Coleção pessoal de giuliocesare

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De um contemporâneo de Cabral e Colombo: num oceano solitário, calmaria absoluta, velas órfãs de vento, a subsistência se esvaindo... Do nada, eis que chega uma brisa, vinda do sul. Soprou, soprou e foi embora; sumiu, escafedeu-se. Não resolveu, mas deixou a convicção e a fé, resgatando aquilo que estava perdido: a esperança. Assim sendo, faço agora o registro, já em terra firme.

Hoje, 1º de setembro; amanhã 2, depois 3.... Uma cronologia do tempo importante para quem tem boletos a pagar. Para outros que também têm boletos, mas esperança, objetivos e metas consistentes em sonhos de evolução: sejam bem vindos!

A solidão absoluta leva a um processo de acidez, toxicidade e erosão, dissimulado em proatividade, esperança e otimismo. Assim, pelo sofismo, não submerge de vez. Consegue respirar e ter uma sobrevida por um único propósito: deixar algo válido, uma lembrança positiva. Não ser deletado no dia seguinte à sua passagem, êxito.

“See You in September”, do The Happenings, música que me traz as melhores recordações da adolescência: a alegria, a luz, o calor, as flores, as festas e os sonhos com os amores da primavera.

Nas minhas escritas, a recorrência do tema amor e sentimentos sinto como missão, desde sempre, por intuição e sensibilidade, sem indução, puro estímulo interior. Sonhos também sempre a bordo, pela sua importância para o amanhã.
Porém, o que nos reserva o próximo minuto? Quem está livre ou isento de ter um meteoro caindo sobre a cabeça no próximo segundo?
Amor, sentimento e intuição formatam a vida, sua qualidade e dão lastro para suportar as adversidades no presente, no futuro e até na releitura do passado.
Por crer nisso e estar convicto, continuo recorrente, objetivo e sucinto nas minhas escritas. Podem ser avaliadas como bobagens, mas, se forem lidas, missão cumprida.
Nada de receitas ou conselhos, apenas sugerindo uma reflexão sobre a importância daquilo a que não damos importância no cotidiano: no próximo minuto, no seu hoje, no amanhã, na sua vida.

Que seja um dos piores cenários de sua existência; sonhar seja algo que já nem se lembra do que é; amar e ser amado seja ficção; e que a sorte te abandonou. Lembre-se: o sol invade sua janela e ilumina seu rosto todo dia. Se não vê, escute com seus olhos o grito ensurdecedor da vida. Então viva, viva e sorria pela vida.

Apesar do passar dos anos, da amnésia natural do tempo, da distância geográfica, da dinâmica das mudanças da vida e, ainda assim, de ser lembrado com respeito e carinho, fique certo de que sua existência não foi em vão: sua lembrança ficou no coração

Não se iluda com imagens, falas bonitas ou escritas inteligentes, nem com presentes e muitas gentilezas. Amor é sentir dentro de nós; não mora nos olhos nem nos ouvidos: mora no coração e fica, mesmo na ausência.

Aos jovens, uma reflexão de quem se aproxima dos oitenta. Descobriu, já tarde, que a pior pobreza não mora na carteira, mas na falta de amor. Os dias repetem-se entre contas, lembranças e silêncio. Já não espera grandes acontecimentos; pede apenas saúde para não sofrer nem dar trabalho à ninguém. Ainda assim, abre a janela todas as manhãs, faça sol, chuva ou vento. Enquanto houver um amanhecer, a esperança sempre encontrará um jeito de entrar. Talvez porque a esperança também atenda pelo nome de amor.

Ofertar flores será sempre um meio eficaz de quebrar geleiras e superar muralhas, até as da China. Metáforas à parte, o mimo tem por objetivo de sensibilizar e adentrar em corações.
Mas o que importa não são as ofertas, e sim as entregas imateriais: as que nascem de um coração e alcançam outro, na dimensão e na estatura da palavra, sentir.

Escrevo em frases curtas porque o tempo passa depressa; escrevo para o futuro porque o coração acredita que sentimento não envelhece. Não deixarei fortuna. Deixarei sentimentos, para que amor continue respirando depois de mim.

Tinha alguém com quem falava, ria, rosnava, chorava, até cuidava e, principalmente, sonhava. Optou por libertar, deixar voar, não por desdém, mas por amor. Não se deve prender uma linda borboleta. A natureza reclama e as flores agradecem.

Um dia você abre os olhos e vê a luz: nasceu.
Outro dia, acorda e tá na hora de ir ao colégio.
Outro dia, o despertador berra: atrasado para o futebol com os amigos do Clube da Esquina.
Outro dia, desperta ao lado do primeiro amor, depois de muito amor.
Outro dia, de madrugada, o alarme dispara: primogênito com fome.
Outro dia, o celular interrompe a soneca pós-almoço: mensagem da neta distante.
Outro dia, acorda assustado por ter passado do horário dos remédios.
E chega o dia do agradecimento, de abrir os olhos e ver a luz de um novo dia.

A vida ensina que algumas pessoas passam, outras permanecem e algumas deixam discretos rastros de luz pelo caminho. Há gestos tão simples que parecem pequenos, mas encontram um jeito de tocar o coração. Em um mundo onde tantos aprendem a disfarçar sentimentos, a espontaneidade de uma criança continua sendo uma das mais belas formas de verdade. Obrigado, Cacá!

Tirei uma dúvida com a janela do meu quarto: além do bem-te-vi despertador de todo dia; da visita de um solitário beija-flor; e rota das maritacas, quando chego na janela não espanto a turma e não espantando, evidencia que existe empatia, solidariedade e amizade comigo também. Assim, pelo privilégio, a janela e eu ficamos felizes e confortados, pois a solidariedade é inimiga da solidão.

Por opção, renunciou ao palco e foi para a platéia; virou espectador. No início, ficou na primeira fila, mas com o passar dos anos, na última. Como sempre foi coadjuvante, administrou o anonimato numa boa. Esquecimento dos fãs foi natural, mas o dos colegas e amigos, doeu. Não reclama; era o contexto esperado pela sua opção, e o mundo é feito de opções, exceto ficar órfão do amor. Vive como os passarinhos vivem. Seu cotidiano: contemplar o universo pela janela. E o que restou do último ato: ainda sorri.

As palavras ganhos, perdas, chegadas e partidas, são marcantes em nossa existência. Suas consequências, efeitos diretos e colaterais, são moduladas pelas etapas da vida, principalmente na última: ganhos e chegadas reduzem; partidas e perdas aumentam, sendo o tempo responsável. É uma visão restrita a pessoal. Sem métrica, a simples meditação a respeito ou retrospecto da própria vida, faz assimilar e valorizar a palavra maior: tempo.

Uma reflexão sobre um adjetivo e um verbo: sensorial e sentir.
Sensorial é o físico: visão, audição, olfato, tato e paladar, como o toque de um abraço, o cheiro de alguém querido, o som da voz que conforta.
Sentir é muito mais amplo: pode ser físico, emocional ou até metafísico. Não depende apenas dos sentidos; pode existir mesmo à distância, sem contato físico, como quando sentimos alguém que não está presente.
Amor é sentir.

Uma boa evidência e alerta é quando os próximos passam a ficar distantes: é o sintoma de que você virou um ‘chatão’. Aliás, que fique registrado: se os próximos não reclamaram e sumiram à ‘francesa’, nunca foram. Duas, uma: recorra à psicanálise ou ligue o ‘foda-se’, assuma o ‘chatão’ e saia do armário. Assim, quem sabe, seja realizado, feliz e passe a ter próximos, ou melhor, amigos de verdade.

Metamorfose: da ave belíssima para um tatu. Do voo migratório entre continentes para debaixo da terra. De trocar a luz do sol pelas trevas de uma toca. Da vida em bando para a mais absoluta solidão. De contemplar longínquos horizontes para mal ver próprio focinho; e da vocação de buscar a estratosfera para a espera de ser consumido pela terra.


Interessante: o desventurado ou exótico ser, sem o mais remoto parentesco com hienas, ainda sorri. Pasmem, existem vários exemplares por aí