De Repente Nao mais que Derepente
Cada vez que perdemos um ente querido, nos voltamos para o mais profundo do nosso interior, e escutamos os gemidos inexplicáveis da nossa alma, em uma classe de dor, que somente o nosso espírito tem o dom de interpretar.
E enquanto as lembranças continuam a escrever as nossas histórias, os que ficamos, viveremos apoiados na esperança, de que algum dia, em algum lugar divino , voltaremos nos encontrar ... Em uma vida incorruptível e eterna.
Os anos e os danosme ensinaram a buscar levar uma vida mais tranquila e deixar os fofoqueiros de plantão pra lá.
Um breve poema sobre a Carretera Austral:
A Carretera Austral é mais do que uma estrada; é um poema esculpido pela natureza. Seus caminhos serpenteiam entre montanhas majestosas, florestas que sussurram histórias e rios que dançam livres. A cada curva, o vento carrega segredos gelados de glaciares e o céu reflete o azul profundo dos lagos infinitos. É um convite à contemplação, onde o tempo desacelera e o coração pulsa em harmonia com a vastidão da Patagônia. Viajar por ela é permitir que a alma se misture ao silêncio e à grandeza da terra austral.
Viver na estrada me ensinou a ser mais minimalista. No motorhome, aprendi a valorizar o essencial, a encontrar riqueza nas experiências e nas conexões, e a perceber beleza na simplicidade.
“Fazer trilha é mais que uma atividade, é uma forma de desconectar da rotina e se conectar com a natureza. Cada passo é um convite à liberdade!”
As coisas mais simples da vida, se tornam poesia em movimento.
O calor do sol ao amanhecer, revela a beleza oculta na rotina…
Assim, a simplicidade ganha asas, e o amor nos ensina a encontrar poesia em cada detalhe da vida.
Fazer as coisas com amor é mais do que um simples ato; é um compromisso com a beleza da existência. É encontrar alegria nas pequenas coisas, cultivar gratidão pelos momentos compartilhados e entregar-se de corpo e alma a tudo o que fazemos.
Percorrer caminhos novos é mais do que uma simples viagem… é a construção de memórias compartilhadas.
A cada estrada, descobrimos novos horizontes, enfrentamos desafios e celebramos conquistas juntos.
Os imprevistos se tornam aprendizados, e as paisagens, cenários de momentos inesquecíveis.
Mais do que o destino, o que realmente importa é a parceria, o apoio mútuo e a alegria de explorar o mundo lado a lado.
Afinal, as melhores jornadas não são definidas apenas pelos lugares visitados, mas pelas pessoas com quem são vividas.
Viajar pela estrada é muito mais do que percorrer distâncias no mapa. É sobre cruzar caminhos com pessoas que, mesmo por instantes, transformam a nossa jornada. Algumas aparecem de repente, como se fossem velhos conhecidos que o acaso decidiu nos apresentar tarde demais. Outras chegam devagar, em conversas despretensiosas, e logo se tornam parte do dia a dia, mesmo que por um breve capítulo.
Há algo mágico nesses encontros. Talvez seja o fato de que, na estrada, estamos todos em busca de algo: um destino, uma aventura, ou simplesmente a liberdade de viver o momento. É isso que nos une, ainda que nossos roteiros sejam diferentes. Compartilhamos histórias, risadas, refeições e, às vezes, até silêncios que não precisam ser preenchidos.
Mas a estrada também exige despedidas. Cada “até breve” vem carregado de esperança e saudade. Sabemos que os caminhos podem nos afastar, mas também aprendemos a confiar nos reencontros inesperados. Porque, na estrada, as partidas não significam finais; elas abrem espaço para que a vida siga seu fluxo, com a promessa de que as melhores conexões sempre encontram um jeito de se cruzar novamente.
E assim seguimos: colecionando histórias e pessoas, carregando em cada despedida um pedaço do outro e deixando algo de nós por onde passamos. Porque é isso que torna a viagem tão inesquecível.. não são apenas os lugares que visitamos, mas as almas que nos encontram pelo caminho.
Este é novo
O mais completo
Vem de dentro
Pensamento
Rasga a carne
Em versos
Deixando claro
O dizer da alma.
Num vil pensamento
O olhar é perdido
Descartando explicações
Construindo muralhas
Passos são desnecessários
E os caminhos são incertos
O Encontro no Ônibus
Estava eu, mais uma vez, indo para a casa de minha avó. Para tanto, preciso pegar dois ônibus ou ir a pé até o ponto do segundo. Com muita cautela, vou. Passo atenciosamente de rua em rua, esquivando-me das esquinas como quem evita lembranças indesejadas.
Decido ir a pé. Chego ao segundo ponto um pouco cansado, o corpo denunciando a caminhada, e logo vejo meu ônibus se aproximar. Entro, pago e me assento. Como em qualquer outro dia, encaro a janela como uma tela em branco, onde os cenários passam rápido demais para serem compreendidos. Imagino tudo, porém nada de importância.
Um bairro se passou quando sinto um toque no braço, leve como o roçar de um galho ao vento. Vinha de alguém que se assentava do meu lado direito. Penso que foi apenas um esbarro casual e volto ao meu devaneio, mas novamente sinto. Dessa vez, decido me virar e entender o que estava acontecendo.
Era uma senhora, pequena e franzina, de mãos trêmulas e olhar perdido. Tentava, com delicadeza, chamar minha atenção. Algo havia de diferente em seu olhar — um brilho úmido que parecia conter todo o peso do mundo. O marejar de seus olhos já me inundava, e antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela segurou minha mão com firmeza, como quem busca âncora na tempestade.
Sem dizer uma palavra, ela apenas suspirou fundo, como se aquele gesto contivesse anos de histórias acumuladas. Seus dedos enrugados e frágeis envolviam minha mão como se segurassem um último pedaço de esperança. Por um instante, o mundo se reduziu àquele toque, e o barulho do ônibus se tornou um murmúrio distante.
Aos poucos, seus lábios se abriram, e num sussurro quase inaudível, ela disse:
— Você se parece com meu filho...
Houve um silêncio denso, como se o universo contivesse o fôlego. Não sabia o que responder, e talvez ela nem esperasse uma resposta. Apenas segurava minha mão, fixando o olhar num ponto indefinido do corredor.
— Ele partiu faz tanto tempo... — murmurou, com a voz quebrada pela saudade.
Um nó se formou na minha garganta. Respirei fundo, sentindo o peso daquele instante. Então, num gesto instintivo, apertei a mão dela com carinho e disse:
— Eu estou aqui... Pode me contar sobre ele, se quiser.
Ela pareceu surpresa, como se aquela simples oferta fosse um presente inesperado. Seus olhos marejados se voltaram para mim, e um sorriso tímido despontou, como um raio de sol por entre nuvens carregadas.
— Ele tinha esse jeito quieto... sempre olhava pela janela, pensativo. Gostava de imaginar histórias. E quando eu estava triste, ele só segurava minha mão, como você está fazendo agora.
Senti meu coração pulsar mais forte. Eu não era apenas eu — naquele instante, eu era um fragmento de memória viva. Ela continuou falando, e a cada palavra seu rosto se iluminava, como se a lembrança trouxesse o calor de um reencontro.
— Ele dizia que as nuvens eram mapas de terras mágicas — disse ela, sorrindo leve.
— Sempre acreditava que, se prestássemos atenção, descobriríamos um caminho que só os sonhadores enxergam.
Sorri também, e sem perceber, comecei a compartilhar minhas próprias memórias de viagens e pensamentos perdidos olhando pela janela. Ela escutava atenta, como quem encontra companhia na dor e na saudade.
Quando o ônibus freou bruscamente, ela soltou minha mão com delicadeza, como se devolvesse à realidade o que fora apenas um breve consolo. Antes de descer, olhou para mim com um sorriso pequeno, mas sincero, carregado de um agradecimento mudo.
— Obrigada... Você me fez lembrar que o amor não morre... Só se transforma em saudade.
Olhei para ela e, com um sorriso sincero, respondi:
— Talvez ele ainda segure sua mão... de algum jeito, através de quem traz um pouco dele no olhar.
Ela desviou o olhar por um momento, tentando conter as lágrimas. Mas quando voltou a me encarar, havia uma serenidade nova ali, como se minhas palavras tivessem encontrado um canto acolhedor dentro dela.
Fiquei observando-a partir, pequena e delicada, desaparecendo na multidão. O ônibus seguiu viagem, mas aquela sensação permaneceu em mim — uma mistura de melancolia e gratidão por ter sido, ainda que por poucos minutos, um porto seguro para alguém que precisava ancorar suas lembranças.
No caminho até a casa de minha avó, pensei sobre a força que existe em simplesmente estar ali para alguém. Às vezes, somos chamados a ser companhia em meio ao tumulto da cidade, como se a vida nos empurrasse para encontros que não esperávamos, mas que, de alguma forma, precisávamos viver.
E ali, entre a dor e o alívio, aprendi que às vezes somos porto, outras vezes somos naufrágio — e, no intervalo entre os dois, a vida nos permite tocar o coração de um desconhecido, deixando nele um pouco de calma, e levando conosco a certeza de que a humanidade sobrevive nos detalhes.
O que mais tem no Brasil é Rei: Rei do Azulejo, Rei do pastel, Rei da pizza, Rei do espetinho, Rei do queijo, Rei do cobertor. É tanto Rei que ja vi do pé-de-frango. Parece que tem mais Reis do que súditos.
O amanhecer é mais belo quando despertamos e vemos uma borboleta sobrevoando uma flor cor violeta estampados em uma tela cheia de curvas.
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