Drama
Eu sou excesso, sou drama, sou amor , sou complicada. Eu não sei me entregar pela metade , é tudo ou nada. Meio termo não me cabe . Eu não sei fingir sentimentos , se eu gosto , eu cuido. Se eu não gosto, não forço simpatia. Pareço insuportável, mas acredite , tem gente que diz me amar
Poema inspirado no drama estático de Maeterlinck
a mãe é muda
o pai não pisca para não acordar a criança
que dorme ou mama
no peito da mãe
com os pés sobre o pai
a noite reclama
garoa fina
saudades de antes
uma nuvem de medo
distante se aproxima
os olhos estáticos da menina no rio
o corpo estendido no frio
vem boiando na água até a porta
da cabana de madeira
de paredes tortas
a noite é muda
mas não é surda
as gotas escorrem pela telha
o sangue pelas veias de quem vive
e quem não vive é paisagem
todo mundo quer viver e não sabe como
o inferno é o outro
ou é a gente mesmo e os outros não ajudam
não adianta…
parece que melhora, mas cansa
não há confiança que não se traia
os olhos desviam da respiração intermitente
do casal que não fala
e que mente expirando
o que sente e não traga
tem um corpo boiando no rio
a nuvem de medo distante
é roxa e preta e azul da cor da noite
o sangue vermelho no rio é da cor do sinal
uma luz forte em sua fronte
desce do carro
respira o sereno
tem uma mulher e uma criança em casa
o inferno é o cheiro de gasolina do carro velho
ou é viver sabendo que vamos todos morrer?
a luz do farol é verde
violentamente verde em sua paciência
o corpo dói mas se aguenta
a criança é muda e chora
rasga o céu em um grito amargo
tudo é dor e tudo é silêncio
a sensação é de que não passa
Penso, logo fico confuso
Quem sou eu?
Penso
Logo fico confuso
Sou alegria? Drama? Tristeza?
Não sei, talvez tudo isso
Ou talvez nada disso
O mais provável é que sou uma simbiose de várias coisas
Queria ser sempre forte, mas muitas vezes fraquejo...
Queria sempre ser coragem, mas muitas vezes temo...
Queria mesmo sempre ser amor, mas muitas vezes me iro…
Pudera eu ser o que eu quisesse
Provavelmente não estaria aqui para escrever isso
Provavelmente estaria em um lugar que eu mesmo desconheço
Mas essa não seria a graça da coisa toda?
Da vida e tudo mais?
Lutar contra desafios diários, imprevistos, mudanças
Lutar contra nós mesmos que não nos permitimos ser quem realmente queremos...
Talvez eu seja isso
Inconstâncias, impermanência, mutação...
“Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso”.
( in "Autobiografia sem Factos". Assírio e Alvim, Lisboa, 2006, p. 128.)
Preferível observar um drama em algum tipo de trama, à cientificar uma trama em alguma espécie de drama
Vivo da natureza, adrenalina e drama, receita completa para subir as montanhas, só não sobe ao topo quem tem medo de caminhar.
Antes de fazer drama, ou se fazer de vítima...Olhe à sua volta e não terás olhos egoísta.Verás a cura, no momento de sua incompreensão ,que muitas vezes é a busca por atenção.
O ministério do bom senso adverte: o uso excessivo do drama pode causar dependência em conseguir o que o você quer.
Quem diria a calmaria de um coração que ama, mesmo com drama e tantas tramas, nem mesmo o conflito de ser ilícito tira a leveza inebriante do momento, tão marcante sentimento que se traduz em minúcias. Tem a notável capacidade de tocar meu íntimo, me transporta e nem se importa com o caos que causa, todos os sentidos são aliados para uma perfeita conspiração é assim se dá a nossa inevitável conexão. A cada instante atamos mais o nó, vulneráveis a carregar com cuidado a alma um do outro com a delicadeza de não arranhar a fina proteção que nos impomos.
Perua , deixa de frescura criatura e solta logo a franga!
Para de ficar fazendo drama!
Arruma a juba, a fuça, cola o cílio postiço, bota uma meia arrastão, um batom nesse bocão, um vestidinho descolado, um salto alto dourado e ressuscita!
Larga disso, rapariga!
Vem ser feliz!
Vem contrariada, desanimada, enjuriada, na porrada, mas vem, que tá foda ver você assim tão "nem".
"Descaramuja", sai da casinha e revive, que te ver tanto tempo assim, tá triste!
Muitos encaram a vida como uma encenação e sorriem falsamente. Alguns levam a vida como um drama e vivem chorando. Poucos são os que consideram a vida uma comédia e choram de tanto rir.
“De repente você se vê ali, sem amigos, sem amor, sem felicidade e com bastante drama, pra dar e vender.”
Nem sempre o drama é tragédia, mas toda tragédia é um drama.
Nem tudo que vai bem acaba bem, nem tudo que acaba bem é porque andou bem.
A tristeza pode se instalar no meio de uma festa e a alegria não retorna quando acaba.
Melhores dias não virão quando já tiverem partido.
Quem não faz drama, não demonstra sofrimento, não reclama da vida e não vivencia uma tragédia não ganha colo. A solidariedade humana é seletiva.
Não gosto de drama e muito menos de me obrigar a simpatizar com quem não simpatiza comigo, assim como de ser simpática o tempo inteiro. A aprovação exterior não me amolece e dispenso explicações. Gosto, sim, é de me sentir em paz e de viver todos os dias rotineiros com gratidão e deleite, respeitando as diferenças e convivendo com as divergências. No final, o que me interessa, é a poesia de saber que fiz tudo o devia ser feito e que, com fé e paciência, o meu saldo foi positivo e o meu coração permanece tranquilo.
Super real
Não faço da poesia um drama
Nem da vida uma fantasia
Crie-me num ambiente sem fama
Onde herói não existia.
Caio sem receios no lugar comum
Sem criar nem dizer nada original
Não conheci super-herói nenhum
Cresci num mundo “super real”.
Lá o progresso não tinha chegado,
Lá os poderes eram falhos e normais
Tendo eles seus filhos bem criados,
Heróis de verdade eram nossos pais.
Negou-me, a vida, esta parte.
Talvez pondo outra em seu lugar,
Brinquei com minhas próprias artes
Heroísmo era poder se alimentar.
