Berço
Brasil:
No berço apenas a burguesia desfruta dessa mãe gentil,
"A amazônia é nossa" mas pobre desfruta-la nunca
se viu,
"o petróleo é nosso" mas para o nosso bolso é
incabível,
somos servos dos filhos amados dessa mãe
gentil,
eles acham que isso é guerra entre patrão e proletariado,
mas é guerra dos sem teto e latifundiários,
por que ontem passei fome e ele hoje comprou um novo carro?
Se somos filhos da mesma pátria por quê apenas eles esse solo tem
herdado ?
A maior dificuldade talvez seja reconhecer,
Que eles dizem ser seu para as grades você não
romper
e ir atrás de algo que foi construído por
você
O verdadeiro homem não faz filho. Na minha educação de berço que recebi de meu pai, o verdadeiro homem cria o filho, possibilitando-o de ser um homem bem melhor do que ele. Por isto que tantos dizem por aí que o grande pai é sempre aquele que cria.
Não concordo com filósofos nascidos em berço de ouro que pregam sobre fórmulas de felicidade. Palavras vazias, em uma sociedade que a maioria não tem direito ao mínimo de dignidade.
Amadurecer é reconhecer o berço após explorar seus limites, é fazer do que era distância se converter em reconhecimento e saudades.
Jequitinhonha
Berço fresco da minha existência
trago em meu sangue toda a sua veemência
Que no esplendor da tua nascente
Vem mostrar - nos sua beleza corrente
Desaguando em mar plácido e vasto
Que águas mansas e doces irrigam
Seu leito álveo e casto
Insanos humanos, surgem, castigam.
Oh! Rio de águas doces e abençoadas
Sua vida é nossa história
Nas lembranças, mal lembradas
Sem carinho? Não sozinho.
Sua história na memoria.
Vida iluminada de lua
Não lhe podemos mal amar
Nossa vida também é tua!
Impossível desamar.
Mané
Nasceu ignorante
Sem berço para levá-lo adiante.
Sem esforço
Descambou para a vida errante.
Teve muitas amantes.
Sua felicidade?
Deitar-se com as Maneias,
Eram as suas odisseias.
Pensava só com o falo
O que de mais honroso tinha,
Só poderia se tornar inábil.
E agora Mané, que o seu corpo,
Chegou ao desmonte?
E desmoronou.
Mas, o caminho já foi percorrido,
A herança é da inconsequência
Restando os poucos fragmentos
Da vida que você traçou.
A caridade vem do berço, das nascentes da alma e se extende sobre as pessoas em volta, como um manto, todos os dias.
Dizem que a mão que balança o berço é a mão que governa o mundo, mas, pelo visto, não estão balançando o berço como deveriam, se não desistiram, então terceirizaram a mão; ou as duas coisas juntas, abriram mão e terceirizaram a mão.
Canaviais.
Vocês vieram da família das gramíneas,
nasceram no berço da Oceania
e viveram por um bom tempo,
cercadas de montanhas densas e robustas.
Entretanto, cresceram e criaram raízes,
raízes estas como garras de felinos.
Com o decorrer das emigrações,
suas sementes foram disseminadas
e diversas nações,
as colheram de braços abertos.
Mãos ágeis e calejadas,
cultivaram as ramas preciosas
gramas estas que eram regadas,
com o suor de um povo batalhador.
Fosse em baixo de chuva ou de sol,
verdejantes canas-de-açúcar,
se mantiveram de pé
e feito grãos de cristais,
se espalharam em grande escala.
Oh! Canaviais!
Permaneçam a nos enlaçar,
com doçura e versatilidade.
Oh! Canaviais!
Continuem a derramar,
a pureza do melaço,
para nutrir o solo
dos nossos corações.
Oh! Canaviais!
A Terra gira, gira e não se cansa,
de brindar pela sua existência.
Oh! Canaviais!
Ainda que nós seres humanos,
muito das vezes agimos mal
Porém, não desistam da gente não!
Já diria o velho ditado:
“rapadura é doce, mas não é mole não!”
Oh! Canaviais!
És fonte de energia,
és o combustível que sustenta,
a nossa perspectiva de um mundo melhor.
O deserto é o meu berço, eu nasci lá
O deserto é a minha estrada, eu viajo lá
O deserto é o meu túmulo, eu vou morrer lá ",
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