálida passagem
Bólide sem rastro
Nave que flutua suave
Com o vento a soprar-lhe o mastro
Se eu puder pedir
Eu imploro
Que o Maestro da sinfonia
Não permita
Que a vida se transforme
Num problema grave e sem saída
A vida é só isso
E mais nada
Um compromisso com Deus
Se houver razão pra estar em paz
Agradeço ao Poeta que escreveu a vida
Sem meta, direção ou seta
Nem justa ou injusta medida
Portanto, enquanto houver
Estrelas pra ver no Céu
Aproveito a chance de olhar pra elas
Um dia há de restar
Somente a lembrança
do quanto um dia foram belas.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Enquanto isso,
O motorneiro vai tocando o bonde
Espetáculo de sombra e luz
Que num instante desaba
Nunca mais tentei parar o tempo
Depois que ele se foi
A impressão que dá é que ele acaba
Em todo lugar onde há começo
A vida é que corre ao avesso
E ninguém vê
Se esquece que o Sol se põe
No momento em que nasce
Desse modo é que tudo se dá
Só não dá pra mudar nada
Mas eu teimo em transformar
Poesia em sonho
Pra não ter que dizer adeus
Confesso o pecado alheio
Coisa estranha
Os sonhos não eram seus
E aos poucos se foram
Deixando ficar
Sem altos, sem baixos
Nem perdas e ganhos
Enquanto isso
Um violeiro louco vai tocando no deserto
O sonho parece mais perto
Que o lugar bonito que vejo, quando acordado
Passo a noite pensando e quase rio
Quase rio, quase todo dia
Quase dia, quase poesia
Enquanto isso
O timoneiro vai tocando o barco
A vista alcança o invisível
E durante o caminho
A vontade de aço fraqueja
A gente erra
E os sonhos parecem naufragar
Em um Mar tão distante daqui
Nada mais que o pó da estrada
Dá um nó na garganta
Só de pensar
Na pena de não sonhar
Pois hoje é dia de semana
Te aparta de mim
Eu sou um cara por demais comum
Enquanto isso
O coração que vai tocando a prece.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

O tempo mescla, mistura, revolve
Enquanto existe a passagem do tempo
O Universo apenas se move
E, em havendo movimento no Universo
E sendo o Universo um todo
Tudo se mescla, se mistura e se revolve
Mas o tempo não cura nada
Nessa simples passagem
O tempo apenas move a tudo
Na medida em que a sua existência
Possibilita que o Universo
Tenha vida própria
E cada coisa viva
Vai vivendo a própria vida
As vidas palpáveis e as invisíveis
Hão de ser pra sempre
Simplesmente indivisíveis
Mas "pra sempre" é questão para o tempo
Que a tudo mescla e revolve
Sem depois pôr nada, nunca
No seu devido lugar
Pois o lugar de tudo é misturado
Revolvido e mesclado
Tem momentos que tenho a impressão
Que vão se purificar
Mas o constante movimento do todo
Novamente a tudo mistura
O que era mal, pareceu melhorar
Mas depois o mal se cura
E tudo volta a ser ruim
É assim que as coisas são
Pois, no aparente caos desse movimento
Nada acontece em vão.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Equilíbrio, acima de tudo
O Universo se move
Enquanto seu movimento
Não é visto e nem percebido
Pois o tempo corre diferente
Dependendo do lugar e circunstância
Mas a gente inventou o relógio
Ironicamente
Um dos instrumentos mais precisos
Que o engenho da Humanidade
Foi capaz de fazer
Talvez a gente leve outros milhares de anos
Medindo o tempo com precisão
Antes de perceber
E depois ficar indecisos
Acerca do desequilíbrio ilógico
Que existe aqui dentro
Não sei dizer se da mente
Ou da alma da gente
Seja como for
As coisas seguem seu rumo
Enquanto o nosso conhecimento
Transforma o redondo em quadrado
Por já saber de tudo, a gente ignora o todo
A distância
Entre sabedoria e ignorância
É tão pequena
Que não vale a pena
Melhor deixar isso de lado.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Viva a vida
Enquanto a vida acontecer
Agradecendo aos invernos
E também a cada deserto
Que teu coração suportar
Pois sua vida está sendo escrita
Não busque amparo em promessas
Palavras bonitas são só palavras
O dia de hoje, ontem, amanhã será
É assim que se vive a vida
Então, simplesmente viva
A tudo aquilo que germina
Oculto pela transparência
Da beleza fina do cristal
Pois tanto mal quanto bem
Vem bater à tua porta
A cara verdadeira de tudo
Está sempre escondida
Viva a vida
E a magia da ilusão desmedida
Cada coração se fecha
Na medida que os olhos se abrirem
Deixa a vida correr
Pois toda a vida é uma ilusão
Exceto os olhares vivos
Olhares da vida
Tão perdida quanto todos nós
Cada passo dado
Escondido pela pedraria
A revestir o pó dessa estrada
Na alternância entre luz e treva
Viva cada dia dessa vida
Um dia, dessa vida, não se leva nada
Todo dia, nada resta.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Demora
O coração bate meia-noite
O vento abre a janela das horas
E por enquanto o relógio ainda chora
Lá fora, a Lua a pino brilha linda
Demora
O destino não concretizou-se ainda
O rumo da vida é ser feita de horas
Perfeitamente lentas
Aumentando o fluxo
do vento pela janela
Momento a momento
Cada vez mais lentamente
Se a noite quis ser imperfeita
O fez com tanta perfeição
Que até agora eu aqui
No colo da rede
Sinto sede de sonhos
É tanto Céu
É tanta noite
É tanto solo
É tanto nada
Alta madrugada
Alvorada
Dia claro
Noite escura
Aquilo que se espera
Sem saber bem ao certo
Se vem ou não vem
Demora
O coração marca as horas
Enquanto o relógio
chora.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Em seu trajeto pelo espaço
O Universo revolve
Abstrato e concreto
Enquanto tudo se move
O tempo muda as coisas de lugar
Ou modifica as que permanecem
Outono, as folhas caem
Primavera, outras crescem
Os raios de Sol e a água e outro ar
Renovando promessas
Os pássaros retornam de verões distantes
Percebem no primeiro instante
O viço da folhagem nova
Tudo até parece igual
Mas as flores recém-chegadas
Se postas à prova
e lhes fosse permitido algo dizer
descreveriam essa euforia de reencontro
Como sendo-lhes algo estranho e sem sentido
Pois, a olhar para os mesmos pássaros
À elas, não significa nada
Simplesmente não os reconhecem.
Pois é na sutileza inconteste
do jeito que as coisas são
Que se esconde
a pureza do conhecimento
Ter vivido a vida
momento a momento
No mais, tudo é sofisma
É luz enganosa
Que se decompõe
Sob o prisma do menor confronto
Universo em documento
Eternamente pronto e aberto
Peneirando eternamente
Não se dobra a nenhuma vaidade
Consolidando a verdade
O resto é coisa que voa ao vento
Bastaria pra nós
O gesto de simples pensamento
Mas a mera simplicidade
É coisa que há muito tempo
Foi relegada à espera,
Perdida
em meio a tantos outros compromissos
Na esfera do esquecimento ela aguarda
Enquanto bem poucos aprendem
Que precisamos de menos disso
Mas ao mesmo tempo
Um pouco mais que isso.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Existe tanta coisa nesta vida
Enquanto eu a tenho uma só
Escolhas são sempre as nossas
Portanto eu não posso perder meu tempo
Reclamando da imperfeição na paisagem
Quando eu sei que é uma viagem só de ida
E nada se deixa e nada se leva
A não ser saudade
Tudo mais não me pertence
Aquilo que tens hoje ao teu redor
Não o olhe como a uma conquista
Pense que são como estrelas
Assim como eu, todos podem vê-las
Sem jamais tocá-las
Pense no presente como uma lembrança
Uma fotografia de um tempo
Em que havia ou não havia esperança
A vida é algo tão breve
E não há ninguém que leve nada
Não vou desperdiçá-la sentindo medo
Não tenho direito de me queixar
Se o limão era azedo
Quando ele esteve em minhas mãos
e sei que deixei ficar passado e amargo
Hoje eu não trago mais nada comigo
Além daquilo que possa sempre carregar
Pois eu tenho o mundo todo
Sabendo que nenhum lugar me pertence
Vivo o presente agora
Sem chorar passado e nem futuro
O tempo jamais esteve ao alcance da vista
Diferente das estrelas, que eu posso ver.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Se a gente pudesse
Enquanto vivos
Esquecer realmente
Àquilo que a gente esquece
Apenas o tempo
Que seja suficiente
Quando a alma obedece
Os desmandos da alma
Que condena a gente à vida
E assim vai passando
Outra tarde perdida
E a conta a ser paga cresce
Mesmo que nos lembremos
Não raro
Só vagamente
Pois assim
Tem sempre a reclamação
Que o preço tá caro.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Enquanto vivos
Não se pode evitar a vida
Enquanto vida
Abarrotada de surpresas
A única certeza
Que se pode esperar do outro dia
É que esse dia amanheça
Dito isto
Ainda não se escreveu
O imprevisto
Alegria presente
Embrulhada em papel de tristeza
Se não existe gratidão
Pelo presente
Não deve esperar mais nada
Além de uma ingrata vida
Porque tudo é incerto
E existem dois tipos de tempo
Que passam pela gente
Tem aquele que passa perto
Que não pára, que é efêmero
e que sempre termina.
Termina por mudar
Somente a nossa cara.
E tem aquele que a poucos
A bem poucos...ensina
No tempo certo, a experiência
Esse, muda nossa essência
E termina por ficar guardado
Embalado com o papel da saudade boa
E que esconde o sentido da vida
Pois a vida é aquela bela amiga
Que sempre haverá
de trazer-te surpresas
A beleza da amizade entre você e ela
Se revela na maneira
Como você, mal ou bem, reage diante delas
E até que apareça quem possa impedir
A vida de agir assim
A única certeza, que se espera do outro dia
É que esse dia amanheça
Mas sem garantia de um fim.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Quantas vezes a gente sorriu sem vontade
Enquanto os sorrisos de verdade
Se esvaiam pelas portas que a vida fechou
Nas manhãs mais frias que vivemos
Quantas vezes atentamos para o fato
De que a gente conversava com o infinito
Enquanto à caminho de casa
E que simplesmente nunca ouvia uma resposta
Mas a gente dizia baixinho, mesmo assim
Na esperança de que um dia, lá no fim
Alguém, talvez escrevesse
Num muro que futuramente ainda fosse contruído
Mas que esse muro não nos parecesse muito alto
Nesse dia não há mais de importar o escrito
Mas que pelo menos ainda desse tempo
De lançar-se um olhar por cima dele
Saber o que existia do outro lado
Perguntar à manhã seguinte
Por que foi que esteve brava e fria, se ela era tão linda
Talvez ela apenas respondesse
Que foi só uma impressão de momento
Porque nosso coração pareceu tão triste àquela hora
E foi por isso que aquele vento
Nos trouxe um doce beijo e um forte abraço
Daqueles que as manhãs mais frias oferecem
A todo coração que chora, em segredo e sinceramente
Mas, de olhar nos nossos olhos
A manhã sempre sabe onde dói
E sabe também onde cabe o momento
Do sorriso que se esconde
Pode ser que a manhã, por ter te enxergado tão linda
Apesar de brava e triste
Deixou teu sorriso onde estava
Pra você sorrir, quando tiver vontade
Noutra manhã de frio cortante
No mágico instante em que a vida te abrir uma porta.


Edson Ricardo Paiva.
edsonricardopaiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Aproveita o tempo agora
Enquanto o coração chora à toa
Enquanto o fruto cai perto
Olha em volta o teu deserto
Pois nem sempre o vento sopra para o lado certo
Ajeita a vela da vida
O caminho todo é pensamento, é hora boa e passa lenta
O tolo pensa em ser feliz, desorienta
Aproveita a hora triste, enquanto a tristeza é passageira
Molhe as plantas na janela
Escolhe a cor da escuridão futura
Pois nem sempre o vento sopra pro deserto
Corre, enquanto as pernas obedecem
Pise forte as pedras, elas esquecem
Olhe isento as coisas lá do alto
A descida toda é só momento, grite alto
Lá do alto, onde subiste
Deixa o vento carregar a voz
As vozes de todos nós
Tão velozes quanto a vida em direção
A um lugar onde o tempo inexiste.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Humildemente um novo dia.

Enquanto as águas fluem
E cada dia que amanhece
Se apresenta humildemente
Como um novo dia
Jamais como uma chance
Perceba; estás ainda no caminho
E as canções estão no ar
O controle sobre as nossas vidas
Nossas vidas sobre nós
Dance de alegria
Há dia, há vida, há luz ainda
Existe um outro lado
Insensível e atroz
Atento e calado
E te acompanha em todos os momentos
Influencia a tudo que está longe ainda
Como um encontro marcado
Castelos de areia
Pilares que ruem
Pedras no caminho
Um caleidoscópio de tropeços
E lugares certos pra firmar seus pés
Brincar de vida, igual jogar amarelinha
As canções estão no ar
As águas fluem e lágrimas desfolham
As buscas infelizes
Interpretações avessas
Enquanto isso, o tempo passa
E outros dias amanhecem
Humildemente, de verdade
Apenas nasce um novo dia
Jamais outra oportunidade.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Estradas de Pedra.

Enquanto a chuva cai
A noite passa e vai pela janela
Pra perto da estrela distante
Na mesma velocidade
Pensamento, instante, vagam
Pedra lisa, estradas sem destino
Que se aprumam
Indiferentes, se acostumam
Vai durar uns meros séculos somente
Durante as tempestades
Quais relâmpagos colidem
Que se agridem pelos ares
Olhares idem pela escuridão que espero
Pra depois, durante as calmarias
Vir buscar-me em sonhos
Pois, durante a madrugada
Não serão jamais pisadas
Vão nascer de novo, sempre vão
No primeiro desvão, por onde invade o sol
Da primeira manhã de alguma infância
Há de ser nova
A primeira manhã de todas as manhãs
Traz consigo o gosto verdadeiro
Do primeiro sol que arde n'alma nascitura
Pensamento, instante, invade
Vai durar uns poucos séculos somente
Indiferente às estradas de pedra
Que foram feitas só pra ser pisadas.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Hoje o Sol não brilha
Agora o pensamento falha
e enquanto caem as folhas
o vento sopra
e não trás nada
além de lembranças
de tanta
alegria perdida
tento calcular
o desespero que eu sinto
mas, há coisas que
não se mensura
acima das nuvens
as estrelas não se movem
eu tento enxergá-las
mesmo assim
e a vida
vai passando em vão
assim como são vãs
as falsas alegrias
que passadas
não deixaram nada
lembranças sem garantia
já sepultadas
hoje em dia
Hoje o Sol não brilhou
hoje eu não olhei pro Céu
Há dias em que as coisas páram
Há tempos em que as coisas
mudam depressa
Não percebemos
Quando foi que amiudaram
As esperanças
vão sumindo
Conforme os dias correm
Fantasias coloridas
cores fantasiadas
Dourados raios de Sol
Que sempre me iluminaram
Há dias em que as coisas páram
tudo volta a ser semente.

Inserida por edsonricardopaiva

Enquanto esperamos
a oportunidade de viver
vamos morrendo
No próximo ano
Haverei de me lembrar ainda
daquilo que ontem
eu estava lendo
E enquanto mergulhava
minha cara e meu tempo
Nos livros e em velhos arquivos
não percebia
Um pássaro preto me olhando
Sentado num galho
aqui perto
Enquanto eu enchia
Meus olhos de nuvens
Meu peito tornou-se um deserto
Enquanto eu coava uma mosca
Uma Cáfila passou blaterando
Erguia meus olhos,
de vez em quando
Mas não via, não sentia
Nada mais me comovia
A noite acabou
Enquanto eu aguardava o dia
E a Cotovia não cantou
Querendo apurar meu senso estético
tornei-me errático
pragmático e simplesmente
Estático
Procurei muito longe
Aquilo que estava perto
viver é viver
Algo simples e complicado
É mais que nascer e morrer
É saber corrigir no tempo certo
Reconhecer que está errado
E enquanto isso o tempo corre
E o que está escrito
Não se apaga
Feio ou bonito
indiferente ou sentida
cada palavra, cada gesto
e cada pensamento
gravados no livro da vida
Assim como todos
Os sonhos e esperanças
Intensamente vividas
Ou então
Na noite dos tempos perdidas

Inserida por edsonricardopaiva

Você estará pra sempre vivo
enquanto alimentar seus sonhos
e enquanto sonhares
sua alma poderá seguir
pra conhecer, ser e estar
em todos os lugares
Se souber sonhar
Sonhar de verdade
Seu corpo poderá, então
estar junto
Sonhe grande
e deixe de pensar pequeno
o desânimo
é um veneno pra alma
pois mesmo quando
não se concretizam
foram eles que alimentaram
seus dias, seus passos, sua vida
foram os sonhos que sonhou
tua alma viva
A alma que se priva de sonhar
sufoca
esmaga, estraga
tanta coisa ali, contida
Continue, então...querendo
saber e conhecer e tocar
e provar e abraçar e ir
aonde teus pensamentos
ainda não sonharam
Corações, cujas almas
não sonham
Páram.

Inserida por edsonricardopaiva

As canções que cantava sozinho
Enquanto aprendia a entoar
Hoje cantas de Terno em linho
Nos palcos qua a vida dá
A voz de Fellipe Arcanjo
Há de encantar a Cidade
Menino de Pouca idade
Que nasceu para cantar
Menino chamado Fellipe
Violão e barba de Hippie
Faz teu som quando anoitece
Dizendo tudo que a gente
Queria ouvir e saber
Teus poemas nos dizem tudo
Amor, esperanças e medos
Que temos no coração
Escondes de nós um segredo
A magia que tens nos dedos
Em contato ao violão
Noite triste, se torna alegria
Antes do raiar do dia
Sublimes arranjos
Escritos por anjos
Que beijaram-lhe as mãos
Quando nasceste
Meu Deus, que canção é esta
Meu Deus, que menino é este?

Inserida por edsonricardopaiva