Tiago Scheimann

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Quem nunca conversou longamente com o próprio silêncio dificilmente compreenderá o peso de uma única lágrima.

A esperança é curiosa: costuma escolher como morada exatamente os corações que já não acreditam merecê-la.

Nem toda cruz foi feita de madeira, algumas foram construídas com lembranças que ninguém consegue abandonar

A verdade raramente consola. Ela apenas remove as mentiras que nos impediam de enxergar o tamanho da nossa própria coragem.

Churchill sabia que algumas vitórias custam sangue. A vida ensina que certas sobrevivências custam versões inteiras de quem éramos.

O homem passa metade da vida construindo máscaras e a outra metade tentando descobrir quem ficou escondido atrás delas.

A consciência é o único lugar onde o passado continua acontecendo, o futuro já começou a doer e o presente nunca permanece tempo suficiente para existir

O homem acredita que escolhe seus caminhos, até descobrir que passou a vida inteira obedecendo aos medos que jurava combater.

O vazio não é a ausência de tudo, é a presença esmagadora daquilo que já não pode voltar, mas também nunca consegue partir completamente.

O vazio não é o nada, é a arquitetura invisível de tudo o que nos falta. Uma presença que nos habita pelo avesso, ocupando espaço justamente por sua recusa em terminar de partir.

O tempo não cicatriza, ele apenas sofistica o abismo. Sua função não é curar a dor, mas domesticar o grito, transformando o sofrimento crônico na melodia de fundo que a nossa normalidade exige para continuar fingindo que avança.

O homem imagina possuir uma identidade, quando quase tudo o que chama de "eu" não passa da soma dos medos aos quais decidiu nunca desobedecer.

A vida possui um estranho talento para nos ensinar, tarde demais, o valor daquilo que só compreendemos quando já pertence ao irrecuperável.

A dor mais difícil de suportar nunca foi aquela que nos destruiu, mas a que nos obrigou a continuar vivendo depois da destruição.

Há um momento em que o coração deixa de esperar milagres, ainda assim, continua batendo como quem se recusa a abandonar o impossível.

O destino raramente nos tira pessoas, ele leva embora as versões de nós que só existiam quando elas estavam por perto.

O tempo possui uma crueldade silenciosa: transforma as maiores tempestades em lembranças, mas nunca devolve aquilo que elas levaram.

Meu passado é pesado demais. Por isso, não permito que ninguém entre. Sei que dividir esse fardo seria condenar outra alma a carregar um peso insuportável, imensurável, impossível de compreender por inteiro. Nunca permitirei que alguém sofra o que carrego em silêncio, ainda que, para isso, eu precise assistir à felicidade partir mais uma vez. Há dores que preferem a solidão, porque amam o outro mais do que a própria possibilidade de serem salvas.


- Tiago Scheimann

A maior crueldade da existência talvez não seja a morte, mas conceder ao homem a lucidez apenas quando já não existe ninguém capaz de receber o amor que ele finalmente aprendeu a oferecer.

A saudade é a única presença que a ausência jamais conseguiu destruir.

Amar é aceitar que a maior vulnerabilidade nunca nasce da fraqueza, mas da coragem de colocar nas mãos de alguém o poder de destruir aquilo que jamais poderia ser alcançado pela força.

Atravesso um campo de lama sob uma neblina espessa e uma chuva fina, fria e incessante. Pelo caminho, criaturas de asas, escamas e dentes enormes observam minha passagem. No entanto, nenhuma delas me causa medo. O verdadeiro horror não habita nesses monstros, mas na certeza de que, ao alcançar o fim do lamaçal, descubro que ele era apenas o início. E, condenado ao mesmo percurso, recomeço infinitamente uma jornada da qual jamais consigo partir.


- Tiago Scheimann

O silêncio nunca foi vazio, ele apenas aprendeu a esconder tudo aquilo que as palavras seriam pequenas demais para carregar.

Envelhecer talvez seja assistir, em silêncio, ao desaparecimento gradual de todas as pessoas que um dia fizeram do mundo um lugar reconhecível.

Envelhecer talvez seja contemplar, em absoluto silêncio, a lenta dissolução de todos aqueles que um dia conferiram ao mundo a íntima aparência de um lar. É descobrir, com uma lucidez quase insuportável, que o tempo não nos rouba apenas pessoas, mas também as paisagens invisíveis que elas sustentavam dentro de nós, até que, um dia, permanecemos vivos em um lugar que continua o mesmo para os olhos, mas se tornou irremediavelmente irreconhecível para a alma.


- Tiago Scheimann