Carne
laços oponentes
sentimentos que doem
abração a pele em carne viva,
dispõem no intenso pulsar do peito,
desdem os lábios rachados e
mordidos brevemente pois ador faz bem
mesmo quando se tem mais segundo
desejo ardente muito esquecido
lamentos que se dissolvem na madrugada.
até silencio escoa entre cortes profundos,
nessas que são as vozes do teu coração...
A vida pecaminosa é terrível, ainda que pareça prazerosa. Um abismo chama outro. A carne exige mais, pecados piores, mas nunca fica satisfeita. Quanto mais fundo na lama, mais se deseja afundar. Cuidado com “pecadinhos simples”. Quando vir, você já pode nem reconhecer a si mesmo.
MINHAS DECISÕES
Minhas decisões
Acertadas ou não
Sangraram
Rasgaram a carne
Quebraram a casca
Minhas decisões
Acertadas ou não
Fizeram-me sentir
A dor das metamorfoses
Sem elas eu não sentiria
O frescor do vento nas asas.
Uma semente
Sou eu a semente,
pedaço de gente,
que sonha que sofre,
sou carne sou mente.
Sou eu a semente,
querendo o ausente,
germino somente,
em estado de amor.
Sou eu a semente,
buscando em mente,
esquecer-te enfim,
arrancando o de mim.
Sou eu a semente,
um bicho com fome,
na rua sem nome,
em estado de dor.
Sou eu a semente,
em sonhos nocivos,
me perco em medos,
nos sonhos perdidos.
Sou eu a semente,
em sonhos de amor,
sonho em segredos,
e suspiro de dor.
Sou eu a semente,
no canteiro jogada,
sozinha encontrada,
mas que germinou.
Sou eu a semente,
do fruto usada,
um resto de gente,
que sem rumo ficou.
Sou eu a semente,
que venceu de repente,
de forma contente,
buscando o amor.
Sou eu a semente,
sofrida magoada,
que despedaçada,
no amor superou.
Questão de lógica simples, para deslindar a metafísica: Ou a razão transcende a carne frágil e mortal ou não. Sendo imortal, o é independente de ação do homem consciente ou inconsciente. Não sendo não terá o homem condições de alterar este fato. Portanto, resta o benefício da dúvida para os céticos e a fé para os crédulos...
A vontade da carne não entende que o mandamento tem uma essência. Por isso obedecemos por ignorância, quando na verdade somos beneficiados pelos princípios que estão por detrás do mandamento.
em época de tanta modernidade
acabaram de dar um duplo sentido à frase:
"A carne é fraca"...
banalizando o sentido da primeira!!!
Os olhos da ''carne'' tem visão turva, traiçoeira, nos mostra oque queremos ver e não oque precisamos ver"...
FOME
Cortou aquele pedaço de pão
para poder matar a fome,
que já lhe cortava a carne.
Não desperdiçou nada daquele alimento,
recolhendo cada uma das migalhas,
já que, na maioria das vezes,
até mesmo elas lhe têm faltado.
O pão nosso de cada dia
só lhe vem à boca, ultimamente,
quando reza aquela oração.
Mas, para que querer pão,
se quase não tem dentes?!
Para que os dentes
se não tem mais sorriso?!
Para que o sorriso
se não tem esperança?!
Para que a esperança,
se quase não tem vida?!
Para que a vida,
se viver é ‘morrer de fome’
aos poucos, todos os dias,
até, literalmente, morrer de fome
num dia qualquer,
num canto qualquer?!
(Publicado no livro “Arcos e Frestas”, página 16)
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- O texto recebeu Menção Honrosa no “XIII Concurso Nacional de Poesias Marcos Andreani”, da Academia de Letras e Artes de Paranapuã-ALAP, de Tijuca-RJ.
"Talvez a morte da carne seja o pior medo do homem; E as vezes a morte interior antecipe a morte carnal; Quando se morre por dentro, já não se vê sentido no lado de fora; E quando a ressurreição interior se tornar confusa a morte se multiplica."
Irmãs.
Somos como unha e carne,
Somos como união e amor,
Somos como uma em duas;
Somos Aline e Bianca,
Somos irmã e amigas inseparáveis.
A carne foi meu alimento, o meu pecado foi minha fraqueza por você
Pelos ares já sentia a putrefação que me cercava a dias
Pesado como se carregasse ferro
Meu ar estava poluto quase encarregado
Olhos longe vazio no infinito, para a imensidão ábdito do espirito
Na espera do cair da neblina com a esperança que ela leve tudo
Como uma concepção anunciada
Pela cimitarra tinha um fim pronunciado
Um apelo aos meus ouvidos, que não param de ranger
A cada instante meus pulmões fluem e precisam de mais ar
Como eu queria que o tempo passasse para a dor sumir
Que os prédios da minha cabeça caíssem, para eu levantar e recomeçar
Como um peixe fui fisgado, e dependo nas garras do pescador
De me devolver a água e voltar a não se perverter
Ou ir para o caldeirão sofrer as consequências da minha mazela
Como um fantasma vivo alerto aos que restam, o caminho da volta não é vergonha
A integridade não me alcançou, como eu queria agora, mas na hora não clamei por ela
Humildemente pagarei até o último dia, para com a maior glória que tive de hastear
Agora estou terso, sem culpa esperando a brisa da tarde me levar a claridade da bondade.
