Em meio a Fumaça
Minha mente poluída, não me permite mais pensar
Sinto a fumaça em meu rosto, sinto a fumaça no olhar
Espinhos que cortaram o meu rosto
E quando sinto transbordar, acendo mais um cigarro.
Transformo em fumaça toda angústia, jogo as cinzas ao vento, no tempo.
Um dia a gente há de se encontrar.
Resolvi acender aquele charuto guardado.
A queima lenta, a fumaça densa me faz pensar no êxtase que o tabaco traz, experienciar um momento de paz.
Perco-me em alguns pensamentos, acontecimentos que nem se quer importam mais, mas que permanecem vivos e reais.
O vento levou a fumaça, o tempo levou você e no final? Só me resta a lembrança do doce sabor do tabaco e o calor do teu abraço.
Alucinógeno como o THC da fumaça,
a consequência da trapaça,
o efeito da cachaça, maldita raça
que quer cuidar da minha vida,
uma passagem só de ida, pensamento suicida.
-Inglês
Se a fumaça que saia a cada trago daquele velho cigarro de palha, desenhasse o sorriso dela, nem que o vento levasse em questão de segundos, fariam com que minha noite fosse melhor.
Quando uma pessoa acredita em outra e sofre traição é algo que desaparece igual fumaça sumindo no ar.
O fogo eterno é o maior riso contra risadas riscadas.
A fumaça é densa e infinita em enxofre de eternidade.
De ébano eu me reduzo em pedaços, pra fazer fumaça e te aquecer.Na ausência da luz eu estou, na presença da luz eu imitou você.
Uma luz!
Por que isso arde?
De onde vem toda essa fumaça?
Por que não consigo respirar?
Foi então que me dei conta, tudo estava em chamas!
Não havia mais nada que pudesse ser feito.
O fogo foi destruindo as paredes, desmoronando as estruturas
acabando com todo alicerce
Ah se essa casa pudesse ser mais forte!
Quem dera se tivesse sido construída com o melhor material
Se tivesse sido apreciada, zelada... Descuido e desprezo, isso é
o que ela conhece.
O fogo está diminuindo!
Alguém o apagou? Não!
Ela queimou até não restar nada
Ardeu até virar cinzas
Já não há mais nada para se salvar.
Foi então que me dei conta
Eu era a casa!
O que é aquilo brilhando? A luz da esperança?
Era outra chama!
Fumo que sobes, espetáculo divino,
Um vício antigo, um prazer passageiro.
Entre voltas de fumaça, eu me perco,
E por um instante, esqueço.
Mas, será que faz bem, essa paixão?
Ou é apenas ilusão?
Meu corpo clama por ar puro,
Mas minha alma pede um pouco mais.
Nas profundezas do meu ser,
Uma voz sussurra: "Pare!"
Mas a outra responde: "Sigo!"
E o ciclo continua.
Fumo, meu amigo e inimigo,
Meu prazer e meu castigo.
Um paradoxo que eu não entendo,
Um vício que eu não abandono
Há os que vendem sonhos; há os que vendem fumaça; há aqueles que vendem ilusões; há inocentes que acreditam; há iludidos que batem palmas.
Bem e mal e prazer e dor e tu e eu – eram, para mim, colorida fumaça ante olhos criadores. O criador quis desviar o olhar de si mesmo – então criou o mundo.
Viva intensamente
Vida que passa igual fumaça.
Vida que passa tão rápido.
Vida que é finita.
Vida... que é breve... que seja bonita.
Valorizemos mais cada minuto.
Apreciemos os dias que chegam e num piscar de olhos se vão...
Contemplemos cada momento... cada fração do tempo.
Vida é só um momento.
Viva intensamente.
Viva o presente sempre presente.
Na efemeridade da vida... viva plenamente.
Agradeça.
Seja contente... coerentemente.
Incandescente
Se tem fumaça, tem calor, tem brasa,
venta, sopra, abana.
Vamos incendiar essa cabana
Me tira do meu eixo me arrasa.
Se atiçar incandesce, sai fogo, incendeia.
Arde, queima, goza
Deixa eu saborear, seus seios e sua rosa
Me saciar esse seu corpo, minha ceia.
Se sua essência exala, assanha
Atiça, seduz, levanta
Permita-me embriagar na sua lavanda.
Faz do seu colo meu abrigo e me abraça.
O que há de errado em amar e ser feliz?
Ria, brilhe, viva
Você é a minha estrela minha diva
Deixa eu apagar todas burradas que eu fiz.
Enfrenta os medos, corre, vem fundo
viver feliz depende de atitudes
Houve falhas mas também houve virtudes
Reconstruiremos juntos o nosso mundo.
E no findar da vida
hei de dizer o que aprendi contigo
E saber selecionar quem estará comigo
E ao fundo apreciar a escolhida
Então vem cá, me diz
O que ainda falta pra acabar esse tormento.
Aproveita logo esse momento
E então eu voltarei a ser feliz.
Me incandesce
Vem...Quem ama tem pressa.
amor_in_ver
"A Fúria que Não Tem Nome"
(versos de fogo para uma alma que já cansou de engolir fumaça)
I
Há um nó aqui dentro.
Não sei há quanto tempo ele mora em mim,
mas sei que ele cresceu.
Como tumor que ninguém vê,
mas todo mundo sente o cheiro.
Um cheiro doce de podridão.
Um perfume de promessas esquecidas,
de perdões que eu concedi,
mas que ninguém nunca me pediu.
II
Quantas vezes calei?
Mais do que se conta com dedos,
mais do que se escreve com sangue.
Porque sim, já sangrei.
E ninguém percebeu.
Ou perceberam...
mas disseram que era drama.
III
Eles sempre dizem.
Drama.
Mimimi.
Vitimismo.
Mas não vi ninguém rindo quando precisei sorrir por todos.
Não vi ajuda quando o peso era meu,
mas as mãos? Nunca.
IV
Segura tua raiva, diziam.
Seja maior.
Engole.
Sorria.
Concilie.
Ceda.
Por quê?
Por que sempre eu?
Por que sempre os bons precisam ajoelhar?
Por que sempre quem ama é quem apanha mais?
V
Ah, como me disseram que isso passaria.
Que o tempo cura.
Mas o tempo só deixa a ferida cheirar mais forte.
Ela não cicatriza.
Ela lateja.
Ela me acorda às 3 da manhã,
quando lembro do que fiz por quem não faria nada por mim.
VI
Fui escudo.
Fui abrigo.
Fui chão.
E agora sou caco.
Cacos que ninguém quer varrer.
Porque ferem.
E ninguém quer se cortar com os pedaços da dor que causaram.
VII
Quanta covardia com nome de amor.
Quantas mentiras com cheiro de cuidado.
Quantas mãos estendidas, mas só para me empurrar.
VIII
Sabe aquela vontade de gritar?
Ela já virou música dentro de mim.
Sinfonia de gritos mudos.
Orquestra de socos que nunca dei.
De tapas que minha alma levou —
e que ninguém viu,
porque eram com palavras.
E palavras doem mais.
IX
Às vezes quero quebrar tudo.
Mas não por fúria.
Por justiça.
Por sanidade.
Por mim.
X
Já perdi a conta de quantas vezes repeti:
"tá tudo bem."
Mentira.
Nunca esteve.
Mas era mais fácil assim.
Mais fácil do que explicar um coração que transborda raiva
e ninguém quer ouvir.
XI
Agora chega.
Se você leu até aqui,
sinta.
Não fuja.
Essa ardência nos olhos não é fraqueza.
É acúmulo.
É história.
É verdade que ninguém quis escutar.
XII
Deixa arder.
Deixa queime.
Não por vingança.
Por libertação.
Mas escolha bem:
não se torne quem te quebrou.
Não mude tua essência —
mude tua direção.
XIII
O ódio, sim, é uma faca.
Mas quem segura decide onde cortar.
Se nas correntes…
ou nos outros.
XIV
Olha em volta.
Olha dentro.
Lembra de tudo.
Lembra de cada vez que engoliu seco.
De cada ‘deixa pra lá’.
De cada ‘tanto faz’.
De cada ‘isso passa’.
XV
Agora, grita por dentro.
Mas grita alto.
Até que só reste o eco.
Até que tua garganta interna sangre.
E então…
silêncio.
XVI
Porque depois do grito, vem a decisão.
Não te direi quem merece tua fúria.
Teu ódio.
Tua ruptura.
Teu fim.
Mas eu sei que você sabe.
E saber já é o começo da vingança que liberta.
Júlia Botelho — Guerreira de Luz
No seio agreste do sertão amado,
Lá no Córrego da Fumaça ardente,
Nasceu com graça e brilho encantado
A flor mais pura, estrela reluzente.
Júlia Botelho, nome tão sagrado,
De alma nobre, firme e persistente,
Veio ao mundo com luz e valentia,
Feita de força, amor e poesia.
Filha do vento e das águas serenas,
Cresceu no campo em dança com o céu,
Na alma traz mil cores, mil antenas,
E ao sofrimento nunca se rendeu.
Déia de luz, que às trevas sempre acenas
Com doce voz, de timbres como o véu
Que a brisa deixa em tardes de verão,
Tem no olhar a paz de um coração.
Mulher de fogo, de ternura imensa,
Com mãos que curam, alma que conduz,
Semeia afeto, colhe recompensa,
Torna em abrigo o pranto que traduz.
Jamais se curva à dor que a vida pensa,
Porque reluz mais forte que a luz.
Do Mucuri, é chama, é centelha,
Veste coragem e nunca se espelha.
No Bela Vista, espalha esperança,
Levanta os caídos, ergue o oprimido,
É verso vivo, amor que nunca cansa,
É guia firme ao povo entristecido.
Na lida dura, em tudo lança
O dom da fé, do bem comprometido.
Júlia Botelho, mulher soberana,
Guerreira forte, estrela soberana!
Mas seu legado vai além da história,
De seu ventre surgiu nova canção:
Célia, a meiga flor da memória,
Jeferson, verbo em revolução,
Gilson, o pulso firme da vitória,
Gez, o farol de doce compaixão,
Gilcélio, luz que o tempo não consome —
Cinco pilares vivos do seu nome.
Oh, musa viva dos tempos modernos,
Rainha anônima do nosso rincão,
Teus feitos brilham como sóis eternos,
Teu nome é hino dentro do sertão.
Na eternidade, os campos mais fraternos
Ecoarão com tua inspiração.
És monumento à luz que nos irradia:
Júlia Botelho, amor e valentia!
