Corpo
Não adianta as posses, se o tesouro não está dentro;
O corpo usa roupas finas, seda, e linho, mas a alma veste os farrapos da ausência de virtude.
A benção da saúde não abrange somente o corpo físico, mas alcança todos os aspectos da vida de quem assume fazer a vontade de Deus.
O corpo espiritual dos materialistas é aberto para tudo o que vem de baixo, e fechado para não receber o que vem de cima.
Lembre-se a sua alma não morre!
O seu corpo desce a sepultura e se desfaz na terra, e só existem dois lugares para alma, gozo eterno, ou sofrimento eterno, a escolha é sua.
Dizem que somos um só corpo,
Um só povo, uma só luz,
Mas por que entre nós há trevas,
Se seguimos a mesma cruz?
Eu quero
encostar
o meu olhar
no teu olhar
te desejar
como o crente
deseja o céu
te despir
corpo e alma
de seu silêncio
a sua solidão
do fio de cabelo
aos dedos dos pés.
Te devoro com meus olhos, te uso com meu corpo, te aprisiono com minha alma e te liberto com meu amor
Cuidar da floresta é cuidar do corpo de Deus. Preservar um rio é preservar o fluxo da graça divina. Toda vida é sagrada porque Deus vive nela.
Nasci sozinho e morrerei assim.
A solidão não é escolha, mas estado de fato, quando o corpo abandona sua plenitude e a mente se isola em labirintos de dor, estar só se torna destino inevitável. No entanto, essa solidão não me define completamente, é apenas o pano de fundo contra o qual tento colorir minha existência com versos e memórias que ecoam além do vazio.
Dia após dia, levanto palácios invisíveis
com tijolos de desejo moldados em palavras. O corpo se rende às limitações, mas a mente ergue pontes de esperança, cada linha escrita, um alicerce de legado. Sonhar em voz alta é recusar o silêncio eterno,
é semear promessas no coração de quem lê.
Às vezes, a frustração deságua em tempestade, quando o fôlego escapa e a voz se cala, e o corpo, traidor silencioso, trava sua guerra. Mas no fogo da raiva que me consome, arde também a brasa viva da coragem, um tambor que ecoa em meu peito, marca o compasso da luta que não finda, o passo firme no fio frágio entre desistir e persistir. Nesse turbilhão de emoções, nasce a semente da esperança, um suspiro que floresce em silêncio, um canto sutil que insiste em existir.
Às vezes, desejo sair do meu corpo e ser só sombra, livre da dor que insiste em ficar. Mas este corpo pulsa, me chama a resistir. E mesmo na escuridão, nasce uma luz pequena, promessa de que a aurora sempre pode voltar.
Não converso sozinho, mas dialogo com meus estados de espírito, vozes sem corpo, sombras que habitam meus pensamentos. Nem sempre nos entendemos, às vezes falamos em línguas estrangeiras, em murmúrios desconexos, em silêncios que pesam como pedras. Há dias em que a raiva grita alto e a tristeza responde em sussurros, outras vezes, a calma tenta interceder, mas é afogada pela dúvida e pelo medo.
Nosso corpo
não é simples máquina
como invoca a ciência - tampouco,
uma culpa como nos fizeram crer
certos axiomas religiosos, observa
Eduardo Galeano... Em nosso corpo,
caríssimos, toda diligência e celeridade
conduzindo nosso espírito
rumo ao conhecimento e
autoiluminação!
... a esse corpo
que prestadio nos encarna,
provoca, possibilita, nossa mais
digna e venturosa utilidade...
E ao espírito - a esse espírito
que somos todos - tudo que
o enalteça, potencialize,
aperfeiçoe!
A Profecia
A profecia não vem do futuro.
Ela nasce no corpo cansado
De alguém que aprendeu a prever dor
para não ser surpreendido.
Ela se veste de certeza,
fala firme,
diz: “vai acontecer novamente”,
“a paz não dura”,
“algo sempre vem”.
Mas a profecia não é vidente.
Ela é exausta.
Ela olha para trás
Para todas as noites atravessadas,
Para todos os medos acumulados
e chama memória de destino.
Quando o descanso falta,
a mente constrói mapas de medo.
Não para te enganar,
mas para te proteger.
Ela prefere anunciar a tempestade
a permitir a esperança de um dia de Sol.
A profecia não quer te matar.
Ela quer te poupar.
Ela acredita, ingenuamente,
que se você não esperar nada,
nada poderá te ferir.
Mas ela erra.
Porque confunde repetição com eternidade.
Confunde “aconteceu muitas vezes”
com “acontecerá para sempre”.
A profecia do cansaço é convincente
porque fala alto quando você está fraca.
Ela não precisa gritar —
basta repetir.
E ainda assim…
ela não é lei.
Ela é sintoma.
Quando o corpo descansa,
a profecia perde a voz.
Quando a dor é dividida,
ela fica menor.
Quando alguém fica,
ela vacila.
Talvez hoje
você não consiga ignorá-la.
Tudo bem.
É cansativo agora.
Hoje basta saber isto:
profecias também vacilam.
E algumas só existem
até alguém segurar sua mão
e dizer:
“isso não é o futuro —
é só o agora pedindo descanso.”
