Do nada
Caixão não tem gaveta e não vamos levar nada daqui, estamos aqui somente de passagem, pois essa é a regra que apreendemos enquanto evoluímos por aqui no planeta que chamamos de casa!
Quero tudo e não quero nada
O que eu queria ontem
Hoje já não quero mais
Hoje quero viajar, passear, andar
Pois sofrer nas viagens jamais
Passeio na mente assim viajo contente
Para não sofrer novamente
Poderia andar pelas as ruas da cidade
Mas prefiro ir ao shopping center
Visualizando o que não posso comprar
Parando nas vitrines só podendo prometer
Que irei voltar para comprar o que não preciso ter
Quero uma bicicleta maneira para fazer uma trilha
Porque vi que meu vizinho tem
Quero um carro para sair da minha ilha
Para agradar a quem?
Pessoas que nem as conheço
E que nem sabem se sou alguém.
Deus é sempre tão bom comigo !
Quando penso que nada tem mais jeito
ou estou correndo perigo ...
Ele chega em silêncio
me carrega em seu colo
e me aponta um novo caminho .
Sobre perdas e danos
Nem tudo são perdas, nem tudo são danos
Mas entre um e outro
Sempre perdemos um pedacinho do coração
Às vezes também aprendemos, então
Se aprendemos,
Nada foi em vão
Desde que não tenhamos deixado
De demonstrar afeto e bom trato
Porque de tudo que perdemos
Ficam os danos e os ganhos
De tudo que aprendemos
Labirintos Recorrentes
No labirinto do medo
O pensamento
Da menina mulher entra
No labirinto do silêncio
A menina se indaga e passa ao
Labirinto dos motivos
Não entende e todos os caminhos levam ao
Labirinto dos teus braços
Mas tudo o que encontra é o
Labirinto da tua ausência
Um sonho
Tudo é ausência
Tudo é silêncio
Tudo é medo
Tudo é esperança
Tua voz
Tudo
Tua presença
O que ela quer
Teus braços
O seu abrigo
Teus carinhos
Seu anseio
Tua presença
Tudo o que precisa
Teu toque
Um renovo
Teu sumiço
Sempre há explicação
Paciência, ansiedade...
Finalmente uma razão
Uma boa razão...
A razão perfeita...
A mulher
Se sente egoísta
Retoma a esperança
De que adianta?
Logo passa
Pois teu silêncio
Fala mais alto
Grita
E não fala nada
Mas diz tudo
Indaga
O que há de errado
Errático
Freático
Louco
Insano
Necessitado
O amor
Sente a ausência
Grita pra ouvir tua voz
Mas nada
Nem mensagem
Nem ligação
Nem pensamento?
O que há em teus pensamentos?
Aguenta?
Tenta?
Inventa?
Lamenta?
Chora...
Que hora?
A toda hora
Nada...
Nem voz, nem nós
Nem presença
Nem ausência
Nada
Haverá amor?
O labirinto do amor
Cheio de espelhos
Que horror!
Onde estou?
De volta ao labirinto do medo!
Tirem-me daqui, por favor!
Aporia...
(Nilo Ribeiro)
Aporia, palavra interessante,
significa dúvida constante,
é também um verbo marcante
a poria na minha poesia,
mas explicá-la não saberia
quando nada se cria,
a escrita não tem valia,
por isso aporia...
Meu pragmatismo não permite que eu seja menos do que posso e minha personalidade não deseja nada aquém disso para ninguém.
E a sim me planejo, me planejo para o mundo e no final me planejo para o nada. Quero envelhecer como uma árvore bem longe das doenças sociais.
"Eu faço de tudo por você, e nunca se encantou por mim, talvez esse seja o segredo, o nada é o suficiente para você" ...
Élcio José Martins
A INCENSATEZ DO NADA
A vida atribulada,
Meio atrapalhada,
Mesmo toda governada,
Fica algo pra outra jornada.
Pra tudo falta um fim,
Tiro de festim,
Lâmpada de Aladim,
Aspirante com espadim.
Tempero sem sal,
Ego do bem e de mal.
Escada em espiral,
Lapso temporal.
Cheiro de relva seca,
Cozinha sem receita,
Febre de maleita,
À espera da colheita.
Juízo sem juízo,
Lábios, boca e sorriso,
Jardins do paraíso,
Lágrimas de sobre aviso.
Busca de algo, será o quê?
Sem resposta, qual o porquê?
Mas tudo teima em querer,
Quer um novo caminho a percorrer.
Poeira levantada,
Berros da manada,
Camisa suada,
Pedras na calçada.
Porta estreita e selada,
Desvios de encruzilhadas,
Doutrinas empilhadas,
Vestes esfarrapadas.
Honestidades descarrilhadas,
Nádegas sem palmadas,
Cócegas de risadas,
Mandatários de privadas.
O brio sem brilho,
Egos afiados no esmerilho,
Dedos firmes no gatilho,
Pátria mãe perdeu seu filho.
Águas turvas da incerteza,
Contar notas com destreza,
Cueca perdeu nobreza,
Virou baú da esperteza.
Élcio José Martins
Eu vim do nada, eu nada sou, mas quem será?
Meu nada é tudo, foi Deus quem deu, quem vai tirar?
Nada também é quem vive a esnobar
eu sei cantando posso me sentir feliz
Digo cantando o que sinto vontade, o que faço e o que fiz...
E não sei qual a vantagem, em fazer qualquer maldade ou menosprezar alguém
e não sei o que consigo, corro atras do preciso,quero nada de ninguém
Saibam amigos que é assim que eu vivo bem!
Quem dirá que por sempre, não ti conhece
Sabe a verdade desse cosmo e reconhece
Nunca vi ente ou coisa alguma durar tanto
Excelso e durar algumas estações do galanto
Por que a glória só conheci o tempo
Terá ausência mais essa temporada será passatempo
Explorar um tal, e novidade é amor e paixão
Mais não será perpétuo, haverá desconexão
Familiares sua linhagem pelos séculos se perderá
De tudo que um dia conheceu cederá
A mente irá vagar por pensamentos primitivos
E fatalmente deixara detalhes intuitivos
A luz ou as trevas que irão lhe acompanhar
No seu raciocínio irão sugar o seu cunhar
De resto o que fez o deixou de fazer pelo lapso
Vai ficar deixando saudades ou não será capcioso
Perpetuidade só nas palavras, isso irá se sepultar
E um novo ensejo irá vim sim fixar para reinar.
