De Repente Nao mais que Derepente
Você nunca mais poderá estar lá
Mesmo estando nas quaresmas
As mesmas coloridas
Granulosas, do início das nossas vidas
Hoje surge um novo Sol
Sendo ainda o velho Sol de sempre
Daquela hora linda, mas que a gente esquece
Quando Deus criou o acaso
E a semente germinou num vaso
Como coisa que acontece
Como talvez nunca mais
Nem natais, nem carnavais
Dois dias iguais na semana
Pensamento que perdura
De um momento que se nega
e que nunca acontece
Uma rede de pescar, correnteza levou
Deixando a saudade de olhar
Que de olhar se via
Eram horas iguais no mesmo dia
Onde eu estava e pra sempre vou estar
Fica a escassez de detalhes a esbanjar riqueza
Pra sempre estaremos ausentes
Fica aqui a dor que se sente e pela qual se vive
Igual a tudo que se foi
Mesmo sem jamais ter sido.
Edson Ricardo Paiva.
Penso em amigos
Aqueles desconhecidos
Que nos são às vezes próximos
E que conhecemos mais que a nós
Porque somos como as andorinhas
Que não voam sós
Mas só nós, que temos corações vazios
Como os céus matinais, que são só azuis
Azuis de tão vazios, frios, claros, sombrios
Caros amigos distantes
Que cruzam o céu do pensamento
Como andorinhas que cruzam a azul por momentos
Eu nem sabia que podiam voar tão alto assim
Quem sabe a gente se encontre
Lá no fim do caminho profundo
Nos fundos desse claro infinito
Vazio, infinito e azul crescente
Num traço descendente e meridional
Onde não existe espaço para o vazio da solidão
Vidas tristes, amiúde
Olhos rudes, apertados, mirando uma linha
Eu não sabia que voassem tão alto
Mas sempre atentei para o fato
De, amigas ou não
Jamais voarem sozinhas
Quem sabe elas também não conheçam
As amigas de jornada
Mais que a si mesmas
Sobre quem não sabem nada.
Edson Ricardo Paiva.
Eu te prometo nunca mais
Te prometer mais nada
Vou te buscar detrás das nuvens
Causar-te pressa de voltar pra casa
Motivo pra essa vida
Eu te prometo:
Nunca mais vou te fazer promessa
Serei tua prece atendida
Quero ser coisa boa e boba na tua vida
Invisível, como a flor colhida
Estar em cada pequena alegria
Ser o começo e o fim do dia
No pôr do sol, no recreio
Na lembrança, o tudo que não volta
Na saudade, o todo que não veio
Porventura houvesse
Em tudo eu recomeçaria
Ser teu telhado, guarda-chuva, escudo
Encabeçar a lista da melhor lembrança
O suor que conquista
Colocar você no escrito do poema
E, se deixar-te
Deixar-te algo bonito pra dizer de nós
Estar naquele canto que ficou vazio em minha ausência
No frio que virá veloz...sem pressa.
Edson Ricardo Paiva.
Os passos que se ouvia
Eram tanto, eram muitos
Porém, jamais suficientes
É preciso um pouco mais que isso
Não bastasse Deus aparecer num sonho
A face oculta da noite nada apagou
O compromisso ali firmado não valeu
Eram tanto, eram muitos
Eram todos do outro lado
E, se houve porventura, algum laço
Esse, há muito foi rompido
Sigo só no meu caminho
Na graça de Deus, esquecido
Foi preciso um pouco mais que eu
E muito menos de mundo
Face oculta e breu
Passos na calçada
Vozes que não mais se escuta
Uma espécie de conhecimentos
Cujos quais...careces
Casas, cujos nem telhados
De longe de vê
Lugares onde nunca estive
E nem nunca irei
Esqueça a vida e cresça
Há muito a vida esqueceu você.
Edson Ricardo Paiva.
Um Lugar Chamado Nunca Mais.
Nenhum de nós jamais
Conseguiu reter pra si
Sequer a própria presença
Olhe a sua imagem refletida
Nas águas desse rio da vida
Enquanto ele evapora
E que carrega a tudo que hoje tanto preza
Ninguém jamais teve palavra que resuma
Nem desenho que descreva
O que se esconde atrás do nevoeiro
Nada, além de brumas
Até que a veja de frente
Até que seja tarde pra saber
Um dia essa melancolia leve
Vem, bem de repente
Leva embora noites de tristeza
Tardes de alegria
Pra um lugar chamado nunca mais
Por mais que se pretenda
Tudo é feito pra viver
No dia que amanhece, alegre ou triste
Não existe tempo que se prenda
O mundo é feito de algo igual ao ar que se respira
Você sempre poderá voltar e perceber
E lugar nenhum jamais terá guardado
Um pôr de sol sagrado, um dia do passado
Tudo reinicia novo e novamente
E você nunca o poderá trazer de volta
A gente é que deixou passar
Tornar-se, então, deserto e mudo
E, dessa vez, distante
Começou a deixar de ser o que era
No momento em que você deixou que fosse
Pois, na verdade, de outra forma não podia ser
Um dia terá sido sempre a última vez
Só que dessa vez
Você não terá sequer percebido
O ruído dos seus passos
Abraços perdidos
Olhos, cujos teus olhares nunca mais verão
Olhares, que de tão indiferentes
A gente não guardou nos braços, nem no coração
Passos se afastavam lentamente
Até que, então, silenciassem
Num fluxo constante, instante após instante
Lembranças de um passado que desbota
Algumas alguém lembra
Tudo mais é coisa tão desimportante
Que ninguém sequer nem nota
Nem pensa em tomar nota
Tudo é a própria imagem refletida
Nas águas do incessante rio da vida
Coisa que não se represa
Ela evapora e chora e chora
Como o ar, que se respira e se renova.
Edson Ricardo Paiva.
Num lugar que ainda existe
Onde nunca mais voltei
Onde eu acordo todo dia
Sem flecha apontada
Nem pra nós
Nem pela gente
Noites de fogueira
e festa e fada e bailarina
e sonhos
Todo dia era essa noite
Esse lugar havia
Mas a gente precisou buscar
Alguma coisa
Que não tinha nome
Que não tinha lá
Que estava num dia
Que não tinha nascido
Talvez fosse melhor assim
Muitas folhas vão morrer
Antes que o fruto de uma árvore
Também possa cair e apodrecer
Não por nós, nem pela gente
Faz parte de um outro ciclo
E de uma outra verdade
Não muito poética
Mas gera sementes
Numa duradoura espera
Por olhares de monge
Que não tinha nome
Que não estava lá
A procura de um tempo
Que ainda ia nascer
Que tivera de partir
de algum lugar pra onde
Nunca mais voltou, partiu pra longe
Mas pelo resto da vida
Trouxe uma velha paisagem no olhar
Onde, nela amanheceu
Até seu último dia.
Edson Ricardo Paiva.
Quais serão teus pensamentos?
O ato de compreender
É tão ou mais importante
Que o fato de te dizer
Aquilo que no final
Parece que não foi dito
Apesar de parecer
Não equivale ao escrito
Centelha de vida
Orelha mouca
Pouco divaga, ideia vaga
Ovelha que bale, diz mais
Quais serão seus pensamentos
Creio eu, serão iguais
Se pouco puderes
Deixar os teus pés flutuarem
Ao ouvir a voz do vento
Pedir pruma estrela o desenho
Se não tenta entender
Que, apesar do alicerce
Os céus se movem
Fecha os olhos pra enxergar
A arte de menino arteiro
Em parte foi, talvez, a única
Que me creditaram por inteiro
Há muito tempo
Aquela parte
Sobre dizer o que não foi dito
Que te é ilícito
Que te não parece implícito
Que cresce como o cinzel
Que desvenda o vulto
Oculto a sorrir-te
Detrás do monólito
Num grito inaudível
Lançado ao possível
Este acorrentou-se
Aos braços do impossível
E lá permaneceu
Deus, que prescruta-lhe a alma
Bem sabe...
A ovelha que bale, diz mais.
Edson Ricardo Paiva.
Mais que o caminhar.
Pensar
Tirar pedaços
do espaço incompleto
Imaginar-me
Somente imaginar
Lembrar de todo faz de conta
Quando mesmo o próprio ar
Chegava a ser concreto
Em que a chuva no terraço
Era um laço com o poético
Toda espera era esperança
E que pensar na vida
Era viver sem precisar
Pensar na vida
Era somente imaginar
Sem questionar a distância de um passo
Mas a vida não era assim
Era a gente que era
E quando a chuva passa
Vem a hora da ciranda
Varanda inocente, gente rindo
A gente ria sem sequer lembrar
Tudo era graça
Era engraçado o querer esquecer
Do que nem tinha certeza
Seguir sempre e nem sempre saber
Que o caminho era importante
Mais que o caminhar até
Esse, o tempo o faz sozinho e à pé
Hoje, todo mundo tão repleto
Tudo tão completo de ares concretos
Esquecidos de pensar
Tá tudo em seu lugar, tá tudo certo
Tão certo quanto a gota d'agua
Que evapora na roseira
Quando a chuva passa
Certamente ela passa
Pois, não mais existe
Aquele lado imperfeito, poético
E todo mundo é cético a seu jeito
O velho contrato firmado
Perante o abstrato
É velho, é só isso
Vale o visto
Quem manda é a ciranda do tempo
E seu ar inocente
Um a um
Sem pensar, nos engolindo.
Lindo, veja:
Ela vem vindo!
Edson Ricardo Paiva.
Feridas.
De tanto viver em descompasso
O dia é sempre um dia e nada mais
Pensar no amanhã, jamais
Sem lugar pra voltar, sem abraço
De viver eternamente
O mesmo passo a passo
Era somente a vida e o estar vivo
Era ser pra sempre
A própria ferida
Todo dia o mesmo curativo
Transpondo as pedras que surgissem
Uma a uma, passo a passo
Uma hora, nem percebe, se acostuma
As gotas de chuva na cara
A vida segue...o coração não para
Se é que a gente de vez em quando
Para e olha
As gotas de chuva na cara
Tanto faz se molha
A paz se instala
Os olhos veem, o ouvido escuta
O coração fala menos comigo a cada dia
Sem lugar pra voltar, sem abrigo ou abraço
...e sem palavra arguta
Vou pra onde o vento me levar, não ligo
Não levo um sorriso e nem lágrimas
Nem meu coração não fala mais comigo
Tanto faz, nada faço
Cada dia é sempre o dia e nada mais
Um dia a paz, ela vem e se instala
Nesse descompasso
Minh'alma se cala também
Tem um Deus, também calado
Passo a passo desse dia a dia
Pensar no amanhã, jamais
Trago meu coração em silêncio
Na ferida da vida que eu vivo
Todo dia o mesmo curativo.
Edson Ricardo Paiva.
Tem sempre alguma coisa.
Um dia
Mesmo o coração de olhar mais duro
Lança um olhar à estrada
Depois de muito ter partido
Porque nada a paisagem lhe diga
Quanto ao começo
Tem sempre um pedaço que fica
Esse é o preço da vida
Num mundo onde tudo é de graça
Passa tudo, passa o tempo
Passa toda e qualquer ilusão
Não mais me iludo
Mesmo o coração mais puro
Não foge a ter o olhar endurecido
Mesmo que a paisagem lhe diga tudo
Tem sempre alguma coisa que não fica
Porque nada é de graça
Um passo deixa sempre rastro
Um mastro ao longe, uma pegada
Mentira acreditada, conta que não fecha
A estrela errada que te orientou
Tem sempre alguma coisa a ser lembrada
No pouco que se traz ou deixa
Esse é o preço da vida.
Edson Ricardo Paiva
Fale a linguagem popular para que os beneficiados por suas idéias sejam justamente os mais necessitados.
"98 Dias De Gratidão"
Senhor, hoje venho a agradecer por mais um dia de glória, hoje dia 13 De Agosto, completa mais um ano que minha irmã se foi. Os mistérios da vida eu não sei dizer, tantas coisas sem explicação. Mas fico aqui para agradecer por mais um dia de vida e por ter me dado a benção, por eu ter nascido com um ser tão especial, que a sua morada, tornou-se o paraíso.
Finalmente, mais uma vez eu fui a sua vitima, e fui por querer, eu sempre soube.
Estou te demitindo do meu coração, te deletando de qualquer pensamento que esteja o seu rosto, nome ou sobrenome.
Acabou, agora ta definitivamente acabado. Obrigada, você me fez ver o quão boa ainda sou, por até agora ter amado tanto você.
Estou trabalhando duro, estou trabalhando a parte mais significativa da minha vida. O meu psicológico, todos deveriam trabalhar, afinal, quem deve fazer mudanças em sua vida, primeiramente é você.
A beleza exterior é algo que me assusta, umas das frutas mais lindas que eu já vi, estava totalmente podre por dentro.
"Eu sinto o seu pulso, a suas veias, o seu respirar, eu sinto quando tem à mais e quando tem à menos "ar"...
Eu ainda sinto a sua falta... De ar"
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