Tiago Scheimann

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A alma humana possui ruínas que nem o tempo ousa tocar.

Nem toda profundidade é bonita. Há profundezas que cansam, que isolam e que tornam impossível voltar a habitar superficialidades.

Existe uma parte de mim que ainda conversa em silêncio com tudo aquilo que perdi.

Existem amores que chegam como uma canção antiga, suaves, mas capazes de transformar uma vida inteira. Você é assim para mim. Não ocupa apenas meus pensamentos, habita os lugares mais silenciosos da minha alma, onde poucas pessoas conseguiram chegar. Se um dia minha história fosse cantada, seu nome estaria presente em cada verso, em cada nota A0, porque foi você quem deu melodia aos sentimentos que eu jamais soube explicar.


Tiago Scheimann

Há um tipo de cansaço existencial que nasce de sentir demais em um mundo treinado para anestesiar emoções.

Existem dores tão antigas que acabam confundindo-se com a própria identidade de quem as carrega.

Minha alma tornou-se um território onde convivem fé, exaustão, esperança e ruínas espirituais em permanente conflito.

Há momentos em que a lucidez se torna mais pesada do que a própria tristeza.

Nem toda reconstrução produz beleza imediata. Algumas acontecem no escuro, entre lágrimas silenciosas e pequenos atos invisíveis de resistência.

Talvez amadurecer seja perceber que ninguém atravessa certos abismos sem deixar partes eternas de si pelo caminho.

Às vezes, o maior milagre não é vencer, é simplesmente continuar sem perder completamente a própria humanidade.

Aprendi que algumas almas nascem destinadas à profundidade, e profundidade demais quase sempre vem acompanhada de solidão.

Mesmo cercado de pessoas e de amor, a solidão é uma companhia eterna. Não no sentido de estar sozinho, mas no de saber que ninguém compreende plenamente o que sinto, o motivo das minhas lágrimas ou a profundidade das minhas dores. Elas são particulares, habitam um lugar onde apenas eu consigo entrar.


As pessoas ouvem falar delas, podem até imaginar o que representam, mas jamais poderão vê-las ou senti-las da forma como eu as vejo e sinto. Minhas dores crônicas são aquilo que mais detesto em minha vida e, ao mesmo tempo, aquilo que está mais presente nela. Nunca me abandonam. Fazem-me chorar, refletir e imaginar como seria existir sem elas.


Às vezes penso que, se não as tivesse, talvez este texto jamais existisse. Talvez eu fosse uma pessoa diferente, com outros pensamentos, outras sensibilidades e outros silêncios. Por isso, gostando ou não, elas fazem parte de quem sou. Não as escolhi, mas aprendi que carregá-las também moldou a forma como enxergo o mundo, a dor e a própria vida.


- Tiago Scheimann

Existe um ponto da dor em que as palavras deixam de servir, e tudo o que resta é o silêncio contemplando as próprias ruínas.

Algumas pessoas carregam troféus. Eu carrego sobrevivências.

A dor nem sempre destrói, às vezes ela escava espaço para algo maior.

Existem tempestades que não vieram para nos afundar, mas para nos ensinar a nadar.

Nem toda fé nasce em igrejas ou templos, algumas nascem em quartos escuros.

Há cicatrizes que se tornaram capítulos indispensáveis da nossa história.

Algumas derrotas foram apenas sementes disfarçadas.

O coração amadurece quando aprende a suportar o que não pode mudar.

Existem tristezas que envelhecem conosco como velhos companheiros.

A alma possui profundezas que nem ela mesma conhece.

Nem mesmo a mais primorosa combinação de palavras, nem a narrativa mais vasta e engenhosamente tecida, alcançaria os recantos mais profundos da minha mente. Nela repousam mistérios sem nome, como antigas fábulas esquecidas pelo tempo, fragmentos de sonhos que vagam entre a luz e a penumbra, e segredos que se recusam a revelar sua verdadeira forma. As palavras tentam alcançá-los, mas retornam como viajantes perdidos, incapazes de decifrar por completo os enigmas que habitam esse território invisível.


- Tiago Scheimann

Algumas ausências continuam iluminando caminhos.