Coleção pessoal de ranish
Ventos agustinos invadem setembro. Os incautos sofremos com esses tempos impredictos. Me sinto Farafra. Sol a pino. Minha sombra apenas.
Nesses tempos de isopor
a felicidade é miúda
e o sucesso
apenas nos círculos mais íntimos.
O resto
é coisa de filme americano.
Reis não mandam mais.
Solertes Vizires cuidam
de proteger sua ninhada de ratos.
Ou você é da família
ou apenas número.
Buona fortuna!
Que bons ventos o levem
rumo ao desconhecido
e esses mesmos ventos o tragam
de volta ao lar.
E que na sua volta esteja pleno em experiências
e sabedoria.
Que dos seus lábios apenas escape
aquele sorriso manso de quem viveu
o que havia para ser vivido.
E que embora singrando rotas onde vórtices
de espumas do inesperado retorcem
as entranhas mais viris,
o mar te devolva com os olhos
ainda mais brilhantes.
Reluzentes por ter voltado
e também para nos contar
o que desconhecemos.
Tem tanta gente filosofando por empréstimo
que chego a acreditar
que a pastaria virou biblioteca
de energúmenos letrados.
Que tal: Penso, logo... Insisto!
Apenas me lembrei
que pensar é tomar consciência de si
e das coisas à sua volta.
Mas é preciso atitude para alcançar a felicidade.
É verdade.
Quem direciona muito o foco
perde o - em torno -.
Às vezes é melhor apreciar
o - durante - que buscar cegamente
o final projetado.
É sempre importante externar opiniões.
Sem diversidade viveríamos encarcerados
em ignara redoma.
Com lentes
ou sem elas
é preciso que enxerguemos possibilidades.
Fanatismos
só nos deixam à mercê da quimera.
A Vodca,
ou vovodca,
é uma vovozinha eslava
que ensina suas netinhas solitárias
a devorarem o lobo mau.
Nenhum deus conseguiria carregar sozinho
a responsabilidade do acaso
ou de nossos paradigmas.
Mas isso que é chamado de "reflexão"
é o instrumento mais positivo que existe
para encararmos e resolvermos
nossos problemas existenciais
com o otimismo e coragem
que nos é peculiar.
Acho que seria um casal lindo: Você sorrindo
e ele digerindo seus sorrisos
com a ajuda do velho omeprazol.
Os arrotos seriam
pura poesia coelhiana.
Não há acalanto na fuga.
É preciso olhar diretamente
nos olhos do medo.
Apenas seu revólver
e sua coragem a defenderão.
O mais são apenas alfaces
hidropônicas.
Seus lábios: as copas do baralho.
Lindos, rubros, ternos.
Como corações partidos,
como maçãs argentinas.
