Coleção pessoal de OgaihtSuil

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Ao responder sobre
mim,
recitei minhas saudades e
meus medos,
então em uma coragem
esquizofrênica,
eu me 'interlecutei' com
"Onde me fixo?"
e me 'enlucidei' vago,
como um ponto e vírgula
em meio a um
papel em
branco.

Se no mundo fossemos a nossa única companhia,
a jóia mais valiosa perderia o
brilho e valeria tanto
quanto um ínfimo grão de areia
esquecido na
palma da
mão.


Mas um único curto gesto de
voz
custaria mais do que toda
riqueza guardada
no cofre da
existência.

Os pés à frente dos pés: em linhas, em retas, em curvas nubladas. Inerciados negativamente ao futuro e subordinados a um passado, surgiram de um desejo profundo, contudo de um imaginário raso: conectados como um quebra-cabeça de duas peças. O simples se moldou complexo, existindo mais na persistência do que no desejo. Por mais que seja incerto, os pés andaram muito para recuar, mas pouco para concluir.

Caminho e o mundo abre como casa sem portas,
entro como quem não recebeu convite e saio como parte da rua.
Degusto uma saudade na esquina, como quem abraça pela primeira vez,
e guardo em meu bolso está parte de quem sou
Volto a caminhar e observo o céu como quem olha teus pulsos, pisando no chão como se este tivesse culpa.
Sou amargo com quem tenta adoçar minha vida "não tenho dinheiro, obrigado".
Agora, vejo as vias correndo e zango-me quando elas param.
Anseio pelo tempo como quem possui encontro marcado .
Retorno e deito-me
Caminho e o mundo abre como casa sem portas (...)

Cego, dou passos largos à multidão, como quem vai em direção à saudade.
Travo os ponteiros e deixo de me perceber,
tornando-me um instante.


As luzes apagam.


Vejo, dou passos curtos em direção ao vazio, como quem ilumina a alma com a solidão.
Travam-se os ponteiros, e passo a me perceber,
tornando-me um passado.


As luzes acendem.


Cego-me (...)

Sobreviver, minha doce criança, é assassinar sonhos,
enquanto o tempo embaralha o destino com os tentáculos amargos do acaso,
as cores percorrem o mundo e são capturadas pelo
cansaço.
Restando, então, telas em preto e
branco,
não para serem coloridas, mas para esquecermos que
um dia já existiram tons azuis em
nossos
céus.

A racionalidade nasce da introspecção; a introspecção, da dor. Não há guerra sem cicatrizes. Quem se aventura pelos mares da própria consciência corre o risco de naufragar no próprio ego.

A capacidade de racionalizar a dor a ponto de não senti-la não é uma demonstração de alta inteligência emocional, mas apenas um de seus aspectos. Inteligência emocional também é permitir-se sentir, seja a tristeza, seja a felicidade.


Racionalizar um sentimento é como correr para um abrigo em um dia de chuva: em algum momento, você terá que se molhar.

Para salvar quem eu amo, eu me entregaria ao inferno em troca de que aquela alma beijasse o céu. Mas jamais entregaria um único fio de cabelo da minha amada às brasas para que minha alma fosse salva.

Quem amará as lacunas de um coração partido?
Quem amará as ações de um
arrependido?
Quem amará a covardia de um homem crescido?

Quem amará as fugas, as surras e os
delírios?
Quem permanecerá quando tu estiveres esvaído?

Realmente não há amor quando o mundo está perdido.

Aquele que amou a tristeza jamais sofreu um única noite, pois, ao conhecer as cores compreendemos os tons do mundo.

Eu já fui um desejo tão profundo
que tornou outono tudo que
floresceu antes
de mim.

Eu já fui um homem bêbado
que discutiu com os ponteiros sobre
o hoje já ter
estado ali.

Fui um ladrão honesto, um vadio trabalhador,
Um aventureiro acorrentado,
um explorador de terras
conhecidas.

Eu fui a parte de uma parte, jamais um ser inteiro e desse mesmo teor
eu nunca deixei de ser
quem sou.

Apaixonado tornei-me um
poeta
Melancólico tornei-me um
filósofo
e em felicidade encanei um
idiota.

Há mais poesias em uma gota de amor do que em todas as palavras já escritas no universo.


A linguagem guia o desejo, mas é pequena demais para expressar a alma.

O medo mergulha no medo e cria um ciclo hipocondríaco, uma ferida de marcas evidentes no descuido, mas sem sangue e grito.

Aquele que controla os próprios ponteiros libertou o próprio destino.

A vida nasce quando a sobrevivência morre.

Hoje eu senti o amanhã soprando como ontem, foi então que me percebi no espelho.

Ao reparar a chuva sobre meu rosto eu concebi a eternidade; denotei o infinito como pedaço de um instante.

⁠Vivemos em uma era onde até o amor, que deveria ser a mais pura expressão do espírito, é levado a guerra do ouro. O dinheiro não cria o amor, mas pavimenta o caminho para experiências; o que, por sua vez, despertam sensações que oscilam entre o prazer e o desejo, tecendo o sentimento.

O amor não nasce do acaso, mas da convergência de paixões. As paixões, como raízes, se nutrem de expectativas e vivências. O ouro ainda que incapaz de criar, é a arma do que genuinamente deseja possuir. Assim como um ladrão não rouba sem a intenção, o homem que domina o ouro não compra amor caso não deseje tê-lo.