Cadáver

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O cadáver humano é o corpo de uma pessoa de identidade própria que sentiu, sofreu, amou...e o ter sido isso confere-lhe uma dignidade que deve ser respeitada.

Senta-te à porta da tua casa, e verás passar o cadáver do teu inimigo.

O Cântico do Cadáver
Juvenil Gonçalves


Encontrei-te, cadáver, no leito de limo,
Vestido de folhas, coroado de espinhos.
Teu riso era vago — sem lábios, sem fim
E teus olhos comiam o céu sobre mim.


Cantavas com vermes um hino sem nota,
Com versos que o tempo em teu osso anota.
Cada costela — uma clave sombria,
Teu crânio — tambor da melancolia.


“Fui rei”, murmuravas, “de um reino de nada,
Tive amantes, palácios, medalha dourada.
Agora me escuto, em silêncio profundo,
Pois quem jaz conhece o real desse mundo.”


Teus dedos partidos apontam os vivos,
Caminham sonâmbulos — tolos, cativos.
Riem da morte, e por ela são ridos,
Brindam ao gozo — já estão esquecidos.


Afastei-me em pranto, mas levo teu canto:
A carne apodrece, o orgulho é espanto.
E toda verdade que o homem levanta
É pó que a minhoca, paciente, encanta.

Amor em decomposição

O amor que tive apodreceu no peito,
como cadáver preso à eternidade.
Não há perfume — só o desafeto,
e a carne exala a própria saudade.

Teu nome vibra em células partidas,
como um lamento ácido e profundo.
E eu sou ruína, sombra entre ruínas,
amando o nada que restou do mundo.

Sempre que a vejo sob os galhos desta àrvore
Seca e murcha como um cadáver
A aflição me consome como veneno
Pois, no cinza de teu olhar, vejo algo além de um céu carregado
Posso ver o olho do furacão, elevando sua fúria às auturas
Igualando o oceano ao purgatório.

Mas que aperto! Não basta apenas a agitação do mar
E nem a ira dos ventos,
Sobrevoam nuvens negras como a morte em sua cabeça
Transbordando não água, mas lágrimas,
Devorando o rubi de tua face,
Agora sob uma enchente de dores!


Eu imploro, pare de sangrar
Nesse mar tão linda alma não merece se afogar
E nem sobre uma lápide seu nome estará
Pois em meu barco hei-de te levar
Chore agora, para não se afogar depois.

Sem Jesus Cristo, o homem é um cadáver adiado perambulando por esse mundo caído.

⁠Cuidado com a raiva lembra que você não é túmulo para guardar cadáver.

Hoje eu vou dançar a minha dor!

E sobre o meu cadáver

Plantarei flor!

Carregar o cadáver dos seus erros passados não é um ato de justiça, mas de profanação do seu presente. O homem que não se perdoa torna-se o carcereiro de uma cela cuja chave está no seu próprio bolso. A verdadeira nobreza começa quando você decide não ser mais o carrasco da sua própria história.

Uma arma velha, quebrada e esquecida
Jaz no chão, como um cadáver da memória
Seu metal enferrujado, seu coração de pólvora
Um dia foi forte, agora é apenas um peso morto
Seu cano está quebrado, sua alma está perdida
Ninguém a usa, ninguém a quer
Ela sonha com o passado, com os tiros que deu
Mas agora é apenas um objeto, um peso vazio e inútil
Ela lembra dos gatilhos puxados, dos sons de guerra
Dos gritos, das lágrimas, das vidas ceifadas
Agora, apenas um silêncio ensurdecedor
Um lembrete de que a violência é estéril, e a morte é vã
Ela espera pelo fim, pelo descarte final
Para ser derretida, transformada em algo novo
Mas até lá, ela jaz aqui, quebrada e sozinha
Um símbolo da destruição, da dor e da morte. 😔

"Quem não conhece nada é cadáver antes mesmo do primeiro golpe."

Não reparei,
Que no fundo, bem lá no fundo.
Teus olhos,
Escondia um cadáver de uma menina.

O passado é um cadáver intocado pelo tempo; regressar a ele é deitar-se na podridão, aspirar a decomposição de ossos que jamais voltarão à vida. Ainda assim, minha mente enferma cava covas dentro de mim, arrancando memórias que nem sempre são minhas, mas que me invadem como larvas famintas. Eu as vivo em carne exposta, como se fossem chagas abertas, sangrando uma dor que não me pertence, mas que me consome como se fosse a única verdade que restou.

Deus é o cadáver de uma estrela que ainda insistimos em usar como bússola.

"Ela deitou-se sobre o meu cadáver transparente e só o que fez foi sorrir, o rosto sereno. Pôs as mãos sobre os seios em pose de donzela, disse que me amava. "Eu o amo, Cupido." Ainda que eu soubesse que era só o fantasma de sua alma que vinha para dizer-me adeus, eu sorri como só os olhos azuis de um anjo o fariam, o meu corpo brilhante flutuando entre o amor e a despedida. Poderia morrer agora: eram as palavras mais doces que se pode ouvir no leito de uma morte."

Inserida por Halinka

Para o Wilson de 1994

Recordo meu primeiro cadaver
1994...bem franzino
Pois o tempo me levou o rosto
E meu primeiro choro de menino.

Não verei meu ultimo cadaver
Quando eu for,um dia desses...por ruas esquecidadas
Mas lembrarei do meu primeiro sorriso
Quando morrer meu pobre fio da vida.

Inserida por WilsomBucolismo

Os cavalos mortos a arrastar seu orgulho, meu cadáver, a idolatrar seus carrascos.Me sinto um menino preso em um curral.Cavei e enterrei meus olhos em um buraco escuro, para não mais assistir o drama dos cavalos mortos no céu.Esperei o sol se despedir para só então sair de meu refugio.Encomentei minhas falsas preces, iluminei o caminho do meu próprio túmulo ao longo dos anos, para que eu não o esquece-se, para que não houvesse nenhum engano.Em minha mente as marcas dos açoites, a carne ferida, os cortes, q jamais iram fechar.Escravo de meus medos, morrerei engolido pela terra que tanto reneguei, sozinho, inerte.Que agonia, que agonia...

Inserida por MagaiverW

Para cada crime hediondo...Um álibi, uma motivação! Pra cada cadáver...Choro, flores, lenço, e um caixão. Pra o réu...Culpa, imputação! Para a sociedade, um desfecho... Repudiação! Para a justiça, inquérito... Reputar, com grito de contestação.

Inserida por eliane_ferreira_1

cadáver
soneto profundo
que mergulha
no profundo
do seu ser
necrofilia
te amei ate morrer
coloque seu corpo
numa estante que queimou
quando lhe disse meu amor.
estava bêbado
lendo destino tortuoso
e deu boas vindas
a teu fim quando se deu
num abraço,
e ouviu o catar da cotovia
se deu conta que musica que tocava
terminou quebrando o disco,
de tantas vaidades
o refresco foi deixado ate moscas morrerem...
sob luz de velas morre um pouco cada dia,
tantas parcelas de culpas,
que noite tem tantos sentidos.

Inserida por celsonadilo

Cinzas

Separa as cinzas do teu cadáver,
junta a elas as lágrimas de dor,
o sofrimento ao qual te entregastes.
Lembra da covardia de enfrentares
a verdade, e a vida que Deus te deu.
Mistura também a pouca fé,e a falta
de vontade de te reergueres.
Verás que tudo é a mesma coisa, cinzas,
simplesmente cinzas.
Nada útil fizeste, nada útil ficou, apenas
o peso, que agora carregas do pouco ou
nada que você de real plantou.

Roldão Aires

Membro Honorário da Academia Cabista,(Aclac)
Membro Honorário da A.L.B / São José do Rio Preto - SP
Membro Honorário da A.L.B / Votuporanga - SP
Membro da U.B.E

Inserida por RoldaoAires