Coleção pessoal de madcarolina
38
Nem uma jovem de 30,
nem uma senhora de 40.
38.
Igual a arma, letal.
À base de gatilhos.
Totalmente à queima-roupa.
Sinto que deveria ter construído algo.
Mas uma arma não serve para construir.
Sinto que passei tempo demais
reagindo,
disparando,
destruindo...
Cheguei até aqui
e estou olhando para o que não consegui.
38.
Nem uma jovem de 30,
nem uma senhora de 40.
38.
Igual a arma, letal.
As expectativas que eu criei, são a causa da minha tristeza e apatia. Dito isso, estou me desfazendo de todas elas.
Todo dia eu espero que acabe ou que comece
Todo dia eu torço para estar errada e para estar certa
Todo dia eu acordo ainda dormindo, e a noite não durmo
Todo dia eu espero que você vá, e torço para que volte
Todo dia eu me sinto morta, ainda que viva
Todo dia eu respiro, mas sempre me falta o ar
Todo dia eu choro de alegria e de tristeza
Todo dia eu canto minhas dores, enquanto sangro nas minhas canções
Todo dia eu queria não ser assim, mas todo dia eu sou assim.
Você me leva a alturas
Que sozinha eu jamais poderia alcançar
E me leva a abismos
Que ninguém poderia suportar
Você é a minha brecha
Por onde passam toda minha dor e alegria
Toda minha fraqueza e minha força
Você me mostra quem eu sou
E quem você me torna
Você me mostra o quão grande eu sou
E o quanto você é mais forte que eu
Eu sempre perco para você
Você rouba todas as minhas vitórias
Sua estante está repleta de troféus que deveriam ser meus
Mas agora eu sei quem você é
E sei quem eu sou
E pode me esperar
Por que eu estou indo atrás de você
Eu não sinto mais as pontas dos meus dedos
Nem das mãos e nem dos pés
A minha base está curvada e enfraquecida
Sinto queimar da planta dos meus pés ao topo da cabeça
As dores que me assolam são tantas, que eu nem consigo mais listá-las.
Meu prazer, é o meu vício, e a repetição
Estou fadada a sofrer em vários aspectos de uma vez
Sinto que vivo por que preciso viver, não por que quero viver.
A música me acalma, mas eu não posso me acalmar.
O vinho me liberta da preocupação, e me joga no desespero de ter perdido mais uma noite.
Sinto que escrever é meu único refúgio, uma forma de tirar de mim todos esses pensamentos de dor, sem precisar me desfazer deles, por que eles se tornaram necessários demais para a minha sobriedade.
Eu sei que metade das coisas que eu amo fazer são surtos. Mas elas se tornam necessárias e úteis para que eu possa manter outros surtos.
No fim, eu percebo o quanto tenho surtado ultimamente e no quanto estou surtada nesse momento.
Honestamente, não sei dizer se isso é bom ou ruim.
Eu sinto como se estivesse sendo rasgada. Sinto minha pele esticando e meus musculos sendo rasgados.
Tudo me dói, até a dor que não é minha.
Eu não sei mais como me desvencilhar dessa lãmina.
Eu não dormi —
atravessei a noite armada de silêncio.
Havia um mundo em colapso
respirando atrás das paredes,
soldados marchando dentro do tempo,
e eu…
com as mãos cheias de nomes que amo.
Corri.
Não por mim —
mas por cada pedaço de mim
que anda solto no mundo
com o meu coração no peito.
Havia códigos escondidos no ar,
segredos costurados nos bastidores,
e eu entendia tudo
como quem carrega um mapa
que ninguém mais pode ler.
Mas o preço da lucidez
é nunca descansar.
—
Te levaram.
Não com gritos —
mas com laços delicados,
fitas de cetim preto
que pareciam suaves demais
para aprisionar um universo inteiro.
E ainda assim…
prendiam.
Me ajoelhei diante do poder
não por fraqueza,
mas porque o amor
às vezes se curva
para não se partir.
E então eu dancei.
Dancei com o medo,
com a guerra,
com o absurdo de um mundo
que tenta domesticar o que nasceu livre.
Dancei com você.
E em cada movimento
desatei um nó invisível
até que a liberdade coubesse de novo
no seu corpo pequeno.
—
Meus outros amores
ecoavam à distância,
como estrelas que não se apagam
mesmo quando o céu desaba.
Eu os guiava em silêncio,
em bilhetes invisíveis,
ensinando-os a sobreviver
sem que vissem o meu tremor.
Porque mães
não têm o direito de desmoronar
quando o mundo pede estratégia.
—
Mas eu sei.
Eu sei demais.
Sei do que se move por trás,
sei do que ninguém diz,
sei do fio tênue entre proteger
e desaparecer de si mesma.
E talvez seja isso
que me atravessa agora —
essa guerra que não terminou
quando abri os olhos.
—
Hoje,
eu ainda seguro a espada
mas minhas mãos tremem.
E tudo que eu queria
era lembrar
que não preciso salvar o mundo inteiro
para manter o amor vivo.
Amo aqueles que não sabem viver a não ser como quem declina, pois são os que passam.
Amo os grandes desprezadores, porque são os grandes reverenciadores, e flechas de anseio pela outra margem.
Amo aqueles que não buscam primeiramente atrás das estrelas uma razão para declinar e serem sacrificados: mas que se sacrificam à terra, para que um dia a terra venha a ser do super-homem.
Quando o filme da sua vida passar, vai ser um curta, meia ou longa metragem?
Eu espero que se não for um longa, que seja digno de um oscar.
Muito se fala sobre a auto multilação, mas pouco se fala sobre a auto humilhação
Quando tudo que vc tem te humilha, e você já criou consciência disso, mas vive num estado de paralisia, onde você não sabe como sair, e escolhe ficar a ter que lidar com seu próprio vazio.
Quando eu era pequena, meu primo pegou uma rolinha machucada e levou pra casa pra cuidar. Ele sabia que eu era apaixonada por animais, e me mostrou assim que chegou em casa.
Nós colocamos ela na gaiola até ela se recuperar.
No dia seguinte ela morreu enforcada tentando sair da gaiola.
Ela se matou tentando se libertar.
Não se prende um pássaro que conhece a liberdade, imagina um povo inteiro.
Dias de sol no inverno são um gatilho
Um fenomeno anti natural
Um ciclo dentro de outro ciclo
Que anunciam que a minha primavera chegou, bem no meio do inverno
As borboletas voltam para o meu jardim
E eu sinto que posso ser feliz de novo
São meus dias preferidos
Os dias que me lembram que eu posso suportar tudo, pq sempre vão haver dias de sol no inverno
E nesses dias nem o sol e nem o vento gelado me machucam
