De Repente Nao mais que Derepente
Uma coisa te vou dizer: se quiseres conhecer bem uma pessoa, tens de te zangar uma vez com ela. Só então é
que podes julgá-la.
EM TODOS OS JARDINS
Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.
Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.
Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo.
Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens.
– Adeus – disse a raposa. – Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
Nota: Trecho do livro "O pequeno príncipe" de Antoine de Saint-Exupéry. Link
E sou já do que fui tão diferente
Que, quando por meu nome alguém me chama,
Pasmo, quando conheço
Que ainda comigo mesmo me pareço.
Vivemos numa época pós-tudo.Pós Marx,pós Freud, pós Kelsen.Alguns de nossos melhores sonhos de juventude não se realizaram.Não vivemos em um mundo sem países,sem miséria.Não soubemos criar ainda um tempo de frtaernidade e de delicadeza.Não há sequer uma boa utopia à disposição.
Agora
já frio o coração
(mas a alma, entretanto, ainda ferida)
resta-me a amarga e silenciosa convicção,
de só tão tarde ter percebido
que nem sequer existi em tua vida.
Aula de piano
Depois do almoço na sala vazia
A mãe subia pra se recostar
E no passado que a sala escondia
A menininha ficava a esperar
O professor de piano chegava
E começava uma nova lição
E a menininha, tão bonitinha
Enchia a casa feito um clarim
Abria o peito, mandava brasa
E solfejava assim:
Ai, ai, ai
Lá, sol, fá, mi, ré
Tira a não daí
Dó, dó, ré, dó, si
Aqui não dá pé
Mi, mi, fá, mi, ré
E agora o sol, fá
Pra lição acabar
Diz o refrão quem não chora não mama
Veio o sucesso e a consagração
Que finalmente deitaram na fama
Tendo atingido a total perfeição
Nunca se viu tanta variedade
A quatro mãos em concertos de amor
Mas na verdade tinham saudade
De quando ele era seu professor
E quando ela, menina e bela
Abria o berrador
Ai, ai, ai,
Lá, sol, fá, mi, ré
" Último Pedido "
Vida, que tanto me deste
e que eu, desajeitado ou louco,
por tédio, por orgulho ou por cansaço
quebrei, gastei, perdi...
Bem sei que não tenho direito
a nada esperar de ti,
- entretanto, ouve-me ainda, como se ouvisses
o último pedido de um condenado,
sem te importares se te maldigo:
- arranja-me um outro amor, maior que aquele,
e pior que aquele até, bem pior que aquele!
Seja este o meu castigo!
Esse tempo todo eu tenho vivido para o meu tratamento, em vez de me tratar para poder viver. E eu quero viver.
Parece coisa de louco
Como explicar na verdade
Que o amor, que durou tão pouco
Me doa uma eternidade
E, DE REPENTE, CINQUENTA!
E, de repente,
Um susto!
A idade,
Sem avisar,
Veio
Chegando
Pra ficar,
Trazendo,
Em sua bagagem,
A fadiga
De uma viagem,
Mas trazendo,
Também, a alegria
De viver bem
Cada dia.
E, de repente,
Chegou!
A idade
Em mim
Se instalou,
Tentou fazer
De refém
Quem viveu
Plena
E além,
Além do que foi
Combinado
Ou do que era
Esperado.
Sem aviso,
Ou retardo,
A idade
Me alcançou,
Chegou-me
Bem,
Sutilmente
E invadiu
Minha mente,
Fazendo-me
Refletir
Na vida
Que eu vivi,
Vivendo
Intensamente
Tudo o que quis
Corpo e mente.
E, de repente,
Cinquenta!
Nem tudo
Primavera,
Também
Nem tudo
Quimera.
Cinquenta
Anos chegados
Com histórias
De assombro
E de agrado.
Cinquenta
Tons
Diferentes
Me tornaram
Quem sou
Realmente:
Uma mulher
Que é de fibra
E que aceita
O que lhe traz
A vida!
Agora
Já não é mais,
Já não é
Mais
De repente!
Agora são
Cinquenta anos
De espírito,
De corpo
E de mente!
Cinquenta anos
Chegou!
Os cinquenta
A mim
Me alcançou.
Domou
Por inteiro,
Completo
Este meu
Corpo inquieto.
Seja bem vindo,
Cinquenta!
Chegue e
Fique à vontade!
Te recebo
Com toda
A alegria
Que bem
Me trouxe
A idade.
Faça de mim
Tua casa
E me habite,
Como deve ser.
Te dei a
Prerrogativa
De fazer bem
Meu viver!
Saiba, porém,
De antemão,
Que sei bem
Como a ti
Receber,
Que também,
Nesta idade
Que chega,
Vou fazer
E acontecer,
E te aviso,
Com antecedência,
Pra não te pegar
De surpresa,
Que por mais
Cinquenta
Eu espero,
Pra viver
Com toda
A grandeza 🙏🏻🙏🏻🙏🏻!
Nara Minervino
Dedicatória:
Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas.
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