Tiago Scheimann

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Eu não temo o silêncio; temo a vida sem profundidade, pois ela é a verdadeira forma de abandono.

A maior prova de existência não é ser visto, mas continuar íntegro quando ninguém se dispõe a compreender.

Passando pela floresta escura e pantanosa, onde se encontra o enorme cemitério das minhas almas passadas. Cada passo abandona um pouco do que ainda restou de mim pelo caminho. Mesmo não querendo continuar, existe uma pequena chama, que não chega a aquecer, mas acende um ponto pequeno, quase imperceptível de luz, que, mesmo no negrume quase absoluto, ainda guia meus vagarosos, curtos, mas firmes passos.


- Tiago Scheimann

A complexidade do amor jamais deveria ter sido reduzida à banalidade que, lamentavelmente, hoje o circunda. Esse sentimento de natureza sublime não é um fenômeno que simplesmente irrompe na consciência; é uma construção meticulosa, quase quântica, arquitetada por duas existências que, outrora, eram universos absolutamente desconhecidos uma da outra.


Talvez muitos jamais alcancem sua verdadeira dimensão, nem experimentem sua essência em sua forma mais autêntica. Contudo, aqueles que efetivamente o vivenciam compreendem uma verdade inexorável: o amor transcende a linguagem. Qualquer tentativa de defini-lo com absoluta precisão fracassa diante de sua profundidade, pois existem sentimentos cuja magnitude excede a capacidade das palavras e só podem ser plenamente compreendidos por aqueles que os experimentaram.


- Tiago Scheimann

A tempestade nunca foi minha inimiga; minha única batalha sempre foi impedir que ela se tornasse morada dentro de mim.

O destino pode dilacerar a carne, deformar os caminhos e silenciar os sonhos, mas jamais alcançará aquilo que escolhi governar: meu caráter.

Não desperdiço energia discutindo com o inevitável. Transformo cada golpe da existência em matéria-prima para construir uma versão mais sólida de mim mesmo.

A vida nunca me prometeu justiça; por isso, deixei de exigir um universo perfeito e passei a exigir de mim uma postura digna diante de qualquer imperfeição.

Há orações que não saem da boca; nascem no peito como lampejos de água para uma sede antiga.

A negligência que encontrei na infância não terminou quando deixei de ser criança. Ela aprendeu a crescer comigo. Mudou de rosto, de voz, de silêncio, mas nunca deixou de caminhar ao meu lado.


Há dores que não gritam; elas se infiltram na arquitetura da alma e passam a sustentar tudo o que somos. A minha fez do afeto um território estrangeiro. Nunca aprendi a reconhecê-lo sem antes procurar a ausência que costuma vir depois.


Por isso, amar, para mim, nunca foi um gesto espontâneo. É uma travessia sobre uma ponte construída com tábuas podres. Cada passo parece anunciar uma queda.


Mas existe algo ainda mais difícil do que amar.


É permitir que alguém me ame.


Há uma parte de mim que permanece escondida, como se tivesse sido convencida, ainda menino, de que carinho sempre cobra um preço e de que toda permanência é apenas um atraso para o abandono. Quando alguém tenta atravessar essa distância, meu primeiro impulso não é abrir a porta. É procurar a saída.


Talvez a pior herança da negligência não seja a solidão.


Seja a incapacidade de acreditar que um dia alguém possa olhar para todas as minhas ruínas e, ainda assim, decidir ficar.


Porque existem infâncias que não acabam. Apenas aprendem a respirar dentro do adulto que sobreviveu.


- Tiago Scheimann

A espiritualidade me interessa justamente porque não elimina a ferida, ela a converte em altar de paciência.

Não busco um Deus que me tire da luta, mas um que me devolva a coragem de atravessá-la sem me desmanchar.

Há um amparo que desafia qualquer explicação. Ele não dissolve a inquietação; apenas repousa sobre ela, silenciosamente, como um cobertor que encontra um corpo exausto e, sem pedir licença, lhe devolve a permissão para existir mais uma noite.

Quando a alma se dobra, a fé não a endireita à força, ela a sustenta até que o peso deixe de ser sentença.

Creio no divino como quem confia na manhã antes de vê-la nascer.

A presença sagrada não faz teatro; ela transforma o colapso em caminho, e o caminho em aprendizado.

Em dias de ruína, minha crença não é fogueira, é brasa escondida, suficiente para não permitir que eu me torne noite inteira.

Há uma parte de mim que só se organiza quando dobra os joelhos por dentro.

Há uma estranha paz em não amar profundamente. Nada falta, porque nada realmente importa. Mas basta um único amor verdadeiro para que a existência deixe de ser tranquila e passe a ser infinita, entre o medo da perda e a certeza de que jamais se volta a ser o mesmo."

Há homens que venceram guerras e perderam a si mesmos, a maior batalha da História sempre aconteceu dentro de um peito silencioso.

O tempo não cura ninguém,
apenas ensina a dor a falar tão baixo que a confundimos com maturidade.

A existência é um paradoxo que ri silenciosamente da consciência humana: passamos uma vida inteira buscando respostas para perguntas que acreditávamos essenciais, apenas para descobrir que elas só encontram significado quando já não possuem a capacidade de alterar o caminho que nos trouxe até elas. Talvez a maior tragédia da lucidez seja compreender que o conhecimento nunca chegou para impedir o inevitável, mas apenas para iluminar, com dolorosa clareza, aquilo que o tempo já tornou irreversível.


- Tiago Scheimann

Judas vendeu Cristo por moedas, nós, muitas vezes, vendemos a nós mesmos por aplausos.

Há pessoas que morrem apenas uma vez. Outras precisam sobreviver ao próprio funeral todos os dias, sem que ninguém perceba.

O inferno mais eficiente nunca queimou corpos apenas convenceu almas de que elas nasceram tarde demais para encontrar sentido.