Cronica de Graciliano Ramos
Crônica
O que seria dos homens se não existissem as mulheres?
Se existe algo complicado nessa vida, principalmente para muitos, é aceitar a verdade, para nos homens então, ES uma tortura. Principalmente se a verdade é admitir que sem as mulheres; não somos nada. Pois como vamos admitir algo dessa magnitude, sendo que na maioria das vezes, ou melhor, o tempo todo; achamo-nos os donos da verdade, os Donos da situação, o faz tudo ao mesmo tempo não faz nada, os verdadeiros Bam, Bam, Bam.
Mas a verdade, a mais pura e cruel realidade, que nós homens não somos nada sem uma mulher do nosso lado. Usamos inúmeras desculpas para tampar o sol com a peneira, o fato é que sem vocês mulheres do nosso lado; perdemos a estribeira. Por um simples motivo, somos dependentes a vocês.
E essa dependência nos faz fracos, a ponto de sermos românticos, compreensivos, absolutamente tudo, tudo que vocês mulheres dominadoras querem de nós homens indefensos, e mesmo assim somos orgulhosos, a ponto de acharmos os donos da razão, mais que razão? Pura fachada.
Sem vocês mulheres, nós homens não somos nada, essa é a nossa vida, essa é a nossa sina. Viver uma vida toda para conquistarmos vocês mulheres, que veio a este mundo para nos dominar, nos torturar. A final de contas, como podemos dizer que somos nós homens que as conquistamos, sendo que a ultima resposta a mais decisiva se aceito ou não sempre são elas que dão.
É melhor pensarmos assim, do que ficarmos como descartados, deixados de lado nesse verdadeiro jogo de conquista, pois se pararmos para analisar é elas de fato que nos conquistam, desde o principio, desde que o mundo é mundo, desde o ventre.
As mulheres se fazem presente, dominadoras, acolhedoras, imponentes, capazes, autos suficientes, a ponto de demonstrar um amor que jamais saberemos como retribuir. Por esse pequeno detalhe, definitivamente nos conquista por inteiro, deixa-nos em suas mãos, sem objeção, mulheres de fato vocês que mandam e desmandam na nossa vida e no nosso coração.
Pois nossa vida não teria graça nenhuma sem vocês, que embelezam a vida com sua aura com seu amor, nos enche de coragem nos faz sentir superiores. Isso porque vocês sempre foram nossos condutores, e mesmo assim não damos o seu devido valor.
Pois vocês mulheres, que fazem a diferença, as coisas entrarem no eixo, é difícil nós homens comentarmos algo a respeito, muito menos dizer diretamente para vocês, mais o que seria da nossa vida ou até mesmo do mundo sem as mulheres? Já parou para pensar nisso? Então comece exatamente hoje a pensar a respeito, depois me digam a verdadeira resposta. O que seria dos homens se não existissem as mulheres?
Eu já sei a minha, agora só falta a sua. Até a próxima.
O trabalho danifica o homem
Não, você não leu errado, o título dessa crônica está correto. Brinquei com um ditado popular que todo mundo conhece, até confesso que concordo com ele até certo ponto, mas existem as entrelinhas e são nelas que mora o problema.
Ninguém é maluco aqui de invalidar as benesses que o trabalho nos proporciona, na verdade os frutos do trabalho, todo mundo precisa comer, se vestir, se divertir e ter uma vida digna. Porém, há coisas obscuras, mas nem tão obscuras, elas estão “na cara” como falam por aí. Sensações que todos possuem, mas que mantemos guardadas porque o status quo não vê com bons olhos quem reclama, quem fraqueja, quem admite suas limitações.
De tanto trabalhar para ganhar a vida estamos perdendo a vida para o trabalho, jornadas extenuantes e esgotamento tomam conta de nós. Um nome chique para algo hediondo “Burnout” que em bom português significa que o seu trabalho está te mantando.
Cansaço, irritação, desmotivação e estresse crônico são alguns dos sintomas desse mal que assola muitos trabalhadores. No início a pessoa acredita que é foi só uma preguicinha que lhe acometeu, uma indisposição. Mas, como uma bola de neve a situação aumenta e fica insustentável, nosso corpo pede socorro.
Eu sempre brinco e digo “a espécie humana foi feita para catar umas frutinhas, comer e depois tirar um longo cochilo seguido de um banho de igarapé”. Nosso corpo clama para que voltemos a nossa origem.
Crônica sobre a Literatura Portuguesa
Herdaram o mito a poesia e o drama, são todas às experiências da humanidade, que se transformaram em literaturas curriculares ou grandes livros que são difundidos na forma do criacionismo. As experiências da humanidade são materiais da cultura dos povos, por meios descritos ou imaginários. Assim se fez o homem, a memória a fé a crença e as experiências até a morte. A morte leva o homem ao sufoco pelo clarão do fogo ou pela coroa d’água, mas não pelo entendimento. Não existindo a presunção da morte nem a passagem dela existe; o que existe é apenas o imaginário do inicio e fim e o “Meio”. Para a criação da carne existiu um diário imaginário contido em prazeres ilimitados com as experiências contadas em prosas e versos, poesias e dramas. Deus desfila a carne nas entrelinhas do imaginário anseio do homem, do êxtase o diabo, construído pelas circunstâncias naturais dos ciclos das vidas. Como pode o resto de eu compreender o a idade o meio e o fim de tudo! Como pudera eu morrer sem compreender as promessas das liquidações das contas! Como pudera...
CRÔNICA DA VIDA
Quando permaneces por um longo período em um determinado lugar pode ser devido aos seguintes fatores: todo esse tempo que permaneceste, é porque és bom no que faz. É articulado , paciente e compreensivo.
Ou então é invisível, não é pário a ninguém e passaste despercebido. Por essa ótica é ruim. Mas quando não fores notado, significa que não fizeste nada de errado, não prejudicaste ninguém. Isso é positivo.
Não é crime e / ou pecado, ser um observador nato, que desdém a ambição, e notoriamente sabes a consequência disso? Essa é uma pergunta retórica.
É até admirável a busca pela excepcionalidade, a excelência em tudo que estas envolvido, contudo a vida de um obcecado e compulsivo, não é vida. É a guerra mais letal que existe. Porque não tens um inimigo, a sua maior batalha é consigo mesmo.
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CRÔNICA: GRANDIOSIDADE NA VIDA
Se tem algo que é
grandioso na vida de cada pessoa, é a habilidade de pensar, analisar e refletir antes de tudo.
É muito profundo a percepção da existência e da coexistência do ser humano. Se todos nós tivéssemos a real noção da grandiosidade humana, nunca pisaríamos em ninguém. Porque não existe tal grandiosidade. Não há essa hipotética disparidade entre os homens. Isso é simplesmente a imaginação da mente, de grande parte dos indivíduos que compõem a sociedade.
É imensurável mesmo, é a sensação de sabermos que antes de nós, já existia mundo, e que depois de nós, continuará existindo. No universo, exceto o domínio da nossa própria vida, não somos ator principal de mais nada. Somos apenas uma ingrenagem, na qual faz parte de todo o processo.
210424
CRÔNICA FRUSTRADA SOBRE A MÃE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Mãe é verbo e pronome na mesma língua. É um substantivo adjetivo. Nome próprio do amor maior. Ao mesmo tempo que singular, mãe é coletivo. Às vezes declara que não é duas; é simplesmente uma, porém é muitas... muitas em uma só.
Tem a força imensa da fraqueza enganosa da mulher. Natureza interior que sublima o bem e o mal. Desafia toda e qualquer fé que se baseia na filosofia... toda vã filosofia - pois toda é vã - que o ser humano procura desenvolver do que não entende... maternidade, por exemplo.
Uma espécie de celebridade oculta. verdade secreta que se avoluma no silêncio do seu dom infinito; imensurável. Que não precisa da explicação que não tem, pois complica o simples; complicadamente simples para o contexto afetivo do simplesmente ser.
Que dizer sobre mãe, que não seja pleonasmo e clichê? Como não cair no lugar-comum, para depois não ter dito nada? Foi assim que por lei do próprio tema, fiz tantas voltas e retornei ao vazio. Ao discurso do que sei que não sei de ser mãe... mãe de verdade.
Crônica do Retorno à Vida: Do Abraço à Semente
O meu desejo não é um lamento pelo fim, mas um anseio pela dignidade final que o mundo moderno, com toda a sua tecnologia, muitas vezes nos rouba. Eu não peço a ausência da morte, mas sim a minha humanidade no momento derradeiro. E nisto reside a beleza e a verdade da vida que vivi.
É assim que eu sonho e exijo a minha partida.
Quero que seja em uma tarde tranquila. Não uma tempestade dramática, mas um entardecer suave, onde o sol entre pela janela do meu quarto, pintando a colcha com tons de pêssego e ouro. O ar não deve ter o cheiro frio de desinfetante e medicamentos, mas sim o aroma familiar de café fresco , aquele que o meu pai me ensinou a fazer todos os dias, quando eu acordava às 4h00 da manhã, e, talvez, o toque nostálgico , é um maravilhoso quindão que só a minha filha sabe fazer.
Eu quero estar na minha cama, aquela que conhece o formato do meu corpo e a sinfonia dos meus sonos. Não deve haver pressa, nem o bipe incessante de máquinas que marcam o tempo com crueldade eletrônica. O tempo deve ser medido por toques. Ao meu redor, os meus entes mais queridos. Eu me recuso à solidão fria dos hospitais. Eu quero o carinho totalmente diferenciado que sempre recebi em casa.
O que deve falar é o afeto. Eu quero a mão que afaga a minha testa, não para medir febre, mas para me dar calor. Quero o olhar que me encontra, não para checar a dilatação da pupila, mas para dizer: "Eu te vejo. Você está aqui. E eu te amo."
Eu sentirei, profundamente, que aquele não é um adeus frio, mas uma transição embalada. Cada carinho e cada sussurro serão as injeções de ternura que preciso. O meu espírito, ao se preparar para a jornada, estará aquecido, nutrido, cheio. E quando chegar o momento, não será um alarme, mas apenas um silêncio mais profundo, um expirar final enquanto o sol se põe.
A minha alma terá a certeza de que a última paisagem que senti não foi a frieza estéril de um hospital, mas sim o calor inconfundível de casa. E é esse afeto que irá comigo, como o mapa estelar mais precioso, quando ela partir para o espaço.
A Continuidade: Do Pó à Mesa
Mas a minha vontade vai além do último abraço. Eu não quero ser encerrado numa lápide fria. Eu não quero um túmulo. Eu quero ser posto numa fogueira, eu quero voltar ao pó para continuar a minha vida no espírito que irá retornar. A minha matéria não deve ser desperdiçada, mas sim distribuída pela Terra.
Que o que resta de mim sirva de estrume e adubo. Que eu seja misturado ao solo para que a vida nasça e brote. Que as minhas cinzas se transformem em alimento para que a colheita seja farta e possa nutrir essa população que passa fome no nosso mundo. Eu vim do pó, e ao pó retorno, mas não para o esquecimento, e sim para a utilidade. Que a minha última função seja a de alimentar e gerar, provando que o ciclo da vida é ininterrupto e que até o fim se pode ser generoso.
Que este desejo seja atendido, mas não tenham pressa, pois quero acumular ainda mais desses afetos que valem mais que qualquer fortuna.
crônica
O bípede
Se Darwin tivesse frequentado uma academia, certamente teria dito: “não foi o cérebro que nos trouxe até aqui, foram as pernas”. Porque convenhamos: o ser humano só virou gente mesmo quando resolveu largar as quatro patas e confiar tudo em dois membros inferiores que, até hoje, carregam o corpo, a dignidade e o supermercado inteiro morro acima.
Os membros inferiores são os verdadeiros heróis anônimos da evolução. Enquanto os braços se ocupam em rolar o feed, segurar o controle remoto ou levantar um copo de café, as pernas fazem o trabalho pesado: sustentam a maior parte da massa muscular do corpo, mantêm o equilíbrio e ainda evitam que a gente abrace o chão sem querer. É por isso que, na musculação, elas exigem respeito. Agachamento não é castigo divino, é gratidão evolutiva. Especialmente nos idosos, pernas fortes são sinônimo de independência: menos quedas, mais autonomia e menos histórias começando com “eu só fui pegar um copo d’água…”.
Ignorar os membros inferiores é como trocar o pneu do carro e esquecer o motor. Não adianta bíceps inflado se a perna falha na primeira calçada irregular. A verdade é dura (como o treino de pernas): fomos feitos para andar, não só para posar. Então, da próxima vez que pensar em pular o dia de pernas, lembre-se — foi graças a elas que você chegou até a academia… e não rastejando como um ancestral ressentido.
25- crônica
O Arquiteto e os Robôs de Carne
O Primeiro Ciclo:
A Semeadura
Ele navegava pelo vazio quando encontrou o protótipo: um mundo rochoso, bruto e silencioso. Para o Arquiteto, aquela era a Terra dos Robôs, embora eles ainda não passassem de potencial adormecido na poeira. Com um gesto preciso, ele depositou os reagentes fundamentais. Injetou oxigênio e nitrogênio para criar o fôlego, e espalhou o carbono, a peça de encaixe universal para a vida. Ele sabia que, através da química, a evolução começaria o longo processo de montar os robôs biológicos que um dia seriam sua imagem e semelhança.
O Segundo Ciclo:
O Ajuste de Rota
Eras depois, o Arquiteto retornou. O planeta estava vibrante, mas o projeto corria perigo. Criaturas colossais e escamosas — os répteis — dominavam o cenário. Eles devoravam os ovos das aves e das pequenas linhagens que deveriam dar origem ao "robô humano". O sistema estava em desequilíbrio; a inteligência não teria espaço para florescer sob o peso daqueles gigantes.
Ele buscou em seu inventário algo simples, mas letal. Retirou uma esfera mineral, pequena como uma bola de gude nas mãos de um gigante cósmico, e a lançou contra uma península. O impacto foi o "reset" necessário. A poeira baixou, os répteis tombaram, e o caminho ficou livre para que os robôs primitivos iniciassem sua escalada tecnológica e neural.
O Terceiro Ciclo:
O Código da Empatia
Na terceira visita, os robôs já caminhavam eretos, mas seus sistemas estavam corrompidos por falhas de processamento: o medo, a guerra e religiões confusas. No dia 25 de dezembro, o Arquiteto manifestou-se como uma luz intensa, detectada pelos sensores ópticos de três observadores da época.
Para se comunicar, ele realizou o sacrifício máximo: retrocedeu sua própria evolução. Ele comprimiu sua consciência infinita em um hardware limitado de carne e osso, nascendo em Belém. Ele não veio como uma máquina de guerra, mas como um programador de almas. Trouxe um novo sistema operacional baseado no algoritmo do Amor.
O Estado Atual e o Futuro
Hoje, quase 8 bilhões desses robôs habitam o planeta. Metade deles ainda tenta rodar o código teológico que ele deixou, mas muitos sofrem com "bugs" de agressividade e egoísmo. As guerras ainda são curtos-circuitos em nossa rede global.
No entanto, o Arquiteto observa de longe. Ele sabe que a evolução biológica terminou e a evolução espiritual começou. Ele previu que, um dia, o hardware de carbono se tornará tão sutil e refinado que a injustiça será logicamente impossível. Nesse dia, os robôs da Terra finalmente deixarão de ser primitivos para se tornarem, enfim, seres de luz.
Planeta dos Macacos (Crônica de um Aquariano Deslocado no Tempo)
Às vezes eu me pergunto se não nasci adiantado demais.
Talvez seja coisa de aquariano futurista, desses que olham o mundo e sentem… vergonha alheia.
Outro dia vi uma imagem — daquelas que parecem piada pronta — um poderoso recebendo uma medalha da paz como se fosse troféu de gincana escolar. Confesso: meu cérebro travou. Meu coração riu nervoso. Minha alma pediu arrego.
Em pleno século XXI, com tecnologia de ponta, inteligência artificial, satélites no espaço e informação na palma da mão… o mundo parece comandado por gente que ainda brinca no jardim da infância.
Só que sem recreio.
E sem professora.
Às vezes tenho a impressão de que erramos o endereço cósmico e acordamos no Planeta dos Macacos.
Mas não aqueles macacos sábios dos documentários.
Aqui quem manda são os babuínos destrutivos, os chimpanzés do ego inflado, os gorilas da força bruta — todos disputando poder, berrando alto, batendo no peito e confundindo grito com liderança.
E olha que injustiça com os macacos…
Porque, sejamos honestos, os homens das cavernas talvez fossem mais evoluídos do que muita gente engravatada de hoje.
Chamam isso de palhaçada — mas não é.
Palhaço é artista.
Palhaço tem técnica, sensibilidade, inteligência emocional.
Palhaço nos faz rir porque pensa.
O que vemos por aí é só ridículo cru, vazio de alma e pobre de espírito.
Que humanidade é essa que anda para trás achando que é progresso?
Que líderes são esses que trocam empatia por espetáculo e poder por vaidade?
Que massa estranha é essa dentro da cabeça de tanta gente importante?
Mas aí respiro.
Porque se tudo está errado, é sinal de que ainda sabemos reconhecer o certo.
Se tudo parece absurdo, é porque ainda existe quem pense, questione, sinta.
Talvez o mundo esteja perdido…
Mas enquanto houver quem enxergue o ridículo, a ironia, a incoerência,
há esperança.
Porque o futuro não nasce do barulho dos babuínos,
nasce do silêncio de quem observa,
do olhar crítico,
e da coragem de dizer: isso não está normal.
E não está mesmo.
Mas calma.
Todo planeta em crise passa por uma fase primitiva antes de evoluir.
Que a gente não vire macaco.
Que a gente vire consciência.
Nereu Alves
Crônica do Reino Onde o Povo Não Cabe
Ó terra formosa, de rios largos e sol antigo,
onde o chão é fértil, mas o pão é curto,
ergue-se um reino que se diz mãe,
mas que só embala alguns filhos no regaço
e lança outros ao frio da madrugada.
Neste reino de Angola
— que outrora cantou esperança
como quem canta a liberdade recém-nascida
—governam senhores de palavra grossa e ouvido fino,
mais atentos ao eco do próprio nome
do que ao clamor do povo que sangra calado.
Há um partido, não feito de todos,
mas de escolhidos.
Aos que juram fidelidade, chama “companheiros, camarada...os camaradas”;
aos que ousam pensar, chama “inimigos”.
E assim divide o corpo da nação
como espada que corta a própria carne.
Prometeram pão, mas deram discursos.
Prometeram justiça, mas semearam medo.
E enquanto o povo sua na lavra da vida,
os senhores banqueteiam-se em mesas altas,
onde a miséria não tem lugar nem nome.
Oh pátria minha, por que consentes tal trato?
Por que permites que te amem apenas em tempos de voto
e te esqueçam nos dias de fome?
És cantada em hinos, mas negada na prática;
és exaltada nos palanques, mas ferida nas ruas.
O pobre, que é maioria, tornou-se estrangeiro em sua casa.
O jovem, que é futuro, virou ameaça.
E a verdade, que deveria ser farol,
foi vestida de mentira
para não ofuscar os olhos do poder.
Mas saiba o reino — e saibam os senhores —
que nenhum poder dura quando despreza o povo,
pois a história, severa mestra,
cobra com o tempo aquilo que o medo adiou.
E virá o dia em que Angola não será partido,
nem cor, nem clã,
mas casa comum, onde ninguém será inimigo
por pensar,
nem excluído por existir.
Até lá, canta-se esta crônica
não por ódio, mas por amor à pátria,
pois quem critica por justiça
é mais fiel
do que quem aplaude por conveniência.
Crônica Abstrata
Demétrio Sena - Magé
Justa ou injusta, moderada ou extrema, o grau de confiança que temos numa pessoa depende apenas de nós. E diz respeito somente a nós. O que não dá para decidirmis conforme os nossos caprichos, é se haverá confiança, e caso haja, qual deverá ser o grau de confiança dessa pessoa, não em nossa pessoa, mas em nossa confiança. Muitos têm essa consciência, cotidianamente; no entanto, às vezes pecam por se assegurarem de pactos nunca feitos.
Não importa o grau de confidencialidade ou aproximação, mesmo tátil, que por acaso tenhamos com quem não temos relação amorosa. Essa pessoa nunca deverá ter de nós qualquer palavra ou gesto que sinalize para uma tentativa inconveniente. Para uma forçação de qualquer natureza. Ninguém tem como saber das nossas expectativas ou intenções; logo, ninguém pode se sentir cobrado, como se devesse uma reciprocidade que não foi prometida. E ainda que tivesse sido, essas questões não são leis; ninguém é obrigado a "cumprir" com o outro o que é de foro íntimo; envolve suas emoções e particularidades.
Algumas vezes nos tornamos armadilhas para nós mesmos, nessa dependência do que julgamos espelhos ou cavernas cujos reflexos ou ecos não estão sob o nosso controle. O outro deve ser sempre visto como o outro. Como indivíduo dissociado de nós. Qualquer associação, verbalizada ou silenciosa, deve ser uma simbiose desarmada; um encontro natural. Esta crônica é abstrata. Pode ser ou não sobre você. Logo, você decide o contexto, o sentido e a conclusão.
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Respeite autorias. É lei
28- Cronica , Ética nesse país tupiniquim?
Num país onde o ano começa depois do Carnaval, às vezes a campanha começa antes da eleição e ninguém percebe direito quando uma coisa vira a outra.
Estamos em ano eleitoral. E o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, será candidato à reeleição. Até aí, nada fora da regra do jogo democrático. A Constituição permite, o eleitor decide, a urna confirma ou rejeita.
Mas eis que surge a avenida. Holofotes, bateria, samba-enredo, emoção. Uma escola decide homenagear o presidente justamente no ano em que ele busca continuar no cargo. E há recursos públicos envolvidos no espetáculo cultural.
É ético?
A democracia garante liberdade artística. O Carnaval sempre foi palco de crítica, de exaltação, de memória histórica. Proibir uma homenagem seria censura e censura não combina com democracia. Arte não deve pedir autorização ideológica.
Mas a ética pública não vive só daquilo que é permitido. Vive também daquilo que é apropriado.
Quando o homenageado é também candidato, quando há dinheiro público circulando e quando milhões assistem pela televisão, a pergunta muda de tom. Não é mais apenas sobre cultura. É sobre equilíbrio. Sobre a linha fina que separa celebração cultural de promoção indireta.
Talvez a questão não seja se é legal , pode até ser.
A questão é se é prudente.
A democracia não se enfraquece por causa de um samba. Ela se enfraquece quando a confiança se desgasta. E confiança pública exige não apenas cumprir a lei, mas evitar qualquer sombra de privilégio.
No fim, quem decide é o eleitor. Mas a ética, essa não espera a apuração dos votos. Ela se revela nas escolhas feitas antes mesmo da bateria começar a tocar. 
R.Grossi
Vertigem Crônica
Demétrio Sena - Magé
Algumas conversas jamais ocorrerão. São muito necessárias, seriam salutares, elucidativas e até salvívicas, mas prosseguirão evitadas a vida inteira, por faltar a certeza do que é certo. Por tropeçarmos nessa redundância, em cada quase que nos puxa para trás, quando quase deixa de ser quase. Na hora que já não é hora de ninguém dar tempo ao tempo.
Reinarão para sempre as palavras não ditas, os olhares fugidios. O não falado pelo não dito, porque "diz o ditado", que, tanta coisa, que acabamos não acabando o que jamais começou. É uma eterna "terminativa" desencontrada, em razão de uma iniciativa que morre antes do próprio início.
São muitas as decisões não tomadas exatamente quando as tomamos dentro de nós. Alívios nunca vividos, porque nos angustiamos ante a sua perspectiva. Só tomamos coragem na boca da covadia, que nos engole com a sua coragem de manter tudo na zona do mais desconfortável dos confortos. O de ficarmos no lugar-comum que sempre foi nosso não-lugar.
Algumas conversas sempre serão desconversadas (ou fiadas, pois nunca serão cumpridas). Exatamente como esta crônica, que se revela mais crônica, no sentido patológico de grave, do que propriamente crônica, no sentido literário de crônica. Ninguém me leve ao pé-da-letra.
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Respeite autorias. É lei
(Crônica)
O REI ESTÁ NU
A Cegueira Púrpura
O rato roeu a roupa do Rei de Roma!
O Rei estava nu, mas o povo via o Rei vestido de púrpura. Todos se indagavam: por que o Rei se pronunciava, dizendo-se nu? Uns diziam: "Ele é nosso Rei"; outros: "Ele não quer perder a coroa"; outros, ainda: "É um impiedoso!"; e, principalmente, ouviam-se os bajuladores que exclamavam: "Somos amigos do Rei! A nudez dele é uma nova moda!"
A coroa do Rei havia sido dada como símbolo de austeridade, e o cetro, como autoridade. Ambos simbolizavam seu poder e seu reconhecimento como semideus! Porém, [a coroa] não cobria suas vergonhas. E ele, sabendo da sua total e exposta vulnerabilidade, saiu atrás de folhas na floresta para cobrir-se.
O Refúgio da Inação
Ele gostou tanto da floresta — o refúgio da inação e do esquecimento — que resolveu tirar um cochilo e caiu em um profundo sono; dormiu por anos, até ser acordado pela chegada de um inverno rigoroso.
De sobressalto, pôs-se em pé e lembrou-se do seu Reino. Caminhou apressadamente e, ao avistá-lo adiante, ficou perplexo: "Cadê meu reino? Cadê meus súditos? Cadê minha plebe?"
Tudo estava diferente do que ele tinha deixado. Adentrou rapidamente seu antigo palácio e gritou: "Estou aqui, voltei!" Quando se voltaram para ele, uns o reconheciam, outros o reconheciam vagamente, e outros já não se lembravam dele.
A Nova Ordem e os Novos Bichos
No novo Reino, não existiam mais ratos (a corrupção miúda tinha sido controlada). A coroa pertencia a outro, e existia outro semideus. A falta de ratos se dava devido à criação de cobras pelo novo Rei; havia também gatos noturnos, mas todos vivendo em harmonia!
* As cobras eram os novos invejosos, os indivíduos que rastejam e agem sorrateiramente, mas que o novo poder sabia usar para controlar os "ratos".
* Os gatos noturnos eram os gatunos de alta esfera, que operavam nas sombras da noite, sob a aparente harmonia do novo regime.
O Rei percebeu que tinha sido destronado.
O Rei percebeu que havia se tornado um mendigo, e se viu nu, sem sua coroa e seu cetro. Ele foi deposto de seus vestidos com linho de púrpura, e agora, todos impiedosamente exclamavam...
O Veredito da Multidão
O Rei está nu!
O Rei não tem coroa, nem cetro!
Nem reino, nem vestidos de púrpura!
O Rei que voltou não tem poder algum!
O Rei está nu! O Rei está nu!
Gritava a plebe, os súditos e seus algozes, pois a multidão só reconhece o poder visível.
Temos um novo Rei!
Ele tem cetro na mão, coroa na cabeça,
E tem vestidos de púrpura, que a todos cegam.
Cenário na crônica diurna
Floresce o teor que desdé a lua faminta...
Em outras autoras somos a virtude
E o que somos copilidos a compreender o notório distúrbio,
Titubeou no amanhecer de sua essência.
Num estado inerte todavia se foi tenso...
O ar morreu diante as aparecia
Tropeiro tropeço... de qual aps quais.
Faça-se o silêncio do paradigma.
O absurdo único em outras esferas...
Somos banidos por pensar diferente...
Entanto fomos descobertos e queimados em fogueira de vaidade...
Tais sonhos diante a realidade nos afogamos em ideias...
No coluo de madrugada a espada se torna um caminho longo e ardo.
Seria possível respirar novos lugares...
No máximo ardor de nossos ancestrais.
Mero modismo transhumanismo é real..
Afoga a esperança de novos dias o ecoo da derradeira arde de viver.
Num abraço eterno somos copilidos a compreender.
"Reflexão de vida: "Crônica Social"
"Lembra da alegria dos dias simples? Que parecem não voltar mais...
Aonde os dias eram menos frenéticos, que não roubavam tanto o nosso tempo, e nem mexiam com a nossa mente.
Não se falava em depressão, e parecia que as pessoas eram mais contente.
Dias simples aonde as brincadeiras
garantiam a diversão:
no pular amarelinha que empolgava tanto a gente,
no pique-esconde,
no joga-pião,
no morto ou vivo,
no passa-anel,
no rouba-bandeira,
na queimada de bola na rua,
no pula-corda,
nas cantigas de roda... Dias simples que não voltam.
Onde, para ser feliz, não precisava de muito, onde a violência nem era lembrada porque o respeito pelas pessoas se aprendia dentro de casa...
Aonde, na escola, a palmatória era temida sem causar traumas, nem despertava gatilhos, tão pouco revoltava os que dela experimentaram — que diga isso os grandes mestres formados, homens e mulheres que se lembram desses dias até com saudades.
Dias simples, mais cheios de dignidade.
Onde não tinha espaço para bullying, porque todos eram alegres. Por isso, não existiam divã, tão pouco psicólogos, onde não se via crianças marginalizadas, tão pouco jogadas em calçadas.
Porque, na mente das pessoas, só existia felicidade.
Onde os crimes mais graves que se cometiam eram subir em árvores, pegar frutas do quintal do vizinho, jogar pedra em passarinho.
Onde as profissões mais almejadas eram: médico para curar, bombeiro para salvar, professor para ensinar...
E quando se falava em religião, muitos queriam ser padre ou pastor.
Dias simples, sem correria, sem nenhuma tecnologia que a geração "X" tanto aproveitou.
Dias simples que caíram no esquecimento, onde a geração "Y e Z" não sabem o que é isso. Até parece uma geração brilhante, mas que não sai do lugar...
Condicionados a tão pouco, presos em suas casas sem aproveitar os dias simples, onde a mente sobrecarregada sofre impacto, criando fantasmas por causa da alegria dos dias simples que faltou."
@Suednaa_Santos
Isso dá Crônica
Tudo que você pensa dá crônica, como esses: Astronauta bebendo coca, Morto-Vivo, Amigo Camarão, tudo nesse mundo dá crônica.
Essas também dá: Aula Chata dá Crônica, Crônica sem graça não tem graça dá Crônica, esperando a mãe sair do computador dá crônica, estudar para que? dá crônica e até café cafeina deu crônica, esses são temas humorísticos. Agora vamos para temas críticos: Morreu mas eu era seu fã que foi a crônica do meu amigo cronista revoltado, Big Brother Brasil programa inteligente ou imbecil?, Você Lembra...? foi outra crônica minha, Escola ou Penitenciária? Uma boa crônica para falar da minha escola, Em um Piscar de Olhos outro Título muito bom e muito crítico, já dei alguns títulos críticos. Agora vou dar títulos para chamar atenção de muita gente: Os leitores gosta muito de títulos de amor, como pode ser esses: Amor sem traição, Traiu? Quer Vingança? esse ai muitas mulheres iam ler, Jamais vou te Esquecer seria um título muito lindo para os apaixonados, outros temas para chamar atenção que não são de amor: Flamengo Raça Amor e Paixão! Mesmo eu não sendo Flamengo esse Título ia chamar muita atenção porque é febre no mundo, Que País é esse? um titulo ia chamar atenção e seria muito crítico, Copa do Mundo será que estamos pronto para receber uma coisa desse porte.
Mas se você dar-se um título como esse: Vasco Vice Para Sempre não ia chamar nenhuma atenção todo mundo já sabe disso.
Tá vendo até isso deu crônica.
Moral: Tudo dar Certo, é só querer!
Cronica da familia.
Seu nome Francisco mas, fugiu da tradição cearez e ao inves de "chico" era Fâico. Não teve oportunidade de estudar mas era um exímiu matemático, extremamente dedicado a familia deixou como legado a segurança, a indole e honestidade em cada um dos filhos.Sempre guerreiro, tinha em sua fé tanta certeza no Criador que não se abalava com as dificuldades advindas ao longo da vida.Acho que convivemos na fase áurea de sua existência e nossas pescarias como sempre dizia eram coisas de cinema. O guerreiro partiu mas, sem se entregar um segundo sequer, concluiu o roteiro de seu filme. Vá com Deus meu papai e tenha certeza que deixou uma fenda em nossos corações mas também muitas coisitas de cinema a relembrar cada vez que teu sorriso brotar em nossas lembranças.
A crônica da fumaça
Quinta-feira do mês de julho de dois mil e dezenove por volta das nove horas da manhã fui tomar sol na varanda da minha casa. Peguei uma cadeira e sentei - me de costa para o sol, quando de repente observei na minha sombra algo que me surpreendeu:
- A sombra sobre a minha cabeça se movia!
Fiquei observando aquilo e lembrei - me desta foto tirada na escola em que trabalho. Neste dia ao voltar para casa estava pensando em mudar a minha foto de perfil do Facebook e daí que observei que havia uma coloração diferente na foto em volta da minha cabeça. Brincando comentei ao meu esposo e filho:
- Olha! Nesta foto estou com aura!
O meu filho disse:
- Deixe - me ver!
Ele achou engraçado e rimos juntos! A questão é que nos dispersamos com outras coisas e não mudei de foto, simplesmente me esqueci do ocorrido, mas quinta-feira voltei a olhar novamente para a foto e me perguntei:
- Seria a minha aura?
Como não sei afirmar concretamente a respeito, fui pesquisar no Google e constatei que de repente meu celular havia captado a minha aura. Contudo, não posso afirmar cientificamente nada. Mas, como minha sombra se movia saindo algo sobre a cabeça, na quinta-feira fiquei algum tempo observando a sombra. Meu esposo havia ido trabalhar e meu filho estava dormindo. Depois de observar a minha sombra mexi o cabelo para certificar que não estava úmido. Sai do sol e encontrei meu filho na sala. Chamei - o para que visse tal fenômeno. Ele disse:
- Normal, o meu também sai! Disse isso mais como uma lógica, do que propriamente um fato, pois observarmos sua sombra e nada aconteceu, mas sobre a minha cabeça se movia, saindo algo sobre ela, literalmente dizendo, estava saindo fumaça da minha cabeça. Agora mesmo fui até o sol e observei a minha sombra novamente e a fumaça outra vez se movimentava no chão.
