Coleção pessoal de ranish
Saudades de quando vivia solitário
e melancólico pelas vinhetas de São Paulo.
Saudades de um certo amor cujo cheiro
nunca desgrudou de mim..
Deitado em berço esplêndido.
Eternamente
digerindo problemas alheios.
Negros neurônios na gosma fluida.
Lentas sinapses.
Bugintrecos espalhados sobre a mesa.
Papéis amarelados pelo tédio.
Lampejos.
Olho para trás e vejo
a gata preta espreguiçar espíritos.
Dor..
Sinto minha mente se esvaindo.
Escolho lembranças a serem deletadas.
Aquelas amareladas irão primeiro.
Preservo a todo custo
você.
Me ardem os olhos.
Meu bruxismo suplantou todas
as fogueiras.. E cruzes!
Dia rompe a tépidas mordidas.
Quero carnes!
Nostalgias.
Tabaco, frio, conhaque ...
Um tempo onde a solidão
era só um enfeite
no meio de tanta esperança..
As recorrências regurgitam.
Meu coração está vazio.
Continuo procurando por aquela
princesa pálida.
Ou por alguma mucama de ébano...
Que me deixe mole.
Com um brilho nos olhos.
E com planos para o futuro.
Que me ensine coisas idiotas.
Que me faça sorrir.
O zéfiro balouça o ipê.
Longe ritomba um trovão.
Detrás do zíper: o ocaso.
Noite e vinho
derramando sono nos meus olhos.
Uma brasa queima meu pescoço.
Acho que deve ser minha inocência.
Carne trémula.
Olhos e olhares.
Imaculados desejos.
Você tem de olhar com olhos mansos.
Senão será impossível ver.
E sem passados impregnados.
Só com a alma,
só com o querer..
Fotografias recortadas,
verdades recorrentes...
Nada nunca muda,
realmente.
Sapatos se alargam aos pés
e aos calos.
A saudade vira nostalgia.
O garanhão tem o membro pesado.
Coitadinha.
Eu a encontrei ali deitada,
descadeirada.
Posologias passadas: levantá-la na talha,
remédios e esperança.
Odes do Piancó,
do gadinho caracú tão alegre
quanto a chuva que virá.
Labutas rurais.
Comer, beber, sorrir.
A ternura dos vizinhos.
O olhar varado
das moçoiras saídas da escola.
As rezes berrando, longe.
O zumbizar das cigarras.
Saudades que se amontoam
e não cabem num tuíto.
Um dia desses desato.
E apareço sem avisar
naquelas casas
dos meus amigos.
Só pra reviver passados inesquecíveis.
Pra beber vinhos que ficaram velhos
com tanto tempo escorrido por debaixo
da ponte entre o antes e o agora.
É isso: Nostalgias e gastrite.
Um dia mais perto da morte.
Duas ou três escolhas.
Apenas um caminho.
Lá vou eu.
Vento no rosto
e sorriso nos lábios.
Comi três pães de queijo.
Minha sobrinha com a vozinha de Barbie dela
me perguntando coisas.
Se um pão de queijo
é irmãozinho do outro.
Esse vento vespertino
parece um sopro do capeta.
Na lida rural de agora
eu me sinto como uma costela no bafo.
Quilo feito.
Tarde aberta.
O sol me envolve
com seus dedos de fogo.
Só mesmo uma cerveja
pra esfriar o sopro do inferno.
