Embriaguez
Maior que eu
Talvez eu esteja sonhando alto,
ou até mesmo esquecendo meus asfaltos.
Por que eu me embriaguei?
Uma dúvida bate a minha porta,
me sinto nublado nessa noite ensolarada.
Não precisa nem ter sentido.
Eu sei que eu serei grande e o que me falta é apenas tamanho.
Me jogue fora e eu me reconstruirei.
Me diga que essa voz dentro da minha cabeça não é apenas uma carta aberta ao fracasso.
Eu sei que isso é maior que eu.
Me diga que eu não sou mais um nesse mar de sonhadores que apenas se perde na maré.
Não me afogarei na água rasa nem que seja a...
Eu não me afogarei na parte rasa.
Não estou dizendo que me afogarei em algum momento crucial.
Só estou refazendo os meus planos que estavam juntos a mim todo o tempo.
Talvez eu esteja mesmo louco.
E eu sei que o meu lado mais obscuro vai me salvar
Diga me com quem tu andas, e eu o julgarei.
Que chuva gostosa, nem sinto as gotas me rasgarem como antes.
O que me diz de experimentar a minha pele?
Me diga que essa voz dentro da minha cabeça não é apenas uma carta aberta ao fracasso.
Eu sei que isso é maior que eu.
Me diga que eu não sou mais um nesse mar de sonhadores que apenas se perde na maré.
Não me afogarei na água rasa nem que seja a última coisa...
Eu não me afogarei na parte rasa.
Tão clichê, tão bobo, tão belo e tão feio.
Nem sei se ao menos eu sei que caminho trilhar,
e nem ao menos que caminho desviar.
Me sinto numa encruzilhada, e eu nem me direcionei até isso.
Se eu me render, você me dá alguma chance?
Por que eu continuo falando comigo mesmo?
Se alguém ouvisse essa conversa eu estaria preso.
Me diga que essa voz dentro da minha cabeça não é apenas uma carta aberta ao fracasso.
Eu sei que isso é inspiração.
Me diga que eu não sou mais um nesse mar de sonhadores que apenas se perde na maré.
Não me afogarei na água rasa nem que seja a última coisa que eu faça antes de parar de respirar.
Eu não me afogarei na parte rasa.
Não aqui...
Hoje a saudade me tomou de salto e me fez em ti chegar. Sentiste algo como amor em estado de embriaguez, do tipo que nos tira o chão e nos faz levitar? Um entorpecente forte que nos tira o ar e ao mesmo tempo nos entrega à vida em ares fascinantes de lucidez? Foi a brisa que te mandei. Sente o perfume dos ventos? Sua essência se chama saudade e ela chega dominando o tempo, ocupando os espaços, perfurando o vazio da sua ausência. E se nada mais te comove, calo-me. Deixo-me seguir ouriçando as folhas, mexendo nos galhos, agitando o mar. Concedo-me à sorte dos abandonados que vagueiam por aí sem destino. E quando tudo não mais for, vitimado por um reles existir, dou-te as flores. Ainda existem as flores! E é do sentir delas que há de te fazer em mim, lembrar.
Tem cerveja? Certeza que tem. Um mercado sem cerveja numa sociedade embriagada como a nossa, faliria. Tim-tim.
Saímos silenciosamente,
mas nunca partimos.
O amor de ANTES
é a necessidade do AGORA
e a certeza do DEPOIS.
Fiquemos então
nessa aventura alucinante,
de dimensões infinitas,
de embriaguez da alma,
o AMOR.
Um sorriso embriagado passa rápido, mas um sorriso sereno, esse vale muito e pode se tornar inesquecível.
Gosto do efeito da bebida na madrugada, que me faz andar zig zag pela calçada. As ruas do Rio ficam mais interessantes e naturalmente desvio dos buracos da calçada...mas às vezes atrapalha...
O empoeirar dos anos
Corro eu
A integridade de minha juventude
Caduca,
Num domingo
Às póstumas vésperas do tempo
Brigavam
Por motivações
Embriagados
Corriam contra si
Armados
Da ideologia conectada
Massacrando antigas paixões
Gozavam alto escalão,
Míseros,
Fadados a si mesmos
Pra suportar os rigores da vida, é necessário que estejamos sempre embriagados, seja de vinho, arte ou de amor.
Preciso beber. Preciso de algo quente e forte… Cerveja? Não. O organismo precisa equilibrar as coisas internas… Tudo aqui dentro ferve muito...Chega a queimar. Além disso, tenho precisado espairecer um pouco!
Não vem sendo fácil todo esse atropelo que a vida faz… Tudo acelerado demais…
Preciso de algo que me transporte, metaforicamente.
O álcool tem esse poder!
Ele é permissível. Alterador de sentidos.
A rotina atropelada do jeito que é, permite algumas desestabilidade... nem tudo permanece organizado...
As lágrimas desenfreadas fragilizam. Que horror! E para esquecer tudo isso, ou REorganizar... o que nos resta é um gole. Uma dose. Ou, varias dela.
"Há momentos que precisamos de duas coisas: um bom livro ou um bom vinho. O vinho lhe deixará num estado de embriaguez relativamente momentânea e o livro lhe trará uma embriaguez eterna"
Anteontem
me embriaguei de realidade
e - frágil -
acordei para mim
com uma forte ressaca
ontem
senti saudade de mim
daquela ternura do meu olhar e daquela doçura do meu sonhar
daquela minha coragem timida e daquela minha timidez corajosa
daquela minha bondade inata e daquele meu querer acreditar no mundo
daquela minha sensibilidade estupida e daquele meu chorar por tudo
hoje
depois da ressaca terrivel
acordei de novo em mim
naquele mim
que agora
acredita somente em mim.
Se o álcool nos desse juízo, viver bêbado seria uma virtude, e não essa indecorosa vergonha que afoga o desvairado em sua própria desonra.
Há quem escreva sobre o amor como quem o sente. Eu? Apenas o descrevo.
Falo de afetos sem a ânsia de senti-los, visto a pele do poeta sem me deixar possuir por seus delírios.
O que habita em mim não são promessas sussurradas nem versos floridos são atos, brutos e inteiros.
Minhas palavras? Fragmentos de sombra que dançam no vento. Não busque nelas uma verdade. Elas não confessam, apenas insinuam.
Quanto às músicas… não tente decifrá-las. Sou feita da curva do som, não do peso das letras.
A melodia me embriaga, mas as palavras ah, essas nunca contaram minha história.
E talvez nunca contem.
Há quem se droga da droga. Há quem se droga da medicação que é também droga. Há quem se droga da ira e dos maus sentimentos, que envenenam e que são sempre uma droga. Há quem se droga da melancolia que o leva à droga. E há aquele que, de súbito, se droga do irresistível amor platônico, que embriaga e que entorpece mais do que a droga do que poderia – efetivamente – ser a própria droga.
