Cemitério
Não quero ser o mais rico do cemitério
Quero apenas ter histórias boas para contar
Independente de tá em cima ou em baixo
Vou me lembrar de cada risada que eu fiz as pessoas dar
Sei que nem todos gostam de mim
Alguns não gostam nem de si mesmo
Sei que não fiz todos rirem
Mas sou grato
Porque fiz muitos perderem o fôlego
A FACE DO MEDO
Noite fria, eu andava
próximo do cemitério,
ouvi sussurros ao longe,
vinham de lá? Mistério!
Cores da escuridão,
um arco-íris sombrio,
o revoar dos morcegos,
ouço passos, calafrio!
Sons invadem meus ouvidos,
há barulho de corrente,
coração acelerado,
o mal bem na minha frente!
Com rosto desfigurado,
e muito sangue nos dedos,
criatura demoníaca,
terrível face do medo!
Segurando motosserra,
a entidade funesta,
estava ao meu encalço,
fugi, entrei na floresta.
Escapei, pulei no lago,
o monstro tocou meu pé,
consegui desvencilhar,
subi morro, ao chalé.
Por trás da casa, a rua,
vi carros e seus faróis,
desci lá, dependurado,
num corda de lençóis.
De carona me salvei,
já não há o que temer,
hoje em dia eu só quero
esse dia esquecer.
Caminhando pelo cemitério
De uma tumba, salta uma criança
Maldita imaginação
Ressuscitaram a minha esperança
Maldita seja a jovem
Que mexeu comigo
Interferiu no meu mundo
Era só pra eu ser seu amigo
É belo ver minha criança feliz
Saltitando, correndo, e vê-la sorrir
Não é medo de aceitar
Só que neste momento não quero me ferir
Meu mundo esta em desordem
Até o céu está cheio de dragões
Maldito coração
Vulnerável a paixões
Bainha louca
Baixinha linda
Saia do meu poema
Não ando afim de problemas
Volte daqui dois meses
Ou espere com calma
Pois agora não quero
Lhe dedicar a minha alma
Mas pare de bagunçar meu mundo
Até gostei dos dragões
Mas cuidado no que toca
Cuidado ao ressuscitar minhas emoções
Existem coisas boas
Mas também tem coisas más
Se tu for realmente o que aparenta
Não arrumará problemas
Agora deixe-me aqui no MEU mundo
Tenho que continuar andando
Tenho que conversar com a morte
As duvidas que andam me incomodando...
No cemitério estão os mortos que já morreram; outros que vão demorar a morrer. Ainda há os que jamais morrerão: seus feitos construíram a eternidade e serão sempre lembrados.
Cemitério.
Madrugada.
O orvalho fede a lembrança e carne velha.
E eu tô ali.
Com flores murchas na mão
e esperança enfaixada em gaze suja.
Sabe o que é amor?
É escavar a terra com as unhas
porque a pá ficou leve demais.
É sentir o cheiro de formol
e ainda assim achar perfume.
É abrir o caixão devagar,
como quem desembrulha um presente proibido.
E lá está ela.
Minha musa cadavérica.
Rainha do silêncio.
Pele cinza como as manhãs que eu perdi.
Lábios rachados,
mas o sorriso?
Mais sincero que o de muita gente viva.
Dizem: “isso é doente.”
Mas eu te pergunto:
e aquele cara que finge amar só pra não dormir sozinho?
Ou aquela que sorri por obrigação no jantar de família?
Quem é mais doente?
Eu amo cada verme que beija tua carne.
Cada lasca do teu osso que brilha na luz da vela.
Eu passo os dedos pelas costelas
como quem dedilha um piano
e ela me canta, em silêncio.
Uma ária morta.
Um sussurro do além.
Te vesti com seda e desespero.
Te deitei no lençol da minha culpa.
E fiz juras que até Deus viraria o rosto.
Mas ela não.
Ela me olha com olhos secos
e ainda assim me vê por inteiro.
E sim, a cama geme.
Não de prazer.
Mas de peso, de passado,
de pactos que não têm volta.
A irreversibilidade e inevitabilidade do envelhecimento estão sendo veladas na capela do cemitério de impossíveis.
Ele, era tão,tão...! Que ficou fechado, numa Urna de caixâo.Todavia ficou
enterrado no cemiterio dos câes ,perque o seu fiel amigo,estava là sepultado
com a sua cara metade
Valentim Casimiro
Flor de cemitério
Boró nasceu e cresceu
Ficou grande e bonito,
Então disse:
- Sou Orfeu!
Mas, tudo isso era tolice
Ele era mesmo é feio!
Mas, ele em seu quarto
Tinha espelho
E repetidas vezes de joelho
Dizia a si mesmo:
- Sou belo e formoso;
- Sou bonito e charmoso!
Pena que ninguém o via assim
Todos diziam: Ai de mim!
E a ele rotulavam, feio
Feio de feição
Mas no seu coração,
Beleza tinha!
Triste e solitário ele morreu
E junto ao seu calvário
Uma flor, ali nasceu!
- Que flor linda! Disse Cesário
E todos que por ali passou,
Pela for se encantou
E a flor assim chamou...
- Flor de cemitério!
As vezes a mente mais parece um cemitério, cheia de sonhos e pensamentos mortos e com um vento gélido, que vare pra longe as cinzas das luzes que já se apagaram.
A bondade morreu junto com meus sentimentos que foram enterrados no cemitério, ao lado de todos meus argumentos para poder continuar vivendo.
