Cinzas
Medical sem susto, arremessas o impulso, pela falta das cinzas devidas, em costumes, agora, em inútil desuso.
A alegria que Jesus proporciona, não acaba na quarta-feira de cinzas, porque ela não depende de meios externos e passageiros para existir. Ela é fruto do Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade, morando em nossas vidas.
Creia e experimente!
Ressurgindo das cinzas nessa alma que se decompõe a se restaura simultaneamente e a todo instante...
Descobri porque a Fênix sempre vai para o alto da montanha se refazer das cinzas...Porque é do céu que vem a força!
Mais uma fase vencida nessa vida que segue onde a águia está novamente se reerguendo das cinzas no alto da montanha para seguir o seu voo até tocar com suas asas os dedos do Pai...
Resolvi entrar no túnel do tempo e fazer uma faxina no passado, mas o que vi foram apenas cinzas mortas que o vento levou, sepultou e colocou um lacre no lápide do esquecimento.
Queima tudo o que te resta, larga a cinzas ao vento, vive a vida numa festa, pois ele perpetuá-las-á no esquecimento.
Indagação
E se todas as matas tombarem.
Todas as águas turvarem-se de fel e cinzas.
Todas as nuvens perderem o céu.
Se a terra for pisada pelo fogo,
E a lua, o sol, o vento, não mais encontrarem os homens.
Quando não mais amanhecer a natureza da vida,
Qual o dia que ficará, para os que perderam a memória do mundo?
PIERRÔ SEM CARNAVAL:
O bafo da noite em cinzas,
Verticalmente desce e cai,
Quão a chuva oblíqua
Do Pessoa
A correr na diagonal
Confusa
Sobre o relvado e a clorofila
Do poetinha,
Em anunciação ao baio
Do Valença em reboliço
Ante as brumas que embaçam
Meus vitrais
Acho, penso vislumbrar
A última colombina de cristal
Em seu único e derradeiro
Carnaval.
Nicola Vital
O Eterno Crepúsculo
Caminha o homem, sem rumo, sem lares,
Sob um céu de cinzas, em tons sepulcrais.
O vento murmura segredos dos ares,
Levando memórias, levando sinais.
As cidades jazem, ruínas vazias,
O tempo as consome, num último ardor.
Os nomes se apagam, virando poesias,
Sussurros dispersos, sem fé, sem fulgor.
A vida, um eco que morre ao ser dita,
Um breve estilhaço em meio ao vão.
O homem conhece a dor infinita
De ser luz fugaz na imensidão.
Sem pressa caminha, pois nada perdura,
Nem o tempo, nem a razão.
E no efêmero, a beleza mais pura,
O peso da morte, a redenção.
Ergue-se o sol, um astro em cansaço,
Suspenso no abismo do tempo sem fim.
O homem sorri, num último instante,
E some no vento, num verso ruim.
Os dias de chuva passaram a ser mais acolhedores, suas cores cinzas foram avivadas, sua sonoridade passou a ser ouvida com mais atenção e um certo encanto, desde que as suas vidas se cruzaram, a conexão de suas almas em grande encontro
e assim, um passou a ser um sol radiante na vida do outro, um amor construído calmamente, sentimentos calososos dançando uma linda valsa de reciprocidade, alguns movimentos suaves, outros veementes, mesmo no ritmo das tempestades
Cumplicidade tão forte e abençoada, que a superficialidade ficava insustentável, a falsidade não era bem vinda, um sonho vivenciado dentro da realidade, um livro emocionante com cenas expressivas, a gratidão a partir da simplicidade
Ele a amando e sendo correspondido por ela, beijos intensos e diálogos constantes, corpos suados, um laço de resiliência apaixonante, olhares alegres, experiências partilhadas sem pressa, juntos demonstrando um máximo de interesse.
Das cinzas, ela renasce
como uma fênix, forte e destemida,
transformando em lições
as adversidades,
então não esmorece
por ser cheia de vivacidade,
de fé em Deus,
pra tristeza de alguns,
para a felicidade dos seus,
portanto, é uma mulher linda
e interessante,
que inspira, que é deslumbrante,
uma benção divina.
Quarta-Feira de Cinzas
Hoje, na Quarta-Feira de Cinzas, a Igreja inicia um tempo especial: a Quaresma. Não é um tempo de tristeza ou solidão, mas um convite ao amadurecimento espiritual.
São quarenta dias de reflexão, de olhar para dentro de si, revisitar escolhas certas ou erradas, e, nesse exame profundo, buscar a verdadeira conversão para entender o que significa ser cristão.
Essa data nos lembra que todos os nossos pecados foram consumados na cruz, pagos por Jesus. É um símbolo do dever de mudança de vida, um chamado para recordar a fragilidade da existência humana e a certeza de que somos pó, e ao pó voltaremos.
O ser humano precisa de momentos fortes para repensar a própria caminhada, avaliar suas escolhas à luz da Palavra de Deus e da oração.
1 Coríntios 11:27-29
27 – “Portanto, quem comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor.”
28 – “Examine-se cada um a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice.”
29 – “Pois quem come e bebe sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação.”
Assim como Jesus se sacrificou por nós, a Quaresma é tempo de sacrifício e renúncia. São quarenta dias para deixar de lado algo que nos domina, como forma de lembrar que somos chamados à mudança.
Independentemente da religião ou crença, escrevo hoje em respeito a esta data sagrada para tantos cristãos. Vamos deixar para trás egoísmo, inveja, ódio, rancor, mágoa e tudo aquilo que nos afasta do amor. Porque todos nós somos iguais diante de Deus.
Não se esqueça: Jesus te ama.
“Tu és pó, e ao pó voltarás.”
Deus abençoe a todos!
QUARTA-FEIRA DE CINZAS: DO ENTENDIMENTO ANTIGO À SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA.
A Quarta-Feira de Cinzas é uma data que integra o calendário religioso cristão ocidental como o início formal do período de Quaresma, e ocorre quarenta e seis dias antes da celebração da Páscoa, variando anualmente com base na data pascal.
DO QUE SÃO FEITAS AS CINZAS DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS?
A Igreja determina claramente que nem toda cinza pode ser utilizada no rito de imposição. A cinza da Quarta-Feira de Cinzas vem da queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Elas recebem a água benta e são aromatizadas com incenso.
Origem Histórica e Seu Contexto Religioso.
No seio da tradição cristã, especialmente na Igreja Católica, a Quarta-Feira de Cinzas inaugura uma fase de reflexão, penitência e jejum que prepara espiritualmente o fiel para a celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo na Páscoa. Esse período de quarenta dias - a Quaresma - remete ao tempo de quarenta dias que, segundo a narrativa bíblica, Jesus passou em jejum e tentação no deserto antes de iniciar seu ministério público. ( Evangelho de Lucas 4,1-13 )
A prática de associar as cinzas à penitência remonta a tempos antigos, inclusive prévios ao cristianismo formal, sendo um símbolo de arrependimento, tristeza e reconhecimento da fragilidade humana nos relatos do Antigo Testamento.
Personagens como Jó, Daniel e a população de Nínive cobriram-se de cinzas e vestiram sacos de pano como gesto de contrição e súplica diante de Deus.
Na Bíblia, cobrir-se de cinzas (frequentemente acompanhado de vestir pano de saco) era um gesto cultural e religioso que simbolizava luto profundo, humilhação, arrependimento sincero ou desespero. Esse ato demonstrava a fragilidade humana e a dependência de Deus.
Aqui estão os principais personagens e grupos que se cobriram de cinzas:
Jó: Após perder seus filhos e bens, e ser afligido por doenças, Jó sentou-se no meio da cinza como sinal de luto e, posteriormente, declarou arrepender-se "no pó e na cinza" (Jó 2:8; 42:6).
Mardoqueu: Ao saber do decreto de Hamã para destruir os judeus na Pérsia, Mardoqueu rasgou suas vestes, vestiu-se de pano de saco e cobriu-se de cinzas em um ato de grande consternação e clamor (Ester 4:1).
O Rei de Nínive e o Povo: Após a pregação de Jonas, o rei de Nínive levantou-se do trono, tirou o manto, cobriu-se de pano de saco e sentou-se sobre cinzas, ordenando um jejum nacional como sinal de conversão (Jonas 3:5-6).
Daniel: O profeta Daniel relatou que se voltou ao Senhor Deus para buscá-lo com orações, jejuns, pano de saco e cinzas, ao interceder pelo seu povo (Daniel 9:3).
Rei Acabe: Após o profeta Elias condenar suas ações, o rei Acabe rasgou suas vestes, cobriu-se de pano de saco e jejuou, agindo com humildade (1 Reis 21:27).
Tamar: A filha do rei Davi, após ser violentada por seu meio-irmão Amnon, cobriu a cabeça com cinzas e rasgou a túnica como sinal de dor e desonra (2 Samuel 13:19).
Significado Bíblico:
O uso de cinzas era um reconhecimento visual de que o ser humano é "pó e ao pó voltará" (Gênesis 3:19), indicando a necessidade de purificação e conversão radical de vida.
No contexto cristão primitivo, penitentes públicos e pecadores graves eram submetidos a ritos de expiação que incluíam a cobertura com cinzas e a separação da comunidade até a reconciliação final. Com o tempo essas práticas de penitência pública evoluíram para um rito comunitário mais inclusivo, de forma que, desde aproximadamente o século XI, a imposição de cinzas passou a ser uma cerimônia litúrgica regular em toda a cristandade ocidental.O que ocorre no século XI é a universalização e regulamentação desse gesto no âmbito da liturgia oficial da Igreja Latina. O contexto é o das reformas eclesiásticas associadas à chamada Reforma Gregoriana, ligada ao pontificado de Papa Gregório VII. Nesse período, buscou-se maior uniformidade ritual e disciplina clerical. A imposição das cinzas deixa de ser um ato restrito aos penitentes públicos e passa a ser aplicada a todos os fiéis no início da Quaresma.
Um marco importante nesse processo foi o Concílio de Benevento, realizado em 1091 sob o pontificado de Papa Urbano II, o mesmo pontífice que convocaria a Primeira Cruzada em 1095. Esse concílio recomendou que todos os cristãos recebessem as cinzas na Quarta Feira de Cinzas, consolidando o rito como parte integrante do calendário litúrgico.
O Porquê das Cinzas: Significados Simbólicos e Antropológicos
As cinzas, como elemento, carregam uma potente carga simbólica. Antropologicamente, elas representam aquilo que resta do que foi consumido pelo fogo - morte, efemeridade, purificação e renovação. Em muitas culturas antigas, o uso de cinzas em rituais estava associado a tristeza e arrependimento profundo, um gesto de humildade diante dos deuses ou diante da própria condição humana.
Para a Igreja, esse ritual assume essas mesmas conotações, lembrando o fiel de sua mortalidade e da necessidade de conversão. Ao ser feita a imponência das cinzas na testa dos participantes geralmente em forma de cruz, pronuncia-se uma formulação tradicional que ecoa o relato do livro de Gênesis: “Lembra-te de que és pó e ao pó hás de voltar.” Essa frase retoma a ideia de que a existência terrestre é provisória e suscetível ao arrependimento e à transformação espiritual.
Nesse sentido, as cinzas funcionam como um memento mori - um chamado humano e universal à consciência da finitude e à busca de um sentido além do imediato. O antropólogo e historiador das religiões reconhece que tais símbolos, embora incorporados a práticas específicas como as da Igreja, dialogam com estruturas cognitivas universais: o fogo purifica, o pó remete à origem e à dissolução da forma, e o ritualiza-se como mediação entre o humano e o sagrado.
Sociedade e Transformações da Tradição.
A Quarta-Feira de Cinzas também marca uma fronteira cultural: o fim das festividades do Carnaval, festa popular de exuberância coletiva marcada por danças, folias e excessos, e o começo de um período mais contido e introspectivo. Historicamente, o Carnaval evoluiu de celebrações mais antigas de despedida das festas de inverno e de libertação social antes do período de abstinência quaresmal. Em muitas sociedades cristãs, essa transição representava tanto um encerramento de libertinagem quanto uma preparação moral e religiosa para o tempo de penitência.
No Brasil, essa encenação cultural e religiosa ainda é manifesto vivo - as ruas vibram intensamente até a madrugada da Quarta-Feira de Cinzas, quando então os espaços festivos cedem lugar a um silêncio ritualizado, simbólico de introspecção, autocrítica e reintegração à ordem social cotidiana.
Fontes Fidedignas para Estudo
Para compreender em profundidade a Quarta-Feira de Cinzas e seus significados:
A enciclopédia Britannica oferece uma visão concisa e historicamente ancorada da origem cristã e da evolução litúrgica da data.
Conclusão.
A Quarta-Feira de Cinzas é, portanto, uma celebração ritual que sintetiza a memória cultural, a simbolização religiosa e a consciência antropológica da mortalidade humana, funcionando como um ponto de inflexão entre a festa popular e a reflexão espiritual, entre o corpo e o espírito. Ela nos lembra que qualquer jornada de sentido exige reconhecimento de nossas limitações e, ao mesmo tempo, uma busca consciente de transformação.
"Teimosa Eu!
Sempre recolhendo minhas cinzas e renascendo...
Não perco a fé em mim!
Sempre criando erecriando um mundo bem meu para quando a vida se torna sem graça..."
Haredita Angel
19.03.21
