Dança
Já dancei pela casa imaginando você ao meu lado, e se às vezes parece esse o nosso único destino, outras vezes parece impossível.
Voltei, dona.
Voltei, eterna senhora.
Perdoe a longínqua espera
Perdoe a longínqua demora
Jamais deveria ter partido dos seus braços
Sois a unica musa que se prestaria a me amar
Mas mentiria acaso dissesse à ti
Que foi por querer o meu voltar
Desci de meu castelo, de sua eterna companhia
Recorri à realeza de uma nobre bailarina
Pobre de mim por acreditar
Pobre poeta, iludir-se a sonhar
Sois a unica que se deita em meu leito
E não me incomoda olhar teu olhar ao despertar
Sois a unica que me conforta
Sois vós quem irá me matar
Solidão, perdão.
Volto à ti
Eterna companhia da minha valsa
Que outrém jamais saberá dançar.
Música
Sons de toda a parte
Pedaços de música espalhados
Ruínas milenares que cantam
O som fraco do passado
Tudo cerca em canção
Eu controlo minha emoção
O ruído que me desintegra em
Carne cantante e exuberância
Salto dançante rumo ao salão
Passo largo junto à dama
Tudo em sintonia formando a armação
Aos olhos dela que me chama
Um fim pretensioso
Num momento milagroso
Nossos corações se unindo
Diante a mesma música surgindo.
Um carro velho que emitia muito monóxido de carbono. Velocidade abaixo do permitido naquela via rápida. Ainda ouvia fitas de um velho rock and roll. Óculos escuros para evitar o sol de frente no final da tarde. Cabelos que balançavam com o vento gelado do inverno. Finalmente noite para libertar a energia acumulada o dia todo como se fosse bateria recarregável. A pista, uma boca bem desenhada, olhar sedutor e qualquer corpo bastavam.
Um estúpido - como diria a música - cupido que causava buracos feito cupins na madeira. E uma paixão por alguém, depois por algo, para preencher aqueles espaços vazios uma vez por semana. Dez lances de flechas erradas. Mais de mil recordações.
Sintonia fina. Garçom, por favor, dois copos de atitude. As luzes cansavam a visão. O barulho, antes música, depois apenas ensurdecedor barulho que irritava os tímpanos. Nada tão bonito que não pudesse esquecer, exceto seus sapatos de salto comprados especialmente para ocasiões como aquela, então levados em mãos e largados no mesmo carro – calhambeque – num momento de completo delírio causado pelo etílico das bebidas. Achou-se Cinderela. E foi na busca por achar-se que tantas vezes se perdeu.
Cinderela de profundas olheiras. Cara borrada pela maquiagem comprada na farmácia. Corpo suado. Enfim, só. De frente para ela mesma num reflexo confuso que sugeria ser mais bonito do que realmente era. As fotos espalhadas pelas paredes pareciam sorrir. Pareciam. Acessórios de camelô. Decoração barata. Moradora de apartamento de um canto pobre da cidade.
Ainda assim habitante do mundo e um mundo que habitava nela. Como todo mundo. Amiga dos versos, das poesias tortas, das músicas dançantes, dos cupcakes e dos gostos amargos do amanhecer. Passagem pelo hospício. Mas para quem foi dado o direito de julgar? E como chamar alguém de louco na era do politicamente correto? Pensamentos viraram questionamentos que careciam de respostas para todo o sempre. Despiu-se. Despiu a alma também como um atentado violento ao pudor.
__ Louca. Crazy. Crazy. Crazy!
Dizia para si mesma como tapa na cara em frente o espelho.
Transtorno Obsessivo Compulsivo foi o último diagnóstico. TOC. Toque. Vícios? Possuía muitos. Principalmente os de linguagem.
__ Perdoe-me pelos mal conjugados verbos.
Desculpou-se em oração.
E depois, sem fôlego para mais uma dança e cansada por não conseguir parar de pensar, deitou-se. Adormeceu. Sonhou e encontrou um mundo distante do seu. Mesmo assim eloquente. E o relógio mais compulsivo e transtornado então despertou.
E despertou. E despertou...
COMERCIAL DE MARGARINA COLETIVO
.
Em uma quarta feira qualquer
Juntei palavras em um texto que mudaria a vida
Colei madrugadeira pelos muros da cidade.
.
Amanheceu.
Quem leu, boquiabriu
A lavadeira deixou a trouxa cair
O ciclista por pouco não trombou no poste
A correria foi tanta
Que ventou nas saias das meninas
O semáforo piscando feito luz de Natal
O rasante do pássaro assustou o guri
Que caiu para trás com o peso da mochila
O caderno se abriu
E folhas escritas bateram asas naquela direção...
Nuvens escuras foram se despedindo
O sol morninho arrancou suspiros e agasalhos
(Os ousados despiram também outras partes)
Moças desprenderam cabelos, retocaram batom
O casal tímido resolveu se abraçar
A senhorinha girando a bengala no ar
Uma música começou a tocar... Aaah!
.
E em uma quarta feira qualquer
(Se contar ninguém acredita)
O tempo parou, o povo dançou
E por um minuto eterno a tristeza se foi
Em fileiras sincronizadas
Mãos levantadas, corpos embalados
No compasso da música
Uma chuva multicolorida caiu do céu
Cada gota pintava o cenário
Um sabor diferente em cada cor...
Línguas de fora, braços em ondas
Toda dor subindo, girando em espiral
Desconhecidos se abraçaram
Pretos, brancos, ricos ou pobres
Motoristas estacionando os carros
A vaidade, os falsos pudores, a vergonha
Arrastados pela enxurrada multicor
Sorrisos escancarados, mãos dadas
Ritmo que todo mundo sabia de cor
.
E em uma quarta feira qualquer
(E pela primeira vez na história)
Um comercial de margarina coletivo
O ódio, o rancor, a inveja, a desumanidade
Feito lagartixas cascudas subindo os muros
Explodiram como pipoca em óleo quente
Desabrochando flores perfumadas
Confortando o coração de toda a gente...
Geralmente não fazemos o que temos vontade, e sim, prosseguimos conforme o andar da carruagem e nos entregamos ao dançar conforme a música. Sempre, como bons e velhos piolhos censurados pelo próprio vulto.
Eu, Tu, Nós.
Ele tem uns olhos...
Ah, uns olhos que sorriem
Sempre que encontram os meus.
Aqueles olhos que refletem luz
Olhos que conversam, que enamoram
Que encontram morada quando pousam em mim.
E tem um sorriso
Ah, o sorriso
Que me emudece, me aquece
E me faz esquecer de tudo que não me apetece.
Ele produz carinho nas palmas das mãos
E salpica um pouquinho em mim
Várias vezes ao dia.
Ele me oferece a palma
e eu sinto minha alma repousar
Leve, confiante, tranquila.
Ele tem pés que parecem dançar quando encontram os meus
E mesmo sem saber, se entendem, se atraem...
Nessa dança? deixa o amor conduzir.
Que vida louca é essa
Em um dia você é um, em outro é 2 em 1
Um dia é só silêncio
Em outro a gente se descontrola
Gritando ao mundo um amor que não cabe na gente.
Em um dia a gente se assenta sério e sóbrio,
em outro a gente enche a cara até cair,
De todo aquele riso frouxo que não deu mais pra segurar.
Se preciso a gente se reveza entre calma e tempestade,
Entre choro e consolo,
Sem nunca deixar de ser paz ou porto seguro.
E apesar daqueles dias que a saudade aperta a gente,
Bom mesmo é se apertar no abraço
Até não caber saudade.
E quem diria...
Que dois corações tão distantes
Um dia se encontrariam
pra bater assim tão sincronizados?
As vezes me perco
as vezes me acho
no meio do embaraço
Como pode duas pessoas pensar assim??
Será que vivem no mesmo corpo
dividem a mesma alma?
têm tantas coisas em comum
ao ponto de se tornarem um?
O seu jeito é o meu jeito
sua fala é a minha fala
a sua sinceridade é a minha sinceridade
a cada dia que passa te amo de verdade
Um dia ele postou um casal dançando
em uma cadeira de rodas
e ela já havia separado uma imagem de um casal a dançar
meu Deus como pode duas pessoas assim tão bem se completar
Um encontro de dois poetas
com ideologias tão completas
Sentidos
A música toca e eu a vejo;
Enxergo seus ritmos e melodias,
Mas, quando sinto a fotografia,
Cheiro as suas formas.
A dança movimenta-se e eu a ouço:
Escuto seus passos e compassos,
Acompanho sua leveza com os ouvidos
Que rasgam o som da brevidade
Entre o céu e o mar.
O livro se abre e eu respiro letras,
Alimento-me de sons,
Visto-me de fotografias imaginárias,
Visualizo músicas e ouço a dança que vem das palavras.
Faça com que a sua vida seja sempre esfuziante e que todos os momentos sejam também vibrantes, como um lindo jardim de flores coloridas e ao vento, dançantes...
O sorriso é o convite de um coração em festa. A lágrima, a despedida de um espírito que não se permite mais dançar.
Dance que dance
Pra lá e pra cá,
Um giro meu bem,
Faz um bem pra danar.
Estou esperando vc enfeitar,
Bote a sapatilha
E bora dançar =))
Insta: @li.fer.nanda
Um abraço apertado
Um baião bem riscado
Pés descalços na terra
Felicidade eterna
Coração ta lacrado
Delimitado em VC
Extreitando o espaço
Querendo dançar com VC
Insta: @li.fer.nanda
Forró =*.*=
=*.*= Amor que nasce e dá nó nos pés =)))
Que amor é esse que só faz crescer !
Feliz aquele que de forró enlouquecer ;-)
Insta: @li.fer.nanda
Mande aquele sinal
Eu vou
Solte aquele sorriso
Amor
Eu te quero comigo
Sim
Tu és especial pra mim
Um abraço apertado
Um baião bem riscado
Pés descalços na terra
Felicidade eterna
Coração ta lacrado
Delimitado em VC
Extreitando o espaço
Querendo dançar com VC
Sou assim
Simplesim
Somos assim
Só carinhim
=))))
Insta: @li.fer.nanda
Seus olhos estão no meu coração. E é de lá que eu enxergo tudo novo e mágico, que o mundo me apresenta. Sua voz dança dentro de mim. E é de lá que saem frases das quais quero sempre ouvir. Porque o amor mora em nós! Sua força de vida me chama pra sair. E é de portas abertas, casas sem muros, estradas sem ter fim que eu caminho ao seu lado. Porque o amor está em nós! Somos silêncio que fala. E é de lá que todo sentimento começa, através de um querer absoluto, de uma vontade inconteste de ficar em você. Porque descobrimos para onde vamos, quando o sorriso é sem motivo, o pensamento é direcionado e as lembranças tão vibrantes de nós se manifestam involuntariamente. E é de lá que se cresce o mais puro amor. E é neste lugar, num delicado sentir - você em mim -, que eu quero pra sempre existir.
"Hoje numa conversa com um amigo meu, me peguei lembrando uma conversa que tive com minhas alunas, e acabei dizendo que nunca havia me apaixonado de verdade. Só que então conversando sobre dança e profissão esse meu amigo fala que eu sou apaixonada por essa minha profissão. Foi então que a ficha caiu, eu sou apaixonada desde que eu entrei pela primeira vez numa sala de ballet clássico a 10 anos atrás.
E essa paixão é um fogo que arde cada vez mais, e é uma paixão ou como penso um amor, que nenhum homem poderá me dar. Pois, a dança pulsa dentro de mim como minha própria vida."
Minha paixão por essa arte aumenta a cada dia, é como uma chama acesa. Nem que eu leve a vida inteira, mas eu chegarei lá, não é muito difícil, mas eu quero mais, mais e mais. É como se eu não conseguisse viver sem... Dançar!
A música parou antes do fim da festa. Ela ficou estática no meio do salão vazio, perdida no compasso do silêncio, sem ponto de partida nem de chegada, sem armas no meio da guerra. Restava-lhe escutar os passos da solidão que avinagrava as lembranças boas com a acidez da separação. Sabia que só poderia ser daquele jeito e mergulhava num abismo irreversível de descrença naquilo que um dia acreditou. Não havia remédio; nada mais remendaria aquela taça quebrada, então precisava não ser, não sentir, até que a vida a tirasse pra dançar outra vez.
