Costura
Nossa existência é uma complexa máquina de costura, habilmente tecendo o tecido de nossas experiências e emoções. Assim como um talentoso alfaiate que faz ajustes precisos nas costuras de um traje, a vida tece e entrelaça vidas, conectando pessoas de formas imprevisíveis.
A máquina da vida nos envolve em seus pontos, criando um rico padrão de encontros e desafios. Ao longo do caminho, somos adornados com sorrisos, gentis lembranças bordadas que nos envolvem com alegria e esperança.
A vida também funciona como uma costureira dedicada, capaz de reformar histórias antigas e desatualizadas. À medida que os anos passam, somos convidados a examinar as antigas páginas de nossas vidas e fazer ajustes necessários. A máquina da vida é habilidosa nesses ajustes, costurando novas perspectivas e ressignificando nossas narrativas.
Mas talvez o papel mais bonito que a vida desempenhe seja o de costureira de amores. Ela nos proporciona encontros inesperados, nos aproximando de pessoas que se tornam fundamentais em nossas histórias. Cada momento compartilhado é um fio de ouro que se entrelaça entre duas almas apaixonadas. A máquina de costura da vida customiza esse amor, criando um vínculo único e especial entre duas pessoas, um sentimento que transcende o tempo.
E, como um vestido perfeitamente ajustado, a vida nos veste em sonhos. Ela nos presenteia com vislumbres do que poderia ser, nos permitindo tecer nossa própria versão do futuro. Os fios de nossas ambições são habilmente entrelaçados pela máquina da vida, criando uma tapeçaria de possibilidades e oportunidades.
Nossas vidas são entrelaçadas com outros seres humanos, e juntos podemos criar obras de arte únicas e impressionantes. A vida é uma dança intricada de agulhas e fios, onde cada indivíduo tem um papel fundamental na criação do todo.
Então, vamos ser gratos pela máquina de costura que é a vida. Vamos abraçar seu fluxo constante de eventos e momentos, sabendo que ela está sempre trabalhando em nossa favor, bordando a beleza em cada esquina. Vamos deixar que ela nos vista em sonhos, sabendo que é nas entrelinhas de nossas histórias que encontramos a verdadeira essência da vida.
- Edna Andrade
Máquinas de costura, para mim, são objetos mágicos.
Elas não só costuram ou bordam... Elas transformam.
No começo são apenas linhas e tecidos, mas em um piscar de olhos, pode-se ver um carinho em forma de vestido, um cuidado no formato de uma almofada ou o sustento na feira dos artesãos...
Mais de um milhão de possibilidades prontinhas para alinhavar.
Linha de cerol
e o rosto a olhar pro Sol
Linha de costura
e agulha o dedo fura
Linha de anzol
e o Violão em si bemol
linha do trem
e na frente não tem ninguém
linha da palma da mão
e no bolso nenhum tostão
Questão de aparência.
A maior dificuldade
É o segredo que costura
Pedaço de linho branco
Um falso nó
Que nenhum de nós desata
A palavra esperança escrita
A medida do punho
Um traço que mal se apagou
A maldade que cresce oculta
Um rascunho de abraço
Questão de aparência
A lição de vida
Que o tempo arrastou
A indevida atenção dispensada
Como se fosse
O caso de nunca mais
pensar em nada
Importância
O espinho edifica
A leveza da flor machuca
Pois fere a alma
Qual fera louca
A palavra dita
Se multiplica
Uma a uma
Desencaminha
Um laço de fita
Mera ilusão
Era venda aos olhos
Uma ida ao portão
Mais espera
Outra carta, o correio
A alma que lhe era cara
Um dia foi posta à venda
Assim se deu
A cabeça a quebrar mil vezes
Resposta escondida
O Universo se expande
Um dia uma solução
Que finalmente te procura
O lugar onde eu tentei chegar
Era vazio
Imensamente despovoado
Denso e muito frio.
É questão de aparência
Uma venda aos olhos
Se chove, melhor me molhar
Me molho
O resto de vida
Pra ser vivido amanhã
Pra sempre será perdido.
Edson Ricardo Paiva
Da costura que ergue
esta poesia Montanka
sou o fio da consciência
que dialoga com paciência
com os seis continentes,
e por rebeldia virou poema.
Em plena Era narcísica
onde se maquia a índole
maligna com falsas
notícias para glamourizar
causas devastadoras,
e naufragar em falsas
promessas e incertezas.
Do tecido e de outros fios,
eis-me o bastidor
e chamamento em nome
do que deve ser dito:
(Imperialismo não se
combate com Imperialismo).
Imperialismo só se combate
com a base do povo unido,
e não existe aplauso duradouro
que ampare pela eternidade
com a fortaleza da tranquilidade
de uma cabeça que busca
a senda do que traz tranquilidade.
Você que se comporta
como fizesse parte
de qualquer decisão
obstruindo a real informação,
Saiba que você nunca obterá
a desejável ascensão:
(Por migalhas e aplausos
você está se esquecendo
que neste tabuleiro qualquer
um sempre será um simples peão).
Olhar para o passado
e repetir o velho hábito
contra quem nunca foi
ofensivo te coloca
apenas como mais um
covarde neste mundo
que cada um deveria
perceber a sua própria
responsabilidade para que
guerras nunca mais se repitam.
O dia é feito com pequenos retalhos das horas, delicadamente costurados com a linha do recomeço sobre o tecido delicado do tempo.
É com a linha da fé que eu costuro os rasgos do tempo. Com a linha da gratidão, eu enfeito os seus remendos e com a linha da esperança vou costurando sorrisos novos sobre o traçado do destino.
(manto)
costuro na tecitura das linhas
palavras que fazem sentido
para quem as escreveu
para quem as leu
faz-se abrigo...
Um dos maiores desafios ao remendar os rasgos da vida é manusear a linha de forma que não se transforme em nós.
Eu me inspiro no grande poeta e músico, AA, para escrever os meus atuais versos. Este é um momento transitório. É preciso um estado de êxtase para escrever. Não sei praticar meditação mas para escrever esvazio a mente. Palavras caem como folhas secas em dias de inverno. É semelhante ao médium que psicografa. A diferença é que as palavras surgem do meu próprio espírito e eu vou. É descer degraus desenhados por essas palavras simples que muito conheço mas não conhecia em conjunto. Hoje, eu escrevo versos como quem borda cada ponto ou costura cada retalho. Eu descarrego sentimentos vivos de uma vida triste que traz dor. E dor não me serve pra mais nada.
PEDAÇOS DAS COISAS
Nada do que se tem, sempre se teve.
nada do que existe, se fez...
E nada do que se quer se faz de uma só vez;
Pois, todas as coisas são criadas de pequenas partes.
Umas coisas têm seus traços
e outras seus recortes;
Mas tudo tem seus talhos e cortes.
Em pequenas partes, partes por partes,
nos traços, nos cortes e nos talhos,
vamos deixando recortes,
metendo os narizes,
as nossas marcas e as cicatrizes.
É assim a história da nossa vida:
Ela é escrita em pedaços;
Se costura no dia a dia em nacos,
como colchas de retalhos.
ENCANTADO ASSUSTADO
As pessoas me encantam..
Tanto quanto me espanta.
Atino: São seres humanos!
Surpreendentes, instáveis...
Não se pode contar nos contos.
Como as crianças me assustam;
Encantam-me enquanto crescem.
Crescem do dia para a noite...
Crescem na cabeça, na mente,
Crescem no corpo, físico.
E observam tudo e mexem...
O ser humano encanta...
Assusta a gente, que é gente
Ontem, hoje e sempre.
Troca de favores
Os últimos trapos, sobras de um único retalho. Costurados, costurados, fio a fio, ponto a ponto.
Por conveniência talvez, ou por descaso… substituídos! afinal, não se precisa mais de retalhos!
“O tecido é novo, o tempo é favorável, então sigamos em frente! Costurando agora linho, seda, lã… fazendo um bom trabalho!
E aquelas velhas mãos cheias de calos… porque fazê las sofrer? Coloquemos logo uma galoneira!
Que além de economizar tempo, ganhamos mais!”
Então que sigam! E deixem para trás os tais trapos de renda e cetim. Ainda há quem os queira!
Disso tenho certeza! E as mãos cansadas, também tem salvação!
Pois mesmo acabadas, sempre costuraram! E sempre costurarão!
E era também por estar preocupado com o que os outros iam dizer que não queria que sua mulher costurasse para fora. Iam achar que ele era homem de menos porque a mulher trabalhava demais.
Dormi atordoado....
Sonhei....
Ah como sonhei....
Sonhei tanto....
Que ao acordar....
Me vi num mundo que jamais imaginei estar....
De olhos ainda meio fechados....
Numa tecelagem da vida...
Ali eu estava....
Rolos enormes de algodão...
Em minha frente estava....
Sonho louco...?
Ou inusitado....?
Máquinas de costura por toda parte...
Carreteis de linhas incontaveis....
Pura alegria....
Resolvi pegar....
A maquininha mais simples...
E comecei a costurar sonhos....
Eu como aprendiz...
Nesse mundo da arte de costurar...
Ali...
Tudo eu tinha....
Materia prima completa....
E no manivelar da vida....
Procurei tudo Estampar...
Zig-zag...
Jamais podia faltar....
Pois na vida...
Tudo que é reto demais...
Acho que devemos desconfiar....
As opções eram muitas....
Trabalho gostoso....
Nessa arte de manivelar....
Tecidos....
Curtos e coloridos...
E outros....
Não tinha como medir....
Eram demais compridos....
Tudo que era arcaico...
Nem me atrevi em fazer.....
Apenas queria costurar....
Somente a moda atual....
Costurei frases...
Costurei almas...
Costurei cores...
Costurei poesias...
Costurei poemas...
E costurei dores....
E no final de cada expediente....
Sempre faltava algo....
Voltava...
E costurava amores....
Ainda manivelava mais um pouquinho....
E finalizava meu dia....
Costurando perdão....
Eu ia pra casa....
Costurando flores
Ali...
Como costureiro ainda meio experimente...
Ia pra casa....
Vestido de roupa nova....
Chegava em casa de alma nutrida...
E de olhos marejados...
Na estampa do imaginar.
Apenas falava comigo...
Hoje....
Mais um dever cumprido....
E terminei de acordar....
Como um costureiro Profissional....
Autor:José Ricardo
Hoje....
Apenas sou...
Uma Arquitetura...
Criada e moldada pelo tempo....
Apesar da idade...
Na minha certidão de nascimento...
Num exato ponto...
Ali...
Foi lavrado...
Escrito em negrito...
A data que eu vim ao mundo....
Astuto em quase tudo...
A idade fala por mim...
Os rastros que deixei...
Ah muito tempo...
Foram apagados...
Mas...
Existem sim alguns...
Inclusive....
Em alto relevo..
E quando volto no tempo...
Imagino como seria bom...
Voltar aos meus vinte anos...
Voltar sim....
Mas com o cérebro de hoje...
Já Com a alma lapidada...
De Alma confeccionada....
Por um lado...
Mais que costurada...
Por outro...
Ainda existe uma pequena lacuna....
Mas com calma na alma...
Quaquer dia desses...
Blindarei...
Fecharei até lacrar...
Não permitindo se quer...
Ter uma vazão apenas...
Sinto que se preocupar demais...
Afeta o espirito...
E isso...
Eu Não posso permitir....
Aprendi que na vida...
Os Astutos se safam...
Mas também podem se decepcionar...
O importante é se ligar aos céus...
Assim...
Busco o que é de melhor nesse mundo...
Pra mim...
E pra quem sem aproximar...
A fé...
Pega fogo...
E esse fogo...
Nem uma chuva desse mundo...
Pode apagar....
Por buscar e entrar nesse fogo de cabeça...
A Alma fica tranquila....
E tudo isso...
Sinto-me no meu conforto...
Em algum horizonte....
Vou no rumo certo....
Não permito....
Que as estrelas....
Pra mim...
Venham se apagar....
E por ter esse jeito....
Apenas acho...
E deixo grafado no livro da vida....
Ninguém jamais...
Irá me tirar....
Os sonhos que venho a sonhar....
Até porque...
São apenas meus....
Somente meus.....
E ninguém mais....
Autor :José Ricardo
