Caverna
Após brigar com a vida, mudou para uma caverna, logo batizada como Matrix, em uma montanha no Himalaia ao lado do Everest. Passou a ser fiel testemunha da passagem do tempo, sendo o clima o único a quebrar a rotina, ou seja, vivendo por viver. Um belo dia, do nada, surge alguém subindo a montanha na direção da Matrix, coração acelera, lembra como é sorrir, ressuscita a esperança, mas, sempre famigerado “mas”, já próxima, vê a esperança desistir e ir embora. Lembre-se, caverna é bom mesmo pra ursos, seus parentes e nunca brigue com a vida.
Antigamente, o eremita era de fato um ermitão. Isolado em seu eremitério, lugar deserto ou caverna em uma montanha inóspita, cumpria penitência em seu plácido ostracismo até o dia em que encontrou um celular e, pior, funcionando. Coitado, foi abduzido pela humanidade.
ACORRENTADOS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Pra quem é de caverna luz faz mal,
dói nos olhos e turva o coração,
sonho é cal no jazigo de su´alma
e nenhuma emoção pode acalmá-lo...
Quem resvala na sombra teme o sol
que revela os humanos desafios,
vê desvios, perigos e destons
onde moram seus medos deste mundo...
A caverna está dentro de quem vive
para ver os fantasmas inventados
de passados, de agora e de pra sempre...
Tudo paira na sombra de quem mora
na caverna que mora no seu nada;
tudo é nada pra quem se acorrentou...
PRESENÇA REMOTA
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Sempre foste a caverna que retém meus gritos
e jamais me devolve o mais ínfimo eco,
minha pura verdade secreta e medrosa
por qual peco a viver uma grande mentira....
Eu te quero com todas as não pretensões;
quero apenas, não quero num tom terminal,
só desejo atenções e momentos de trocas
abstratas, remotas – de perto à distância...
É no aço do espelho que busco teu rosto,
é no gosto que arranco desta solidão,
que te arrasto comigo e no fim jamais vens...
És ausência presente no campo dos olhos,
minha mão sempre soube que não te acharia,
mas meu dia só conta se minto pra mim...
Há muito tempo me prendi em uma caverna... me isolei do mundo, das pessoas e de mim mesma.
Agora tudo mudou, eu não quero mais me contentar com esse teto escuro, quero crescer, quero sair, mas ela diz que não é seguro… Que tem coisas horríveis lá fora… Pessoas más… Pessoas que vão querer meu mal… Lugares sombrios… Mais sombrios que minha caverna…
Mas… É claro que tem coisas ruins lá fora… Mas eu fico pensando…
Tem coisas boas também, não é?
Onde tem sombras tem luz, não é?
Quero viver… Quero sair…
Ela não deixa eu sair…
Ela tem medo…
Assim como eu tive…
“A incompletude do homem é uma escada que o leva para uma caverna onde a única luz que existe é de uma fogueira”
Ney P. Batista
May/07/2021
Sem arrependimentos o coração se tranca no fundo de uma caverna, impedindo que a luz exponha as grandezas da vida: sabedoria, humilde, amor, paz e perdão.
Ovelha que segue o lobo
Em breve será levada
Para uma caverna escura,
Perderá a visão da luz,
Da fé, e sua esperança
Será destroçada.
Fecho os meus olhos
A caverna e o coração
Perdidos entre um sim e um não
Na calada da noite preta
Deus, Deus, Deus
Aonde eu vim parar
À noite preta vou me entregar.
Fogueira mantida acesa
Com uma fogueira na caverna mantive o nosso amor aquecido e bem cuidado da neve lá fora,
o inverno é duro e duradouro, a escassez e os sons estranhos vindos do tempo sombrio tentam esfriar as almas, nos atentam a reações incomuns ao que acreditamos ,
os perigos do frio e de seus ventos penetrantes são visíveis na pele, deixam marcas profundas nas lembranças,
mais uma caça foi bem sucedida, mais lenha é posta na fogueira, a noite cai e com isso os sorrisos e o clima de segurança se levantam e renovam os laços na caverna,
ao dormir, os arrependimentos e as mágoas fogem pelas sombras da fogueira,
é manhã, os pássaros nos acordam, o barulho da correnteza do rio é ouvido, a neve timidamente se esconde e no ensaio de acordar com a pressa de um urso voltando da hibernação, nos levantamos e a imagem do sol nascendo a nossa frente com a vegetação recebendo sua fotossíntese foi o que marcou o momento de dois corações ganhando novos sentidos, assim como, respirando vitoriosos o som da mesma música.
Quando dentro de uma caverna, acostumado, acomodado, tiramos o indivíduo que lá estava há muito, ele resistirá.
Jamais conseguirá voltar...
"Não é estar na CAVERNA, mas estar num lugar de PREPARAÇÃO e TREINAMENTO, num tempo de SEPARAÇÃO JUNTO AO SENHOR. ⭕AQUIETADA porém , ALERTA;
⭕ACALMADA porém, MUITO MOTIVADA!
Projetando meu futuro, sonhando e colocando cada dia diante de Deus, porque realmente não dá para viver sem depender da direção clara do Senhor!"
—By Coelhinha
– Estamos dentro do Baú, Aninha. Como os Jovens de A Caverna do Dragão ao ingressar na Caixa de Zandora. Camila caminha conosco, de mãos dadas. Mas do lado de fora. Em pensamento. O Aqui e o Agora, Aninha, é absolutamente relativo. E O Silêncio-Que-Vem-Mais é a construção das paredes internas do Baú. Uma Viagem no Tempo sem tempo para perder. Vem, Aninha, vamos embora. Que esperar não é saber. Quem sabe sabe agora -- não espera para ver.
– Wellington! Wellington! É deveras um local estranhíssimo esse Baú. Teu amigo Didi deve estar doido para encontrá-lo e compreender o que esses vinte e seis anos ocultaram no Plano das Ideias. Foram expectativas sem fim.
– As quais compartilho até hoje, Aninha. Vem.
Parábola da Caverna - Platão
"Ainda que se tente salvar alguém, alguns ou todos, com conhecimento à liberdade, a luz arde nos olhos de quem acostumou-se com a escuridão, e poucos, ou por vezes, nenhum assim no costume aceitará sair da rotina que lhe é suficiente causa de prazer, conforto e estilo de vida. Porém, todavia, problema mesmo seria sair desta prisão, voltar à ela e deixar-se convencer que ali, assim é realmente melhor. Certeza o fardo da morte seria mais leve."
LEITURA DO CREPÚSCULO INTERIOR.
Nas horas em que o peito se torna caverna,
e a esperança aprende a falar baixo,
há um cântico antigo que retorna,
feito bruma sobre a memória.
Não chama pelo nome,
não exige resposta,
apenas envolve,
como quem conhece a fadiga de existir.
A dor, então, se refina,
abandona o grito e escolhe o sussurro,
e o sofrimento deixa de ser castigo
para tornar-se linguagem.
Quem suporta esse instante,
sem pressa de escapar,
descobre que o abismo
também é um lugar de revelação.
E compreende que resistir
é uma forma elevada de oração,
na qual o espírito se ergue silencioso
e permanece inteiro diante da noite.
