Chuva
E quem disse que o vento não tem cor?!... Não vês que ele vem vestido de cada estação. Agora por exemplo se pinta de chuva...
ANÔNIMO GIGANTE
O granizo cai impiedoso
Sobre o telhado de vidro,
Que não reclama, pois não ama.
O ideal não resiste à chuva
De fogo e cinzas, que incinera
A presa e a fera de grande fama.
Poemas são pedidos em garrafas,
Metidos, dobrados, rasgados,
Sobre o peito, sobre a cama.
Vem de dentro do peito
O pedido daquele poema:
Que a chuva, a qual espera
Que a fera lacerada
Descanse, fatigada,
Desça e renove a lama
Desta alma perdida
Que não ama.
Engraçado essa vida, descrobri que ate quando chove, e quando está tudo esta nublado, o sol ta ali escondido atras das nuvens !
Musica para os ouvidos, me ponho a banhar em tuas águas. Daqui escuto teu gemido, vem para limpar minhas asas.
Cai, Cai com força, molha tudo o que tiver de ser limpando.
Pai, vai me ouça. purifica esse coração marcado
Vou seguir minha estrada,cheiro de terra molhada.
Cultivando e plantando a semente, semeando e seguindo em frente.
E te peço um favor, faça a chuva inundar aquele amor.
Limpa tudo o que tiver de ser limpando, faz nascer mais um coração alado.
ALÉM DO QUE SE VÊ
Não seja mais um ator
Olha bem pra mim
E se me quiser, amor
Me aceita assim
Eu amo minha insanidade
Ela me faz querer viver
Não ouse me julgar
Não mudarei por você
Mas se gosta do que vê
Sem vergonha e sem receio
Chega perto do meu mundo
Que eu te levo pra um passeio
A viagem é perigosa
Pra quem tem medo de altura
Sinta o cheiro da liberdade
Prepare-se pra essa aventura
Sob a luz do sol
Sob a água da chuva
Meu bem não tenha medo
É saudável minha loucura
[29/04/2015]
As pessoas só precisam de luz quando está escurecendo,
Só sentem falta do sol quando começa a chover,
Descobrem que amam quando deixam a pessoa ir,
Percebem que estavam bem quando se sentem mal,
Só odeiam a estrada quando está com saudade de casa,
Olhando para o nada esperam que seus sonhos durem mais,
Porque sonhos chegam e se vão na velocidade das nossas escolhas.
Mas bom homem é aquele que cultiva sonhos, não envelhece nunca,
pode ser até que ele morra de repente, mas morrerá em pleno voo.
Conexão de ruas e praças vazias
É pelo canal de poesia
É pela foto do teu dia
É pela lua nova que brilha
E também o Sol que arde e irradia
Onde está minha conexão
É pela flor que gira
É pela frase repetida
É pela falta e agonia
À espera de uma declaração
Onde sinto um coração
É pelo café na xícara
É pelo perfume guia
É pela terra úmida e fria
Na chuva que amanhecia
Onde sinto ventar recordação
É pela vista insensata
Incansável e iludida
Encontrar-te em tudo
Pois uma vez
Tudo em ti já encontrei
Minha mente é guarnecida
Pela imagem desse sonho rei.
Eu quero viver. Eu quero sorrir.
Eu quero andar e ser livre por aí.
Eu quero amar. Eu quero sentir
o vento, o sol, a chuva e o frio.
VENHA CORRER NA LAMA
.
Me desculpe se meus questionamentos não te entenreçam
Mas é que não consigo me interessar pelo comum
Me dê a mão vamos atravessar a ponte
No final não sei o que nos espera.
Vamos, venha correr deste inverno que congela nossos sonhos
As coisas não são como nos disseram
Eles também estão congelados.
Venha vamos pular na lama do verão onde o mal não nos pode achar
Pois são caminhos que eles desconhecem.
Lá no bosque há uma arvore do conhecimento do amor
Mas somente um de nós pode colher o fruto.
Venha vamos olhar para onde os demais não olham
Venha pois no deserto a sempre rosas
E na lama ha sempre vida
Vida essa que eles desconhecem.
Vamos nos despir como crianças vamos brincar
Ver que não há razões para se importar com às verdades que nos disseram.
Hoje quero desconstruir meu mundo,
Revirá meu guarda roupas e ver que tudo é fruto de minha imaginação
Venha pegue na minha mão, vamos brincar estrelas estrelares
Viajar por um mundo não descrito pelos homens
Ha sempre um caminho que eles não enxergaram
Longe desta selva
Longe deste caos.
Ei menina, vamos pegue na minha mão
Não tenha medo
Siga o vento ele sempre nos leva para o caminho desconhecido, mas também nos traz de volta para os braços do solo de um novo dia.
Eu vejo uma lagrima ai dentro.
Reconstrua o que foi demolido, ao final verá algo novo.
Ei menina, não procure a outra metade pois tudo está ai dentro
Não espere de mim recompensas
Não sou muleta, vim te dar asas.
Não tenha medo pois o medo também é uma miragem
Tudo não passa de falsas percepções
Quando o dia renascer você verá em poucos segundos à essência que há ai dentro de ti.
Então...
...Não precisará mais de mim para ser livre realmente.
Ei menina não se esconda, existe um mundo a ser desvendado
Venha pegue na minha mão vamos desenhar uma nova estrela
Longe desta selva
Longe deste caos ...
Quando não chove, muitos reclamam; quando chove, outros tantos continuam reclamando. Em vez de reclamar, por que não agradecer pela chegada ou não da tão esperada água que vem do céu, das nuvens, para alegria da fauna, da flora, dos rios, e nossa? Esta frase de Roger Miller fala sobre a chuva de forma metafórica, mas vale a pena refletir sobre a sua essência: "Uns sentem a chuva; outros apenas se molham."
Finalmente assisti " Depois da Cuva", filme que se passa em Salvador. O filme mostra uma geração se descobrindo e aprendendo a viver com a liberdade logo após o fim da ditadura. No começo achei o filme sonolento, melancólico e até mesmo chato, mas depois notei que isso era o prato que foi servido para minha geração nos anos de 1990, mesmo que o filme se passe entre 1984 e 1985.
O filme é o espelho da minha geração, geração ressaca que sem alento acreditou em utopias caducas e que fora do Brasil fez merdas tão criminosas quanto a ditadura militar aqui dentro, mesmo quem não foi partidário foi influenciado pela cultura forjada entre Karl Marx e a queda do muro de Berlim.
A escola que aparece no filme não difere da escola que estudei meu segundo grau, chata, repetitiva e repressora que nos dava alento apenas pelos bons professores que se tinha, mas era castradora da liberdade que deveria-se desfrutar em um período de reencontro com a democracia.
O talento, criatividade que muitos da minha geração demostravam foram sumariamente abortados tão somente pela condição social ou política de cada um.
Minha geração foi melancólica, ébria e utópica. O sentimento é de ressaca, os socialistas e comunistas cultuados no filme foram os mesmos que cultuei e hoje no poder são conservadores ao extremo, parasitas do poder, acusam todos que não são como eles de conservadores, mas no fundo são adeptos do autoritarismo ideológico, fora do que acreditam não há "salvação", de suas bocas saem soberba e arrogância que apontam para ideia de um mundo único,não há nada neles que apontem para um mundo plural. Muitos da minha geração vestiram essa roupa sem constrangimento algum, no Brasil o grande intelectualismo é o do estômago.
Tudo isso pode ser discutido em " Depois da chuva", quem foi jovem na Salvador dos anos de 1990 ou melhor na Bahia desse período e não concordava com a ideia de monocultura afro-brasileira, que parecia mais uma caricatura do legado cultural dos países africanos foi asfixiado , não havia nenhum interesse em preservar traços culturais das nossas raízes africanas, por trás de tudo havia uma indústria do entretenimento e política para exercer o controle em todos, em Salvador quase todas as rádios tocavam o mesmo tipo de música, nas escolas não havia formação ou informação cultural o resultado era um sociedade abobalhada e perigosa, cesurava tudo que não a espelhasse, minha geração pagou para ver e viu: censura , ódio, derrotas impostas pelo poder político a cultural.
Em " Depois da chuva" nota-se também o erro clássico da minha geração: acreditar em uma visão única seja cultural ou política, sem querer eramos quase iguais aos que com severidade impôs o lixo cultural que lentamente sufocou toda beleza e alegria de uma estado memorável como a Bahia.
Hoje observo a história se repetindo, se no passado eramos censurados pela roupa ou cabelo, agora uma mulher que alise seu cabelo pode ser censurada por aquelas que acreditam-se libertárias e não conservadoras, a história se repete, o melhor é que depois da chuva sobrevivemos para contar a história, nossa visão da história que não é a única,mas é a nossa.
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Lá estava eu, exato, real, pleno, fugitivo da mim, cheio de você
Eu olhava, com os teus olhos gratos, quando desviei o olhar, e dirigi ao céu, percebi umas nuvens carregadas de chuva que
Começavam a tremer, pressagiando tempestades,
tal como os meus olhos e o meu coração.
O ser humano pode se distanciar totalmente daquilo que mais ama. Contudo, ainda que depois ele navegue pela máxima amplitude do Oceano, perderá em profundidade... A trilha talvez seja opcional, mas a chuva ácida vem para lembrar que o chão apenas foge do que (se) está; nunca do que (se) é.
Na juventude, achamos que somos imortais, que sabemos tudo, somos os super-heróis da certeza. Mas aí vem a vida e nos mostra que a chuva molha, que o sol queima, que a tempestade devasta. Aí vem o arco-íris e nos faz compreender que não estamos sozinhos nesse mundo. Que temos um Deus que nos lembra que circunstâncias não alteram as Suas promessas reservadas pra nós. ;)
O AMOR, AQUELE AMOR QUE ...
Sonhamos desde sempre com o grande amor de nossas vidas.
Depois de agraciados, aos poucos deixamos escorregar por entre os dedos a dadivosa oportunidade...
Às vezes aos pingos, outras vezes de roldão, permitimos que as nuvens da felicidade se dispersem no distante horizonte.
É quando nuvens negras de ressentimento empanam os sentimentos sinceros.
O choro copioso da chuva de arrependimento avoluma a correnteza da saudade, desaguando nos bueiros da dor, nos córregos da tristeza tardia. E no mar das desilusões, o destino final.
(Juares de Marcos Jardim)
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