Corpo
Não adianta as posses, se o tesouro não está dentro;
O corpo usa roupas finas, seda, e linho, mas a alma veste os farrapos da ausência de virtude.
A benção da saúde não abrange somente o corpo físico, mas alcança todos os aspectos da vida de quem assume fazer a vontade de Deus.
O corpo espiritual dos materialistas é aberto para tudo o que vem de baixo, e fechado para não receber o que vem de cima.
Lembre-se a sua alma não morre!
O seu corpo desce a sepultura e se desfaz na terra, e só existem dois lugares para alma, gozo eterno, ou sofrimento eterno, a escolha é sua.
Dizem que somos um só corpo,
Um só povo, uma só luz,
Mas por que entre nós há trevas,
Se seguimos a mesma cruz?
Efluir
Fosse tristeza só minha, choraria, mas é de meu corpo, das juntas a alma, mais que o sangue.
Fosse sangue só meu, morreria, mas é da vida, pobre vida, esvai-se em sangue, agora, também em lágrimas.
Nella città III - A cor da carne
Há dores que nascem antes do grito.
Não do corpo, oráculo por vezes calado,
nem da alma, que cedo se curva ao pranto.
Mas da identidade, lançada à sombra, à face do repúdio,
antes mesmo de saber-se ser.
Nasce, então, a dor sem nome,
antes que a luz do mundo pudesse tocar a pele — nua.
É o peso de um tom que destoa,
aviltado pela violência do olhar.
A cor da carne, que não é da alma,
não é identidade,
mas adorno passageiro —
incompreendido por olhos de cárcere,
que desferem o açoite mudo da ignorância,
a face vertida.
Vê:
a cor sublinha o corpo,
e não pede perdão pelo que é.
Aqueles que esperam que a cor se renda
não entendem o enigma da pele — nua,
que nenhuma voz pode enunciar.
Ela me seduziu com seu jeito menina de ser, num corpo de mulher.
Seus olhos grandes e negros, contornados por cílios longos, simplesmente hipnotizam o homem menino que, facilmente se apaixona.
Seus lábios carnudos cobertos pelo Baton, enchem meus olhos de vermelho.
Sinto que meus lábios desejam os dela.
A forma de como se veste, provoca encanto indescritível. Não sei descrever tais coisas.
Não sei o que fazer; cada gesto que ela produz, faz meu coração gelar.
Ela é sensualidade em todas formas possíveis, enfim, ela é, sedução. Sempre me surpreende com seu jeito menina mulher nos lenços que usa pra prender os cabelos escuros. O jeito de andar e parar. As roupas mescladas em vários tons, as vezes justas, as vezes esvoaçantes.
Por quer ela faz isso comigo?
Será que ela me quer ou quer brincar de bem me quer?
Nos afazeres cotidianos, seja onde for, e como for, não perde o brilho de ser menina mulher.
No banho e após ele, provoca multidões de sensações ao circular pelo quarto.
Quando envolta em toalhas, rouba meu ar. Quando se veste ou despe, me paralisa dos pés a alma.
Tudo se rompe quando ela diz:
Vem pra cá, menino!
Como não ir?
Como resistir?
Acho que os deuses do Olimpo sucumbiriam ao seu charme. Nenhum de nós a possuiria sem sua vontade.
Sim, ela nos consumiria após mostrar o caminho e, o jeito de fazer amor.
Ela é assim:
Menina por fora, por dentro, ardente mulher.
Pobre homem que sou,
não resisto ao seu chamado.
Nasci sozinho e morrerei assim.
A solidão não é escolha, mas estado de fato, quando o corpo abandona sua plenitude e a mente se isola em labirintos de dor, estar só se torna destino inevitável. No entanto, essa solidão não me define completamente, é apenas o pano de fundo contra o qual tento colorir minha existência com versos e memórias que ecoam além do vazio.
Dia após dia, levanto palácios invisíveis
com tijolos de desejo moldados em palavras. O corpo se rende às limitações, mas a mente ergue pontes de esperança, cada linha escrita, um alicerce de legado. Sonhar em voz alta é recusar o silêncio eterno,
é semear promessas no coração de quem lê.
Às vezes, a frustração deságua em tempestade, quando o fôlego escapa e a voz se cala, e o corpo, traidor silencioso, trava sua guerra. Mas no fogo da raiva que me consome, arde também a brasa viva da coragem, um tambor que ecoa em meu peito, marca o compasso da luta que não finda, o passo firme no fio frágio entre desistir e persistir. Nesse turbilhão de emoções, nasce a semente da esperança, um suspiro que floresce em silêncio, um canto sutil que insiste em existir.
Às vezes, desejo sair do meu corpo e ser só sombra, livre da dor que insiste em ficar. Mas este corpo pulsa, me chama a resistir. E mesmo na escuridão, nasce uma luz pequena, promessa de que a aurora sempre pode voltar.
Não converso sozinho, mas dialogo com meus estados de espírito, vozes sem corpo, sombras que habitam meus pensamentos. Nem sempre nos entendemos, às vezes falamos em línguas estrangeiras, em murmúrios desconexos, em silêncios que pesam como pedras. Há dias em que a raiva grita alto e a tristeza responde em sussurros, outras vezes, a calma tenta interceder, mas é afogada pela dúvida e pelo medo.
Partida paterna (período de luto)
Parte I
Fecharam-se os olhos
do corpo,
da alma,
da vida.
Fecharam-se para sempre ao plano físico e material.
Continuam abertos em outros mundos,
Nos lugares onde tudo fica registrado.
Lugares além do visível a nossos carnais olhos.
Muito além...
Parte II
Histórias, muitas delas e variadas.
Há o lugar das histórias do dia a dia
Das infantis e de todos os períodos
e com todas as pessoas!
Lugar de histórias de choros e sorrisos.
Lugar dos medos, do estender as mãos...
E do voltarem sozinhas e vazias...
Das mãos perdidas de afetos e sentimentos condignos.
Da falta de colo e de abraços.
Da falta dos aplausos e do chorar juntos.
Lugar do aflorar da raiva disfarçada,
dissimulada,
não posta para fora...
Da raiva não vivida para, enfim, ser enterrada!
Lugar do seguir adiante buscando meu caminho,
Posto que iluminações sempre chegaram a mim,
Como clarões de ajudas internas e externas,
Por estar num alerta constante e transcendente:
__Comigo;
__Com amigos de uma rede de apoio desta vida;
__Com amigos invisíveis que, pressentia, estavam presentes...
por ouvir através de ouvidos fluídos
e, confiante, os seguia.
Histórias de força de vontade e de determinação paterna.
Enfrentamento de medos e limitações.
De ter racionalidade, honestidade e Justiça:
-- O maior legado ensinado por meu pai!
Histórias de todos os matizes,
De alegrias, choros e sentimentos vários.
Fatos carregados comigo,
que me formaram!
Parte III
O bilhetinho de despedida,
posto ao lado do corpo morto de meu pai,
queimou-se na fornalha que consumiu seu físico e transcendeu sua alma.
As palavras escritas foram apagadas da memória
ao serem consumidas pelos fogos fátuos e dos rios eletrificados...
Apesar das palavras virarem cinzas junto às suas cinzas,
foram-se juntar ao pai espiritual e da minha história,
Como que coladas em sua pele para acompanhá-lo por um bom período
Ou para todo o sempre.
A história que agora se inicia:
__A minha...
__A sua,
ora separadas,
Decidirá novos caminhos!
Quem sabe,
um dia,
se cruzarão de novo...
Para terem um desfecho renovado,
aquele do afeto claro,
inocente,
fraternal,
mas consciente de humanidades!
Quem sabe o que o destino nos reserva!
Sigamos!
abril/ 2024
Às vezes meus olhos choram, não porque o corpo dói, mas sim porque a alma clama por algo que em mim adormeceu.
Deus não quer que modificamos o nosso corpo, mas que aperfeiçoamos o nosso caráter, para que venhamos parecer cada dia mais com ele e não com o mundo.
