Caverna
Após brigar com a vida, mudou para uma caverna, logo batizada como Matrix, em uma montanha no Himalaia ao lado do Everest. Passou a ser fiel testemunha da passagem do tempo, sendo o clima o único a quebrar a rotina, ou seja, vivendo por viver. Um belo dia, do nada, surge alguém subindo a montanha na direção da Matrix, coração acelera, lembra como é sorrir, ressuscita a esperança, mas, sempre famigerado “mas”, já próxima, vê a esperança desistir e ir embora. Lembre-se, caverna é bom mesmo pra ursos, seus parentes e nunca brigue com a vida.
Antigamente, o eremita era de fato um ermitão. Isolado em seu eremitério, lugar deserto ou caverna em uma montanha inóspita, cumpria penitência em seu plácido ostracismo até o dia em que encontrou um celular e, pior, funcionando. Coitado, foi abduzido pela humanidade.
Enquanto não há mudança, continuamos como prisioneiros na caverna, fazendo questão de ignorar a irrealidade da nossa própria realidade.
É tão apavorante se dar conta de que toda a sua vida tem sido numa caverna que é mais fácil continuar ali, preso, do que reformular sua realidade.
Fogueira mantida acesa
Com uma fogueira na caverna mantive o nosso amor aquecido e bem cuidado da neve lá fora,
o inverno é duro e duradouro, a escassez e os sons estranhos vindos do tempo sombrio tentam esfriar as almas, nos atentam a reações incomuns ao que acreditamos ,
os perigos do frio e de seus ventos penetrantes são visíveis na pele, deixam marcas profundas nas lembranças,
mais uma caça foi bem sucedida, mais lenha é posta na fogueira, a noite cai e com isso os sorrisos e o clima de segurança se levantam e renovam os laços na caverna,
ao dormir, os arrependimentos e as mágoas fogem pelas sombras da fogueira,
é manhã, os pássaros nos acordam, o barulho da correnteza do rio é ouvido, a neve timidamente se esconde e no ensaio de acordar com a pressa de um urso voltando da hibernação, nos levantamos e a imagem do sol nascendo a nossa frente com a vegetação recebendo sua fotossíntese foi o que marcou o momento de dois corações ganhando novos sentidos, assim como, respirando vitoriosos o som da mesma música.
Muitos esbravejam, gritam e tocam os tambores anunciando a sua libertação da caverna de Platão, só que infelizmente 😔 continuam carregando em seu inconsciente: as sombras do medo, as loucuras de suas máscaras, a ganância e a corrupção. Pobres seres, que mesmo tentando caminhar na luz da vida, estão sempre apavorados com as suas escuridões mentais, que se enraizaram no seu espírito. Mas há uma grande e real forma de libertação, que é tendo um encontro verdadeiro com o Cristo, 🤗para poder abandonar, de vez, a sua própria cruz, que estará sempre algemando as almas dos arrogantes, hipócritas, caluniadores, pobres de espírito e infiéis. Porém, buscais primeiramente a sabedoria de Deus e a sua justiça, porque as demais coisas Ele vos acrescentará.🙏 E desta forma poderás abandonar de vez, a falsa camuflagem, para que todos possam lhe ver, como uma verdadeira imagem e semelhança do Criador.
A mente vulgar, como no mito da caverna, ainda é atraída e alimentada pela imagem. Percebem bem isso aqueles que escrevem. Basta uma bela figura e logo haverá milhões de moscas em volta, admirando, embriagadas com múltiplos símbolos e interpretações.
Já os textos bem elaborados com lucidez e domínio textual e temático não são lidos por mais de meia dúzia de pessoas. Quais são os temas em voga hoje na internet, no mundo virtual?
O mundo vive uma abismal crise de consciência e alienação vaidosa, todos querem ser vistos, fotografados e aplaudidos, não raro por compartilhar ideias ou fotos dos seus vizinhos virtuais.
Sem arrependimentos o coração se tranca no fundo de uma caverna, impedindo que a luz exponha as grandezas da vida: sabedoria, humilde, amor, paz e perdão.
Atualmente a alegoria platônica da caverna pode ser interpretada: Na obscuridade em que o indivíduo pode viver, não é a falta de integibilidade, mas a ausência de sabedoria para encontrar as respostas que luz nos conduz dentre o bombardeamento de informações que nos chegam pelos os nossos sentidos diariamente.
LEITURA DO CREPÚSCULO INTERIOR.
Nas horas em que o peito se torna caverna,
e a esperança aprende a falar baixo,
há um cântico antigo que retorna,
feito bruma sobre a memória.
Não chama pelo nome,
não exige resposta,
apenas envolve,
como quem conhece a fadiga de existir.
A dor, então, se refina,
abandona o grito e escolhe o sussurro,
e o sofrimento deixa de ser castigo
para tornar-se linguagem.
Quem suporta esse instante,
sem pressa de escapar,
descobre que o abismo
também é um lugar de revelação.
E compreende que resistir
é uma forma elevada de oração,
na qual o espírito se ergue silencioso
e permanece inteiro diante da noite.
"O conhecimento nos liberta da caverna da ignorância, contudo, mesmo fora dela, ainda coexistimos na escuridão dos idiotas."
Fecho os meus olhos
A caverna e o coração
Perdidos entre um sim e um não
Na calada da noite preta
Deus, Deus, Deus
Aonde eu vim parar
À noite preta vou me entregar.
"Quando olho para o futuro, vejo-me na pré-história como um homem da caverna, sonhado com um esqueiro e luz elétrica."
- Relacionados
- Mito da Caverna
